O Bê-a-bá do Sertão

Morre o compositor e humorista Juca Chaves, aos 84 anos

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Músico morreu na noite deste sábado (25Março2023) após ser internado por problemas cardíacos e respiratórios. Corpo será cremado neste domingo (26Março2023).

 

O músico e humorista Juca Chaves morreu, na noite deste sábado (26Março2023), em Salvador (BA), onde estava internado no hospital São Rafael. Diabético, ele contava com 84 anos de idade e faleceu em decorrência de problemas respiratórios. O corpo será cremado neste domingo (26Março2023), no Cemitério Bosque da Paz, na capital baiana.

Jurandyr Czaczkes Chaves, mais conhecido como Juca Chaves, nasceu no Rio de Janeiro em uma família judaica, em 23 de outubro de 1938, e se consagrou como humorista, músico, compositor de modinhas e trovas cujas letras traziam irônicas metáforas especialmente contra a ditadura militar brasileira (1964-1985). Por conta disso, foi chamado por Vinícius de Morais como Menestrel Maldito. O escritor Jorge Amado dizia que Juca Chaves tinha “a voz mais livre do Brasil“.

Biografia

Jurandyr Czaczkes Chaves, mais conhecido como Juca Chaves (Rio de Janeiro, 22 de outubro de 1938 – Salvador, 25 de março de 2023), foi um compositor, músico e humorista brasileiro.

Era filho de um judeu austríaco chamado Josef Czaczkes, que aportuguesou seu nome acrescentando o sobrenome Chaves, e de Clarita Wainstein, filha de um judeu lituano.

Com formação em música erudita, começou a compor ainda na infância. Iniciou sua carreira no fim da década de 1950, tocando modinhas e trovas num estilo suave.

Nos anos 60, montou um circo nas proximidades da Lagoa Rodrigo de Freitas, do Corte de Cantagalo. Ali apresentou seu show Menestrel Maldito. Conforme o próprio Juca, o nome do circo era uma sigla: S de “snob“, D de “divino Dener“, R de “ralé“, U de “uanderful“, W de “water-closet“, S de “Sdruws mesmo“.

O humorista costumava contar a seguinte história sobre o Sdruws, perto do qual ficava uma favela. Juca convidara para o circo políticos, empresários e também pessoal da alta-sociedade carioca, e antes da primeira apresentação resolveu reunir os líderes da favela para lhes falar com franqueza, indo direto ao assunto: “Vim aqui para saber como vai ficar o negócio do roubo!” – Uma mulher baixinha, morena, (líder da favela), foi logo respondendo com firmeza: “Olha aqui seu Juca, nós entendemos a sua preocupação e lhe agradecemos pela sinceridade, mas pode o senhor ficar tranquilo, porque a nossa comunidade já se garantiu, e pediu proteção à polícia!”.

Juca foi um crítico do Regime Militar, da grande imprensa e do próprio mercado fonográfico. Chegou a ser exilado em Portugal na década de 1970 mas, ao incomodar o regime então ditatorial desse país com suas sátiras que então ganhavam espaço nas rádios e televisão locais, transferiu-se para a Itália.

De volta ao Brasil, apresentou programas de televisão. Na década de 1980, lançou sua gravadora independente, a Sdruws Records.

Um de seus bordões mais conhecidos é: “Vá ao meu show e ajude o Juquinha a comprar o seu caviar“, seguido de sua risada característica.

Dentre suas canções mais conhecidas estão “Caixinha, Obrigado”, “A Cúmplice“, “Menina“, “Que Saudade“, “Por Quem Sonha Ana Maria” (interpretada no filme Marido de Mulher Boa de 1960) e “Presidente Bossa Nova” essa em homenagem a Juscelino Kubitschek, que presidiu o País entre 1956 e 1961.

Em 2003, outro sucesso de Juca Chaves nos anos 70 – a canção “Take me Back to Piauí” – foi editado na coletânea “Brazilian Beats Volume 4” da gravadora britânica Mr. Bongo, especializada em música popular brasileira.

Desde 1975, Juca Chaves era casado com Yara Chaves. Ele deixa duas filhas adotadas, Marina Morena e Maria Clara.

Conhecido por ser um fanático torcedor do São Paulo Futebol Clube. Em 2006, lançou-se candidato a senador na Bahia pelo PSDC, ficando em 4º lugar, com 19.603 votos (0,35% do total). Fez campanha em formato de poesia, o que os distinguia dos outros candidatos. Nos últimos anos, declarou-se defensor da Operação Lava-Jato.

Faleceu na noite deste sábado (25Março2023), no Hospital São Rafael, em Salvador (BA), em decorrência de problemas cardiológicos respiratórios.

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