{"id":1674,"date":"2009-03-20T00:00:00","date_gmt":"2009-03-20T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2009-03-20T00:00:00","modified_gmt":"2009-03-20T00:00:00","slug":"STF-conclui-julgamento-e-manda-retirar-nao-indios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2009\/03\/20\/STF-conclui-julgamento-e-manda-retirar-nao-indios\/","title":{"rendered":"STF conclui julgamento e manda retirar n\u00e3o-\u00edndios"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 7 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\n<strong>Bras&iacute;lia(DF) &#8211;<\/strong> O Supremo Tribunal Federal(STF) encerrou, na tarde desta quinta-feira(<span style=\"font-family: Arial\">19Mar2009<\/span>), o julgamento sobre a demarca&ccedil;&atilde;o da terra ind&iacute;gena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Por dez votos a um, os ministros decidiram pela legalidade da demarca&ccedil;&atilde;o de forma cont&iacute;nua e determinaram o cumprimento imediato da decis&atilde;o para a retirada de n&atilde;o-&iacute;ndios da reserva, cassando a liminar que suspendia a opera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\nA maioria dos ministros acompanhou o voto do ministro Carlos Alberto Menezes Direito, que apresentou 18 ressalvas para manter a demarca&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua da reserva. No final do julgamento foi inclu&iacute;da a condi&ccedil;&atilde;o de que os entes federativos(<span style=\"font-family: Arial\">Uni&atilde;o, Estado e munic&iacute;pios<\/span>) devem participar do processo demarcat&oacute;rio.<\/p>\n<p>\n<img decoding=\"async\" height=\"200\" width=\"145\" align=\"left\" alt=\"\" src=\"\/UserFiles\/Image\/judiciario\/ministro_presidente_do_tse_carlos_ayres_britto.jpg\" \/>O Plen&aacute;rio tamb&eacute;m acatou a proposta do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, para que o Tribunal Regional Federal da 1&ordf; Regi&atilde;o(TRF-1) coordene o processo de retirada dos produtores de arroz e agricultores brancos da terra ind&iacute;gena. O presidente do TRF-1 dever&aacute; se reportar ao relator do caso no Supremo, ministro Carlos Ayres Britto<strong>(<span style=\"color: #ff0000\">Foto<\/span>)<\/strong>. O relator dever&aacute; definir o prazo para iniciar o processo de desintrus&atilde;o.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>O Supremo decidiu que a execu&ccedil;&atilde;o de seu julgado seria imediata. N&oacute;s cassamos a liminar que impedia a retirada dos n&atilde;o-&iacute;ndios(da reserva). Essa decis&atilde;o n&atilde;o precisa de publica&ccedil;&atilde;o do ac&oacute;rd&atilde;o. Mas, essa imediatidade vai passar por uma operacionaliza&ccedil;&atilde;o, o que demanda um contato meu com o presidente do TRF e com o ministro(<span style=\"font-family: Arial\">da Justi&ccedil;a<\/span>), Tarso Genro<\/em>&quot;, afirmou Britto ap&oacute;s o julgamento. O relator afirmou que deve definir amanh&atilde; um prazo para a retirada de todos os n&atilde;o-&iacute;ndios das terras.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Ressalvas<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong><br \/>\n<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span>Dentre as ressalvas apontadas pelo Plen&aacute;rio est&aacute; o livre tr&acirc;nsito das For&ccedil;as Armadas e da Pol&iacute;cia Federal para atuar na &aacute;rea. Est&aacute; garantida a instala&ccedil;&atilde;o de bases militares e a explora&ccedil;&atilde;o de riquezas naturais de cunho estrat&eacute;gico.<\/p>\n<p>Os ministros tamb&eacute;m decidiram que as &aacute;reas demarcadas n&atilde;o passar&atilde;o por processo de revis&atilde;o e amplia&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, a atividades dos &iacute;ndios nas &aacute;reas de preserva&ccedil;&atilde;o fica sob a responsabilidade do Instituto Chico Mendes.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"color: #0000ff\"><u><strong>Julgamento<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO julgamento sobre a demarca&ccedil;&atilde;o da reserva come&ccedil;ou em 27 de agosto do ano passado e foi paralisado ap&oacute;s um pedido de vista do ministro Direito. Os trabalhos foram retomados em dezembro, quando oito ministros seguiram o entendimento do ministro. Entretanto, o julgamento foi paralisado novamente, desta vez pelo ministro Marco Aur&eacute;lio Mendes de Farias Mello.<\/p>\n<p>Os trabalhos foram retomados ontem, quando Marco Aur&eacute;lio decidiu, em um voto de 120 p&aacute;ginas, pela nulidade do reconhecimento da &aacute;rea. Celso de Mello e Gilmar Mendes votaram entre ontem e hoje, acompanhando a maioria.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Disputa<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nA terra ind&iacute;gena Raposa Serra do Sol, de 1,7 milh&atilde;o de hectares, foi demarcada em 1998 e homologada em 2005, quando come&ccedil;ou a retirada dos n&atilde;o-&iacute;ndios da regi&atilde;o. Entretanto, em 2008, a Pol&iacute;cia Federal foi chamada para ajudar na retirada de grandes produtores de arroz, que possuem fazendas na &aacute;rea.<\/p>\n<p>Um grupo de fazendeiros e de &iacute;ndios que os ap&oacute;iam resistiram, e senadores de Roraima recorreram ao Supremo. Em maio do ano passado, a Corte decidiu pela paralisa&ccedil;&atilde;o da opera&ccedil;&atilde;o at&eacute; que fosse julgado o m&eacute;rito das a&ccedil;&otilde;es que contestam a legalidade da reserva.<\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span style=\"\"><span style=\"font-family: Verdana\"><\/p>\n<p><\/span><\/span><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Ministro contr&aacute;rio &agrave; demarca&ccedil;&atilde;o teme conflitos<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong><br \/>\n<\/strong><\/u><\/span><\/span><span style=\"font-family: Verdana\"><img decoding=\"async\" height=\"200\" width=\"145\" align=\"left\" alt=\"\" src=\"\/UserFiles\/Image\/judiciario\/marco_aurelio_mello_ministro_supremo.jpg\" \/>Terminado o julgamento em que o Supremo Tribunal Federal(STF) decidiu por dez votos a um a favor da legalidade e manuten&ccedil;&atilde;o da demarca&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua da Terra Ind&iacute;gena Raposa Serra do Sol, em Roraima, o ministro Marco Aur&eacute;lio Mendes de Farias Mello<strong>(<span style=\"color: #ff0000\">Foto<\/span>)<\/strong>, &uacute;nico a votar pela anula&ccedil;&atilde;o da demarca&ccedil;&atilde;o , afirmou que teme conflitos na regi&atilde;o durante a execu&ccedil;&atilde;o da retirada dos n&atilde;o-&iacute;ndios da &aacute;rea.<\/p>\n<p>\nDe acordo com o ministro, a interpreta&ccedil;&atilde;o &quot;<em>de imediato<\/em>&quot; para a retirada dos produtores rurais &eacute; subjetiva, j&aacute; que a decis&atilde;o vai depender do relator do processo, ministro Carlos Ayres Britto, juntamente com a Justi&ccedil;a Federal.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>O subjetivismo vai grassar e receio que no contexto haja um a&ccedil;odamento, haja a pr&aacute;tica de atos de for&ccedil;a, levando a &aacute;rea a um conflito<\/em>&quot;, afirmou, ressaltando o medo de que atos apressados prejudiquem o processo.<\/p>\n<p>\nApesar de vencido em plen&aacute;rio, Marco Aur&eacute;lio Mello disse que ainda est&aacute; convencido de seu ponto de vista. Ele afirmou ainda que a decis&atilde;o do colegiado deve ser considerada correta, j&aacute; est&aacute; em vigor e deve ser cumprida.<\/p>\n<p>\n<span style=\"color: #0000ff\"><strong><u>Disputa<\/u><\/strong><\/span><br \/>\nCom extens&atilde;o de 1,7 milh&atilde;o de hectares, a terra ind&iacute;gena Raposa Serra do Sol foi demarcada em 1998 e homologada em 2005, quando come&ccedil;ou a retirada dos n&atilde;o-&iacute;ndios da regi&atilde;o. Entretanto, em 2008, a Pol&iacute;cia Federal foi chamada para ajudar na retirada de grandes produtores de arroz, que possuem fazendas na &aacute;rea.<\/p>\n<p>Um grupo de fazendeiros e de &iacute;ndios que os ap&oacute;iam resistiram, e senadores de Roraima recorreram ao Supremo. Em maio do ano passado, a Corte decidiu pela paralisa&ccedil;&atilde;o da opera&ccedil;&atilde;o at&eacute; que fosse julgado o m&eacute;rito das a&ccedil;&otilde;es que contestam a legalidade da reserva.<\/p>\n<p><\/span><strong><span style=\"color: #0000ff\"><u><span style=\"font-family: Arial\">&Iacute;ndios matam 30 bois para comemorar decis&atilde;o<\/span><\/u><\/span><u><span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"font-family: Arial\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/u><\/strong><span style=\"font-family: Verdana\">Cerca de 200 &iacute;ndios est&atilde;o na sede Surumu, &aacute;rea ind&iacute;gena Raposa Serra do Sol(RR), e 30 bois foram mortos para a festa, que segundo eles, &quot;<em>vai demorar at&eacute; o sol raiar<\/em>&quot;. Eles esperam comemorar o resultado do julgamento sobre a demarca&ccedil;&atilde;o da reserva ind&iacute;gena, no Supremo Tribunal Federal(STF).<\/p>\n<p>\nUma banda de m&uacute;sicos ind&iacute;genas com equipamentos eletr&ocirc;nicos foi levada de comunidades vizinhas para tocar forr&oacute; p&eacute; de serra na festa. As faixas colocadas na quadra principal da comunidade Surumu diziam &quot;<em>Obrigado aos 11 ministros que votaram a favor da demarca&ccedil;&atilde;o<\/em>&quot; e &quot;<em>Raposa homologada, demarcada e registrada<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nMas a festa &eacute; apenas para os &iacute;ndios ligados ao Conselho Ind&iacute;gena de Roraima(CIR). As outras 30 fam&iacute;lias da comunidade, que s&atilde;o contr&aacute;rias a demarca&ccedil;&atilde;o em ilhas, reuniram-se na resid&ecirc;ncia da tuxaua do Surumu, Elielva dos Santos, que disse que haver&aacute; conflitos se os &iacute;ndios quiserem retirar as fam&iacute;lias que vivem no local.<\/p>\n<p>\nEla afirma ter esperan&ccedil;as que o Supremo ir&aacute; mudar os votos. &quot;<em>Temos f&eacute; em Deus e esperan&ccedil;a que tudo terminar&aacute; de forma diferente. Deus &eacute; poderoso e pode mudar o resultado do Supremo<\/em>&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>\nA tuxaua nasceu na Raposa Serra do Sol e afirma temer o conflito ap&oacute;s o resultado, se houver vit&oacute;ria por &aacute;rea cont&iacute;nua. &quot;<em>Os &iacute;ndios que s&atilde;o favor&aacute;veis est&atilde;o dominando a comunidade. Mas eles est&atilde;o enganados se pensam que v&atilde;o retirar as fam&iacute;lias daqui<\/em>&quot;, afirmou. &quot;<em>N&atilde;o v&atilde;o nos expulsar e com certeza se tentarem haver&aacute; conflito entre povos ind&iacute;genas coisa que nunca ocorreu antes<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nO presidente da Associa&ccedil;&atilde;o dos Moradores do Surumu, Jos&eacute; Fras&atilde;o, disse que o ministro Marco Aur&eacute;lio Mendes de Farias Mello foi o &uacute;nico que demonstrou conhecimento da realidade das comunidades ind&iacute;genas de Roraima. &quot;<em>Os outros eram despreparados e nada sabem de nossa realidade. Os votos foram imaturos, parciais e tendenciosos. O ministro Marco Aur&eacute;lio colocou nosso pensamento de que todos fossem ouvidos<\/em>&quot;, disse.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 7 minutos Bras&iacute;lia(DF) &#8211; O Supremo Tribunal Federal(STF) encerrou, na tarde desta quinta-feira(19Mar2009), o julgamento sobre a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[9],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1674"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1674"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1674\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1674"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1674"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1674"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}