Estudo em Brasília calcula que a temperatura tende a ser cerca de 2,5 a 3ºC mais baixa nos espaços com mais vegetação.
A capacidade das árvores de climatizar naturalmente as cidades é um dos benefícios de promover os plantios em áreas urbanas.
No Distrito Federal, a questão da arborização tem sido objeto de estudo para promover o uso sustentável dos recursos naturais como políticas públicas.
Estudante de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Júlia Almeida Gonçalves (Foto acima), mensurou as influências da microclimática da vegetação na escala residencial de Brasília, comprovando o poder da vegetação na qualidade de vida.
A capacidade das árvores de climatizar naturalmente áreas urbanas das cidades, é um tema que tem chamado cada vez mais a atenção de pesquisadores e urbanistas.
Inaugurada como capital do Brasil no dia 21 de Abril de 1960, Brasília é uma cidade planeada que se distingue pela sua arquitetura, essencialmente concebida por Oscar Niemeyer. Disposta em forma de avião, a sua “fuselagem” é o Eixo Monumental, 2 avenidas amplas flanqueadas por um enorme parque. No “cockpit” encontra-se a Praça dos Três Poderes, cujo nome provém das 3 agências do governo que a rodeiam.
A estudante partiu da análise de elementos como a disposição da vegetação no meio urbano e sua influência na temperatura e umidade relativa do ar.
A metodologia combinou revisão bibliográfica e estudo de campo em espaços com áreas verdes.
Para a aferição de temperaturas dos microclimas analisados, a estudante do CEUB adotou as Superquadras 508 Sul, 308 Sul e 508 Norte, ambas localizadas no centro de Brasília.
Vista aérea do Eixo Rodoviário de Brasília (DF-002) Asa Norte em Brasília.
De acordo com o estudo, na Superquadra 308 Sul a vegetação favorece a geração de microclima no local devido à distribuição das árvores e jardins de maneira uniforme.
Na quadra, a relação é 59,11% de área permeável e 40,58% de área arborizada.
A temperatura fica entre 25,5 a 27ºC em agosto, contrastando com os 29 a 30ºC das superfícies pavimentadas.
O nome Plano Piloto, originalmente atribuído ao projeto urbanístico da cidade, passou a designar toda a área construída em decorrência deste plano inicial.
Em setembro, as temperaturas são mais elevadas, de 30 a 32ºC na presença de vegetação e 32 a 34ºC nas superfícies pavimentadas.
Já na quadra 308 Norte, a distribuição da vegetação não é uniforme, a área reservada para a vegetação é significativamente menor, agravada pelo percentual de superfície impermeável, que favorece o surgimento das ilhas de calor.
Inaugurada há 63 anos, a cidade projetada para ser capital é reconhecida como Patrimônio da Humanidade desde 1987. Com plano de Lúcio Costa e elementos atualizados de Oscar Niemeyer, Brasília nasceu icônica.
A pesquisa concluiu que o problema está na má distribuição da vegetação nos centros urbanos, a exemplo do Plano Piloto de Brasília.
A Asa Sul conta com maior quantidade de área verde, diferente da Asa Norte, com maior percentual de área impermeabilizada.
Asa Sul é um bairro da região administrativa no Distrito Federal, sendo um dos locais da cidade com partes predominantemente residenciais no Plano Piloto de Brasília. Localizado ao sul do Eixo Monumental é uma área tombada pela UNESCO como Patrimônio Mundial. É o bairro mais populoso do plano piloto (120 mil habitantes), limitado pelo Lago Paranoá, a leste, e pelo Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek, a oeste. A Asa Sul é cortada pelo Eixo Rodoviário de Brasília, cuja parte no bairro é conhecida como Eixão Sul, além de outras avenidas e vias menores.
Para a aferição de temperaturas dos microclimas analisados, a estudante do CEUB adotou as Superquadras 508 Sul, 308 Sul e 508 Norte, ambas localizações reservadas para a vegetação é significativamente menor, agravada pelo percentual de superfície impermeável, que favorece o surgimento das ilhas de calor.
Nos espaços com mais vegetação, a temperatura tende a ser cerca de 2,5 a 3ºC mais baixa do que lugares expostos ao sol direto.
O CEUB (Centro Universitário de Brasília) é uma instituição de ensino superior particular brasileira, com sede em Brasília, no Distrito Federal e com campus em Brasília e Taguatinga.
“O planejamento urbano é fundamental para que possamos priorizar a vegetação nos espaços. É necessário plantar mais nas cidades de forma organizada, para que se possa desfrutar do conforto térmico e todos os benefícios na geração de microclimas agradáveis”, completa a pesquisadora Júlia Almeida Gonçalves.
Ar-condicionado natural
Orientador do projeto acadêmico, o professor de Arquitetura e Urbanismo do CEUB Dr. Gustavo Alexandre Cardoso Cantuária, que pesquisa o tema dos benefícios da vegetação urbana a mais de 25 anos, afirma que o refrescamento passivo das habitações pode ser alcançado por meio do ar fresco, resultante de maneira natural do processo de evapotranspiração, sem a necessidade de uso de ar-condicionado ou outros elementos mecânicos.
A vegetação, por sua vez, deve ser vista como um grande ar-condicionado natural, eficiente e capaz de refrescar espaços constantemente.
Gustavo Alexandre Cardoso Cantuária é o professor de Arquitetura e Urbanismo do CEUB (Centro Universitário de Brasília).
“O uso da vegetação como ar-condicionado natural não apenas evita o uso de energia, mas contribui para a redução do aquecimento urbano, já que os equipamentos mecânicos geram calor no ambiente externo. Portanto, a incorporação da vegetação na área urbana é uma estratégia importante para garantir a sustentabilidade ambiental e o conforto das pessoas”, pontua o professor doutor Gustavo Cantuária (Foto acima).
Segundo ele, uma árvore com folhagem encorpada pode refrescar como um ar-condicionado em uso contínuo. Além disso, a copa da árvore oferece sombreamento, inibindo a radiação solar direta no espaço abaixo dela.
Os raios solares que batem na vegetação são absorvidos pela folhagem, o que contribui para a fotossíntese e a regulação da temperatura.
“Em Brasília, onde as temperaturas são elevadas o ano inteiro e a seca dura seis meses, esse processo de modificação do ar é altamente benéfico e necessário para garantir qualidade de vida”, ressalta Gustavo Cantuária (Foto acima).
O urbanista do CEUB considera que o planejamento urbanístico da cidade deve andar junto com a natureza, plantando árvores ao mesmo tempo em que se constroem edifícios, para garantir que o espaço urbano seja mais agradável.
Confira o estudo completo aqui.
Cenário nacional
De acordo com o levantamento de arborização realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), das capitais brasileiras, Goiânia (GO) é a cidade mais arborizada, com 89,5% de vegetação presente, seguida de Campinas (SP), com 88,4% e Belo Horizonte (MG) com 83%.
Porto Alegre é a capital do estado de Rio Grande do Sul, no sul do Brasil. A cidade é conhecida como uma porta de entrada para os enormes desfiladeiros do Parque Nacional de Aparados da Serra.
Porto Alegre (RS) aparece em quarto lugar, com 82,9% de arborização. Com 36,9% Brasília (DF) possui 200 espécies de árvores catalogadas pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap).