O Bê-a-bá do Sertão

Brasil estuda dar crédito para Argentina importar produtos brasileiros

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Número 2 do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo diz que o Brasil tem de “se empenhar” para uma solução conjunta com o país vizinho.

 

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (1ºMaio2023) que a equipe econômica discute estimular o crédito à exportação para a Argentina.

A medida contribuiria para estreitar a relação comercial com o país vizinho. “Na verdade é um financiamento às empresas brasileiras que vendem para a Argentina e são essas empresas que importam serviços e mercadorias do Brasil. Então, o que a gente vem estudando é como a gente consegue fazer esse crédito de exportação dadas as restrições que existem hoje no balanço de pagamento na Argentina”, declarou.

Gabriel Muricca Galípol (Foto acima), o número 2 da economia brasileira ressaltou que o fato de a linha de crédito ser concedida diretamente às empresas brasileiras faz com que a operação destoe de um risco tradicional de financiamento, pois “a demanda pelos produtos existe”.

O entrave é a “conversibilidade da moeda”, segundo Galípolo. “Ou seja, ele vai vender em pesos na Argentina. Quando ele pegar esse financiamento do lado de cá, o que vai acontecer é que tem problema de conversibilidade. Será que o volume de pesos, ao converter para real, vai ser suficiente para pagar a dívida?”, questionou.

O economista afirmou que o Brasil “tem que se empenhar em um processo de encontrar uma solução em conjunto” para a crise na economia argentina. “A Argentina tem um agravante neste ano, que ela teve uma seca, que pegou muito a região lá do Sul e reduziu mais ou menos 40% o valor das exportações -US$ 17 bilhões de perda. Mas para o Brasil, temos 210 empresas que comercializam com a Argentina”, disse.

Galípolo afirmou que o Brasil perdeu US$ 6 bilhões na balança comercial com o país vizinho para a China nos últimos 5 anos. Ele disse que a Argentina é um “parceiro comercial muito importante, especialmente em produtos industriais, que são produtos de mais valor agregado”.

Segundo Galípolo, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) terá um papel importante por ser um “EXIM Bank” – banco de exportação-importação: “O BNDES tem muita experiência nisso, no financiamento de exportações e atuando como EXIM Bank. O papel do BNDES é essencial nesse processo, mas obviamente tem toda uma governança interna do ponto de vista de garantias, de exigências que precisam ser cumpridas e o BNDES vem apoiando e participando dessas discussões de alternativas para essas linhas de EXIM Bank, de exportação do Brasil”.

Na 3ª feira (02Maio2023), o chefe do Executivo da Argentina, Alberto Fernández (Foto acima), vem ao Brasil para encontrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No encontro, o líder brasileiro deve oferecer ao homólogo argentino a opção de o BNDES financiar empresas brasileiras que exportam para o país vizinho.

Economia Argentina

Em março, a inflação anual da Argentina avançou para 104,3%. Este é o maior nível em 31 anos no país, segundo o Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos).

A inflação atual é a maior desde setembro de 1991, quando foi de 115%. O grupo de produtos que registrou o maior aumento foi o de restaurantes e hotéis, com alta de 121,4% no acumulado de 12 meses.

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