{"id":115,"date":"2020-07-03T01:10:13","date_gmt":"2020-07-03T01:10:13","guid":{"rendered":"http:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/?p=115"},"modified":"2020-07-31T11:17:09","modified_gmt":"2020-07-31T11:17:09","slug":"sady-fernandes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2020\/07\/03\/sady-fernandes\/","title":{"rendered":"Sady Fernandes"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 3 minutos<\/div>\r\n<blockquote>\r\n<p><strong>Sady Fernandes de Arag\u00e3o J\u00fanior \u00e9 Engenheiro Agr\u00f4nomo e Perito Criminal do Governo do Estado de Rond\u00f4nia.<\/strong><\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n<p><strong>O segundo significado de an\u00f3dino<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O militante disse entre confuso e indignado \u201c<em>o companheiro est\u00e1 t\u00e3o acomodado com a estabilishiment que n\u00e3o consigo identificar a que grupamento ideol\u00f3gico voc\u00ea pertence<\/em>\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Dou-me por satisfeito em ratific\u00e1-lo, posto que nem mesmo sei a que id\u00e9ias, ideais e ideologia perten\u00e7o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Talvez por utilitarismo, muito me tem valido o conhecimento de coisas objetivas, como a massa b\u00e1sica de p\u00e3o ou o molho bechamel, ao passo que quimeras s\u00e3o inalcan\u00e7\u00e1veis para mim. Mas, num mundo de r\u00f3tulos, por livre, rotulo-me de an\u00f3dino. Um r\u00f3tulo desbotado colado com cuspe em uma garrafa de fuma\u00e7a esvanecendo-se no ar. E, se necess\u00e1rio se faz, ato-me ao segundo significado de an\u00f3dino, a saber: pouco eficaz, sem import\u00e2ncia ou interesse especial, banal, insignificante, med\u00edocre. Mesmo porque, n\u00e3o me atreveria a assumir o primeiro sentido do \u00e9timo, que refere-se a mitigar ou fazer cessar a dor. O que n\u00e3o seria de todo falso, pois n\u00f3s os z\u00e9s-ningu\u00e9m pouco ou nada perturbamos a ordem e muita dor mitigamos por simplesmente n\u00e3o provoc\u00e1-las. E, talvez pela mania de classificar, poderia asseverar pertencermos eu e outros ao an\u00f4nimo grupo dos an\u00f3dinos, a respeito dos quais agora escreverei.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Cuidar que tenhamos \u00f3dios figadais e paix\u00f5es definitivas \u00e9 cuidado v\u00e3o. Primamos pela fleuma acreditando que nenhuma guerra valha o pre\u00e7o a ser pago por lut\u00e1-la. Somos surdos ao clamor a litig\u00e2ncia e dizemos convictamente \u201c<em>passo<\/em>\u201d. Por nada sermos e a tudo renunciamos, a nossa vida \u00e9 uma rotina de dias est\u00e1veis, cujos amanheceres e anoiteceres s\u00e3o perenes na sua mesmice cambiante. Em n\u00f3s o crescimento \u00e9 vegetativo. Indissoci\u00e1vel do fato de existirmos. E nossa exist\u00eancia \u00e9 o existir de per si. Assim. Sendo. Sem maiores inquietudes quanto ao que somos ou, e \u00e9 isso nos importa, o que os demais s\u00e3o ou pensam que somos, desde que estejamos em paz.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Mas, se a fortuna nos presenteia com recursos, s\u00e3o eles direcionados a cria\u00e7\u00e3o de mais e mais estabilidade e equil\u00edbrio, pois nosso modo de ser repele afoitezas, aventuras, jogatinas, planos mirabolantes, apostas arriscadas, del\u00edrios, euforias, brigas e todos os tipos de eventos estressantes.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Definitivamente, n\u00e3o gostamos de trag\u00e9dias, hist\u00f3rias compridas, lam\u00farias&#8230; o nosso pendor \u00e9 mais para a com\u00e9dia leve que mostre a falta de import\u00e2ncia daquilo que move os lit\u00edgios. Contudo, desgosta-nos rir das desgra\u00e7as alheias, ao passo que, por um sutil deboche, tipo uma piada interna, rimos de n\u00f3s mesmos e das nossas desgra\u00e7as. Por isso, entramos em \u00eaxtase \u00e9 f\u00e1cil. Basta que se apresente A Beleza sem, contudo, termos a veleidade de adonarmo-nos dela. N\u00e3o sendo venturosa nem tr\u00e1gica a nossa exist\u00eancia transcorre an\u00f4nima e n\u00e3o temos sequer a pretens\u00e3o de ser imprescind\u00edveis, insubstitu\u00edveis e importantes.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Vivemos e deixamos viver, pois sabemos que na vida tem a morte. Carregamos pouca coisa ou, idealmente, nada. Erigimos o conceito de \u201c<em>quanto menos bagagem mais f\u00e1cil \u00e9 a viagem<\/em>\u201d ao n\u00edvel de quase dogma, s\u00f3 n\u00e3o o sendo de todo, por nossa natural avers\u00e3o a quaisquer dogmas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Sabemos a arte da invisibilidade contida no sil\u00eancio, na concord\u00e2ncia e na mod\u00e9stia\u2026 ao mesmo tempo que, raramente, imensa compaix\u00e3o se apodera de n\u00f3s e tentamos demonstrar que melhor vida se tem se nos empenhamos em cooperar com bons projetos e sistemas quase sempre sem nenhum sucesso. \u00c9 princ\u00edpio indiscut\u00edvel que somos todos iguais na nulidade. E nunca vencemos porque n\u00e3o gostamos de derrotados. Assim nossa a\u00e7\u00e3o \u00e9 cheia de momentos desarmados e de encontros afetuosos, cheios de generosidade e alegria.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Sabemos que a vida \u00e9 uma doen\u00e7a terminal e que morreremos dela. O final incontorn\u00e1vel \u00e9 sempre admitido e \u00e9, para n\u00f3s, de muito bom tom falar a respeito da nossa morte, pois entendemos que nunca se trata da morte dos outros, mas sim da admiss\u00e3o da nossa pr\u00f3pria mortalidade e insignific\u00e2ncia, para vivemos a vida de maneira que o ponto final da nossa narrativa existencial seja um discurso fundamentado e que resulte benef\u00edcios a todos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Por fim, a nossa espera por um futuro gozoso faz o tempo ser reconhecido como um hiato entre a presente tristeza e a ulterior alegria, o que torna leve e f\u00e1cil relevar as moment\u00e2neas adversidades postas na nossa breve e feliz caminhada sobre este lindo e maravilhoso planeta.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 3 minutos Sady Fernandes de Arag\u00e3o J\u00fanior \u00e9 Engenheiro Agr\u00f4nomo e Perito Criminal do Governo do Estado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":117,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=115"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9534,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115\/revisions\/9534"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/117"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=115"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=115"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=115"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}