{"id":2143,"date":"2009-07-03T00:00:00","date_gmt":"2009-07-03T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2009-07-03T00:00:00","modified_gmt":"2009-07-03T00:00:00","slug":"PGR-propoe-acao-para-reconhecer-uniao-de-pessoas-do-mesmo-sexo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2009\/07\/03\/PGR-propoe-acao-para-reconhecer-uniao-de-pessoas-do-mesmo-sexo\/","title":{"rendered":"PGR prop\u00f5e a\u00e7\u00e3o para reconhecer uni\u00e3o de pessoas do mesmo sexo"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 7 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\n<span style=\"color: #ff0000\"><strong><em><span style=\"font-family: Arial\">Deborah Duprat ofereceu hoje argui&ccedil;&atilde;o de descumprimento de preceito fundamental ao Supremo Tribunal Federal<br \/>\n<\/span><\/em><\/strong><\/span><br \/>\n<strong>Bras&iacute;lia(DF) &#8211;<\/strong> A procuradora-geral da Rep&uacute;blica, Deborah Duprat, prop&ocirc;s hoje, 2 de julho, ao Supremo Tribunal Federal(<span style=\"font-family: Arial\">STF<\/span>) argui&ccedil;&atilde;o de descumprimento de preceito fundamental, com pedido de liminar e de audi&ecirc;ncia p&uacute;blica, para reconhecimento da uni&atilde;o entre pessoas do mesmo sexo e que sejam dadas a elas os mesmos direitos e deveres dos companheiros em uni&otilde;es est&aacute;veis.<\/p>\n<p>\nA ADPF foi proposta com base em representa&ccedil;&atilde;o do Grupo de Trabalho de Direitos Sexuais e Reprodutivos da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidad&atilde;o. Apesar de j&aacute; haver uma argui&ccedil;&atilde;o(<span style=\"font-family: Arial\">ADPF 132<\/span>) sobre o mesmo tema, proposta pelo estado do Rio de Janeiro, foi oferecida nova a&ccedil;&atilde;o em virtude do parecer da Advocacia Geral da Uni&atilde;o, no sentido de que os efeitos da ADPF 132 estariam restritos &agrave;quele estado. Para n&atilde;o correr tal risco, a procuradora-geral prop&ocirc;s esta nova argui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>O indiv&iacute;duo heterossexual tem plena condi&ccedil;&atilde;o de formar a sua fam&iacute;lia, seguindo as suas inclina&ccedil;&otilde;es afetivas e sexuais. Pode n&atilde;o apenas se casar, como tamb&eacute;m constituir uni&atilde;o est&aacute;vel, sob a prote&ccedil;&atilde;o do Estado. Por&eacute;m, ao homossexual, a mesma possibilidade &eacute; denegada, sem qualquer justificativa aceit&aacute;vel<\/em>&quot;, diz, na a&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\nA tese sustentada na ADPF, segundo Deborah Duprat, &eacute; a de que se deve extrair diretamente da Constitui&ccedil;&atilde;o de 88 * notadamente os princ&iacute;pios da dignidade da pessoa humana(<span style=\"font-family: Arial\">art. 1&ordm;, inciso III<\/span>), da igualdade(<span style=\"font-family: Arial\">art. 5&ordm;, caput<\/span>), da veda&ccedil;&atilde;o das discrimina&ccedil;&otilde;es odiosas(<span style=\"font-family: Arial\">art. 3&ordm;, inciso IV<\/span>), da liberdade(<span style=\"font-family: Arial\">art. 5&ordm;, caput<\/span>) e da prote&ccedil;&atilde;o &agrave; seguran&ccedil;a jur&iacute;dica * a obrigatoriedade do reconhecimento da uni&atilde;o entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. E, diante da inexist&ecirc;ncia de legisla&ccedil;&atilde;o infraconstitucional regulamentadora, devem ser aplicadas analogicamente ao caso as normas que tratam da uni&atilde;o est&aacute;vel entre homem e mulher.<\/p>\n<p>\nPara a procuradora-geral, o reconhecimento da uni&atilde;o entre pessoas do mesmo sexo independe de media&ccedil;&atilde;o legislativa, pois &eacute; poss&iacute;vel aplicar imediatamente os princ&iacute;pios constitucionais. &quot;<em>N&atilde;o subiste qualquer argumento razo&aacute;vel para negar aos homossexuais o direito ao pleno reconhecimento das rela&ccedil;&otilde;es afetivas est&aacute;veis que mant&ecirc;m, com todas as consequ&ecirc;ncias jur&iacute;dicas disso decorrentes<\/em>&quot;, afirma.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Princ&iacute;pio da igualdade<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\n* Significa que todos devem receber o mesmo tratamento pelo Estado. Segundo Deborah Duprat, o Estado, em todos seus poderes e esferas, viola os preceitos fundamentais com rela&ccedil;&atilde;o a este tema. Isso envolve atos comissivos e omissivos. &quot;<em>Seria poss&iacute;vel citar as deci&otilde;es judiciais de diversos tribunais, que se negam a reconhecer como entidades familiares as referidas uni&otilde;es, e os atos das administra&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas que n&atilde;o concedem benef&iacute;cios previdenci&aacute;rios estatut&aacute;rios aos companheiros dos seus servidores falecidos<\/em>&quot;, explica. Ela acrescenta que a aparente neutralidade da legisla&ccedil;&atilde;o infraconstitucional brasileira escondeu o preconceito contra os homossexuais ao proteger apenas as rela&ccedil;&otilde;es est&aacute;veis heterosseuxais.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Proibi&ccedil;&atilde;o de discrimina&ccedil;&atilde;o<br \/>\n<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span>* A Constitui&ccedil;&atilde;o estabeleceu que &eacute; objetivo fundamental da Rep&uacute;blica &quot;promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, ra&ccedil;a, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discrimina&ccedil;&atilde;o. &quot;<em>A discrimina&ccedil;&atilde;o motivada pela orienta&ccedil;&atilde;o sexual &eacute; constitucionalmente banida no Brasil. E esta argumenta&ccedil;&atilde;o &eacute; refor&ccedil;ada quando se analisa a orienta&ccedil;&atilde;o seguida no &acirc;mbito do direito internacional dos direitos humanos<\/em>&quot;, diz a procurdora-geral. Ela lembra que o Brasil &eacute; signat&aacute;rio do Pacto dos Direitos Civis e Pol&iacute;ticos da ONU, que pro&iacute;be qualquer tipo de discrimina&ccedil;&atilde;o. &quot;<em>O Estado laico n&atilde;o pode basear os seus atos em concep&ccedil;&otilde;es religiosas, ainda que cultivadas pela religi&atilde;o majorit&aacute;ria, pois, do contr&aacute;rio, estaria desrespeitando todos aqueles que n&atilde;o a professam, sobretudo quando estiverem em jogo os seus pr&oacute;prios direitos fundamentais<\/em>&quot;, acrescenta.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Dignidade humana<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\n* Al&eacute;m de privar parceiros homossexuais de direitos importantes, o n&atilde;o-reconhecimento da uni&atilde;o entre pessoas do mesmo sexo explicita a desvaloriza&ccedil;&atilde;o pelo Estado do modo de ser do homossexual, rebaixando-o &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;o de segunda classe. Privar os membros de uni&otilde;es est&aacute;veis entre mesmo sexo de direitos relacionados &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas de exist&ecirc;ncia(<span style=\"font-family: Arial\">direito a alimentos, a receber benef&iacute;cios previdenci&aacute;rios etc<\/span>.) atenta contra sua dignidade, expondo-o a situa&ccedil;&otilde;es de risco social injustificado. &quot;<em>O reconhecimento social envolve a valoriza&ccedil;&atilde;o das identidades individuais e coletivas. E a desvaloriza&ccedil;&atilde;o social das caracter&iacute;sticas t&iacute;picas e do modo de vida dos integrantes de determinados grupos, como os homossexuais, tende a gerar nos seus membros conflitos ps&iacute;quicos s&eacute;rios, infligindo dor, ang&uacute;stia e crise na sua pr&oacute;pria identidade<\/em>&quot;, destaca a procuradora-geral. Ela lembra que, ao negar o reconhecimento deste tipo de uni&atilde;o, o Estado alimenta e legitima uma cultura homof&oacute;bica.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Direito &agrave; liberdade<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\n* Esse princ&iacute;pio permite que cada um fa&ccedil;a suas escolhas existenciais b&aacute;sicas e persiga seus projetos de vida, desde que n&atilde;o viole direitos de terceiros. Isso significa que cada um tem o direito de escolher com a pessoa com a qual pretende manter rela&ccedil;&otilde;es afetivas est&aacute;veis, de car&aacute;ter familiar. &quot;<em>&Eacute; exatamente essa liberdade que se denega ao homossexual, quando n&atilde;o se permite que ele forme a sua fam&iacute;lia, sob o amparo da lei, com pessoas do sexo para o qual se orienta a sua afetividade<\/em>&quot;, diz Deborah Duprat.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Prote&ccedil;&atilde;o &agrave; seguran&ccedil;a jur&iacute;dica<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\n* Princ&iacute;pio que possibilita que pessoas e empresas planejem as pr&oacute;prias atividades e tenham estabilidade e tranquilidade na frui&ccedil;&atilde;o dos seus direitos. Devido &agrave; falta de legisla&ccedil;&atilde;o e de indetemina&ccedil;&atilde;o da jurisprud&ecirc;ncia, n&atilde;o h&aacute; previsibilidade em temas envolvendo heran&ccedil;a, partilha de bens, deveres de assist&ecirc;ncia rec&iacute;proca e alimentos. &quot;<em>O caminho para supera&ccedil;&atilde;o desta inseguran&ccedil;a s&oacute; pode ser a extens&atilde;o do regime legal da uni&atilde;o est&aacute;vel para as percerias entre pessoas do mesmo sexo, atrav&eacute;s de decis&atilde;o judicial do STF, revestida de efic&aacute;cia erga omnes(<span style=\"font-family: Arial\">para todos<\/span>) e efeito vinculante<\/em>&quot;, afirma.<\/p>\n<p>\nQuanto &agrave; reda&ccedil;&atilde;o do artigo 226, &sect; 3&ordm;, da Constitui&ccedil;&atilde;o (&quot;&#8230; <em>&eacute; reconhecida a uni&atilde;o est&aacute;vel entre homem e mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar a sua convers&atilde;o em casamento<\/em>&quot;), a procuradora-geral diz que isso n&atilde;o impede o reconhecimento da uni&atilde;o entre homossexuais, uma vez que a Carta Maior n&atilde;o &eacute; um amontoado de normas isoladas. &quot;<em>Trata-se de um sistema aberto de princ&iacute;pios e regras, em que cada um dos elementos deve ser compreendido &agrave; luz dos demais<\/em>&quot;, diz. E, para ele, &eacute; na parte dos princ&iacute;pios fundamentais que se encontram as normas que permitem o reconhecimento.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Liminar<br \/>\n<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span>* Na argui&ccedil;&atilde;o, Deborah Duprat pede medida liminar para evitar danos patrimoniais, como benef&iacute;cios previdenci&aacute;rios e direito a alimentos, e extrapatrimoniais, como abalos &agrave; auto-estima e o est&iacute;mulo ao preconceito e &agrave; homofobia.<\/p>\n<p>Devido &agrave; relev&acirc;ncia do tema, a procuradora-geral pede, na a&ccedil;&atilde;o, a convoca&ccedil;&atilde;o de audi&ecirc;ncia p&uacute;blica no STF para discuss&atilde;o do reconhecimento da uni&atilde;o entre pessoas do mesmo sexo.<\/p>\n<p>Leia a &iacute;ntegra da argui&ccedil;&atilde;o em:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/noticias.pgr.mpf.gov.br\/noticias-do-site\/pdfs\/adpf%20uniao%20entre%20pessoas%20do%20mesmo%20sexo.pdf\">http:\/\/noticias.pgr.mpf.gov.br\/noticias-do-site\/pdfs\/adpf%20uniao%20entre%20pessoas%20do%20mesmo%20sexo.pdf<\/a><\/p>\n<p>\n* <\/span><span style=\"color: #ff0000\"><strong><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"\">Com Gislayne Rodrigues \/ Iris Porto &#8211; Assessoria de Comunica&ccedil;&atilde;o &#8211; Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Socialista Procuradoria Geral da Rep&uacute;blica.<\/span><\/span><\/strong><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 7 minutos Deborah Duprat ofereceu hoje argui&ccedil;&atilde;o de descumprimento de preceito fundamental ao Supremo Tribunal Federal Bras&iacute;lia(DF) [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[25],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2143"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2143"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2143\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}