Em protesto, trabalhadores da indústria textil alegam que estão sem receber o salário, que deveria ter sido pago no dia 5.
Parte dos funcionários da unidade fabril da Coteminas, indústria do ramo têxtil, instalada na BR-101 em João Pessoa (PB), compareceram defronte à sede da indústria no começo da manhã desta quarta-feira (17Maio2023), para participar de uma manifestação de protesto, sob a alegação de que estão com salários atrasados e que a indústria não estaria efetuando há cerca de dois anos os depósitos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
Segundo os manifestantes a indústria não estaria liberando a cesta básica mensal de alimentos dos trabalhadores, e que os mesmo não estariam tendo acesso ao plano de saúde coletivo há cerca de cinco meses.
A unidade fabril da Coteminas, produz diversas variedades de toalhas de banho. Ante a situação, os funcionários da Coteminas decidiram por realizar uma manifestação na porta de acesso principal da fábrica em João Pessoa (PB).
Todos os funcionários que estão participando da manifestação trabalham há mais de uma década na unidade fabril da Coteminas e, segundo eles, estariam sem receber o salário de Abril, que deveria ter caído na conta no dia 5 de Maio, razão pela qual os trabalhadores estão cobrando o pagamento dos salários.
Questionados sobre o atraso, um trabalhador afirmou que tentou por diversas vezes fazer contato com o setor de Recursos Humanos, “a gente tenta ligar, não atende, ninguém dá um contato para a gente, de nada. Não temos transparência“, pontuou.
“Procuramos o Sindicato e o Sindicato mandou a gente ficar em silêncio. Fui ameaçado e tudo mais“, afirmou o manifestante relatando sobre um contato mantido com a gestão do Sindicato Textil, que, segundo eles, foi convidado mas se negou a participar.
O protesto dos trabalhadores pessoenses repercutiu nas redes sociais, atraindo a atenção das principais emissoras da imprensa televisiva e radiofônica da capital.
Informações não oficiais apontam que a unidade industrial da Coteminas em João Pessoa, já contou com um quadro funcional de mais de três mil trabalhadores, e que atualmente possui cerca de mil colaboradores.
Ramo textil
A Coteminas é uma das maiores empresas do ramo têxtil do Brasil, fundada pelo ex-vice-presidente José de Alencar (vice no primeiro governo Lula).
Atualmente a empresa é administrada por seu filho Josué Gomes da Silva (Foto acima), presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), que, inclusive chegou a ser convidado pelo presidente Luiz Inácio para assumir o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, recusando o convite.
Além de João Pessoa (PB), a Coteminas possui unidades em Minas Gerais, na Paraíba, no Rio Grande do Norte e Santa Catarina. No exterior, a empresa possui operações na Argentina, USA e Canadá.
A situação dos funcionários do município de João Pessoa não é exclusiva. A reportagem de O Bê-a-bá do Sertão tentou manter contato com a Coteminas, mas não obteve retorno. O espaço continua aberto para a manifestação da empresa.
COTEMINAS
A Coteminas (Companhia Tecidos Norte de Minas) fundada em 1967 em Montes Claros, é uma empresa do ramo têxtil, fundada por José Alencar Gomes da Silva (Foto abaixo) e Luiz de Paula.
A inauguração da primeira fábrica de fiação e tecidos deu-se em 1975. Além das Minas Gerais, a empresa mantém fábricas na Paraíba, Rio Grande do Norte, e Santa Catarina. No exterior, a empresa possui operações na Argentina, nos EUA, e no Canadá.
No período de 2008 a 2012, a empresa sofreu com forte crise nos EUA e com o fortalecimento do Real, que ocasionou a redução de suas atividades nos EUA e o fechamento de duas fábricas no Rio Grande do Norte.
A partir de 2009, empresa passou a atuar no Varejo através das lojas MMartan e Artex. No Brasil, a empresa detém as marcas Santista, Artex, MMartan e Casa Moysés.
Na Argentina, a empresa possui as marcas Palette, Arco-Íris e Fantasia. A marca Springmaid é comercializada nos Estados Unidos da América (EUA) e no Canadá. A empresa possui também as marcas Wabasso, Texmade, Springs Home e licencia a marca SERTA.
Possui produção verticalmente integrada de seus produtos, desde a fiação, passando pela tecelagem, preparação, tinturaria, estamparia, acabamento e confecção, com plantas no Brasil (nove unidades), nos EUA (três unidades), e na Argentina (uma unidade).