{"id":2128,"date":"2009-06-23T00:00:00","date_gmt":"2009-06-27T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2009-06-23T00:00:00","modified_gmt":"2009-06-23T00:00:00","slug":"Sociedade-de-Itaporanga-comovida-com-crime-passional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2009\/06\/23\/Sociedade-de-Itaporanga-comovida-com-crime-passional\/","title":{"rendered":"Sociedade de Itaporanga comovida com crime passional"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 7 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\n<strong>Itaporanga(PB) &#8211;<\/strong> Oito de junho de 1967. Motivado por um ci&uacute;me incontrol&aacute;vel, o fiscal de renda Luiz Augusto de Carvalho, ent&atilde;o com 36 anos, mata a tiros a pr&oacute;pria esposa, M&eacute;rcia Felinto, que tinha 23, o motorista do casal, Chico de Jaime, e depois suicida-se em uma casa da pra&ccedil;a da Prefeitura cercada por policiais e curiosos. Desde ent&atilde;o, Itaporanga n&atilde;o registrava um crime passional t&atilde;o comovente quanto o ocorrido no s&aacute;bado, 6 de junho(2009) &uacute;ltimo.<\/p>\n<p>\nA mais impressionante trag&eacute;dia passional dos &uacute;ltimos 42 anos ocorreu em frente a maior unidade militar da regi&atilde;o, mas o fato foi inevit&aacute;vel: quando os policiais militares, concentrados nos afazeres do aquartelamento, deram conta do que estava acontecendo e principiaram uma rea&ccedil;&atilde;o, dois corpos j&aacute; agonizavam sobre o piso da Rua Jos&eacute; In&aacute;cio de Ara&uacute;jo, onde residia o homicida-suicida. Uma paix&atilde;o desfeita em sangue.<\/p>\n<p>\nNem a pr&oacute;pria v&iacute;tima, a estudante de fisioterapia Ork&aacute;cia de Sousa Silva, que vivia a v&eacute;spera dos seus 20 anos, poderia prever as reais inten&ccedil;&otilde;es do homem com o qual convivia h&aacute;, pelo menos, quatro anos: quem conhecia Valdivino Bronzeado dos Santos n&atilde;o imaginava que ele fosse capaz de ato t&atilde;o extremo contra si e contra algu&eacute;m que demonstrava amar, embora j&aacute; n&atilde;o fosse mais sua namorada. Tratava-se de um rapaz calmo, instru&iacute;do e trabalhador. Era distribuidor do sorvete Cremosinn em Itaporanga.<\/p>\n<p>\n&Eacute; prov&aacute;vel que j&aacute; planejasse o fim dos dois quando, na manh&atilde; do s&aacute;bado, 6 de junho, um dia antes do anivers&aacute;rio dela(<span style=\"font-family: Arial\">07\/06 e a um m&ecirc;s do dele 06\/07<\/span>), encontrou a ex-namorada na sa&iacute;da do hospital, onde ela estagiava, e os dois seguiram de moto at&eacute; &agrave; casa dele, mas n&atilde;o havia presente de anivers&aacute;rio &agrave; espera da jovem, e, em trinta segundos, tudo foi consumado: com um rev&oacute;lver embrulhado na sacola timbrada de uma famosa loja de cosm&eacute;tico da cidade, o rapaz saiu de casa e reaproximou-se da estudante, que o aguardava do lado de fora, sem que ela percebesse o que estava prestes a acontecer.<\/p>\n<p>\nDepois de disparar quatro vezes contra Ork&aacute;cia, Valdivino atirou contra sua pr&oacute;pria cabe&ccedil;a diante dos olhos perplexos da m&atilde;e, que, da porta de casa, assistiu aos &uacute;ltimos instantes do filho. Para dona Anita, de 67 anos, t&atilde;o terr&iacute;vel quanto aquele instante foram as tr&ecirc;s longas horas em que o corpo do seu filho ficou estirado na rua &agrave; espera do carro do IML (<span style=\"font-family: Arial\">Instituto de Medicina Legal<\/span>) de Patos, sem que ela pudesse, sequer, aproximar-se do filho. &ldquo;<em>O que deixou a fam&iacute;lia mais revoltada foi porque ele deveria ter sido socorrido, como socorreram a menina, pois ele n&atilde;o morreu imediatamente, e o correto seria t&ecirc;-lo levado para o hospital como nos disse uma m&eacute;dica<\/em>&rdquo;, comenta Ana, irm&atilde; mais velha de Valdivino. &ldquo;<em>Meu filho era um homem de bem, nunca pegou nem num canivete, mas esse amor lhe deixou cego e ele teve um fim que n&atilde;o merecia<\/em>&rdquo;, desabafa chorosa a m&atilde;e.<\/p>\n<p>\nPara alguns juristas ouvidos pela Folha, como foi um suic&iacute;dio testemunhado, ou seja, n&atilde;o houve participa&ccedil;&atilde;o de terceiros no epis&oacute;dio e, portanto, como n&atilde;o haveria necessidade de se apurar o cen&aacute;rio do crime, o corpo poderia ter sido levado para o necrot&eacute;rio do hospital de onde seguiria para o IML, mas somente o delegado poderia autorizar a retirada do rapaz do local onde ocorreu o fato.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Duas fam&iacute;lias e muita dor<\/strong><\/u><\/span><\/span><br \/>\n<\/span>Sofrimento tamb&eacute;m para a fam&iacute;lia da jovem, que foi socorrida para o hospital de Itaporanga, onde a m&atilde;e e uma irm&atilde; s&atilde;o enfermeiras, e depois transferida para Patos, onde faleceu dois dias depois. Maria Aparecida de Sousa, a m&atilde;e, e Ork&iacute;cia de Sousa Silva, a irm&atilde;, estavam de plant&atilde;o quando Ork&aacute;cia foi hospitalizada. Embora acostumada ao conv&iacute;vio da trag&eacute;dia e &agrave; luta contra a morte, a m&atilde;e n&atilde;o suportou a terr&iacute;vel surpresa e teve que ser medicada. Um choque emocional violento: a menina, que havia sa&iacute;do h&aacute; poucos minutos do hospital bem e feliz, agora retornava gravemente lesionada.<\/p>\n<p>\nA jovem chegou ao hospital consciente, um sinal de esperan&ccedil;a para a fam&iacute;lia de que ela pudesse sobreviver: foram 48 horas de luta pela vida, mas n&atilde;o houve jeito. Como&ccedil;&atilde;o sem precedentes para pai, m&atilde;e e irm&atilde;os que perderam um dos seus entes mais queridos: uma jovem cheia de vida e com um futuro profissional promissor.<\/p>\n<p>\nOrk&aacute;cia seguia os passos profissionais da m&atilde;e e da irm&atilde;: a &aacute;rea de sa&uacute;de era sua voca&ccedil;&atilde;o. A estudante cursava fisioterapia em Patos e estagiava no hospital de Itaporanga.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: large\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"color: #0000ff\"><strong><u>Diferentes<\/u><\/strong><\/span><\/span><br \/>\n<\/span>Valdivino era quinze anos mais velho do que Ork&aacute;cia. Ele faria 35 no pr&oacute;ximo dia seis de julho, mas a diferen&ccedil;a entre eles n&atilde;o se restringiam somente &agrave; idade: ela era uma garota extrovertida e que gostava de sair; ele, um rapaz fechado e caseiro. Nem no gosto musical combinavam-se: ela gostava de pop rock e era f&atilde; do cantor Renato Russo, j&aacute; falecido; enquanto Valdivino era voltado &agrave; cultura rural: a literatura de cordel, o repente e o forr&oacute; de raiz eram suas prefer&ecirc;ncias, e at&eacute; arriscava alguns versos. Deixou v&aacute;rios textos escritos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" align=\"absMiddle\" src=\"\/UserFiles\/Image\/policiais\/eventos\/valdivino_e_orkacia_itaporanga_pb.jpg\" \/><\/p>\n<p>Os dois namoravam h&aacute;, pelo menos, quatro anos. Nesse per&iacute;odo, terminaram e reataram a rela&ccedil;&atilde;o v&aacute;rias vezes, mas o &uacute;ltimo rompimento era definitivo. Dias antes do fato, Ork&aacute;cia confessou a amigos que h&aacute; dois meses tinha terminado com Valdivino e que n&atilde;o haveria reconcilia&ccedil;&atilde;o. Mas o curioso &eacute; que, constantemente, eram vistos juntos. Talvez fosse uma tentativa dele de reconquist&aacute;-la. Os problemas amorosos acarretaram profundos abalos emocionais em Valdivino. Perdeu peso e aparentava sinais de depress&atilde;o. Diante das preocupa&ccedil;&otilde;es da m&atilde;e, disse apenas que estava doente, mas os exames n&atilde;o detectaram nenhum problema de ordem f&iacute;sica. Por orienta&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e de Ork&aacute;cia, ele procurou ajuda psicol&oacute;gica e estava em tratamento no Caps (<span style=\"font-family: Arial\">Centro de Apoio Ps&iacute;quico Social<\/span>).<\/p>\n<p>\nMas o grande problema de Valdivino era que ele n&atilde;o se abria com a fam&iacute;lia nem desabafava aos amigos: tentava resolver sozinho seus conflitos &iacute;ntimos. Suportou solit&aacute;rio uma carga sentimental excessivamente pesada e que o levou ao desespero extremo.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #0000ff\"><span><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Deixa um filho<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><\/span><br \/>\nEle residia com a m&atilde;e, que &eacute; vi&uacute;va h&aacute; dois anos e, pelo resto da vida, lembrar&aacute; o triste seis de junho, mas haver&aacute; tamb&eacute;m lembran&ccedil;as boas do filho querido: Valdivino lhe deixou um neto. Natanael tem oito anos e nasceu de um relacionamento anterior do rapaz. Nas p&aacute;ginas de relacionamento(<span style=\"font-family: Arial\">orkut<\/span>) de Valdivino e Ork&aacute;cia, mensagens de pesar e lamento dos amigos e recorda&ccedil;&otilde;es fotogr&aacute;ficas do tempo em que viviam bem, inclusive imagens do anivers&aacute;rio dela em 2008, desejos de felicidade que n&atilde;o se concretizaram em 2009.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: large\"><span style=\"color: #0000ff\"><span><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Inqu&eacute;rito<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO Delegado de Pol&iacute;cia Civil do munic&iacute;pio de Itaporanga, Elcenho Leite, instalou inqu&eacute;rito para apurar as circunst&acirc;ncias do fato, especialmente com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; origem da arma, um rev&oacute;lver calibre 38, usado por Valdivino para matar a ex-namorada e depois tirar a pr&oacute;pria vida.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: small\"><span><b><font face=\"Arial\"><font face=\"Verdana\" color=\"#0000ff\">* Mat&eacute;ria&nbsp;transcrita da Edi&ccedil;&atilde;o n&ordm; 152(<span style=\"font-size: x-small\">Ano 08 &#8211; 03 &agrave; 23 de Junho de 2009<\/span>) do Jornal&nbsp;<\/font><font face=\"Arial\" color=\"#ff0000\"><em><u>Folha do Vale<\/u><\/em><\/font><font face=\"Verdana\" color=\"#0000ff\">. O jornal de maior circula&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o do Vale do Pianc&oacute;, no sert&atilde;o do Estado da&nbsp;Para&iacute;ba.<\/font><\/font><\/b><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 7 minutos Itaporanga(PB) &#8211; Oito de junho de 1967. 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