{"id":1901,"date":"2009-05-02T00:00:00","date_gmt":"2009-05-02T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2009-05-02T00:00:00","modified_gmt":"2009-05-02T00:00:00","slug":"STF-revoga-Lei-de-imprensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2009\/05\/02\/STF-revoga-Lei-de-imprensa\/","title":{"rendered":"STF revoga Lei de imprensa"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 6 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\n<strong>Bras&iacute;lia(DF) &#8211;<\/strong> O Supremo Tribunal Federal(<span style=\"font-family: Arial\">STF<\/span>) decidiu nesta quinta-feira(<span style=\"font-family: Arial\">30Abr2009<\/span>), ap&oacute;s quase cinco horas de julgamento, pela revoga&ccedil;&atilde;o da Lei de Imprensa, uma legisla&ccedil;&atilde;o da &eacute;poca da ditadura militar. No entendimento da maioria dos ministros da mais alta corte do pa&iacute;s, a Lei de Imprensa &eacute; incompat&iacute;vel com princ&iacute;pios fundamentais definidos pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988.<\/p>\n<p>\n<img decoding=\"async\" height=\"200\" alt=\"\" width=\"145\" align=\"left\" src=\"\/UserFiles\/Image\/judiciario\/marco_aurelio_mello_ministro_supremo.jpg\" \/>Foram sete votos, incluindo o do relator Carlos Ayres Britto, pela extin&ccedil;&atilde;o da lei. Tr&ecirc;s ministros &#8211; <em>Joaquim Barbosa, Ellen Gracie e o presidente da corte, Gilmar Mendes<\/em> &#8211; defenderam a revoga&ccedil;&atilde;o parcial, com a manuten&ccedil;&atilde;o de alguns artigos, como os que disciplinam o direito de resposta e a proibi&ccedil;&atilde;o de publicar mensagens racistas. Marco Aur&eacute;lio Mello<strong>(<span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"font-family: Arial\">Foto<\/span><\/span>)<\/strong> foi o &uacute;nico que defendeu que a lei continuasse em vigor.<\/p>\n<p>\n<img decoding=\"async\" height=\"200\" alt=\"\" width=\"145\" align=\"right\" src=\"\/UserFiles\/Image\/judiciario\/ministro_presidente_do_tse_carlos_ayres_britto.jpg\" \/>Os ministros Carlos Alberto Menezes Direito, Carmen L&uacute;cia, Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello acompanharam o voto do relator. No primeiro dia do julgamento, al&eacute;m de Ayres Britto<strong>(<span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"font-family: Arial\">Foto<\/span><\/span>)<\/strong>, Eros Grau j&aacute; tinha votado pela revoga&ccedil;&atilde;o. Com a extin&ccedil;&atilde;o da lei, na pr&aacute;tica considerada inconstitucional pelo STF, ju&iacute;zes de todo o pa&iacute;s n&atilde;o poder&atilde;o tomar decis&otilde;es baseadas no texto de 1967.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\">O julgamento de jornalistas dever&aacute; ser feito com base nos C&oacute;digos Penal e Civil. As penas para crimes contra a honra(<span style=\"font-family: Arial\">inj&uacute;ria, cal&uacute;nia e difama&ccedil;&atilde;o<\/span>) s&atilde;o mais brandas no c&oacute;digo. Para cal&uacute;nia, a Lei de Imprensa prev&ecirc; at&eacute; tr&ecirc;s anos de deten&ccedil;&atilde;o; no C&oacute;digo Penal, o tempo m&aacute;ximo &eacute; de dois anos.<\/p>\n<p>\nEm rela&ccedil;&atilde;o ao direito de resposta, previsto e detalhado na Lei de Imprensa, a decis&atilde;o de agora em diante depender&aacute; da avalia&ccedil;&atilde;o dos ju&iacute;zes em cada caso, com base na Constitui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><strong><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\">&quot;Lei de Imprensa s&oacute; protegia autoridades&quot;<\/span><\/span><\/strong><\/span><br \/>\nO deputado federal Miro Teixeira(<span style=\"font-family: Arial\">PDT-RJ<\/span>), um dos autores da a&ccedil;&atilde;o que culminou anteontem na revoga&ccedil;&atilde;o da Lei de Imprensa, comemorou a decis&atilde;o do Supremo Tribunal Federal(<span style=\"font-family: Arial\">STF<\/span>) de derrubar a norma. Para ele, a lei n&atilde;o passava de mais um instrumento para blindar o Estado da fiscaliza&ccedil;&atilde;o. &ldquo;<em>Acredito que alguns dos que defendem a lei t&ecirc;m boa f&eacute; e apenas n&atilde;o estudaram a fundo a quest&atilde;o. Mas h&aacute; quem ache que, por estar no exerc&iacute;cio de um cargo p&uacute;blico, est&aacute; acima da lei<\/em>&rdquo;, afirma o parlamentar. &ldquo;<em>A Lei de Imprensa pretende tornar inalcan&ccedil;&aacute;veis essas autoridades<\/em>&rdquo;, completou ele, dizendo se tratar de um instrumento t&iacute;pico de um regime autorit&aacute;rio.<\/p>\n<p>\nDe acordo com o parlamentar, ao revogar a lei, o STF preservou o direito dos cidad&atilde;os &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. Ele argumentou que a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica precisa ser fiscalizada, mas cada cidad&atilde;o n&atilde;o disp&otilde;e dos instrumentos necess&aacute;rios para isso. &ldquo;<em>Quem faz essa fiscaliza&ccedil;&atilde;o, pelo conjunto da popula&ccedil;&atilde;o, &eacute; a imprensa<\/em>&rdquo;, afirmou. Miro argumentou que a regra era mais um exemplo da &ldquo;<em>cultura de prote&ccedil;&atilde;o<\/em>&rdquo; que guia o Estado brasileiro. Na lista, disse ele, est&atilde;o regras como o foro especial e inviolabilidades aplicadas a quem exerce cargo p&uacute;blico.<br \/>\n<\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span style=\"\"><span style=\"font-family: Verdana\"><span style=\"font-family: Arial\"><\/p>\n<p><span><br \/>\n<span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><u><span><strong>Constitui&ccedil;&atilde;o e c&oacute;digos Civil e Penal<br \/>\n<\/strong><\/span><\/u><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"\"><span style=\"font-family: Verdana\"><span style=\"font-family: Verdana\"><span style=\"font-size: small\"><span><span style=\"\">Com a revoga&ccedil;&atilde;o da Lei de Imprensa na quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal, os jornalistas e os meios de comunica&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o processados e julgados com base nos artigos da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e dos c&oacute;digos Civil e Penal que tratam dos crimes de inj&uacute;ria, cal&uacute;nia e difama&ccedil;&atilde;o. A Lei de Imprensa regulava a liberdade de manifesta&ccedil;&atilde;o do pensamento e de informa&ccedil;&atilde;o. Estava em vigor desde o fim do governo Castello Branco, o primeiro dos generais-presidentes do regime militar(<span style=\"font-family: Arial\">1964-1985<\/span>).<\/p>\n<p>\nEm fevereiro de 2008, o PDT pediu a revoga&ccedil;&atilde;o total da lei sob o argumento de que &eacute; incompat&iacute;vel com a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e com o Estado Democr&aacute;tico de Direito. Uma liminar concedida pelo ministro Carlos Ayres Britto suspendeu 20 dos 77 artigos da lei. Na quinta-feira, sete dos 11 ministros votaram pela revoga&ccedil;&atilde;o total da lei. Atualmente, alguns artigos da Lei de Imprensa j&aacute; estavam em desacordo com a Constitui&ccedil;&atilde;o e com os c&oacute;digos Civil e Penal.<\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-family: Verdana\"><o:p><\/o:p><\/span><span style=\"font-family: Verdana\"><span style=\"font-size: small\"><\/p>\n<p>\n<span style=\"\">O artigo 20 da Lei de Imprensa, por exemplo, previa pena de seis meses a tr&ecirc;s anos de pris&atilde;o para o crime de cal&uacute;nia, al&eacute;m de multa. J&aacute; o artigo 138 do C&oacute;digo Penal diz que a puni&ccedil;&atilde;o &eacute; pena de seis meses a dois anos de pris&atilde;o e multa. Para o crime de difama&ccedil;&atilde;o, o artigo 21 da Lei de Imprensa previa pena de seis meses a tr&ecirc;s anos de pris&atilde;o, al&eacute;m de multa.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-family: Verdana\"><o:p><\/o:p><\/span><span style=\"font-family: Verdana\"><span style=\"font-size: small\"><\/p>\n<p>\n<span style=\"\">J&aacute; o artigo 138 do C&oacute;digo Penal diz que a puni&ccedil;&atilde;o &eacute; pena de seis meses a dois anos de pris&atilde;o e multa. Para o crime de inj&uacute;ria, o artigo 22 da Lei de Imprensa previa pena de um m&ecirc;s a um ano de pris&atilde;o e multa. J&aacute; o artigo 140 do C&oacute;digo Penal diz que a puni&ccedil;&atilde;o varia de um m&ecirc;s a um ano de pris&atilde;o e multa.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-family: Verdana\"><o:p><\/o:p><\/span><span style=\"font-family: Verdana\"><span style=\"font-size: small\"><\/p>\n<p>\n<span style=\"\">A extin&ccedil;&atilde;o da Lei de Imprensa teve voto favor&aacute;vel de sete dos 11 ministros da Corte. Votaram a favor da revoga&ccedil;&atilde;o total os ministros Carlos Alberto Menezes Direito, Cezar Peluso, Carmen Lucia, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Eles seguiram os votos do relator do caso, ministro Carlos Ayres Britto, e do ministro Eros Grau, que apresentaram seus posicionamentos na sess&atilde;o do dia 1&ordm; de abril. Os ministros Joaquim Barbosa, Ellen Gracie e Gilmar Mendes sugeriram a revoga&ccedil;&atilde;o parcial da lei e o ministro Marco Aur&eacute;lio Mello votou pela manuten&ccedil;&atilde;o da norma e a cria&ccedil;&atilde;o de novas regras.<\/span><\/span><\/span><span style=\"font-family: Verdana\"><o:p><\/o:p><\/span><span style=\"font-family: Verdana\"><span style=\"font-size: small\"><\/p>\n<p>\nPara os ministros favor&aacute;veis, a lei &eacute; incompat&iacute;vel com a Constitui&ccedil;&atilde;o. &quot;<em>O pre&ccedil;o do sil&ecirc;ncio para a liberdade dos povos &eacute; muito mais alto do que a livre circula&ccedil;&atilde;o das id&eacute;ias. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel legislar com conte&uacute;do punitivo que criem condi&ccedil;&otilde;es de intimida&ccedil;&atilde;o<\/em>&quot;. Para o presidente do Supremo, como julgamentos de a&ccedil;&otilde;es contra jornalistas passam a ser feitos com base na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e nos c&oacute;digos Penal e Civil, h&aacute; dispositivos que precisam ser regulamentados, como o direito de resposta. Para Gilmar Mendes, o artigo quinto da Constitui&ccedil;&atilde;o, que trata do tema, &eacute; vago.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 6 minutos Bras&iacute;lia(DF) &#8211; O Supremo Tribunal Federal(STF) decidiu nesta quinta-feira(30Abr2009), ap&oacute;s quase cinco horas de julgamento, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[25],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1901"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1901"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1901\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1901"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1901"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1901"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}