{"id":1586,"date":"2009-02-15T00:00:00","date_gmt":"2009-02-15T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2009-02-15T00:00:00","modified_gmt":"2009-02-15T00:00:00","slug":"Assassinato-de-Irma-Dorothy-completa-quatro-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2009\/02\/15\/Assassinato-de-Irma-Dorothy-completa-quatro-anos\/","title":{"rendered":"Assassinato de Irm\u00e3 Dorothy completa quatro anos"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 5 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\">\n<span style=\"color: #ff0000\"><strong><span style=\"font-family: Arial\"><em><span style=\"font-size: small\"><span>Acusado de ser mandante da morte da mission&aacute;ria ainda n&atilde;o foi julgado pelo crime. Outro fazendeiro acusado foi inocentado.<\/span><\/span><\/em><\/span><\/strong><\/span><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><\/p>\n<p>\n<strong>S&atilde;o Paulo (SP) &#8211;<\/strong> Quatro anos depois da morte da Irm&atilde; Dorothy Stang, que trabalhava com pequenos agricultores na regi&atilde;o de Anapu, no Par&aacute;, nenhum dos acusados de serem mandantes do crime foram punidos. O fazendeiro Vitalmiro Moura foi inocentado em um segundo julgamento, realizado em 2008, e Regivaldo Galv&atilde;o, apontado pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico como respons&aacute;vel direto pelo assassinato da mission&aacute;ria americana, sequer foi julgado. Quis o destino, por&eacute;m, que Galv&atilde;o fosse preso no final do ano passado acusado de grilagem e tentativa de comercializa&ccedil;&atilde;o ilegal de terras p&uacute;blicas.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\">&quot;<em>Irm&atilde; Dorothy morreu defendendo os assentamentos de Anapu, em terra p&uacute;blica, do governo. O que me revolta mais, &eacute; que o pr&oacute;prio governo, at&eacute; hoje, faz muito pouco para defender essas terras e as pessoas que vivem ali<\/em>&quot;, afirma o padre Amaro Lopes, da Comiss&atilde;o Pastoral da Terra(CPT).<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\">O trabalho que Dorothy Stang vinha realizando na regi&atilde;o tamb&eacute;m est&aacute; amea&ccedil;ado de desaparecer. Seu plano de transformar uma &aacute;rea de cerca de 200 mil hectares em Anapu em modelo de explora&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel por pequenos agricultores est&aacute; paralisado e as terras foram invadidas por fazendeiros e madeireiros.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\">O Greenpeace tem feito sua parte para manter viva a mem&oacute;ria de Irm&atilde; Dorothy e sua luta pela atividade sustent&aacute;vel na floresta. Em Bel&eacute;m, durante passagem do navio Arctic Sunrise pela cidade como parte da expedi&ccedil;&atilde;o Salvar o Planeta. &Eacute; Agora ou Agora, exibimos o document&aacute;rio &quot;<em>Eles Mataram Irm&atilde; Dorothy<\/em>&quot;, do diretor Daniel Junge, em audit&oacute;rio do cinema da Universidade Federal Rural do Par&aacute;(UFRA), durante o F&oacute;rum Social Mundial, e tamb&eacute;m em pra&ccedil;a p&uacute;blica, na Esta&ccedil;&atilde;o das Docas da capital paraense.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\">&quot;<em>Os advogados de defesa dos acusados do crime, que tanto chocam as pessoas que v&ecirc;em o filme, s&atilde;o apenas atores fazendo o seu trabalho. Mas se este filme n&atilde;o alavancar o debate sobre o sistema judicial e a certeza de impunidade que permeia a nossa sociedade atual, eu terei prestado um desservi&ccedil;o &agrave; sociedade<\/em>&quot;, disse Daniel Junge, o diretor do filme.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Assassinada a sangue frio<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><img decoding=\"async\" height=\"166\" width=\"250\" align=\"left\" alt=\"\" src=\"\/UserFiles\/Image\/celebridades\/irma_dorothy_stang.jpg\" \/>A mission&aacute;ria americana Dorothy Stang<strong>(<span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"font-family: Arial\">Foto<\/span><\/span>)<\/strong>, de 73 anos, foi assassinada na manh&atilde; do dia 12 de Fevereiro de 2005, com 3 tiros, no Travess&atilde;o do Santana, munic&iacute;pio de Anapu, no Estado do Par&aacute;, 16 anos depois da morte de ativista Chico Mendes. O crime aconteceu quando irm&atilde; Dorothy, como era conhecida, seguia para o Projeto de Desenvolvimento Sustentado(PDS) Esperan&ccedil;a, junto com mais companheiros.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\">A ent&atilde;o ministra Marina Silva, que estava em Porto de Moz participando de reuni&atilde;o para implementa&ccedil;&atilde;o da reserva extrativista Verde para Sempre, afirmou que n&atilde;o haver rela&ccedil;&atilde;o direta entre a cria&ccedil;&atilde;o da resex e o assassinato de irm&atilde; Dorothy, mas que o crime poderia ser uma tentativa de intimidar o governo federal em sua pol&iacute;tica de criar &aacute;reas protegidas e fortalecer as comunidades tradicionais da Amaz&ocirc;nia. Emocionada, Marina Silva disse que o governo n&atilde;o ia recuar e nem ser intimidado por criminosos. &ldquo;<em>O sangue da irm&atilde; Dorothy vai regar a reserva Verde para Sempre<\/em>&rdquo;, declarou. A ministra disse ainda que pediu investiga&ccedil;&atilde;o rigorosa por parte do governo do Par&aacute;, inclusive com a participa&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\">Irm&atilde; Dorothy vivia h&aacute; mais de 30 anos na regi&atilde;o da Transamaz&ocirc;nica e dedicou quase a metade de sua vida a defender os direitos de trabalhadores rurais contra os interesses de fazendeiros e grileiros da regi&atilde;o. Desde 1972, ela trabalhava com as comunidades rurais de Anapu pelo direito a terra e por um desenvolvimento sem destrui&ccedil;&atilde;o da floresta.<\/p>\n<p>\n<\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\">Trabalhava intensamente na tentativa de minimizar os conflitos fundi&aacute;rios, principalmente a grilagem de terras e a extra&ccedil;&atilde;o ilegal de madeira. Por causa disso, chegou a ser acusada, em 2001, de instigar a viol&ecirc;ncia no munic&iacute;pio e recebeu in&uacute;meras amea&ccedil;as de morte nos &uacute;ltimos anos de vida por causa de sua luta pela preserva&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia. Tamb&eacute;m fez diversas den&uacute;ncias sobre a participa&ccedil;&atilde;o de policiais civis e militares na expuls&atilde;o de trabalhadores a mando de fazendeiros e grileiros da regi&atilde;o.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\">&ldquo;<em>A defesa da Amaz&ocirc;nia continua sendo regada com o sangue dos justos. Irm&atilde; Dorothy defendia como poucos o patrim&ocirc;nio nacional dos ataques dos grileiros e tentava, de maneira incans&aacute;vel, que o Estado se fizesse presente em regi&otilde;es remotas da Amaz&ocirc;nia<\/em>&rdquo;, disse Paulo Ad&aacute;rio, coordenador da campanha da Amaz&ocirc;nia, do Greenpeace, que esteve em Anapu.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><strong><u><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><span><span>Representa&ccedil;&otilde;es<\/span><\/span><\/span><\/span><\/u><\/strong><\/span><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\nO Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal pediu ao Superior Tribunal de Justi&ccedil;a que o assassinato de irm&atilde; Dorothy seja considerado um crime contra os direitos humanos.<\/p>\n<p>\n<\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\">Nos &uacute;ltimos meses, o Minist&eacute;rio P&uacute;blico havia enviado mais de 10 representa&ccedil;&otilde;es sobre as amea&ccedil;as contra irm&atilde; Dorothy e outras lideran&ccedil;as de Anapu para o Secret&aacute;rio Especial de Defesa Social, Manoel Santino Nascimento Junior, pedindo medidas para garantir a integridade f&iacute;sica dos amea&ccedil;ados. &ldquo;<em>Mesmo sabendo dos riscos que irm&atilde; Dorothy corria, o governo do estado do Par&aacute; n&atilde;o tomou uma medida para garantir sua seguran&ccedil;a<\/em>&rdquo;, disse Ad&aacute;rio do Greenpeace. &ldquo;<em>&Eacute; inaceit&aacute;vel que os marginais continuem imperando na Amaz&ocirc;nia, silenciando a voz daqueles que defendem a preserva&ccedil;&atilde;o e os povos da floresta contra os interesses de grileiros, madeireiros e fazendeiros que operam ilegalmente na regi&atilde;o<\/em>&rdquo;.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\">O Par&aacute; apresenta o maior &iacute;ndice de assassinatos ligados &agrave;s disputas de terra. Entre 1985 a 2001, quase 40% as 1237 mortes de trabalhadores rurais no Brasil aconteceram no Par&aacute;. N&atilde;o &eacute; a toa que o Par&aacute; &eacute; o estado campe&atilde;o de desmatamento ilegal, explora&ccedil;&atilde;o de madeira, grilagem de terras, trabalho escravo e palco de escandalosas den&uacute;ncias de abuso aos direitos humanos, conforme descrito no relat&oacute;rio &ldquo;<em>Par&aacute;: Estado de Conflito<\/em>&rdquo;, lan&ccedil;ado pelo Greenpeace em outubro de 2003.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 5 minutos Acusado de ser mandante da morte da mission&aacute;ria ainda n&atilde;o foi julgado pelo crime. 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