{"id":2148,"date":"2009-07-03T00:00:00","date_gmt":"2009-07-03T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2009-07-03T00:00:00","modified_gmt":"2009-07-03T00:00:00","slug":"MPF-emite-parecer-sobre-exploracao-sexual-de-adolescente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2009\/07\/03\/MPF-emite-parecer-sobre-exploracao-sexual-de-adolescente\/","title":{"rendered":"MPF emite parecer sobre explora\u00e7\u00e3o sexual de adolescente"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 4 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\n<span style=\"color: #ff0000\"><em><strong><span style=\"font-family: Arial\">Para subprocurador, adultos devem ser condenados com base no Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente.<br \/>\n<\/span><\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<strong>Bras&iacute;lia(DF) &#8211;<\/strong> O subprocurador-geral da Rep&uacute;blica Alcides Martins enviou ao Superior Tribunal de Justi&ccedil;a(<span style=\"font-family: Arial\">STJ<\/span>) parecer(<span style=\"font-family: Arial\">Resp 820018<\/span>) em que pede que o Supremo Tribunal Federal(<span style=\"font-family: Arial\">STF<\/span>) acolha o recurso extraordin&aacute;rio interposto pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal e que condene, com base no Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente(<span style=\"font-family: Arial\">ECA<\/span>), dois adultos que pagaram para fazer sexo com adolescentes, como decidiu a Justi&ccedil;a de primeira inst&acirc;ncia.<\/p>\n<p>\nEm julgamento de recurso especial feito pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Mato Grosso do Sul, a 5&ordf; Turma do STJ entendeu que submeter crian&ccedil;a ou adolescente &agrave; prostitui&ccedil;&atilde;o ou &agrave; explora&ccedil;&atilde;o sexual, como determina o artigo 244-A do ECA, n&atilde;o abrange a figura ocasional do cliente, diante de aus&ecirc;ncia de explora&ccedil;&atilde;o sexual nos termos da defini&ccedil;&atilde;o legal e porque no caso dos autos n&atilde;o existia o explorador, denominado &ldquo;<em>cafet&atilde;o<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\nA 5&ordf; Turma n&atilde;o concordou com o parecer do subprocurador-geral Alcides Martins, que se manifestou a favor do provimento do recurso. Ele argumentou que a norma prevista no art. 244-A do ECA &eacute; espec&iacute;fica e n&atilde;o faz nenhuma distin&ccedil;&atilde;o sobre a condi&ccedil;&atilde;o da menor(<span style=\"font-family: Arial\">j&aacute; prostitu&iacute;da ou n&atilde;o<\/span>), j&aacute; que visa, &ldquo;<em>de uma forma geral, resguardar o direito de menores que ainda n&atilde;o t&ecirc;m discernimento acerca da gravidade de seus atos, n&atilde;o interessando sequer, nestes casos, o seu consentimento, eis que, em havendo, apresenta-se completamente despido de consci&ecirc;ncia e maturidade psicol&oacute;gica, face &agrave; sua pouca idade, n&atilde;o possuindo ainda capacidade cognitiva suficiente para entender a import&acirc;ncia de suas atitudes, tampouco responsabilidade para assumir as conseq&uuml;&ecirc;ncias delas advindas, estando ainda, nesta idade, absolutamente vulner&aacute;veis e indefesas diante de acontecimentos como este, haja vista a ingenuidade inerente &agrave; pr&oacute;pria idade<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\nAgora, em recurso extraordin&aacute;rio, Alcides Martins entende que o caso deve ir para o Supremo Tribunal Federal(<span style=\"font-family: Arial\">STF<\/span>). Isso porque a Lei 11.418\/06 criou a figura da repercuss&atilde;o geral, que trata de quest&otilde;es relevantes do ponto de vista econ&ocirc;mico, pol&iacute;tico, social ou jur&iacute;dico que ultrapassem os interesses subjetivos da causa. Martins considera que &eacute; o caso, pois, na sua opini&atilde;o, se for mantida a decis&atilde;o da 5&ordf; Turma, &ldquo;<em>estar&aacute; sendo criada uma nova forma de excludente de ilicitude, no tocante aos crimes sexuais praticados contra crian&ccedil;as e adolescentes, porventura j&aacute; prostitu&iacute;das<\/em>&rdquo;. Por isso, completa o subprocurador, a discuss&atilde;o da quest&atilde;o &ndash; <em>hip&oacute;tese de configura&ccedil;&atilde;o do crime de explora&ccedil;&atilde;o sexual de menor<\/em> &#8211; transcende os interesses subjetivos das partes envolvidas no processo.<\/p>\n<p>\nAl&eacute;m disso, Alcides Martins aponta que a decis&atilde;o da 5&ordf; Turma viola o artigo 227, par&aacute;grafo 4&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, o qual determina que a lei punir&aacute; severamente a explora&ccedil;&atilde;o sexual da crian&ccedil;a e do adolescente.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>Interpreta&ccedil;&atilde;o ampla<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nNo m&eacute;rito, o subprocurador-geral da Rep&uacute;blica aponta que o termo explora&ccedil;&atilde;o sexual de menor n&atilde;o pode ser entendido de maneira t&atilde;o singela, como a interpreta&ccedil;&atilde;o do STJ, mas de forma mais ampla. Para Alcides, o crime de explora&ccedil;&atilde;o sexual de menor tamb&eacute;m pode se caracterizar quando determinada pessoa se utiliza, diretamente, do corpo da crian&ccedil;a ou do adolescente como produto de consumo, para pr&aacute;ticas sexuais, bem como aquele que propicia, incentiva, facilita, induz ou promove a utiliza&ccedil;&atilde;o do corpo em troca de dinheiro.<\/p>\n<p>\nAlcides menciona, tamb&eacute;m, que o artigo 244-A do ECA n&atilde;o pune apenas o aliciador e empres&aacute;rio do sexo, mas tamb&eacute;m aquele que se aproveita do ato para alguma satisfa&ccedil;&atilde;o sexual. O subprocurador cita que, al&eacute;m do ECA, as crian&ccedil;as e os adolescentes s&atilde;o protegidos por normas internacionais, como a Conven&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos da Crian&ccedil;a(<span style=\"font-family: Arial\">ONU\/Unicef<\/span>); Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos da Crian&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas(<span style=\"font-family: Arial\">ONU\/Unicef<\/span>) e a Declara&ccedil;&atilde;o de Estocolmo.<\/p>\n<p>\nO parecer do subprocurador-geral ser&aacute; analisado pelo ministro Cesar Asfor Rocha, presidente do STJ.<\/p>\n<p>\n<\/span><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"\">*<\/span><strong><span style=\"\"> Com Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social&nbsp;&#8211; Procuradoria Geral da Rep&uacute;blica.<\/span><\/strong><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 4 minutos Para subprocurador, adultos devem ser condenados com base no Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente. 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