{"id":1775,"date":"2009-04-08T00:00:00","date_gmt":"2009-04-08T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2009-04-08T00:00:00","modified_gmt":"2009-04-08T00:00:00","slug":"35-milhoes-de-objetos-gravitam-abandonados-no-espaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2009\/04\/08\/35-milhoes-de-objetos-gravitam-abandonados-no-espaco\/","title":{"rendered":"35 milh\u00f5es de objetos gravitam abandonados no espa\u00e7o"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 5 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\n<strong>Washington(USA) &#8211; <\/strong>Foi por pouco. Por tr&ecirc;s vezes em dez dias, os ocupantes da Esta&ccedil;&atilde;o Espacial Internacional(ISS), a 350 km acima da Terra, estiveram perto de sofrer um acidente espacial.<\/p>\n<p>\nNo dia 12 de mar&ccedil;o, o comandante de bordo, o americano Michael Fincke, e os dois engenheiros de voo, o russo Yuri Lonchakov e a americana Sandra Magnus, receberam a ordem de se refugiarem em suas naves de apoio Soyuz, por temor de impacto com um peda&ccedil;o de motor de sat&eacute;lite &agrave; deriva, detectado tarde demais para uma manobra de desvio.<\/p>\n<p>\nFoi s&oacute; um alarme falso, mas em 16 de mar&ccedil;o, um outro objeto voador n&atilde;o identificado &#8211; <em>vindo talvez de um sat&eacute;lite russo desintegrado pouco depois de seu lan&ccedil;amento em 1981<\/em> &#8211; amea&ccedil;ou a jun&ccedil;&atilde;o da nave Discovery &agrave; ISS. E, finalmente, em 22 de mar&ccedil;o,os motores da Discovery tiveram de ser ligados durante tr&ecirc;s horas para baixar a altitude da esta&ccedil;&atilde;o, para prevenir qualquer risco de os astronautas americanos Steve Swanson e Joseph Acaba, que faziam uma sa&iacute;da extra-veicular, serem atingidos por uma pe&ccedil;a que escapara de um foguete chin&ecirc;s lan&ccedil;ado em 1999 e despeda&ccedil;ado um ano depois.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Polui&ccedil;&atilde;o humana<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nA 5&ordf; Confer&ecirc;ncia sobre os Detritos Espaciais, organizada pela Ag&ecirc;ncia Espacial Europeia(ESA) de 30 de mar&ccedil;o a 2 de abril em Darmstadt(Alemanha), veio na hora certa. Ela reuniu mais de 300 especialistas de 21 pa&iacute;ses, com uma forte representa&ccedil;&atilde;o americana, russa e chinesa.<\/p>\n<p>\nEm 10 de fevereiro, um sat&eacute;lite militar russo Kosmos, desativado desde 1995, e um sat&eacute;lite de telecomunica&ccedil;&otilde;es americano Iridium, em funcionamento, colidiram com tudo a 800 km acima da Sib&eacute;ria, espalhando na alta atmosfera mais de 700 peda&ccedil;os grandes, e milhares de pequenos fragmentos.<\/p>\n<p>\nEles v&ecirc;m se somar aos 35 milh&otilde;es de objetos com mais de 1 mil&iacute;metro que, de acordo com as &uacute;ltimas avalia&ccedil;&otilde;es, gravitam abandonados, na periferia terrestre. Uma lixeira a c&eacute;u aberto. Ali, encontramos uma mistura de sat&eacute;lites em fim de vida ou desintegrados, est&aacute;gios superiores de lan&ccedil;adores, mecanismos de separa&ccedil;&atilde;o, baterias, escudos, parafusos explosivos, cord&otilde;es detonadores ou diversos elementos de pequeno porte, como escamas de tinta. A polui&ccedil;&atilde;o humana, que se acelera desde o in&iacute;cio da conquista espacial &#8211; <em>o lan&ccedil;amento da Sputnik-1 em 1957 <\/em>&#8211; , &eacute; tal que a densidade desses detritos flutuantes &eacute; maior do que a das poeiras naturais de meteoritos.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>Nossa capacidade de utilizar o espa&ccedil;o de forma segura n&atilde;o &eacute; garantida a longo prazo<\/em>&quot;, diz G&eacute;rard Brachet, ex-presidente do Comit&ecirc; para a Utiliza&ccedil;&atilde;o Pac&iacute;fica do Espa&ccedil;o da ONU. As zonas mais congestionadas, ou seja, as &oacute;rbitas baixas(menos de 2 mil km de altitude) e geoestacion&aacute;rias(36 mil km), s&atilde;o aquelas onde cruzam a maioria dos sat&eacute;lites de observa&ccedil;&atilde;o da Terra e de telecomunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\nO choque Kosmos-Iridium &eacute; a quarta colis&atilde;o do espa&ccedil;o registrada. Ela certamente n&atilde;o &eacute; a &uacute;ltima. A probabilidade de um sat&eacute;lite em &oacute;rbita baixa do tipo Scot cruzar em sua rota um objeto volumoso, em tr&aacute;fego constante, &eacute; de duas em 10 mil anos. O que &eacute; pouco.<\/p>\n<p>\nMas as consequ&ecirc;ncias seriam catastr&oacute;ficas. Lan&ccedil;adas a uma velocidade orbital de 8 a 10 km por segundo, os detritos possuem uma energia cin&eacute;tica devastadora. Os danos seriam m&iacute;nimos em caso de colis&atilde;o com materiais de porte menor, mas os riscos de acidentes tamb&eacute;m s&atilde;o mais elevados. O exame de um painel do telesc&oacute;pio Hubble, trazido a terra para ser substitu&iacute;do, revelou mais de 5 mil impactos vis&iacute;veis a olho nu.<\/p>\n<p>\nN&atilde;o basta limitar os preju&iacute;zos, por meio de melhores blindagens ou de uma arquitetura de sat&eacute;lites que protegem os equipamentos mais vulner&aacute;veis, conclu&iacute;ram os participantes da Confer&ecirc;ncia de Darmstadt. Medidas de redu&ccedil;&atilde;o da polui&ccedil;&atilde;o espacial s&atilde;o &quot;<em>necess&aacute;rias<\/em>&quot;, ainda que sejam &quot;<em>tecnologicamente dif&iacute;ceis e potencialmente custosas<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\n<em>Mas, quais<\/em>? Foram dadas v&aacute;rias sugest&otilde;es para se fazer uma limpeza : a recupera&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos pelas naves, envio de um rebocador-lixeira, desintegra&ccedil;&atilde;o por laser&#8230; De forma mais realista, seria poss&iacute;vel religar os motores dos sat&eacute;lites em fim de vida para tir&aacute;-los de &oacute;rbita, ou para as camadas baixas da atmosfera, onde eles se consumiriam, ou para altitudes inabitadas muito altas, em &oacute;rbitas &quot;<em>cemit&eacute;rios<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nPor enquanto, somente os 13 mil detritos com mais de 10 cm s&atilde;o catalogados e rastreados por radares e telesc&oacute;pios militares.<\/p>\n<p>\nPrincipalmente os da US Strategic Command, que disponibiliza um mapa de rota di&aacute;rio, que pode ser consultado on-line. A defesa a&eacute;rea russa tamb&eacute;m possui sua rede de vigil&acirc;ncia, mas n&atilde;o divulga suas informa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\nA Europa, por sua vez, disp&otilde;e do radar franc&ecirc;s Graves(<span style=\"font-family: Arial\">Grande Rede Adaptada para o Monitoramento Espacial<\/span>), explorado pela aeron&aacute;utica e que controla 2 mil objetos em &oacute;rbita baixa. Mas os que t&ecirc;m menos de 1 metro escapam &agrave; sua vigil&acirc;ncia.<\/p>\n<p>\nEnt&atilde;o os europeus continuam dependentes dos dados fornecidos pelos americanos. Foi para se emanciparem que, no final de 2008, eles adotaram um programa de monitoramento espacial. &quot;<em>Para um continente que, com seus lan&ccedil;adores e seus sat&eacute;lites, constitui uma grande pot&ecirc;ncia espacial, um sistema de monitoramento independente representa uma aposta estrat&eacute;gica<\/em>&quot;, diz Nicolas Bobrinsky, respons&aacute;vel por esse programa na ESA.<\/p>\n<p>\nMunido de&nbsp;$ 50 milh&otilde;es, para sua fase de estudos de tr&ecirc;s anos, ele prev&ecirc; especificamente a constru&ccedil;&atilde;o de um radar capaz de detectar um intruso de 10 cm a 2 mil km de dist&acirc;ncia. Como os detritos n&atilde;o s&atilde;o a &uacute;nica amea&ccedil;a que ronda no espa&ccedil;o, o monitoramento tamb&eacute;m acusar&aacute; os objetos pr&oacute;ximos da Terra (<span style=\"font-family: Arial\">asteroides e cometas<\/span>) e as erup&ccedil;&otilde;es solares.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 5 minutos Washington(USA) &#8211; Foi por pouco. 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