{"id":1427,"date":"2008-11-25T00:00:00","date_gmt":"2008-11-25T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2008-11-25T00:00:00","modified_gmt":"2008-11-25T00:00:00","slug":"Senado-deve-rejeitar-criterio-de-renda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2008\/11\/25\/Senado-deve-rejeitar-criterio-de-renda\/","title":{"rendered":"Senado deve rejeitar crit\u00e9rio de renda"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 8 minutos<\/div><p align=\"justify\"><strong><font color=\"#ff0000\" size=\"3\"><em>Altera&ccedil;&otilde;es feitas pela C&acirc;mara desagradam a senadores do governo e da oposi&ccedil;&atilde;o, que consideram texto confuso<\/em><\/font><\/strong> <\/p>\n<p><font size=\"2\"><font face=\"Verdana\"><strong>Bras&iacute;lia(DF) &#8211;<\/strong> O substitutivo do projeto de lei que cria cotas para as universidades federais e escolas t&eacute;cnicas, aprovado de &uacute;ltima hora na C&acirc;mara semana passada, dever&aacute; ser modificado no Senado. Senadores do governo e da oposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o gostaram das altera&ccedil;&otilde;es feitas pelos deputados e prometem recuperar a vers&atilde;o original do projeto.<\/p>\n<p>O texto inicial prev&ecirc; destina&ccedil;&atilde;o de 50% das vagas no vestibular para alunos de escolas p&uacute;blicas, preenchidas segundo crit&eacute;rios de ra&ccedil;a. Ou seja, essas vagas ser&atilde;o destinadas a estudantes negros, pardos e &iacute;ndios, de acordo com a propor&ccedil;&atilde;o dessas popula&ccedil;&otilde;es em cada estado, de acordo com o Censo 2000.<\/p>\n<p>Os senadores dever&atilde;o rejeitar a emenda proposta pelo deputado Paulo Renato(PSDB-SP), que previa, dentro da metade de vagas destinadas &agrave; escola p&uacute;blica, um crit&eacute;rio de renda para a sele&ccedil;&atilde;o dos alunos. Metade das vagas destinadas &agrave;s cotas deveria ser preenchida por alunos com renda familiar per capita de um sal&aacute;rio m&iacute;nimo e meio.<\/p>\n<p>Para Ideli Salvatti, emendas &ldquo;<em>bagun&ccedil;aram<\/em>&rdquo; o texto. A principal cr&iacute;tica ao texto aprovado na C&acirc;mara &eacute; que a vers&atilde;o final ficou confusa.<\/p>\n<p>&quot;<em>No projeto aprovado por unanimidade no Senado n&atilde;o tinha d&uacute;vida. Agora o Paulo Renato introduziu o ingrediente de renda, que, al&eacute;m de bagun&ccedil;ar todo o texto, acaba colocando um condicionante que &agrave; primeira vista &eacute; justo, mas na pr&aacute;tica se torna restritivo. Os crit&eacute;rios de renda e ra&ccedil;a j&aacute; est&atilde;o contemplados no meu projeto<\/em>&quot; diz a senadora Ideli Salvatti(PT-SC). Ela acredita que seu texto, e n&atilde;o o modificado na C&acirc;mara, dever&aacute; ser aprovado pelos senadores, que, neste caso, ter&atilde;o a palavra final.<\/p>\n<p>O l&iacute;der do DEM, senador Agripino Maia(RN), refor&ccedil;a a cren&ccedil;a da colega petista: &quot;<em>A tend&ecirc;ncia &eacute; o Senado voltar a aprovar o que j&aacute; havia sido aprovado anteriormente<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>Autor da pol&ecirc;mica emenda, Paulo Renato, que foi ministro da Educa&ccedil;&atilde;o no governo Fernando Henrique, nega que sua contribui&ccedil;&atilde;o gere confus&atilde;o. Para ele, esse argumento &eacute; usado por quem tem preconceito contra os pobres. O crit&eacute;rio de um sal&aacute;rio m&iacute;nimo e meio, segundo ele, foi definido a pedido do ministro da Educa&ccedil;&atilde;o, Fernando Haddad, para que ficasse igual ao exigido dos candidatos a uma bolsa integral nas universidades particulares, o ProUni.<\/p>\n<p>&quot;<em>N&atilde;o h&aacute; confus&atilde;o. Confus&atilde;o &eacute; quando &eacute; cota racial, que &eacute; preenchida por autodeclara&ccedil;&atilde;o. A renda &eacute; um crit&eacute;rio objetivo. Ent&atilde;o, se d&aacute; certo no ProUni por que n&atilde;o d&aacute; certo para as federais? Isso &eacute; elitismo das federais, que n&atilde;o querem ver pobre l&aacute; dentro<\/em>&quot; reclama.<\/p>\n<p>&ldquo;<em>A vers&atilde;o anterior &eacute; melhor<\/em>&rdquo;, diz Cristovam. Para o senador Cristovam Buarque(PDT-DF), ex-ministro da Educa&ccedil;&atilde;o de Lula, o projeto aprovado pela C&acirc;mara &eacute; &ldquo;<em>complicado<\/em>&rdquo;. Ele &eacute; favor&aacute;vel ao estabelecimento de cotas raciais porque acredita que o &uacute;nico meio de o negro ser inserido na elite brasileira &eacute; entrando na universidade, mas defende o fortalecimento das escolas p&uacute;blicas, coisa que, segundo ele, o projeto de Ideli poderia ajudar a fazer: &quot;<em>A vers&atilde;o anterior &eacute; melhor porque &eacute; mais simples. Ao dar cota &agrave; escola p&uacute;blica, a gente vai ajudar a escola p&uacute;blica a melhorar. Agora, as cotas para renda s&atilde;o ilus&oacute;rias. V&atilde;o beneficiar apenas os rar&iacute;ssimos alunos pobres que chegaram ao ensino m&eacute;dio e v&atilde;o passar a id&eacute;ia de que resolveram os problemas dos pobres: eles j&aacute; entram na universidade, ent&atilde;o n&atilde;o preciso melhorar o ensino b&aacute;sico e m&eacute;dio<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>No Senado, o PSDB ainda n&atilde;o tem uma posi&ccedil;&atilde;o definida. Apesar de ter ajudado a aprovar por unanimidade o projeto original, agora, o partido defende que o assunto seja melhor discutido: &quot;<em>A gente vai estudar isso com carinho, &eacute; coisa para maturar com calma. Mas em mat&eacute;ria de educa&ccedil;&atilde;o, a opini&atilde;o do Paulo Renato, que foi ministro da Educa&ccedil;&atilde;o por oito anos, &eacute; muito importante<\/em>&quot; diz Arthur Virg&iacute;lio(AM), l&iacute;der tucano no Senado.<\/p>\n<p>&quot;<em>Todos me colocam que estamos sendo coniventes em piorar o ensino, enquanto dever&iacute;amos garantir que o ensino m&eacute;dio melhorasse, e n&atilde;o fazer cotas. Eu acredito que essa emenda do Paulo Renato vai nos dar a chance de continuar discutindo o projeto. Vamos ter que repensar<\/em>&quot; complementa a senadora Marisa Serrano(PSDB-MS).<\/p>\n<p><strong><font face=\"Arial\" color=\"#0000ff\" size=\"4\"><u>Cota &eacute; vista como essencial e humilhante<\/u><\/font><\/strong> <br \/><em><strong><font face=\"Arial\" color=\"#ff0000\">Opini&atilde;o dos brasileiros em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s a&ccedil;&otilde;es afirmativas &eacute; contradit&oacute;ria<\/font><\/strong><\/em> <\/p>\n<p>Pol&ecirc;micas desde que come&ccedil;aram a ser implementadas, em 2002, no Brasil, as cotas para negros nas universidades continuam dividindo opini&otilde;es.<\/p>\n<p>Se, por um lado, 51% da popula&ccedil;&atilde;o se diz a favor da reserva de vagas para negros, por outro, 86% concordaram com a afirma&ccedil;&atilde;o de que as cotas deveriam beneficiar pessoas pobres e de baixa renda, independentemente da cor.<\/p>\n<p>As respostas seguem contradit&oacute;rias quando 53% dos brasileiros concordam que cotas s&atilde;o humilhantes para negros, mas, ao mesmo tempo, 62% dizem que elas s&atilde;o fundamentais para ampliar o acesso de toda a popula&ccedil;&atilde;o &agrave; educa&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m 62% dizem que elas podem gerar atos de racismo.<\/p>\n<p><font face=\"Arial\" color=\"#0000ff\" size=\"3\"><u><strong>Leituras diversas<br \/><\/strong><\/u><\/font>Como era esperado, o resultado da pesquisa gerou leituras diversas de cr&iacute;ticos e de pessoas favor&aacute;veis ao sistema.<\/p>\n<p>A antrop&oacute;loga Yvonne Maggie, contr&aacute;ria &agrave; reserva de vagas por cor ou ra&ccedil;a, destaca a incoer&ecirc;ncia dos resultados do levantamento. Para ela, no entanto, &eacute; natural que, dependendo da forma como a pergunta &eacute; feita, a popula&ccedil;&atilde;o concorde com a id&eacute;ia de dar vantagens &agrave;queles que se sentem mais discriminados.<\/p>\n<p>&quot;<em>Quem vai negar vantagens aos que dizem ser mais discriminados? As pessoas, no entanto, acreditam no esfor&ccedil;o pessoal e tamb&eacute;m s&atilde;o favor&aacute;veis ao m&eacute;rito, at&eacute; em percentual maior. Tamb&eacute;m acham que as cotas podem provocar racismo. Ser&aacute; que est&atilde;o fazendo o c&aacute;lculo de que &eacute; melhor racismo, contanto que as pessoas ganhem alguns privil&eacute;gios<\/em>?&quot;, questiona a antrop&oacute;loga.<\/p>\n<p><strong><u><font face=\"Arial\" color=\"#0000ff\" size=\"3\">Aceita&ccedil;&atilde;o<\/font><\/u><\/strong><br \/>Renato Ferreira, do Laborat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas da Uerj(Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e defensor do sistema, diz n&atilde;o ter d&uacute;vidas de que h&aacute; uma aceita&ccedil;&atilde;o &agrave; pol&iacute;tica de cotas.<\/p>\n<p>&quot;<em>Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o, via de regra, se manifestam contrariamente. Se sai algo positivo, quase n&atilde;o comentam. Se &eacute; negativo, isso reverbera. Dentro desse contexto, acho significativo que a maioria da popula&ccedil;&atilde;o hoje concorde com as cotas raciais<\/em>&quot;, afirma.<\/p>\n<p>Ferreira fez um levantamento que mostra que, no Brasil, j&aacute; h&aacute; 82 institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas adotando algum crit&eacute;rio de a&ccedil;&atilde;o afirmativa no acesso ao vestibular, seja ele de cotas ou de bonifica&ccedil;&atilde;o extra para alunos por sua cor, renda ou tipo de escola cursada no ensino m&eacute;dio.<\/p>\n<p>As a&ccedil;&otilde;es afirmativas em exames de ingresso, no entanto, est&atilde;o sendo contestadas numa a&ccedil;&atilde;o que ainda n&atilde;o foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal. At&eacute; agora, essas universidades t&ecirc;m conseguido manter nas inst&acirc;ncias inferiores da Justi&ccedil;a seus sistemas.<\/p>\n<p>O STF, por&eacute;m, ainda n&atilde;o julgou uma a&ccedil;&atilde;o movida pela Confenen(Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional dos Estabelecimentos de Ensino) contra o ProUni, programa do governo federal que adota a&ccedil;&otilde;es afirmativas na distribui&ccedil;&atilde;o de bolsas para estudo em institui&ccedil;&otilde;es privadas. Caso declare inconstitucional esse crit&eacute;rio, a decis&atilde;o afetar&aacute; as institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>&quot;<em>A Constitui&ccedil;&atilde;o determina que ningu&eacute;m ter&aacute; tratamento desigual perante a lei e que o acesso ao ensino superior se d&aacute; por m&eacute;rito. Na reserva de vagas, h&aacute; uma discrimina&ccedil;&atilde;o ao contr&aacute;rio, e entendemos que isso &eacute; ilegal<\/em>&quot;, diz Roberto Dornas, presidente da Confenen.<\/p>\n<p><strong><u><font face=\"Arial\" color=\"#0000ff\" size=\"3\">Qualidade<br \/><\/font><\/u><\/strong>Enquanto n&atilde;o h&aacute; decis&atilde;o definitiva, as universidades que divulgaram resultados sobre o desempenho acad&ecirc;mico dos cotistas t&ecirc;m defendido que isso n&atilde;o afetou a qualidade.<\/p>\n<p>Ricardo Vieralves, reitor da Uerj, uma das pioneiras, diz que houve necessidade de criar aulas de refor&ccedil;o, mas que os alunos que se formam saem com a mesma qualidade. Ele afirma tamb&eacute;m que n&atilde;o foram registrados casos de racismo.<\/p>\n<p>Adriana Pastor, 23, que entrou no curso de odontologia da Uerj gra&ccedil;as &agrave;s cotas, diz n&atilde;o ter percebido diferen&ccedil;as no desempenho entre cotistas e os demais. &quot;<em>Acho que fui uma das melhores alunas de minha turma e n&atilde;o percebi nenhum tipo de preconceito entre meus colegas. Para mim, a maior dificuldade do curso foi que o material era muito caro<\/em>&quot;, diz.<\/p>\n<p>Oitenta e duas institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de ensino superior no pa&iacute;s adotam algum crit&eacute;rio de a&ccedil;&atilde;o afirmativa na sele&ccedil;&atilde;o de estudantes, seja ele de cotas ou de bonifica&ccedil;&atilde;o extra para alunos por sua cor, renda ou tipo de escola cursada no ensino m&eacute;dio.<\/font><\/font><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 8 minutosAltera&ccedil;&otilde;es feitas pela C&acirc;mara desagradam a senadores do governo e da oposi&ccedil;&atilde;o, que consideram texto confuso [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[36],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1427"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1427"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1427\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}