Um bombardeio contra Israel neste sábado (07Outubro2023) deixou mais de 300 mortos e ao menos 1.600 pessoas feridas, segundo serviços de emergência israelenses citados pela imprensa local, numa infiltração sem precedentes a partir de Gaza, com terroristas em 22 locais atacando civis e soldados; milhares de foguetes disparados contra Israel.
O grupo islâmico Hamas assumiu a autoria do ataque. Na contraofensiva de Israel, jornais locais da Faixa de Gaza dizem que mais de 200 palestinos foram mortos, enquanto 1.610 ficaram feridos.
Em Jerusalém, mesquitas anunciam nos alto-falantes o levante palestino contra Israel, convocando a população a pegar em armas.
Manifestações de apoio a ofensiva militar do Hamas contra Israel foram registradas no Irã, Iraque e no Iêmen.
O governo do Catar, país que sediou a última Copa do Mundo culpou unicamente Israel pelo conflito atual. Já a União Europeia e os EUA declararam apoio e solidariedade aos israelenses.
Já é noite no Oriente Médio e o conflito entre palestinos e israelenses continua a escalar. O Hamas lançou uma nova onda de foguetes da Faixa de Gaza em direção a Tel-Aviv.
O que aconteceu
O comandante militar do Hamas, Mohammed Deif (Foto abaixo), informou que 5 mil foguetes foram lançados da Faixa de Gaza. Sirenes de alerta de bombardeios soaram no sul e no centro de Israel, inclusive em Jerusalém. “Vários terroristas infiltraram-se no território israelita a partir da Faixa de Gaza“, informaram os militares de Israel sobre o ataque de homens armados, que teriam atirado em pedestres.
O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu convocou uma reunião de emergência com autoridades de segurança.
“Estamos em guerra e venceremos“, disse o premiê israelense em pronunciamento publicado nas redes sociais. “O inimigo pagará um preço que nunca conheceu“, afirmou.
Benjamin Netanyahu acrescentou que também decidiu convocar reservistas e pediu aos cidadãos israelenses que sigam as instruções de segurança.
O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant (Foto acima), disse que o grupo islâmico palestino lançou uma “guerra” contra Israel. “Cometeu um grave erro“, afirmou.
Guerra declarada
“Israel está em guerra” – afirmou o primeiro ministro do país, Benjamin Netanyahu (Foto abaixo).
A declaração ocorreu nesse sábado (07Outubro2023), após o Hamas, grupo palestino localizado na Faixa de Gaza, ter lançado um ataque surpresa com milhares de foguetes contra o território israelense.
Esse ataque deixou pelo menos 40 (segundo o jornal Times of Israel) mortos e mais de 700 feridos.
Os últimos anos têm sido marcados por intensos conflitos entre palestinos e israelenses. Esse é um balanço que aponta o número de mortos e feridos em cada um dos lados. Entre 2008 e 2020, um total de 5.590 palestinos morreram, enquanto 251 israelenses perderam a vida por conta desse conflito.
Esse é o maior ataque palestino nas últimas décadas, levando a uma escalada sem precedentes na região. O líder do Hamas disse – “Este é o dia da maior batalha pra acabar com a última ocupação”.
Netanyahu anunciou o início da Operação Espada de Ferro, que visa combater o Hamas e outros grupos palestinos, como a Jihad Islâmica. Desde 1947, israelenses e palestinos estão em conflito dentro do Oriente Médio.
Guerra Israel-Hamas
Era shabat, dia de descanso para o judaísmo. Também era feriado de Simchat Torá, quando uma parte do livro sagrado dos judeus é lida, e dia seguinte ao 50º aniversário da guerra do Yom Kippur (conflito entre Israel, Egito e Síria).
Às 5h30m deste sábado (07Outubro2023), 23h30 de sexta-feira (06Outubro2023) em Brasília, Israel foi surpreendido pelo disparo de 5 mil foguetes em 20 minutos a partir da Faixa de Gaza.
Enquanto isso, centenas de militantes do grupo fundamentalista palestino Hamas atacavam de surpresa o território israelense, em uma operação que chamaram de “Dilúvio Al-Aqsa“. justificando que o movimento havia decidido “encerrar todos os crimes da ocupação” israelense.
A invasão sem precedentes ocorreu por terra, pelo ar (com parapentes) e pelo mar, no que analistas consideram uma falha dos serviços de inteligência israelenses.
Ao avançarem pelo sul de Israel, os membros do Hamas iniciaram um massacre: executaram motoristas, dispararam contra civis nas ruas e invadiram casas em kibbutzim (comunidades coletivas) e em cidades.
Até o fim da noite deste sábado, o número de israelenses mortos passava de 300; 1.590 ficaram feridos, 312 em estado grave. Dezenas de civis e soldados foram sequestrados e levados para Gaza.
O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que “o Exército usará imediatamente toda a sua força para desativar as capacidades do Hamas“. “Nós os golpearemos até a morte“.
O premiê avisou aos israelenses: “Nós estamos em guerra, não em uma operação, mas em uma guerra“. Ele instou os palestinos a saírem da Faixa de Gaza e prometeu reduzir esconderijos do Hamas a “ruínas“.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) lançaram a Operação Espadas de Fogo e bombardearam vários pontos do enclave.
Pelo menos 232 palestinos morreram nas primeiras hora da ofensiva. No fim da noite, as IDF declararam o entorno da fronteira com Gaza como “zona militar fechada“.
Em vídeos divulgados pelas redes sociais, militantes do Hamas gritavam “Allahu Akbar” (Alá é grande) enquanto colocavam uma israelense ensanguentada em um carro. Em outro vídeo, um soldado de Israel é puxado de cima de um tanque de guerra e jogado ao chão.
Às 15h00m (hora local) de sábado, um morador do kibbutz de Sufa, a 2.400m da fronteira com Gaza, descreveu o horror. “Combates no kibbutz, os terroristas se movem entre as casas“, disse.
A 5 km do território palestino, moradores acordaram com o som de sirenes e a explosão de foguetes às 06h30m (hora local).
Cerca de uma hora depois, escutou-se sobre possíveis terroristas que teriam entrado na cidade a partir de Gaza. Então, chegaram vídeos de terroristas com armas, dirigindo pela cidade e passou-se a escutar som de tiroteios.
Às 10h00m, circularam nas redes sociais fotos de civis assassinados pelas ruas. Aparentemente, o Hamas tomou a delegacia. As autoridades ordenaram aos moradores que ficassem em casa e que trancassem as portas, em virtude de ainda haver terroristas em circulação.
“As pessoas temem ser mortas em casa ou sequestradas pelo Hamas. Rezamos para que isso pare, e os reféns sejam libertados. Perdemos amigos, membros da comunidade“, desabafou um morador.
“Equação básica”
O porta-voz internacional das Forças de Defesa de Israel (IDF), o Tenente Coronel Jonathan Conricus, avaliou que o ataque de ontem foi inédito, em escopo, em gravidade e em resultados. “Haverá uma resposta israelense também sem precedentes, essa é a equação básica. Onde isso levará e o que ocorrerá ao Hamas ainda não está claro“, pontuou por telefone.
O Tenente Coronel Jonathan Conricus (Foto acima), ex-comandante das tropas em Gaza admitiu que os militantes prepararam tudo sem que as IDF tomassem conhecimento dos planos. “Haverá importantes e pesadas lições a serem aprendidas e implementadas rapidamente“, declarou. Conricus contou que centenas de membros do Hamas foram mortos dentro de Israel.
Oficial do Hamas: “Nosso ataque apenas começou”
Hussam Badran (Foto abaixo), membro do gabinete político do Hamas, diz que o ataque do grupo terrorista está apenas na sua fase inicial.
Badran diz que o ataque, chamado de “Dilúvio de Al-Aqsa” pelo grupo terrorista, ocorre após uma preparação cuidadosa com o objetivo de pegar Israel de surpresa.
O líder terrorista diz que esta batalha é diferente de todas as rondas anteriores de conflito e apela aos mediadores árabes para transmitirem a Israel que deve “deixar as nossas terras ocupadas”.
Ele acrescenta que o Hamas não espera que eles sejam mediadores, mas sim apoiantes da sua posição.
Tal como vários líderes do Hamas que emitiram declarações hoje, Badran afirma que o ataque é motivado pelo controle israelita sobre a mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém.
A mesquita de Al-Aqsa, o terceiro local mais sagrado para os muçulmanos, fica no topo do Monte do Templo, o local mais sagrado para os judeus como local dos templos bíblicos.
Israel há muito mantém um status quo delicado no local, onde os judeus podem visitar durante horários limitados, mas não podem rezar.
A Mesquita de Al-Aqsa situa-se na cidade de Jerusalém, mais concretamente na área da Cidade Antiga, na parte sul do Haram al-Sharif, terceiro local sagrado para o islão, depois de Meca e Medina. É a maior mesquita de Jerusalém, tendo capacidade para receber cerca de cinco mil pessoas.
Grupos terroristas têm usado repetidamente alegações infundadas sobre as intenções de Israel de tomar a mesquita como pretexto para a violência.
Badran também culpa as políticas israelitas na Cisjordânia e o tratamento dispensado aos prisioneiros palestinianos pelo ataque, acrescentando que “somos os proprietários desta terra e esta ocupação não durará para sempre”.
O ataque surpresa contra Israel matou pelo menos 300 israelitas, incluindo muitos civis, e feriu mais de 1.000.
Um número indeterminado de israelitas, vivos e mortos, são mantidos como reféns por terroristas em Gaza.