{"id":19632,"date":"2024-04-19T15:25:52","date_gmt":"2024-04-19T18:25:52","guid":{"rendered":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/?p=19632"},"modified":"2024-04-20T11:47:58","modified_gmt":"2024-04-20T14:47:58","slug":"pesquisa-revela-que-povos-originarios-interagiam-com-pegadas-de-dinossauros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2024\/04\/19\/pesquisa-revela-que-povos-originarios-interagiam-com-pegadas-de-dinossauros\/","title":{"rendered":"Pesquisa revela que povos origin\u00e1rios interagiam com pegadas de Dinossauros"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 10 minutos<\/div><h4><span style=\"color: #000080;\"><strong><em>De acordo com o estudo, as pegadas foram identificadas pelos ind\u00edgenas, eram significativas para eles e tamb\u00e9m foram integradas ao seu repert\u00f3rio de conhecimento. S\u00edtio arqueol\u00f3gico \u00e9 o \u00fanico do mundo em que petroglifos e vest\u00edgios pr\u00e9-hist\u00f3ricos aparecem associados.<\/em><\/strong><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma pesquisa identificou em Sousa, no Sert\u00e3o da Para\u00edba, desenhos de povos ind\u00edgenas interagindo com pegadas de dinossauros em um s\u00edtio arqueol\u00f3gico.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo feito por pesquisadores brasileiros, bem antes das chegadas dos portugueses ao Brasil, as comunidades origin\u00e1rias descobriram as pegadas e incorporaram as marcas fossilizadas ao seu repert\u00f3rio de conhecimento e na arte realizada no per\u00edodo pr\u00e9-colonial. Segundo os pesquisadores, essa \u00e9 o \u00fanico local no mundo em que esses registros aparecem de forma associada.<\/p>\n<div style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=j8JY9xZhKInLzgcuAyPg6KltS4XYDUrO\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"500\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000080;\"><strong>No s\u00edtio arqueol\u00f3gico Serrote do Letreiro: Uma linha tracejada indica pinturas rupestres feitas por povos ind\u00edgenas, enquanto uma linha cont\u00ednua mostra pegadas de dinossauros Ter\u00f3podes.<\/strong><\/span><\/p><\/div>\n<p>Os desenhos, chamados de petroglifos pelos pesquisadores, foram demarcados no s\u00edtio arqueol\u00f3gico Serrote do Letreiro, localizado em uma propriedade rural privada, h\u00e1 11 km do centro urbano de Sousa.<\/p>\n<p>A cidade abriga o maior conjunto de pegadas de dinossauros provenientes da fase inicial do per\u00edodo Cret\u00e1ceo da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>&#8220;<em>Este s\u00edtio \u00e9 relevante para o conhecimento das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas da regi\u00e3o e a sua rela\u00e7\u00e3o com o ambiente em que viviam, incluindo a intera\u00e7\u00e3o com os f\u00f3sseis. E paleontologicamente \u00e9 relevante pois apresenta um abundante registro de pegadas de dinossauros, algumas das mais antigas pegadas de dinossauro do Per\u00edodo Cret\u00e1ceo do Brasil, e que, al\u00e9m do mais, est\u00e3o preservadas de forma excepcional<\/em>&#8220;, afirma a pesquisadora Aline Ghilardi, umas das respons\u00e1veis pelo estudo.<\/p>\n<div style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=Lmz9aF2Yq60pbrUTIbQMeyoJvxbXSU4l\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"500\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000080;\"><em><strong>Giuseppe Leonardi &#8211; Padre e Paleont\u00f3logo italiano. Realizou cerca de 90 expedi\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica do Sul, da Patag\u00f4nia \u00e0 Amaz\u00f4nia, entre elas 32 na bacia do Rio do Peixe em Sousa (PB).<\/strong><\/em><\/span><\/p><\/div>\n<p>De acordo com Aline Ghilardi, uma das respons\u00e1veis pela pesquisa e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o s\u00edtio arqueol\u00f3gico Serrote do Letreiro come\u00e7ou a ser pesquisado na d\u00e9cada de 1970, pelo padre paleont\u00f3logo italiano Giuseppe Leonardi <strong>(<span style=\"color: #ff0000;\">Foto acima<\/span>)<\/strong>, mas os moradores da regi\u00e3o j\u00e1 conheciam o local.<\/p>\n<p>\u201c<em>Apesar de conhecido cientificamente, o s\u00edtio nunca tinha recebido uma descri\u00e7\u00e3o t\u00e3o cuidadosa sobre a associa\u00e7\u00e3o de petroglifos \u00e0s pegadas f\u00f3sseis. Trabalhos anteriores apenas mencionaram a ocorr\u00eancia, sem se aprofundar na rela\u00e7\u00e3o. A novidade agora \u00e9 que nos debru\u00e7amos com mais cuidado sobre este s\u00edtio para interpretar essa associa\u00e7\u00e3o \u00fanica no mundo e apresent\u00e1-la em mais detalhes<\/em>\u201d, afirmou Aline Ghilardi.<\/p>\n<p>A pesquisadora afirma que as pegadas e inscri\u00e7\u00f5es s\u00e3o facilmente vis\u00edveis na regi\u00e3o, com exce\u00e7\u00e3o para algumas marcas que j\u00e1 foram desgastadas pela a\u00e7\u00e3o do tempo.<\/p>\n<p>Os desenhos foram feitos no entorno das pegadas, mas nunca em cima delas, o que indica que as comunidades humanas identificaram as marcas e tiveram cautela com elas.<\/p>\n<div style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=gnQpTKdLrUROwYGOEZj1TrHiDbDFXGfl\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"500\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000080;\"><strong>Foto direita:<\/strong> Brasil, Rio do Peixe, Passagem das Pedras. As pegadas profundas de um dinossauro ornit\u00f3pode, o Sousaichnium pricei , descritas por Leonardi com base nestas pegadas que t\u00eam um di\u00e2metro m\u00e9dio de 35,7 cm. Era um semibipede que tamb\u00e9m deixava pegadas intermitentemente nos membros anteriores. Neste ponto, foram escavadas 25 pegadas anteriores e 52 posteriores. Foto: \u00a9 Ismar de Souza Carvalho.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <strong>Foto esquerda:<\/strong> Brasil, localidade Passagem das Pedras. Leonardi perto da intersec\u00e7\u00e3o de duas pegadas de ter\u00f3podes, b\u00edpedes, predadores correndo (ver formato de p\u00e9 de p\u00e1ssaro), que por sua vez se cruzam com uma trilha de iguanodont\u00eddeos, um ornit\u00f3pode , semibipedal e dinossauro herb\u00edvoro . A partir da dist\u00e2ncia dos passos calculou-se que um corredor andava a 12,8 km\/h (esquerda) e o outro a 20,7 km\/h (direita). O iguanodonte caminhava a 4,2 km\/h. Foto: \u00a9 Franco Capone.<\/span><\/p><\/div>\n<p>\u201c<em>O fato de a maioria das inscri\u00e7\u00f5es terem sido feitas no entorno das pegadas \u00e9 um forte ind\u00edcio que eles notaram que algo de diferente ou especial estava ali. Al\u00e9m disso, o fato de nenhuma inscri\u00e7\u00e3o &#8211; apesar de serem muitas- ter sido feita por cima das pegadas ou danificando as pegadas, demonstra algum cuidado por parte dos &#8220;artistas&#8221;\u201d<\/em>, explicou a pesquisadora Aline.<\/p>\n<p>A pesquisa ainda afirma que os petroglifos foram feitos por um grupo humano que habitou a regi\u00e3o do Serid\u00f3, considerando o noroeste da Para\u00edba, o sudoeste do Rio Grande do Norte e parte do leste do Cear\u00e1, durante o per\u00edodo pr\u00e9-colonial.<\/p>\n<div style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=zGRl5fC4Zz67iqcOK0fxnZjVDLz8t7WC\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"500\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000080;\"><strong><em>Reconstru\u00e7\u00e3o de um dinossauro semi-nadador a partir dos vest\u00edgios encontrados: ele mergulhou em \u00e1guas rasas onde havia um \u201cp\u00e9\u201d, ou seja, tocando o fundo com os dedos, que hoje apresenta sinais de arranh\u00f5es, e continuou imerso por 2 \/ 3 procurando peixes. Foto: \u00a9 Desenho de Giuseppe Leonardi.\u00a0<\/em><\/strong><\/span><\/p><\/div>\n<p>De acordo com Aline, alguns sepultamentos antigos encontrados na regi\u00e3o, associados \u00e0 essa popula\u00e7\u00e3o, datam de 9 mil a 2 mil anos, o que indica o tempo que viveram no local.<\/p>\n<p>\u201c<em>Petroglifos similares s\u00e3o encontrados por toda essa \u00e1rea, em distintos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, mas a associa\u00e7\u00e3o com pegadas de dinossauros ocorre apenas no Serrote do Letreiro, em Sousa, na Para\u00edba<\/em>\u201d, explica.<\/p>\n<div style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=ed0emLPZZAW73UVNGOzGYogNyldrNXdT\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"500\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000080;\"><em><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o de dinossauro Ter\u00f3pode.<\/strong><\/em><\/span><\/p><\/div>\n<p>A pesquisa foi realizada por pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (URCA), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), pesquisadores independentes e uma arque\u00f3loga da Funda\u00e7\u00e3o Casa Grande do Cear\u00e1. O estudo foi publicado em 19 de mar\u00e7o na revista Nature.<\/p>\n<h2><span style=\"color: #000080;\"><strong>Os desenhos dos povos origin\u00e1rios<\/strong><\/span><\/h2>\n<p>A professora explicou que os petroglifos s\u00e3o imagens criadas em uma superf\u00edcie rochosa a partir da quebra ou raspagem. Aline Ghilardi afirma que a maioria dos petroglifos do Serrote do Letreiro foram feitos por picotagem, mas alguns desenhos tamb\u00e9m foram criados a partir de abras\u00e3o ou raspagem.<\/p>\n<div style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=YyIPAHDK1K7RSKVI1FOflN6D7rC0IYHs\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"500\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><em><strong><span style=\"color: #000080;\">Pegadas e petr\u00f3glifos foram encontrados no s\u00edtio arqueol\u00f3gico Serrote do Letreiro, em Sousa (PB).<\/span><\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>A pesquisa identificou cerca de 54 petroglifos em tr\u00eas \u00e1reas analisadas, mas aponta que o n\u00famero pode ser bem maior, porque algumas marcas se deterioraram com o tempo.<\/p>\n<p>De acordo com pesquisadora, a maior parte dos desenhos s\u00e3o formas geom\u00e9tricas. Os mais comuns s\u00e3o c\u00edrculos com divis\u00f5es internas e com linhas radiadas ou c\u00edrculos alinhados cortados por uma linha, mas ela tamb\u00e9m destaca que foram encontradas formas retangulares com subdivis\u00f5es internas.<\/p>\n<div style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=xiywsrBh9TDXuXGLeCqLHK4O0btKUY8d\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"500\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000080;\"><em><strong>Reconstru\u00e7\u00e3o baseada nas pegadas encontradas no s\u00edtio do Piau (Rio do Peixe), nesta cena quatro grandes ter\u00f3podes seguem tr\u00eas titanossauros se preparando para o ataque. Foto: \u00a9 Desenho a tinta de Giuseppe Leonardi, a partir de placa de Renzo Zanetti.<\/strong><\/em><\/span><\/p><\/div>\n<p>O estudo argumenta que a comunidade humana respons\u00e1vel pelos desenhos n\u00e3o possu\u00eda o conhecimento sobre dinossauros que temos hoje, mas, possivelmente, as pegadas foram identificadas por causa da semelhan\u00e7a com as pegadas da ema, a maior ave do Brasil, tamb\u00e9m considerada um dinossauro ter\u00f3podes (andava sobre duas patas) moderno.<\/p>\n<p>\u201c<em>Os que mais chamaram a aten\u00e7\u00e3o foram motivos trid\u00e1ctilos (pegadas de animais com tr\u00eas dedos), lembrando o formato das pegadas de dinossauros ter\u00f3podes, as mais abundantes no s\u00edtio. Essas pegadas s\u00e3o id\u00eanticas \u00e0s pegadas de aves atuais, exceto pelo tamanho. A \u00fanica ave brasileira com um p\u00e9 de formato e tamanho similar s\u00e3o as emas. Ficamos imaginando se eles teriam feito essa conex\u00e3o<\/em>\u201d, explicou Aline.<\/p>\n<div style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=j2rblQS9FaSwAmrkscUkflHnHYyb963s\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"500\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000080;\"><strong><em>O ambiente de aproximadamente 140 milh\u00f5es de anos das bacias do Rio do Peixe. No topo da cadeia alimentar estavam os grandes ter\u00f3podes (primeiro plano), mas descobriu-se que os saur\u00f3podes (parte inferior) n\u00e3o eram numerosos o suficiente para sustentar os carn\u00edvoros. Portanto, devia haver ter\u00f3podes on\u00edvoros e vegetarianos, bem como pisc\u00edvoros; os ter\u00f3podes tamb\u00e9m eram muito mais ativos, deixando assim mais pegadas.\u00a0Foto: \u00a9 Desenho de Ariel Milani Martine.<\/em><\/strong><\/span><\/p><\/div>\n<p>Para o desenvolvimento da pesquisa foi necess\u00e1rio demarcar todas as pegadas e desenhos identific\u00e1veis em tr\u00eas grandes \u00e1reas do s\u00edtio.<\/p>\n<p>A equipe registrou as marcas utilizando um drone com c\u00e2mera em alta resolu\u00e7\u00e3o para conseguir digitalizar toda a regi\u00e3o e georreferenciar cada marca. Todo esse trabalho permitiu que os pesquisadores estabelecessem uma rela\u00e7\u00e3o entre a arte rupestre e as pegadas de dinossauros.<\/p>\n<h2><strong><span style=\"color: #000080;\">As pegadas dos dinossauros<\/span><\/strong><\/h2>\n<p>A pesquisadora Aline Ghilardi, que atua no Laborat\u00f3rio de Paleontologia do Departamento de Geologia da UFRN (DinOLab), explica que as pegadas dos dinossauros que viviam no Serrote do Letreiro possuem entre 145 e 130 milh\u00f5es de anos e s\u00e3o muito mais antigas que os petroglifos da popula\u00e7\u00e3o que habitava aquela regi\u00e3o.<\/p>\n<div style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=IjdK6beUYI86cLCdkFpsx9yiLtZfrRt3\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"500\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000080;\"><em><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o de dinossauro Saur\u00f3podes.<\/strong><\/em><\/span><\/p><\/div>\n<p>Os dinossauros que produziram as pegadas encontradas no s\u00edtio s\u00e3o identificados, atualmente, como ter\u00f3podes, ornit\u00f3podes e saur\u00f3podes.<\/p>\n<p>A professora explica que os ter\u00f3podes s\u00e3o dinossauros carn\u00edvoros, j\u00e1 os ornit\u00f3podes s\u00e3o herb\u00edvoros e andavam sobre as duas patas, por \u00faltimo, os saur\u00f3podes eram grandes dinossauros quadr\u00fapedes de pesco\u00e7o comprido.<\/p>\n<h2><span style=\"color: #000080;\"><strong>A preserva\u00e7\u00e3o das pegadas e desenhos<\/strong><\/span><\/h2>\n<p>O estudo tamb\u00e9m avalia a qualidade da preserva\u00e7\u00e3o deste s\u00edtio arqueol\u00f3gico. De acordo com Aline Ghilardi, o s\u00edtio carece de prote\u00e7\u00e3o formal por causa do intemperismo natural das rochas, que j\u00e1 est\u00e1 desgastando as pegadas e os petroglifos.<\/p>\n<div style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=LNXHPab0JNE37UhQllPr4Vu3U8Ehc1RJ\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"500\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000080;\"><em><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o de como se formaram as pegadas: um dinossauro ter\u00f3pode, por exemplo, passando na margem de um corpo d\u2019\u00e1gua, comprimiu a lama. Nesse ponto, uma camada de bact\u00e9rias ou algas poderia \u201ccolonizar\u201d o ambiente da pegada e, \u00e0 medida que crescesse, poderia tornar-se uma esp\u00e9cie de pel\u00edcula protetora. Com o tempo, durante uma fase seca e devido ao efeito do sol, a pegada poder\u00e1 consolidar-se e, como prote\u00e7\u00e3o adicional, os sedimentos poder\u00e3o cobrir o n\u00edvel. A eros\u00e3o do solo devido a v\u00e1rios factores, tais como torrentes sazonais ou vento, pode eventualmente trazer a pegada de volta \u00e0 luz. Foto: \u00a9 Desenho de Ariel Milani Martine.<\/strong><\/em><\/span><\/p><\/div>\n<p>A pesquisadora e o estudo indicam a constru\u00e7\u00e3o de alguma estrutura ou sinaliza\u00e7\u00e3o, dada a import\u00e2ncia da localidade. De acordo com a professora, alguns terrenos pr\u00f3ximos j\u00e1 est\u00e3o sendo ocupados para a constru\u00e7\u00e3o de bairros ou condom\u00ednios, o que oferece um risco aos materiais fossilizados.<\/p>\n<p>\u201c<em>A fam\u00edlia que det\u00eam o terreno do s\u00edtio em si cuida da \u00e1rea como pode e somos infinitamente gratos por sempre nos terem recebido com muito carinho e tamb\u00e9m por fazerem o melhor que podem. Eles merecem todo carinho e respeito. Por\u00e9m, certamente o ideal seria uma prote\u00e7\u00e3o formalizada da \u00e1rea, dada a sua grande relev\u00e2ncia arqueol\u00f3gica e paleontol\u00f3gica<\/em>\u201d, afirmou.<\/p>\n<div style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=rZ4VeFF7ryvSyvENzQsfsRwSRPS1T3lI\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"500\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #000080;\"><em><strong>Reconstru\u00e7\u00e3o ambiental com dinossauros Saur\u00f3podes e Ter\u00f3podes do dep\u00f3sito Rio do Peixe onde, h\u00e1 cerca de 140 milh\u00f5es de anos, no Cret\u00e1ceo Inferior, existiam lagos tempor\u00e1rios em cujas praias os dinossauros se moviam. Foto: \u00a9 Desenho de Ariel Milani Martine.<\/strong><\/em><\/span><\/p><\/div>\n<p>A pesquisadora destaca que o s\u00edtio \u00e9 relevante para o conhecimento das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas da regi\u00e3o e a sua rela\u00e7\u00e3o com o ambiente em que viviam, incluindo a intera\u00e7\u00e3o com os f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m afirma que a regi\u00e3o apresenta uma abundante quantidade de pegadas de dinossauros, sendo algumas consideradas os mais antigos registros de dinossauros do Per\u00edodo Cret\u00e1ceo do Brasil.<\/p>\n<div style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=J8Sf6mbtlPqKnA0OsvnahPgn3pda75Gu\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"500\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><em><strong><span style=\"color: #000080;\">No s\u00edtio arqueol\u00f3gico do Serrote do Letreiro: Pegadas de dinossauros Ter\u00f3podes, Saur\u00f3podes e Ornit\u00f3podes de aproximadamente 140 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/span><\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>\u201c<em>O s\u00edtio do Serrote do Letreiro \u00e9 sobretudo especial, porque nos lembra que a rela\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es humanas com os f\u00f3sseis vem desde muito antes da ci\u00eancia ocidental se instalar. Desde tempos remotos as pessoas interagem com os f\u00f3sseis e, \u00e0 sua maneira, encontram significados e explica\u00e7\u00f5es para eles. Por essas e outras raz\u00f5es, os f\u00f3sseis s\u00e3o considerados tamb\u00e9m como patrim\u00f4nio cultural, porque ajudam a contar n\u00e3o s\u00f3 a hist\u00f3ria de seres muito antigos que viveram no nosso planeta, como os dinossauros, mas tamb\u00e9m a nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria e da nossa rela\u00e7\u00e3o com o mundo natural<\/em>\u201d, afirma a pesquisadora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/filerun\/wl\/?id=AuK2vKCjwKXmtWBzGNNpD2GN359EppUo\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 10 minutosDe acordo com o estudo, as pegadas foram identificadas pelos ind\u00edgenas, eram significativas para eles e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19634,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21,4,6],"tags":[22147,9,2180,22151,22159,22158,22160,22152,22156,22157,22153,22154,22149,17090,1710,22148,5615,22150,22155,511,22161,9469,22146,22144,22145],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19632"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19632"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19632\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19638,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19632\/revisions\/19638"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19634"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19632"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19632"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19632"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}