Não está nos planos da CBF paralisar as Séries A e B do Campeonato Brasileiro em virtude do esquema de apostas no futebol nacional descoberto pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), que deflagrou nesta semana a segunda fase da operação Penalidade Máxima.
As partidas investigadas são da edição passada do Campeonato Brasileiro, vencido pelo Palmeiras. Também há suspeitos do Paulistão e do Campeonato Gaúcho de 2023.
O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, afirmou que não vai suspender a competição e que a entidade “não tem poder de polícia e Justiça“. Ele espera que a investigação “tenha rigor”.
A CBF prepara um comunicado sobre o assunto para explicar as medidas que está tomando para prevenir que surjam mais casos de esquema de apostas e o que mais ainda pode ser feito para combater corrupção nas partidas. Haverá reuniões virtuais com representantes dos clubes brasileiros nos próximos dias para debater o tema.
A ideia é conversar com atletas dos clubes que disputam as Séries A, B, C e D, todas já em curso, para mostrar o que está sendo feito para coibir os esquemas de apostas e como as agremiações podem contribuir.
Internamente, o Vasco, por exemplo, entregou uma cartilha desenvolvida pelo departamento jurídico do clube para os jogadores e promoveu uma conversa com todo o elenco profissional sobre o tema a fim de informar e esclarecer os atletas.
A CBF se preocupa com a proliferação de casas de apostas, que operam atualmente em uma espécie de limbo regulatório, já que as apostas são legais no País desde 2018, mas ainda não foram regulamentadas.
Sem fiscalização, as suspeitas de manipulação de resultados e de lavagem de dinheiro se multiplicam.
O plano da CBF é alinhar com a Fifa e autoridades internacionais um projeto capaz de proteger o futebol brasileiro e mundial de corrupção e irregularidades, sobretudo esquemas de apostadores criminosos.
O MP de Goiás denunciou 16 pessoas, sendo sete delas jogadores: Eduardo Bauermann (Santos), Gabriel Tota (Ypiranga-RS), Victor Ramos (Chapecoense), Igor Cariús (Sport), Paulo Miranda (Náutico), Fernando Neto (São Bernardo) e Matheus Gomes (Sergipe).
Os jogadores envolvidos no esquema receberiam valores que, de acordo com o MP-GO, variavam entre R$ 50 mil a R$ 500 mil para provocarem eventos específicos em jogos previamente selecionados, como cometer pênaltis, levar cartões amarelos ou vermelhos em determinada etapa da partida, diferença de gols no primeiro tempo, entre outros.
O processo, que conta com 113 páginas, também cita outros jogadores que não foram denunciados, mas teriam sido aliciados no esquema. São eles: Vitor Mendes, Pedrinho, Sávio, Nathan, Nino Paraíba e Dadá Belmonte.