{"id":1262,"date":"2008-09-04T00:00:00","date_gmt":"2008-09-04T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2008-09-04T00:00:00","modified_gmt":"2008-09-04T00:00:00","slug":"Um-desafio-para-um-futuro-proximo-que-deve-ser-encarado-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2008\/09\/04\/Um-desafio-para-um-futuro-proximo-que-deve-ser-encarado-hoje\/","title":{"rendered":"Um desafio para um futuro pr\u00f3ximo que deve ser encarado hoje"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 6 minutos<\/div><p align=\"justify\"><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><br \/><strong>S&atilde;o Paulo(SP) &#8211;<\/strong> As sociedades humanas precisam reformar rapidamente sua administra&ccedil;&atilde;o dos recursos em &aacute;gua doce, sobre os quais pesam amea&ccedil;as cada vez mais importantes. Caso mudan&ccedil;as n&atilde;o forem promovidas em tempo h&aacute;bil, a seguran&ccedil;a h&iacute;drica, aliment&iacute;cia e energ&eacute;tica de determinadas regi&otilde;es do mundo, em breve poder&aacute; estar comprometida. Em subst&acirc;ncia, esta &eacute; a mensagem dos organizadores do 13&ordm; Congresso Mundial da Agua, que est&aacute; sendo realizado em Montpellier, na Fran&ccedil;a, de segunda, 1&ordm; a quinta-feira, 4 de setembro. <\/p>\n<p>&quot;<em>Durante muito tempo, o recurso da &aacute;gua esteve dispon&iacute;vel, em grande quantidade, e apresentando boa qualidade. Ela era considerada como inesgot&aacute;vel<\/em>&quot;, resume Cecilia Tortajada, a presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Internacional dos Recursos H&iacute;dricos(IWRA), e co-organizadora deste congresso. Mas est&aacute; situa&ccedil;&atilde;o j&aacute; foi alterada, e n&oacute;s estamos agora nos aproximando dos limites. &quot;<em>O nosso objetivo &eacute; de gerar conhecimentos a respeito desta quest&atilde;o, e de incentivar os tomadores de decis&otilde;es a anteciparem os desafios que est&atilde;o por vir<\/em>&quot;, acrescenta. <\/p>\n<p>O congresso de Montpellier, cuja abordagem predominante &eacute; cient&iacute;fica, est&aacute; sendo realizado alguns meses antes da reuni&atilde;o do F&oacute;rum Mundial da &Aacute;gua, que est&aacute; agendado para mar&ccedil;o de 2009 em Istambul(Turquia) e que reunir&aacute; lideran&ccedil;as pol&iacute;ticas, industriais e organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais(ONGs). Cerca de 260 comunica&ccedil;&otilde;es dever&atilde;o ser apresentadas no congresso de Montpellier. Elas abordar&atilde;o as quest&otilde;es da evolu&ccedil;&atilde;o da vaz&atilde;o dos rios oeste-africanos, o impacto do aquecimento clim&aacute;tico sobre a irriga&ccedil;&atilde;o do arroz na China, e a administra&ccedil;&atilde;o dos conflitos entre usu&aacute;rios na Espanha, entre outras. <\/p>\n<p>Todas elas exploram as m&uacute;ltiplas facetas de uma mesma realidade: no momento em que a popula&ccedil;&atilde;o mundial n&atilde;o p&aacute;ra de crescer, a &aacute;gua vem se tornando cada vez mais rara. A principal causa deste desequil&iacute;brio &eacute; o aquecimento clim&aacute;tico. &Agrave; medida que a temperatura segue aumentando, a evapora&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua dos rios e de todos os cursos de &aacute;gua em geral torna-se mais importante. Com isso, a quantidade de &aacute;gua dispon&iacute;vel no meio-ambiente vai diminuindo. Uma vez que o regime das chuvas tamb&eacute;m est&aacute; sendo prejudicado por este fen&ocirc;meno, as disparidades entre as regi&otilde;es do mundo, que j&aacute; eram consider&aacute;veis, dever&atilde;o continuar se acentuando. <\/p>\n<p><strong><u><font face=\"Arial\" color=\"#0000ff\" size=\"4\">Explora&ccedil;&atilde;o excessiva<\/font><\/u><\/strong> <br \/>O segundo grande fator de rarefa&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua &eacute; o crescimento das formas de polui&ccedil;&atilde;o de origem urbana, industrial e agr&iacute;cola. &quot;<em>Raros s&atilde;o os pa&iacute;ses que efetuam corretamente o saneamento das suas &aacute;guas usadas&quot;, constata Cecilia Tortajada. &quot;Na Cidade do M&eacute;xico, o principal curso de &aacute;gua encontra-se polu&iacute;do de tal forma que a municipalidade &eacute; obrigada a captar a sua &aacute;gua pot&aacute;vel a quil&ocirc;metros de dist&acirc;ncia<\/em>&quot;. <\/p>\n<p>A saliniza&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas doces, que &eacute; provocada pela explora&ccedil;&atilde;o excessiva dos len&ccedil;&oacute;is fre&aacute;ticos costeiros ou dos rios, as torna igualmente impr&oacute;prias para o consumo. Com isso, elas n&atilde;o podem ser aproveitadas sem custosos processos de saneamento pr&eacute;vios. <\/p>\n<p>Ora, as necessidades de &aacute;gua v&ecirc;m aumentando sem parar. O crescimento da popula&ccedil;&atilde;o mundial, que ocorre essencialmente nas grandes metr&oacute;poles, vem concentrando a demanda em determinadas regi&otilde;es, o que complica o abastecimento de &aacute;gua pot&aacute;vel. Contudo, e principalmente, s&atilde;o os volumes necess&aacute;rios para garantir a alimenta&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o mundial num futuro pr&oacute;ximo que causam preocupa&ccedil;&atilde;o. Atualmente, uma propor&ccedil;&atilde;o de 70% em m&eacute;dia do volume total de &aacute;gua doce utilizada em todo o mundo &eacute; destinada ao setor agr&iacute;cola. <\/p>\n<p>&quot;<em>As culturas irrigadas proporcionam um rendimento que revela ser duas a tr&ecirc;s vezes mais efetivo em rela&ccedil;&atilde;o ao das culturas pluviais<\/em>&quot;, explica Michel Jarraud, o secret&aacute;rio-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o Meteorol&oacute;gica Mundial(OMM). &quot;<em>A irriga&ccedil;&atilde;o dever&aacute; ser desenvolvida, mas a sua efici&ecirc;ncia no que diz respeito &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua tamb&eacute;m dever&aacute; ser aprimorada<\/em>&quot;. Al&eacute;m disso, a escolha das plantas a serem cultivadas dever&aacute; igualmente levar em conta a menor disponibilidade de &aacute;gua, acrescenta Jarraud. <\/p>\n<p>Al&eacute;m do mais, os aumentos dos pre&ccedil;os das fontes de energia e a luta contra as emiss&otilde;es de gases de efeito-estufa incitam os Estados a desenvolverem o aproveitamento dos recursos alternativos, os quais incluem n&atilde;o s&oacute; a hidroeletricidade, como tamb&eacute;m as centrais t&eacute;rmicas ou nucleares, que necessitam enormes volumes de &aacute;gua para o seu resfriamento; ou ainda os biocombust&iacute;veis, que por sua vez tamb&eacute;m s&atilde;o grandes consumidores de &aacute;gua. <\/p>\n<p>Essas evolu&ccedil;&otilde;es obrigam a encontrar novas respostas para enfrentar as mais diversas situa&ccedil;&otilde;es. &Eacute; preciso aprimorar-se os conhecimentos em rela&ccedil;&atilde;o aos recursos, planejar a cria&ccedil;&atilde;o de infra-estruturas de armazenamento e de saneamento das &aacute;guas usadas, dominar e controlar o consumo e as formas de polui&ccedil;&atilde;o, reexaminar as pol&iacute;ticas agr&iacute;colas, e implantar novos m&eacute;todos de arbitragem entre os usu&aacute;rios, na medida em que estes mais em mais entrar&atilde;o em conflito&#8230; <\/p>\n<p>Os participantes do congresso de Montpellier martelaram as seguintes recomenda&ccedil;&otilde;es: essas respostas devem ser elaboradas pelos Estados, pelas coletividades locais e os usu&aacute;rios que enfrentam esses problemas. &quot;<em>Em mat&eacute;ria de &aacute;gua, cada situa&ccedil;&atilde;o &eacute; um caso particular. Al&eacute;m disso, diferentemente do petr&oacute;leo, a &aacute;gua n&atilde;o pode ser transportada por longas dist&acirc;ncias<\/em>&quot;, lembra Pierre Chevallier, o diretor do Instituto de Pesquisas sobre a &Aacute;gua e o Meio-Ambiente (cuja sigla em franc&ecirc;s &eacute; IDEE), com sede na regi&atilde;o de Languedoc, e presidente do comit&ecirc; de organiza&ccedil;&atilde;o do congresso. &quot;<em>A correspond&ecirc;ncia adequada entre as quantidades dispon&iacute;veis e as suas diferentes formas de aproveitamento s&oacute; pode ser encontrada no n&iacute;vel local<\/em>&quot;. <\/p>\n<p><font face=\"Arial\" color=\"#ff0000\" size=\"5\"><u><strong>Os n&uacute;meros<\/strong><\/u><\/font> <br \/><\/font><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><strong><font face=\"Arial\"><u><br \/><font color=\"#0000ff\" size=\"3\">Reservas de &aacute;gua<\/font><\/u><font color=\"#0000ff\" size=\"3\">:<\/font><\/font><\/strong><font color=\"#0000ff\" size=\"3\"> <\/font>Em 2025, 8 bilh&otilde;es de habitantes dever&atilde;o compartilhar a mesma quantidade de &aacute;gua doce que existe atualmente. Estima-se que as reservas ser&atilde;o, em m&eacute;dia, de 4.800 m3 por ano e por habitante, contra 7.300 m3 em 2000 e 16.800 m3 em 1950. <\/p>\n<p><strong><font color=\"#0000ff\"><font size=\"3\"><u>&Aacute;gua dispon&iacute;vel<\/u>:<\/font><\/font><\/strong> A Am&eacute;rica do Sul disp&otilde;e da quarta parte da &aacute;gua dispon&iacute;vel em todo o mundo, embora ela abrigue apenas 6% da popula&ccedil;&atilde;o. No extremo oposto, 60% dos habitantes do planeta vivem na &Aacute;sia, que n&atilde;o disp&otilde;e mais do que um ter&ccedil;o dos recursos em &aacute;gua existentes. <\/p>\n<p><strong><font size=\"3\"><font face=\"Arial\"><font color=\"#0000ff\"><u>Pen&uacute;ria de &aacute;gua<\/u>:<\/font><\/font><\/font><\/strong> Atualmente, 30% da popula&ccedil;&atilde;o mundial disp&otilde;e de menos de 2.000 m3 por ano e por habitante. As regi&otilde;es mais expostas &agrave; pen&uacute;ria de &aacute;gua s&atilde;o o Sahel(no oeste da &Aacute;frica), o Mediterr&acirc;neo, o Oriente M&eacute;dio, o sul dos Estados Unidos e a &Aacute;sia.<\/font><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 6 minutosS&atilde;o Paulo(SP) &#8211; As sociedades humanas precisam reformar rapidamente sua administra&ccedil;&atilde;o dos recursos em &aacute;gua doce, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[47],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1262"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1262"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1262\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1262"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1262"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1262"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}