{"id":16914,"date":"2023-05-31T00:06:33","date_gmt":"2023-05-31T03:06:33","guid":{"rendered":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/?p=16914"},"modified":"2023-05-31T13:19:22","modified_gmt":"2023-05-31T16:19:22","slug":"dezinho-a-saga-de-um-sertanejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2023\/05\/31\/dezinho-a-saga-de-um-sertanejo\/","title":{"rendered":"Dezinho, a saga de um sertanejo"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 6 minutos<\/div><h5 style=\"text-align: right;\">\u201c<em>Aquele que crer em mim, ainda que morto, viver\u00e1<\/em>\u201d.<br \/>\nJesus Cristo<\/h5>\n<p>Imagine um jovem de apenas dezesseis anos e habitante do pequeno povoado de S\u00e3o Francisco que resolve antecipar a maioridade civil e embarca para uma aventura na gigantesca cidade de S\u00e3o Paulo, no j\u00e1 distante ano de 1951.<\/p>\n<p>Esse jovem existiu e respondia pelo nome de Deusdete Queiroga de Oliveira, que a Para\u00edba inteira conheceu como Dezinho de Louro (refer\u00eancia a Louro Nascimento, seu pai).<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=aIuV9Al0ZWoQLo4klgvIuY0Vl96S2DHi\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p>Nascido em 27 de junho de 1935, Dezinho subiu ao Plano Celestial no \u00faltimo dia 4 de agosto (2015), pouco depois de completar 80 anos bem vividos.<\/p>\n<p>Levou na bagagem uma hist\u00f3ria de bondade, de amor \u00e0 fam\u00edlia, de lealdade aos amigos, de solidariedade ao pr\u00f3ximo, de vida inteligente, de empres\u00e1rio empreendedor, de pol\u00edtico ativo e de homem criativo. Esse justo reconhecimento n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 meu &#8211; \u00e9 de todos que o conheceram de perto.<\/p>\n<p>Conheci Dezinho ainda na inf\u00e2ncia. Na \u00e9poca, j\u00e1 havia deixado para tr\u00e1s a experi\u00eancia vivida em S\u00e3o Paulo, como motorista de \u00f4nibus, e fixara resid\u00eancia em Sousa, onde instalou uma f\u00e1brica de cadeiras de ferro, bem pr\u00f3xima \u00e0 minha casa da Rua Sinfr\u00f4nio Nazar\u00e9.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=GdpUqkI3ma4dF64OIr8eyL1GcSgsa8OH\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p>Era de l\u00e1 que ele vinha ao encontro do meu pai, Chico Leit\u00e3o, para um jogo de cartas ao lado de outros amigos. O que me impressionou nele foi aquele jeit\u00e3o animado, descontra\u00eddo e brincalh\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse seu esp\u00edrito, digamos, carregado de energia positiva, acompanhou-o pelo resto da vida. Bem, faltou mencionar mais uma de suas qualidades: o excessivo otimismo.<\/p>\n<p>Reunindo todos esses tra\u00e7os de seu perfil, decerto estava escrito nas estrelas que Dezinho n\u00e3o tinha como destino ser apenas um empres\u00e1rio local.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=R4k1jXR9hw62ns9xIERKHYMXxJn2GMUZ\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p>Seu mundo j\u00e1 era maior do que S\u00e3o Francisco na adolesc\u00eancia e seria maior do que Sousa na fase adulta.<\/p>\n<p>Com a vis\u00e3o sempre \u00e0 frente e dotado de privilegiado talento, Dezinho trocou as cadeiras por caminh\u00f5es-ca\u00e7amba e enveredou pelo caminho da constru\u00e7\u00e3o de estradas, come\u00e7ando pela rodovia federal que hoje liga Jo\u00e3o Pessoa a Cajazeiras, \u00e0 \u00e9poca constru\u00edda pelo Grupamento de Engenharia do Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Pela qualidade e efici\u00eancia dos servi\u00e7os prestados, ganhou a respeitabilidade do contratante e as tarefas foram se multiplicando, transpondo os limites territoriais sertanejos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=GWxD4ic7sr1Tt5GuN2NiGc2VjUjhJjzJ\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p>Foi a partir da\u00ed que o sagaz Dezinho descortinou novos caminhos, avan\u00e7ou por outros Estados e transformou sua empresa, a Cociga, numa refer\u00eancia para al\u00e9m do horizonte paraibano.<\/p>\n<p>Tal n\u00e3o ocorreu, \u00e0 evid\u00eancia, por um passe de m\u00e1gica. Foi preciso trabalho intenso, ren\u00fancia de toda ordem e foco nos objetivos.<\/p>\n<p>Rapidamente a empresa n\u00e3o era mais a mesma: ampliou a oferta de servi\u00e7os, dispunha de avi\u00e3o, dezenas de empregados e uma invej\u00e1vel carteira de clientes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=02NXGM197CF8SNVILIw61JhOsT5u5x1Q\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p>Poucos sabem que saiu da cabe\u00e7a de Dezinho a urbaniza\u00e7\u00e3o dos bairros sousenses Frei Dami\u00e3o, Palha, Z\u00fa Silva e Dr. Zez\u00e9. Na \u00e9poca Ant\u00f4nio Mariz era diretor do Banco Nacional da Habita\u00e7\u00e3o (BNH) e fui chamado por ele para levarmos o projeto ao l\u00edder, que o aprovou prontamente.<\/p>\n<p>Foi a maior interven\u00e7\u00e3o urbana da hist\u00f3ria de Sousa, levada a cabo em parceria com a Companhia Estadual de Habita\u00e7\u00e3o Popular (CEHAP), no ano de 1985.<\/p>\n<p>No entanto, o novo rico empres\u00e1rio, que se fez por si &#8211; <em>o self made man, como dizem os americanos do norte<\/em> &#8211; n\u00e3o tinha voca\u00e7\u00e3o apenas para os neg\u00f3cios. Era tamb\u00e9m pol\u00edtico por natureza.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=hIuU6yp4Fpn9DXtVHLs7HT6jFpe1vZWR\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p>Ligado a Ant\u00f4nio Mariz, passou a fazer um contraponto a outro poderoso empres\u00e1rio do grupo pol\u00edtico advers\u00e1rio, o industrial Jos\u00e9 de Paiva Gadelha. \u201c<em>Dezinho \u00e9 o nosso Z\u00e9 Gadelha<\/em>\u201d, gabavam-se os marizistas. De fato. Nas campanhas eleitorais, Dezinho transformava a Lagoa dos Patos em um supercomit\u00ea.<\/p>\n<p>Por l\u00e1 transitavam pol\u00edticos de mandatos, aspirantes a cargos eletivos, lideran\u00e7as comunit\u00e1rias, cabos eleitorais e pedintes em geral. Nenhum sa\u00eda sem um sorriso estampado no rosto.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=2g09rK6I8Aux556M0t3hYPU1jl6Qt2S4\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p>Na elei\u00e7\u00e3o de 1988, em que seu ent\u00e3o genro Ricardo Augusto era candidato a vice-prefeito de Jo\u00e3o Estrela, Dezinho contratou a banda Jo\u00e3o de Orestes para abrilhantar os com\u00edcios na campanha toda e ainda trouxe Genival Lacerda para animar a festa em v\u00e1rias ocasi\u00f5es. Tudo por conta e iniciativa dele.<\/p>\n<p>A campanha de Deusdete, o filho, para deputado estadual em 1990 colocou Dezinho ainda mais no centro da pol\u00edtica paraibana. Migrou para o PRN de Tarc\u00edsio Burity e estadualizou o prest\u00edgio, embora tenha se afastado partidariamente do amigo Mariz. O filho acabou sendo o mais votado do Estado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=Z8P0rHhqeue6bJJR3y6wu1pvWJCgIORg\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p>Os dois amigos se reencontraram no segundo turno da elei\u00e7\u00e3o no apoio a Ronaldo Cunha Lima para governador, estiveram novamente separados na elei\u00e7\u00e3o municipal de 1992 (quando Deusdete Filho disputou a prefeitura de Sousa contra Marizinho Abrantes), mas se realinharam definitivamente na elei\u00e7\u00e3o seguinte, quando Mariz disputou e venceu para governador.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o h\u00e1 como falar em Dezinho como o empres\u00e1rio de vis\u00e3o e o pol\u00edtico vibrante sem destacar outro tra\u00e7o dele, talvez o mais substancial &#8211; seu lado humano. Sua solidariedade com as pessoas, pr\u00f3ximas ou n\u00e3o, era invari\u00e1vel. Praticava a caridade sem interesse ou distin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=rbj8rRtxLVvNVk9FN1b8eUyw5pUbkR7o\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p>Quando Lindinalva, sua querida e insepar\u00e1vel esposa, foi acometida de uma doen\u00e7a grave, considerada incur\u00e1vel, ele deixou de lado todas as atividades e seguiu com ela para S\u00e3o Paulo, Capital, dedicando-lhe por tr\u00eas anos assist\u00eancia integral.<\/p>\n<p>A meu ju\u00edzo, a morte de Lindinalva provocou mudan\u00e7as profundas em Dezinho. Eu notava que ele se esfor\u00e7ava, mas n\u00e3o conseguia esconder um forte tra\u00e7o de tristeza que sentia bem l\u00e1 no \u00edntimo.<\/p>\n<p>Foi paulatinamente se isolando em casa, se afastando dos amigos e mantendo seus contatos quase completamente restritos aos familiares, sua mais arrebatada paix\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=dxqhofBD7sEtYmhYZCOQsiSjgE4VMGNZ\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p>Quando recebi a not\u00edcia de sua morte, repassei na mente todos os momentos que pude lembrar da nossa conviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Entre estes, ouvia sua voz pedindo a Navinha para mandar fazer um caf\u00e9 novo pela minha chegada \u00e0 Lagoa dos Patos; gritando pelo N\u00eago Valdemar; fazendo gracinha com o sobrinho Sandro; mandando o avi\u00e3o buscar Pinto do Acordeon de \u00faltima hora para puxar o fole, depois de sorver alguns goles de cerveja;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=oZuLdUq2C1sDkezaS7jgBJfs7k0o7cra\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p>trazendo o Rei Luiz Gonzaga para Sousa; pregando pe\u00e7as em Z\u00e9 Pordeus; armando as redes no terra\u00e7o da casa; delegando miss\u00f5es aos irm\u00e3os Sezino e Ol\u00edmpio; embarcando com ele no S\u00eaneca; dizendo que n\u00e3o saia de carro na posi\u00e7\u00e3o de r\u00e9; ou me convidando para explorar uma mina de talco em S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Eis um pouco da saga, das paix\u00f5es que cultivou e das coisas que Dezinho de Louro gostava.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=nZT18e0TcJsBiledERDcR8B7E5nG3hyH\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 qualquer um que larga o cabo da enxada em S\u00e3o Francisco do Chaboc\u00e3o e aprende a dirigir pelas ruas de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o poucos os que trocam o volante de um \u00f4nibus pelo manche do avi\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o raros os homens que deixam para tr\u00e1s uma fabriqueta de cadeiras em Sousa para erguer uma construtora que ganhou o Brasil. H\u00e1 homens que n\u00e3o morrem, se encantam, como recitou Guimar\u00e3es Rosa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=cyDVk6oZ1y833G7UgyIPwxphJ0gKfYMM\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p>Perdemos Dezinho ante a inexor\u00e1vel finitude da vida, como bem retratou Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez em Cem Anos de Solid\u00e3o, mas fomos presenteados por ele com uma hist\u00f3ria imortal, uma biografia decente e uma imensur\u00e1vel f\u00e9 em Deus.<\/p>\n<p>Seu lugar, ao lado do Pai Eterno, \u00e9 o nosso conforto. Sim, Dezinho n\u00e3o morreu.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=VllD0gLBiuNmK4bDpWmZy6jksBbJ4gZY\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000080;\"><strong>Inaldo Rocha Leit\u00e3o<\/strong><\/span><\/h5>\n<ul>\n<li>\n<h5>Inaldo Leit\u00e3o &#8211; Cr\u00f4nica publicada no dia 19 de Agosto de 2015, no portal <a href=\"https:\/\/momentopb.com.br\/coluna\/104\/1288\/\">www.momentopb.com.br<\/a>.<\/h5>\n<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 6 minutos\u201cAquele que crer em mim, ainda que morto, viver\u00e1\u201d. 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