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Câmara Municipal de João Pessoa aprova Voto de Repúdio contra Ed Motta

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A Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) aprovou, na manhã desta quinta-feira (14Maio2026), Voto de Repúdio ao músico Ed Motta (Eduardo Motta) , em razão de declarações e comportamento de cunho preconceituoso e xenofóbico direcionados ao povo paraibano, ocorrido em um restaurante no início de maio. O requerimento, de autoria do presidente Valdir José Dowsley (Dinho/MDB), foi aprovado de forma unanime.

A Paraíba é terra de gente trabalhadora, honesta, criativa, acolhedora. Um Estado que orgulha o Brasil pela sua história, cultura e pela força do seu povo. Não aceitaremos que expressões preconceituosas sejam tratadas como algo normal e irrelevante. Quando alguém utiliza o termo ‘paraíba’ de forma pejorativa, agride a mim e a milhões de nordestinos, que diariamente ajudam a construir o país com trabalho e dignidade. O Brasil precisa aprender a respeitar o Nordeste”, afirmou o vereador Raoni Barreto Mendes (PSD), parabenizando Dinho pela propositura.

Valdir José Dowsley (Dinho/Foto acima) destacou que este é o primeiro Voto de Repúdio apresentado por ele, em virtude da gravidade das declarações do músico. “Não posso concordar com a forma preconceituosa do artista. Que preconceito é esse? Por que esse termo pejorativo? Por que essa discriminação com os paraibanos? Sofri muito com isso no Rio de Janeiro. Ele foi infeliz. É o primeiro voto de repúdio que apresento nesta Casa, porque tenho muita cautela. Mas, isso me atingiu, porque a gente não pode ser vítima de preconceito”, afirmou.

Vereadores parabenizam propositura

Ricardo Almeida (Guguinha Moov Jampa/PSD) parabenizou Dinho pela iniciativa. “Vem em uma boa hora para todos que acham que a Paraíba é diferente de qualquer outro estado. Não vamos admitir que qualquer pessoa destrate ou desmereça nosso estado ou nossa cidade”, enfatizou.

Ele usou a Paraíba para ser lembrado, porque já estava vivendo o esquecimento de um artista inexpressivo a nível nacional”, afirmou Fernando Paulo Carrilho Milanez Neto (MDB), lembrando que a Paraíba é a terra de nomes como Augusto dos Anjos, Elba Ramalho, Pinto do Acordeon, José Lins do Rego. “Compreendo que ele precisava lembrar da Paraíba para que ele fosse lembrado a nível nacional”, declarou.

O vereador Moisés Lima (Mô Lima/PP) reforçou que a Paraíba se destaca culturalmente, área de trabalho do músico. “Quem passa por esse tipo de atitude sente como é forte ser depreciado por sua terra. A Paraíba é uma das maiores vertentes do Brasil, principalmente, culturalmente. Os maiores sucessos do tio dele, Tim Maia, são de um paraibano, Cassiano”, afirmou.

As vereadoras Jailma Carvalho (PSB) e Eliza Virginia de Souza Fernandes (PP) e os vereadores Odon Bezerra Cavalcanti (PSB), Marcos Henriques e Silva (PT) e Ives Rocha Leitão (Mikika Leitão/MDB) também se pronunciaram, se acostando ao requerimento. “Me acosto integralmente ao requerimento. Que a Paraíba não contrate este artista. Se contratar, certamente serei uma das vozes a gritar contra essa persona”, afirmou Odon Bezerra (PSB).

Temos que lamentar profundamente uma atitude dessa, principalmente vinda de um artista que, em tese, vê as artes como um meio de difundir diferentes culturas e semear o que há de melhor no estado e no mundo. Essa luta de combater a xenofobia é de todos e de todas nós”, enfatizou a vereadora Jailma Carvalho.

Ed Motta diz à polícia que se sentiu “desprestigiado” por cobrança de rolha

Artista foi flagrado arremessando cadeira durante confusão em restaurante; funcionário do estabelecimento afirmou ter sido chamado de “paraíba” por Ed durante briga, mas cantor nega.

O cantor Ed Motta afirmou, em depoimento à polícia na terça-feira (12Maio2026), que se sentiu “chateado e desprestigiado” após ser cobrado por uma taxa de rolha no restaurante Grado, na zona Sul do Rio de Janeiro. Na ocasião, o produtor musical foi flagrado arremessando uma cadeira dentro do estabelecimento durante uma confusão entre clientes e funcionários.

Na semana passada, ele já havia sido intimado para depor, mas informou que estava viajando e não compareceu à delegacia. No depoimento desta terça na 15ª DP (Gávea), obtido pela CNN Brasil, Ed declarou que é cliente do restaurante “Grado” há cerca de nove anos e já tem o costume de levar a própria garrafa de vinho.

Durante a declaração, o artista ainda destacou que em nenhuma das vezes em que levou a bebida ao local, ele chegou a ser cobrado pela taxa de rolha, tendo em vista o “alto consumo [no restaurante], bem como a consideração que tem pelo estabelecimento [que também já foi divulgado nas redes sociais do artista]“.

No entanto, Ed aponta que, no dia da confusão, ele e as pessoas que o acompanhavam levaram ao restaurante cerca de sete garrafas de vinho, sendo que, segundo o artista, nem todas foram consumidas dentro do estabelecimento.

“[…] Para surpresa do declarante [Ed Motta], foi cobrada a taxa de rolha; [ele] sentiu-se chateado e desprestigiado com o fato, tendo em vista que isso nunca ocorrera anteriormente“, destacou o documento.

Diante da situação, Motta decidiu conversar com o gerente do restaurante, que lhe disse que a taxa foi cobrada por conta “de a mesa estar cheia [ou seja, não estava ocupada apenas por Ed e a esposa, caso em que a taxa não seria cobrada]“.

O artista afirmou que ficou chateado, levantou da mesa e chegou a dizer: “Nunca mais volto aqui“. Segundo Ed, no mesmo momento, “sob influência de emoção“, ele pegou uma cadeira e a arremessou no chão, “sem a intenção de acertar qualquer pessoa“.

De acordo com o depoimento, após jogar a cadeira no chão, Ed chegou a esbarrar em uma mesa com dois casais, quando também derrubou uma bolsa de uma das ocupantes da mesa. No mesmo dia do ocorrido, Ed enviou mensagens ao sócio do estabelecimento, dizendo que não havia gostado do atendimento naquela noite.

Imagens analisadas pela polícia apontam que, ainda na noite da confusão, um frequentador teria sido atingido com uma garrafada e um soco, quando recebeu atendimento médico e registrou a ocorrência. Segundo o depoimento de Ed, ele soube da briga apenas na manhã seguinte ao caso.

O artista também é investigado por injúria por preconceito após um funcionário do estabelecimento afirmar à polícia ter sido vítima de xenofobia, ao ter sido chamado de “paraíba” durante o episódio registrado no último dia 2 de maio. O crime prevê pena de um a três anos de reclusão.

No termo de declaração, o artista negou que tenha ofendido qualquer funcionário do restaurante.

O que aconteceu com Ed Motta?

Visão geral criada por IA

Ed Motta envolveu-se em uma briga generalizada e está sendo investigado por injúria por preconceito e agressão contra um funcionário no restaurante Grado, no bairro do Jardim Botânico, Zona Sul do Rio de Janeiro. O GLOBO +2

O incidente ocorreu após uma discussão sobre a cobrança da “taxa de rolha” (valor cobrado para o cliente consumir o próprio vinho): YouTube ·SBT News

O artista prestou depoimento na 15ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro, negou a acusação de agressão direta e de crime de preconceito, mas reconheceu o descontrole durante o episódio. Acompanhe os desdobramentos oficiais do caso nos portais de notícias como o G1 ou a CNN Brasil. Instagram ·GloboNews +2.

 

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