{"id":15434,"date":"2023-02-13T23:15:13","date_gmt":"2023-02-14T02:15:13","guid":{"rendered":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/?p=15434"},"modified":"2023-02-14T08:32:09","modified_gmt":"2023-02-14T11:32:09","slug":"comissao-mostra-relatos-chocantes-de-vitimas-de-abusos-de-padres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2023\/02\/13\/comissao-mostra-relatos-chocantes-de-vitimas-de-abusos-de-padres\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o mostra relatos chocantes de v\u00edtimas de abusos de padres"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 9 minutos<\/div><h4 style=\"text-align: center;\"><em><strong><span style=\"color: #000080;\">Relatos de v\u00edtimas de abuso sexual na igreja cat\u00f3lica toma conta das not\u00edcias em Portugal. Mulher conta que viu um religioso ter rela\u00e7\u00f5es sexuais com o irm\u00e3o dela, de 13 anos.<\/span><\/strong><\/em><\/h4>\n<p>S\u00e3o 486 p\u00e1ginas ou, em alternativa, o sum\u00e1rio executivo do perturbador relat\u00f3rio final da Comiss\u00e3o Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crian\u00e7as na Igreja Cat\u00f3lica em Portugal.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=DscgekZC78pfZHGeC3NlAclYPmjKMTbM\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crian\u00e7as na Igreja Cat\u00f3lica em Portugal, liderada pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht, foi apresentado esta segunda-feira (13Fevereiro2023) e aponta para 512 testemunhos validados de um total de 564 recebidos, o que aponta, por extrapola\u00e7\u00e3o, para um m\u00ednimo total de 4.815 v\u00edtimas.<\/p>\n<p>O documento resulta de um ano de trabalho, que incidiu sobre o per\u00edodo desde 1950 e recomenda \u201c<em>o reconhecimento, pela Igreja, da exist\u00eancia e extens\u00e3o do problema e compromisso na sua adequada preven\u00e7\u00e3o futura<\/em>\u201d, nomeadamente atrav\u00e9s do \u201c<em>cumprimento do conceito de \u2018toler\u00e2ncia zero\u2019 proposto pelo Papa Francisco<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o do \u201c<em>dever moral de den\u00fancia, por parte da Igreja, e colabora\u00e7\u00e3o com o Minist\u00e9rio P\u00fablico em casos de alegados crimes de abuso sexual<\/em>\u201d, o pedido \u201c<em>efetivo de perd\u00e3o sobre as situa\u00e7\u00f5es que aconteceram no passado e sua materializa\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d, bem como a \u201c<em>forma\u00e7\u00e3o e supervis\u00e3o continuada e externa de membros da Igreja, nomeadamente na \u00e1rea da sexualidade (sua e das crian\u00e7as e adolescentes)<\/em>\u201d, s\u00e3o outras recomenda\u00e7\u00f5es que a comiss\u00e3o deixa \u00e0 hierarquia da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal.<\/p>\n<p>A comiss\u00e3o liderada por Pedro Strecht advoga a \u201c<em>cessa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os f\u00edsicos fechados, individuais, enquanto locais de encontro e pr\u00e1tica religiosa<\/em>\u201d, a par da coloca\u00e7\u00e3o em pr\u00e1tica de \u201c<em>medidas preventivas eficazes, incluindo \u2018manuais de boas pr\u00e1ticas\u2019 <\/em>e <em>\u2018locais de apoio ao testemunho e acompanhamento das v\u00edtimas e familiares\u2019<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>O \u201c<em>reconhecimento inequ\u00edvoco dos Direitos da Crian\u00e7a<\/em>\u201d, o \u201c<em>empoderamento das crian\u00e7as e fam\u00edlias sobre o tema: o papel da Escola<\/em>\u201d, o \u201c<em>aumento da idade da v\u00edtima para efeitos de prescri\u00e7\u00e3o de crimes<\/em>\u201d e a \u201c<em>celeridade da avalia\u00e7\u00e3o e resposta do sistema de justi\u00e7a<\/em>\u201d, s\u00e3o outras ideias deixadas pela comiss\u00e3o liderada por Strecht.<\/p>\n<p>Este grupo de trabalho sublinha ainda a necessidade do \u201c<em>refor\u00e7o do papel da comunica\u00e7\u00e3o social na investiga\u00e7\u00e3o e tratamento do tema<\/em>\u201d e o \u201c<em>aumento da literacia emocional sobre as verdadeiras necessidades do desenvolvimento infantojuvenil, sobretudo no campo afetivo e sexual<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Hoje, ao intervir na sess\u00e3o de apresenta\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Independente sobre os casos de abuso na Igreja Cat\u00f3lica desde 1950, Pedro Strecht revelou que foram validados 512 casos de 564 testemunhos recebidos, apontando a extrapola\u00e7\u00e3o de um n\u00famero m\u00ednimo de v\u00edtimas da ordem das 4.815.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crian\u00e7as na Igreja Cat\u00f3lica come\u00e7ou a receber testemunhos em 11 de janeiro do ano passado.<\/p>\n<p>Os casos de abusos sexuais revelados ao longo de 2022 abalaram a Igreja e a pr\u00f3pria sociedade portuguesa, \u00e0 imagem do que tinha ocorrido com iniciativas similares em outros pa\u00edses, com alegados casos de encobrimento pela hierarquia religiosa a motivarem pedidos de desculpa, num ano em que a Igreja se v\u00ea agora envolvida tamb\u00e9m em controv\u00e9rsia, com a organiza\u00e7\u00e3o da Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=HcoXRfZ7y8pBFifat6WuyFsb2VfnQZm6\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000080;\"><strong>Bispo Jos\u00e9 Ornelas, \u00a0de Leiria-F\u00e1tima, Portugal.<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Hoje ser\u00e1 conhecida a primeira rea\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP), presidida pelo bispo de Leiria-F\u00e1tima, Jos\u00e9 Ornelas, e para 03 de mar\u00e7o foi j\u00e1 convocada uma assembleia plen\u00e1ria extraordin\u00e1ria da CEP para analisar o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Liderada pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht, a comiss\u00e3o independente \u00e9 ainda constitu\u00edda pelo psiquiatra Daniel Sampaio, pelo antigo ministro da Justi\u00e7a e juiz conselheiro jubilado \u00c1lvaro Laborinho L\u00facio, pela soci\u00f3loga e investigadora Ana Nunes de Almeida, pela assistente social e terapeuta familiar Filipa Tavares e pela cineasta Catarina Vasconcelos.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #000080;\"><strong>Relatos chocantes<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>Os relatos das v\u00edtimas de abusos sexuais na igreja cat\u00f3lica em Portugal s\u00e3o chocantes. N\u00e3o por acaso, l\u00e1grimas escorreram dos olhos de v\u00e1rios dos presentes na apresenta\u00e7\u00e3o da longa pesquisa feita pela Comiss\u00e3o Independente que mergulhou nos arquivos liberados pela Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa.<\/p>\n<p>Uma das hist\u00f3rias mais terr\u00edveis foi contada por uma mulher nascida nos anos de 1940. Ela, que enviou um e-mail escrito por uma sobrinha, disse que presenciou o irm\u00e3o, ent\u00e3o com 13 anos, ser violentado por um padre, de cerca de 40 anos, na casa da fam\u00edlia dos garotos. O religioso visitava a m\u00e3e dos meninos, que havia ficado vi\u00fava.<\/p>\n<p><em>\u201cO meu irm\u00e3o faleceu agora. Penso que ele nunca contou nada do que eu vi. E o que eu vi n\u00e3o foi bonito, e n\u00e3o posso ir para o outro mundo, falecendo, e carregar comigo este segredo. Uma vez, na tal casinha que havia no quintal, vi algo estranho e, quando l\u00e1 fui espreitar, estava o meu irm\u00e3o, coitadinho, ele era muito bonito e perfeito, branquinho de pele, despido de cal\u00e7as e roupa de baixo e o padre, meio que no ch\u00e3o, a p\u00f4r o \u00f3rg\u00e3o dele na boca (do menino). Nunca tinha visto na vida essas coisas. Pareceu tudo passar muito r\u00e1pido, pois fugi com o olhar e, quando voltei a olhar, estava o meu irm\u00e3ozinho, coitado dele o que sofreu, sei l\u00e1 eu o que aquela alma pode ter sofrido, estava ele, agora, no ch\u00e3o como um animal e o padre por tr\u00e1s, a enfiar-se nele, e ele aflito de l\u00e1grimas de chorar\u201d.<\/em><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000080;\">\u201c<em>Bicho de uma teta<\/em>\u201d<\/span><\/h3>\n<p>Com apenas 7 anos, F, nascida nos anos de 1970, filha de trabalhadores rurais, contou que ia se confessar todas as semanas na igreja da par\u00f3quia.<\/p>\n<p>O padre era um catequista, com posi\u00e7\u00e3o de destaque na diocese, no Norte de Portugal, naquela altura, com cerca de 40 anos. Tratava-se da prepara\u00e7\u00e3o da primeira comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>Era comum o religioso toc\u00e1-la \u201c<em>pelas pernas acima, at\u00e9 chegar onde queria, dizendo obscenidades<\/em>\u201d. Um dia, ele a incentivou a masturbar o pr\u00f3prio irm\u00e3o, ent\u00e3o com 13, 14 anos. Disse-lhe o padre: \u201c<em>Sabes que as mulheres t\u00eam de aprender a tirar leite dos homens? Como se faz \u00e0s vaquinhas, nas tetas<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Ele afirmava ainda que o irm\u00e3o da menina \u201c<em>era como um bicho de uma s\u00f3 teta (em refer\u00eancia o seu \u00f3rg\u00e3o \u00edntimo)\u201d, e que ela \u201cfosse l\u00e1 mugir\u201d. \u201cE isso eu fiz certo dia, quando ele estava a tomar banho. Ele riu-se e, ao mesmo tempo ficou assustado, mas eu n\u00e3o sabia, juro mesmo, o que estava a fazer, s\u00f3 dizia que o senhor padre queria que eu lhe tirasse o leite (esperma)<\/em>\u201d, contou.<\/p>\n<p>O irm\u00e3o, ent\u00e3o, lhe perguntou quem havia falado com ela sobre aquele ato. A menina revelou que havia sido o padre. \u201c<em>Nunca mais h\u00e1 de fazer isso<\/em>\u201d, ordenou o jovem.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #000080;\">\u201c<em>Porco, s\u00e1dico<\/em>\u201d<\/span><\/h3>\n<p>Um homem nascido nos anos de 1950 revelou que, todas, por muitas noites acordou com \u201c<em>o p\u00eanis de um padre entre as pernas dele e todo sujo<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>O menino relatou que foi abusado muitas vezes e por v\u00e1rios sacerdotes. No relato, enviado \u00e0 Comiss\u00e3o Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crian\u00e7as na Igreja Cat\u00f3lica, o homem destacou que vinha de uma fam\u00edlia pobre.<\/p>\n<p class=\"texto\">A \u00fanica maneira para que pudesse ter um bom estudo era entrar para um semin\u00e1rio. Logo que chegou ao col\u00e9gio, um padre logo se \u201c<em>engra\u00e7ou<\/em>\u201d com ele. \u201c<em>Ia \u00e0 minha cama com a lanterna e apalpava-me todo, metia a l\u00edngua toda e perguntava-me se eu j\u00e1 pecara<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>O menino acabou expulso por maus \u201c<em>pensamentos e companhias<\/em>\u201d. Em outro semin\u00e1rio, encontrou o \u201c<em>Frei W<\/em>\u201d, que era \u201c<em>bem pior que outro padre, porque era s\u00e1dico, porco, muito mau<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o com 13 anos, um homem nascido nos anos de 1960, foi passar duas semanas na casa dos av\u00f3s, que eram comerciantes no litoral Norte de Portugal. Um padre, de aproximadamente, 50 anos, visitava frequentemente a casa da fam\u00edlia, que era fazia doa\u00e7\u00f5es constantes para a igreja.<\/p>\n<p>Frequentemente, o religioso pegava o garoto para dar uma volta. Dizia para os av\u00f3s do jovem que ia dar uma volta comigo na quinta e ensinar algumas coisas, pois eu portava-me muito mal na escola e andava revoltado, j\u00e1 que os pais tinham emigrado.<\/p>\n<p>Os passeios inclu\u00edam beijos, masturba\u00e7\u00e3o e sexo oral. \u201c<em>Tinha uma tara, atava-me o p\u00eanis e os test\u00edculos com um fio, dizia que, assim, \u2018tudo espremidinho\u2019, que era melhor para ficar grosso<\/em>\u201d, relatou \u00e0 Comiss\u00e3o.<\/p>\n<h3><span style=\"color: #000080;\">Pais n\u00e3o acreditam<\/span><\/h3>\n<p>Nascido nos anos 2000, um homem descreveu que, aos 12 anos, foi abusado sexualmente pelo pr\u00f3prio padrinho de batismo e primo, que era um jovem seminarista.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia acontecia sempre \u00e0s segundas e quintas, entre 18h00 e 19h00, quando o menino tinha aulas extras para refor\u00e7ar o aprendizado. \u201c<em>Acabava sempre naquilo, &#8216;anda, vamos fazer aquilo de que gostas, n\u00e3o tem mal, sou teu primo e padrinho, isto \u00e9 uma brincadeira, quando estiveres com uma mulher j\u00e1 sabes mais, que isto n\u00e3o \u00e9 nada de paneleiro (gay)<\/em>\u201d, falava o seminarista.<\/p>\n<p>O garoto era submetido a toques nas zonas genitais, beijos, masturba\u00e7\u00e3o, sexo oral e sexo anal. A viol\u00eancia s\u00f3 acabou quando a m\u00e3e do menino decidiu que ele n\u00e3o necessitava de mais explica\u00e7\u00f5es, e mudou de escola.<\/p>\n<p>Nos depoimentos colhidos pela Comiss\u00e3o Independente, ficou claro que, muitas vezes, as fam\u00edlias n\u00e3o acreditavam ou fingiam n\u00e3o acreditar nas den\u00fancias das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Foi o caso de duas irm\u00e3s, nascidas nos anos de 1960 em uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia alta. Uma delas foi abusada aos 10 anos de idade por um padre que frequentava constantemente a casa dela. \u201c<em>Enquanto esper\u00e1vamos a chegada do meu pai para jantar, o padre brincava conosco e via desenhos animados<\/em>\u201d, relatou.<\/p>\n<p>O religioso, ent\u00e3o, tentou colocar a m\u00e3o e mexer nos seios da garota, que, assustada, fugiu para o quarto e se trancou. Ele foi at\u00e9 a porta do quarto dela e, falando baixinho, disse que \u201c<em>foi s\u00f3 uma delicadeza, um gesto de carinho<\/em>\u201d, e perguntou se a havia magoado. Naquela noite, ela n\u00e3o jantou, alegando dor de cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Depois que o padre foi embora, a menina contou aos pais o que havia se passado: \u201c<em>Julgo que n\u00e3o conseguiram acreditar em mim, ficaram em sil\u00eancio por uns segundos e me mandaram deitar. Nunca mais tocaram no assunto comigo: nem quando, um pouco mais velha, talvez com 13 anos, cansada das habituais visitas deste padre (e, consequentemente, da minha fuga para o quarto em cada uma dessas vezes), senti o dever de iniciar de novo o tema, o que foi abafado imediatamente por eles, com desinteresse e mutismo<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ela, as tentativas de abuso continuaram por meses. A garota tentou proteger as irm\u00e3s, mas n\u00e3o teve sucesso: a mais nova lhe relatou que \u201c<em>o mesmo se passara com ela<\/em>\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 9 minutosRelatos de v\u00edtimas de abuso sexual na igreja cat\u00f3lica toma conta das not\u00edcias em Portugal. 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