A Força-Tarefa que apura as suspeitas de desvios no Hospital Padre Zé, em João Pessoa, investiga onde foram investidos os mais de R$ 13 milhões solicitados por meio de empréstimos em nome da instituição durante a gestão do Padre Egídio Carvalho (Foto abaixo) junto ao Banco Santander e a Caixa Econômica.
O Padre Egídio Carvalho, ex-diretor do Hospital Padre Zé.
A informação foi repassada pelo novo diretor do hospital, Padre George Batista, durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira (10Outubro2023) ao lado do arcebispo Metropolitano da Paraíba, Dom Manoel Delson.
“Existem dois empréstimos na Caixa e no Santander feitos entre o ano passado e esse ano. No Santander, é de R$ 600 mil e na Caixa aproximadamente R$ 12,4 milhões. O empréstimo foi feito na antiga gestão (Padre Egídio). Somando tudo dá cerca de R$ 13 milhões. Para onde foi esse dinheiro? A Força-Tarefa está investigando e no período certo vai revelar”, disse o Padre George Batista (Foto abaixo).
O Padre George Batista assumiu recentemente o cargo de Diretor do Hospital Padre Zé.
Por conta do crédito, a unidade de saúde perde mensalmente cerca de R$ 250 mil que são transferidos através do recursos oriundos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Atualmente, a unidade precisa de cerca de R$ 1,3 milhão para se manter, sendo cerca de R$ 1 milhão de verbas enviadas pelo SUS e o restante através de doações.
Operação Indignus
A Operação Indignus, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) cumpriu mandados em imóveis de luxo de propriedade do padre Egídio na última quinta-feira (05Outubro2023).
Os crimes vêm sendo investigados desde o mês passado quando se tornou público o escândalo envolvendo a venda de telefones doados pela Receita Federal. O lucro com a venda, ao invés de serem revertidos para obra, foi parar em contas de terceiros.
O que chama a atenção dos investigadores é o uso do clamor social para enriquecimento ilícito. É o que destacou o coordenador do Gaeco, Octávio Paulo Neto (Foto abaixo).
Octávio Celso Gondim Paulo Neto, Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado da Paraíba (MPPB), Coordenador do Núcleo de Gestão do Conhecimento do MPPB e coordenador do GAECO/MPPB.
“O escopo da operação se volta a tentar aclarar os desvios no Hospital Padre Zé e na Associação Social Arquidiocesana. Uma coisa que espanta é a apropriação de pautas legítimas de alto relevo social por pessoas que buscam se monetizar, que se apropriam dessas bandeiras para explorar miseráveis para ter com isso vantagens financeiras das mais vultuosas”, disse Neto.
Para o promotor, essa é uma atitude que “choca”. “É bem triste e preocupante”. Paulo Neto afirmou que houve por parte da nova direção do Hospital Padre Zé, liderada pelo Padre George Batista, e do arcebispo Dom Manoel Delson uma cooperação para que o inquérito pudesse ser aprofundado.
“Achados” na Granja do Padre
Ainda durante o cumprimento de mandados da Operação “Indignus”, nas cidades de João Pessoa, Conde e São Paulo, foram encontradas várias caixas com vinhos importados que podem totalizar quase R$ 30 mil.
Jardim da granja do Padre Egídio, localizada no município do Conde, no Litoral Sul do Estado da Paraíba.
Na granja do Padre Egídio, localizada no município do Conde, no Litoral Sul, foi constatado que era utilizado um fogão Lofra Dolcevita, avaliado no mercado em R$ 80 mil. O imóvel ainda apresentou movelaria rústica, de alto padrão comercial.
Outro fato que chamou a atenção dos investigadores, é que o religioso mantinha 30 cachorros da raça Spitz Alemão, conhecidos popularmente como “Lulu da Pomerânia” em sua Granja no Conde.
Cão da raça Spitz Alemão (Lulu da Pomerânia). Cada filhote da linhagem é comercializado em valores que variam entre R$ 7 mil e R$ 15 mil reais.
Imóveis milionários de Padre Egídio
No decorrer da operação encabeçada pelo Ministério Público da Paraíba, o principal alvo foi o Padre Egídio Carvalho, ex-diretor do Padre Zé, além de duas ex-diretoras da instituição.
As equipes cumpriram mandados de busca e apreensão em diversos endereços ligados ao Padre, a exemplo de imóveis luxuosos, como coberturas em prédios de alto padrão nas orlas do Cabo Branco e Bessa.
Um dos imóveis que mais chama a atenção da investigação é um apartamento no Luxor Paulo Miranda, à beira-mar do Cabo Branco. Uma unidade habitacional no conjunto é avaliada em cerca de R$ 2 milhões.
Um dos imóveis que mais chama a atenção da investigação é um apartamento no Luxor Paulo Miranda, à beira-mar do Cabo Branco. Uma unidade habitacional no conjunto é avaliada em cerca de R$ 2 milhões.
A nova diretoria do Hospital Padre Zé, em João Pessoa, divulgou nota onde afirma que a unidade de saúde está passando por “grave problemas financeiros”. Mas, apesar da situação, o hospital diz que “todos os serviços serão mantidos”.
Após tomar posse, a primeira providência da nova direção foi solicitar ao Ministério Público uma auditoria ampla e irrestrita em todas as suas contas, contratos, convênios e projetos.
Também está sendo formada uma força-tarefa, envolvendo o Gaeco, a Polícia Civil, a Secretaria de Estado da Fazenda e a Controladoria-Geral do Estado da Paraíba para apurar o fato e buscar soluções para o problema.
Focos da investigação da Força Tarefa
A Operação Indignus deflagrada cumpriu 11 mandados judiciais de busca e apreensão, em endereços de 3 investigados, sendo oito na cidade de João Pessoa (PB), um na cidade de Conde (PB) e dois na cidade de São Paulo (SP).
Os seis imóveis de luxo que foram alvos de busca e apreensão, nesta quinta-feira (05Outubro2023), no bairro do Bessa e no Cabo Branco, podem ter sido comprados e reformados com dinheiro do Hospital Padre Zé. Em outros endereços, como a granja no Conde, os investigadores apuram se a propriedade foi equipada com dinheiro doado à unidade.
Esse é um dos focos da investigação da Força Tarefa composta pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado – GAECO do Ministério Público do Estado da Paraíba, pela Polícia Civil da Paraíba da Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social, pela Secretaria de Estado da Fazenda da Paraíba e pela Controladoria-Geral do Estado da Paraíba.
A Operação Indignus deflagrada na quinta-feira (05Outubro2023) cumpriu 11 mandados judiciais de busca e apreensão, em endereços de 3 investigados, sendo oito em João Pessoa (PB), um no Conde (PB) e dois na cidade de São Paulo (SP).
O Padre Egídio Carvalho, ex-diretor do Hospital Padre Zé.
São endereços, segundo o Gaeco, ligados ao Padre Egídio, ex-diretor, que, recentemente, foi afastado das funções na Igreja pela Arquidiocese da Paraíba; e da diretora administrativa do hospital, Jannyne Dantas, e a tesoureira da unidade hospitalar filantrópica, a Amanda Duarte.
Nove imóveis visitados pela força-tarefa estão na lista apresentada numa denúncia anônima que virou Notícia de Fato do MPPB.
Nela, o denunciante afirma, com detalhes, que apartamentos e casas foram comprados com dinheiro da unidade hospitalar.
- Granja no Conde, Litoral Sul da Paraíba
- Dois apartamentos no edifício Ilha dos Corais, no Bessa
- Dois apartamentos no edifício Saulo Maia, no Cabo Branco
- Apartamento no edifício Jardim do Atlântico, no Cabo Branco
- Apartamento no residencial Luxor Paulo Miranda, no Cabo Branco
- Dois apartamentos em São Paulo
- Apartamento na rua João Batista Carvalho Moura, 122, na Cidade Universitária
- Apartamento na rua Bancário Antônio Rosa, nos Bancários.
Envergonhado e traído
O arcebispo da Paraíba, Dom Manoel Delson, disse que se sente envergonhado e traído em meio ao escândalo financeiro que envolve o padre Egídio de Carvalho, ex-diretor do Hospital Padre Zé e ex-secretário-executivo da Ação Social Arquidiocesana (ASA).
A declaração do líder da Igreja Católica no estado foi feita nesta terça-feira (10Outubro2023) durante uma entrevista coletiva com um pronunciamento da nova gestão da unidade.
“Eu sinto muita tristeza muito grande que um ministro de Deus tenha se envolvido numa coisa dessa natureza”, pontuou Dom Delson completando: “O sentimento é de vergonha. Me sinto traído, porque (ele) foi preparado para anunciar o evangelho, testemunhar a fé, para estar a serviço dos mais pobres”.
Em outro momento, Dom Delson disse que o patrimônio identificado no nome do padre Egídio é “assombroso“, uma vez que um sacerdote recebe aproximadamente três salários mínimos por mês. “Isso nos entristece muito. É uma questão muito grave, porque um sacerdote deve servir aos mais pobres”, declarou.
Dívidas milionárias
Nesta terça-feira (10Outubro2023), durante um pronunciamento oficial, a nova gestão do Hospital Padre Zé informou que a instituição acumula R$ 3 milhões em dívidas.
Junto com a Arquidiocese, o novo diretor informou que campanhas devem ser realizadas com empresários para “ajudar a salvar o hospital“.
Notícia de Fato nº 001.2023.065154
CLIQUE AQUI e confira a Denúncia de utilização irregular das verbas destinadas ao Instituto São José, Hospital Padre zé e Ação Social Arquidiocesana por parte da sua diretoria, que acontecem desde a entrada da atual diretoria, que utilizam a solidariedade e caridade humana para desviar recursos.