{"id":1610,"date":"2009-03-01T00:00:00","date_gmt":"2009-03-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2009-03-01T00:00:00","modified_gmt":"2009-03-01T00:00:00","slug":"Viagem-a-Amazonia-traz-Euclides-da-Cunha-para-sala-de-aula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2009\/03\/01\/Viagem-a-Amazonia-traz-Euclides-da-Cunha-para-sala-de-aula\/","title":{"rendered":"Viagem \u00e0 Amaz\u00f4nia traz Euclides da Cunha para sala de aula"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 7 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\n<strong>Porto Alegre(RS) &#8211;<\/strong> A expedi&ccedil;&atilde;o de 57 dias do Projeto-Aventura Desafiando o Rio-Mar, feita de caiaque pelo professor do Col&eacute;gio Militar de Porto Alegre, coronel Hiram Reis e Silva, no rio Solim&otilde;es, na Amaz&ocirc;nia, terminou neste m&ecirc;s e virar&aacute; um livro &quot;<em>escrito a mil m&atilde;os<\/em>&quot;. O material ser&aacute; trabalhado em sala de aula com os estudantes do Ensino Fundamental e do Ensino M&eacute;dio. &quot;<em>A id&eacute;ia &eacute; entregar um livro n&atilde;o acabado para eles trabalharem<\/em>&quot;, disse Hiram.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>Por enquanto, escrevo o meu livro. A id&eacute;ia &eacute; que depois os alunos fa&ccedil;am o trabalho, que peguem os relatos que fiz durante a viagem e ampliem. T&ecirc;m muitas cita&ccedil;&otilde;es de cientistas e muita coisa que foi contada, como lendas, tradi&ccedil;&otilde;es e hist&oacute;ria<\/em>&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>\nAs peculiaridades locais, a an&aacute;lise da hist&oacute;ria, da flora, da fauna, da hidrografia e dos povos da floresta foram captados pelo professor durante a descida do rio Solim&otilde;es de caiaque. O meio de transporte foi utilizado para baratear o custo da expedi&ccedil;&atilde;o, para n&atilde;o utilizar combust&iacute;veis poluentes, para n&atilde;o afugentar a fauna e para facilitar o acesso aos locais mais remotos. Tamb&eacute;m participram da aventura o professor de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica Romeu Chala, que substituiu o coronel Andr&eacute; Fl&aacute;vio Teixeira, por motivos de doen&ccedil;a na fam&iacute;lia em novembro, tr&ecirc;s semanas antes da viagem, e Fabiola Arruda de Verga, formada em turismo e que trabalha com antropologia. Ela acompanhou a dupla at&eacute; 12 de dezembro.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><strong><u><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\">Euclides de Cunha<\/span><\/span><\/u><\/strong><\/span><br \/>\nDurante o percurso, o coronel Hiram disse que se ateve &agrave; literatura usando Euclides da Cunha. &quot;Al&eacute;m de ser excelente escritor, conhecia a regi&atilde;o. Eu o utilizei at&eacute; para valorizar o nosso escritor, que &eacute; bastante esquecido.&quot; O professor disse que muitas vezes conseguiu verificar in loco as descri&ccedil;&otilde;es feitas pelo escritor. &quot;<em>Nos relatos, ele fala que o Solim&otilde;es &eacute; tribut&aacute;rio dele mesmo. A &aacute;gua do Solim&otilde;es vai at&eacute; o (rio) Japur&aacute; e retorna ao Solim&otilde;es pelo pr&oacute;prio Japur&aacute;<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>O (rio) Aranapu &eacute; um Paran&aacute; (canal entre dois rio) que une o Solim&otilde;es ao (rio) Japur&aacute; e que nos &uacute;ltimos 18 anos, apenas em duas oportunidades, o Solim&otilde;es recebeu &aacute;guas do Japur&aacute; por interm&eacute;dio do Aranapu. A sabedoria de Euclides da Cunha se torna patente mais uma vez. O rio-menino &eacute; afluente dele mesmo ao lan&ccedil;ar suas &aacute;guas no Japur&aacute; atrav&eacute;s do Aranapu e receb&ecirc;-las, mais adiante, de volta<\/em>&quot;. &quot;&#8230;<em>ou vai, noutros pontos, em furos inopinados, afluir nos seus grandes afluentes, tornando-se ilogicamente tribut&aacute;rio dos pr&oacute;prios tribut&aacute;rios<\/em>&#8230;&quot;, escreveu Euclides.<\/p>\n<p>\nPara Hiram, &quot;<em>o imortal Euclides da Cunha &eacute; &uacute;nico e sua vis&atilde;o hol&iacute;stica serve de exemplo &agrave;s novas gera&ccedil;&otilde;es<\/em>&quot;. &quot;A vis&atilde;o hol&iacute;stica de Euclides &eacute; caracterizada pelos seus coment&aacute;rios de cunho antropol&oacute;gico, aspectos do relevo, solo, fauna, flora, clima da regi&atilde;o e sobre o car&aacute;ter divagante do rio Purus, baseados na concep&ccedil;&atilde;o do &quot;<em>ciclo vital<\/em>&quot;. Durante a viagem ao Purus teve o cuidado de recolher amostras de f&oacute;sseis e rochas, posteriormente encaminhadas ao Museu do Par&aacute; (<span style=\"font-family: Arial\">atualmente Em&iacute;lio Goeldi<\/span>).&quot;<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Aulas<br \/>\n<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span>O material ser&aacute; aproveitado em sala de aula. &quot;<em>As disciplinas de geografia, hist&oacute;ria est&atilde;o muito fixadas. Na parte da biologia, trouxemos plantas. Estamos verificando o princ&iacute;pio ativo delas. Esse trabalho est&aacute; sendo feito por uma professora do Col&eacute;gio Militar na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tamb&eacute;m um gloss&aacute;rio que trouxemos ser&aacute; aproveitado na disciplina de portugu&ecirc;s<\/em>&quot;, explicou.<\/p>\n<p>A experi&ecirc;ncia tamb&eacute;m ser&aacute; divulgada por meio de palestras em universidades, lojas ma&ccedil;&ocirc;nicas e outras institui&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Soberania<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nAl&eacute;m de um trabalho multidisciplinar e interdisciplinar, o objetivo do professor &eacute; lutar pela soberania da Amaz&ocirc;nia. &quot;<em>N&atilde;o tenho partido pol&iacute;tico. Meu partido &eacute; soberania da Amaz&ocirc;nia, mas o &uacute;ltimo presidente que realmente se importou com isso foi o(Jos&eacute;) Sarney. A partir disso, s&oacute; tivemos empreguismo. O projeto todo &eacute; educativo, mas tamb&eacute;m queremos levantar a quest&atilde;o da soberania<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nEm quase nove anos, o coronel Hiram disse que j&aacute; proferiu mais de 320 palestras para chamar a aten&ccedil;&atilde;o sobre a import&acirc;ncia estrat&eacute;gica da Amaz&ocirc;nia em termos de recursos naturais, minerais e da biodiversidade. Segundo o professor, nessas palestras, ele alerta sobre a hist&oacute;ria da articula&ccedil;&atilde;o dos interesses internacionais.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>H&aacute; necessidade de se romper esta doentia letargia da popula&ccedil;&atilde;o brasileira diante do fato em si e da atitude do governo brasileiro que chega as raias do crime de prevarica&ccedil;&atilde;o. Procuramos em todos nossos pronunciamentos despertar a todos que nos ouvem, principalmente na juventude brasileira, para que, com conhecimento de causa, exer&ccedil;am uma press&atilde;o cidad&atilde;, no sentido de reverter o maior esbulho do patrim&ocirc;nio brasileiro, atualmente em andamento<\/em>&quot;, afirmou.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Expedi&ccedil;&atilde;o<br \/>\n<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span>A viagem durou 57 dias. A m&eacute;dia de deslocamento fluvial foi de 5 horas e a pesquisa variava de acordo com o local. Nas pequenas comunidades, o grupo parava apenas para pernoitar. O contato com os ribeirinhos e com os povos ind&iacute;genas propiciou a obten&ccedil;&atilde;o de relatos, curiosidades, lendas e outras peculiaridades. &quot;<em>Nas cidades, pelo seu valor hist&oacute;rico e pessoas capazes de repassar informa&ccedil;&otilde;es interessantes, chegamos a parar de tr&ecirc;s a quatro dias. A &uacute;nica exce&ccedil;&atilde;o foi a Reserva de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel de Mamirau&aacute; em que permanecemos alojados em um &#8216;flutuante&#8217; durante quatro dias. Al&eacute;m de acompanhar os trabalhos dos pesquisadores, tive a oportunidade de observar e fotografar a flora e a fauna que comp&otilde;em a vegeta&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rzea<\/em>&quot;, disse o coronel.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Material fotogr&aacute;fico<br \/>\n<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span>A id&eacute;ia inicial do professor Hiram era voltar na bagagem com 1,6 mil fotografias. Mas ele superou a previs&atilde;o e voltou com 4.350 fotos. Estamos pretendendo fazer uma exposi&ccedil;&atilde;o mostrando o dia a dia das comunidades, as paisagens maravilhosas, o artesanato,a fauna e as carinhas de crian&ccedil;as &iacute;ndias e n&atilde;o &iacute;ndias das tr&ecirc;s etnias que visitamos.<\/p>\n<p><\/span><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"\"><u><strong>Cr&iacute;ticas e elogios<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\nA falta de apoio de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas ou privadas ao projeto foi a maior cr&iacute;tica feita pelo coronel. &quot;<em>O projeto s&oacute; foi poss&iacute;vel gra&ccedil;as &agrave; colabora&ccedil;&atilde;o de familiares, amigos e parceiros pela causa da Amaz&ocirc;nia brasileira<\/em>&quot;. J&aacute; a hospitalidade amaz&ocirc;nica mereceu o maior elogio do professor. &quot;<em>A saudade da amaz&ocirc;nica hospitalidade j&aacute; come&ccedil;a a nos afetar. Guardaremos eternamente na lembran&ccedil;a a imagem e o carinho de cada um que, de alguma maneira, marcou nossas vidas nessa expedi&ccedil;&atilde;o pelo rio-m&aacute;ximo<\/em>&quot;, disse.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Continua&ccedil;&atilde;o do projeto<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO professor Hiram disse que o projeto n&atilde;o est&aacute; finalizado, pois ainda n&atilde;o atingiu o mar, como o pr&oacute;prio nome dele aponta &#8211; Projeto-Aventura Desafiando o Rio-Mar.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>Mas achamos que antes de atingi-lo devemos percorrer um dos tr&ecirc;s maiores rios do planeta, o rio Negro. A grande motiva&ccedil;&atilde;o &eacute; poder palmilhar os dois maiores arquip&eacute;lagos fluviais do mundo &#8211; o Mariu&aacute; com 700 ilhas e o das Anavilhanas com 400 ilhas -, o Parque Nacional do Ja&uacute;, maior parque do mundo em floresta tropical &uacute;mida cont&iacute;nua e intacta, as florestas submersas, admirar o contraste das milhares de praias de areia branca, constitu&iacute;das basicamente de gr&atilde;os de quartzo, com as &aacute;guas pretas do rio, o boto vermelho e a flora exuberante e diversificada proporcionam um cen&aacute;rio de fant&aacute;stica beleza<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nPara essa empreitada, Hiram contar&aacute; com o coronel Teixeira. A data da descida depender&aacute;, principalmente, da Diretoria de Ensino Preparat&oacute;rio e Assistencial(Depa) e de recursos financeiros. &quot;<em>O apoio da Depa seria no sentido considerar o projeto de interesse do Sistema Col&eacute;gio Militar, tendo em vista que o melhor per&iacute;odo para realiza&ccedil;&atilde;o do mesmo seria o m&ecirc;s de julho. Um levantamento inicial aponta, como j&aacute; temos alguns itens adquiridos para o Projeto Solim&otilde;es, que seriam necess&aacute;rios R$ 30 mil para esta nova exped<\/em>i&ccedil;&atilde;o&quot;, disse Hiram.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 7 minutos Porto Alegre(RS) &#8211; A expedi&ccedil;&atilde;o de 57 dias do Projeto-Aventura Desafiando o Rio-Mar, feita de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[9],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1610"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1610"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1610\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}