{"id":2229,"date":"2009-07-24T00:00:00","date_gmt":"2009-07-24T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2009-07-24T00:00:00","modified_gmt":"2009-07-24T00:00:00","slug":"200-mil-presos-norte-coreanos-estao-em-campos-de-concentracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2009\/07\/24\/200-mil-presos-norte-coreanos-estao-em-campos-de-concentracao\/","title":{"rendered":"200 mil presos norte-coreanos est\u00e3o em campos de concentra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 8 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\n<strong>Nova York(EUA) &#8211;<\/strong>&nbsp;Na Cor&eacute;ia do Norte h&aacute; cerca de 200.000 presos pol&iacute;ticos que est&atilde;o internados em campos de concentra&ccedil;&atilde;o onde trabalham entre 12 e 15 horas di&aacute;rias. N&atilde;o podem tomar banho com sabonete e sua roupa consiste em uns quantos farrapos. Em muitos casos, morrem de enfermidades relacionadas com a desnutri&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\nAssim o revela um informe da Associa&ccedil;&atilde;o de Advogados Coreanos, recolhido por &quot;<em>The Washington Post<\/em>&quot;, que detalha a vida cotidiana destes presos pol&iacute;ticos baseando-se nos testemunhos de sobreviventes dos campos e antigos guardas.<\/p>\n<p>\nA dieta di&aacute;ria destes centros de deten&ccedil;&atilde;o se baseia fundamentalmente em milho e sal. A maioria dos internos perdem os dentes ao longo do tempo e as gengivas tornam-se pretas. Os ossos ficam t&atilde;o debilitados que muitos n&atilde;o podem sustentar o tronco e caminham inclinados &agrave; altura da cintura.<\/p>\n<p>\nQuando entram no campo de concentra&ccedil;&atilde;o recebem umas roupas que s&atilde;o as &uacute;nicas que ter&atilde;o durante toda sua estada, sem possibilidade de troca, e vivem sem ceroulas, roupa interior, sabonete ou toalhas. Na maioria das vezes os falecimentos por enfermidades relacionadas com a m&aacute; nutri&ccedil;&atilde;o acontecem por volta da idade de 50 anos.<\/p>\n<p>\nEstes campos nunca foram visitados por estrangeiros, de modo que os testemunhos dos sobreviventes e ex-guardas n&atilde;o puderam ser verificados. Entretanto, as &uacute;ltimas imagens por sat&eacute;lite, acess&iacute;veis em todo mundo atrav&eacute;s da Internet, revelam a exist&ecirc;ncia destas instala&ccedil;&otilde;es nas montanhas da Cor&eacute;ia do Norte.<\/p>\n<p>\nAs imagens corroboram boa parte das hist&oacute;rias dos sobreviventes, j&aacute; que mostram inclusive as entradas &agrave;s minas onde os antigos presos dizem que trabalhavam como escravos, assim como as instala&ccedil;&otilde;es onde os ex-guardas asseguram que os internos que n&atilde;o cooperavam eram torturados at&eacute; a morte. Tamb&eacute;m se v&ecirc;em os lugares onde os reclusos eram obrigados a presenciar execu&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m de torres de vigil&acirc;ncia e alambrados eletrificados que rodeiam todo o per&iacute;metro dos campos.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>Queriam que admitisse que era um espi&atilde;o. Me golpearam nos dentes com um taco de beisebol. Me fraturaram o cr&acirc;nio em duas ocasi&otilde;es. Eu n&atilde;o era um espi&atilde;o, por&eacute;m admiti que era, ap&oacute;s nove meses de torturas<\/em>&quot;, relata.<\/p>\n<p>\nQuando Jung foi preso pesava 75 quilos, por&eacute;m quando o interrogat&oacute;rio acabou, chagou a pesar 36. &quot;<em>A maioria das pessoas morre de m&aacute; nutri&ccedil;&atilde;o<\/em>(<span style=\"font-family: Arial\">nos campos<\/span>), <em>acidentes no trabalho e durante os interrogat&oacute;rios<\/em>&quot;, conta Jung, agora convertido em advogado defensor dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>Temos este sistema de escravid&atilde;o diante de nossos narizes. Os grupos de Direitos Humanos n&atilde;o podem det&ecirc;-lo. A Cor&eacute;ia do Sul n&atilde;o pode det&ecirc;-lo. Os Estados Unidos ter&atilde;o que estabelecer esta quest&atilde;o na mesa de negocia&ccedil;&otilde;es<\/em>&quot;, explica An Myeong Chul, um antigo guarda que desertou para a Cor&eacute;ia do Sul.<\/p>\n<p>\nPor&eacute;m, este tema n&atilde;o foi abordado em nenhuma reuni&atilde;o das conversa&ccedil;&otilde;es a seis lados sobre o programa nuclear norte-coreano. &quot;<em>Falar com eles sobre os campos n&atilde;o foi poss&iacute;vel<\/em>&quot;, assinalou David Straub, um alto respons&aacute;vel pelo escrit&oacute;rio de assuntos coreanos do Departamento de Estado norte-americano, durante as administra&ccedil;&otilde;es de Bill Clinton e George W. Bush, em declara&ccedil;&otilde;es recolhidas por &quot;<em>The Washington Post<\/em>&quot;. Estes encontros n&atilde;o se produziram mais desde que Barack Obama tomou posse em janeiro.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>MEIO S&Eacute;CULO DE ANTIG&Uuml;IDADE<br \/>\n<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span>Segundo o informe, os campos de concentra&ccedil;&atilde;o da Cor&eacute;ia do Norte existem desde h&aacute; meio s&eacute;culo. Embora seja imposs&iacute;vel obter cifras precisas, governos ocidentais e organiza&ccedil;&otilde;es defensoras dos Direitos Humanos estimam que centenas de milhares de pessoas morreram nestes campos.<\/p>\n<p>\nA vers&atilde;o oficial norte-coreana &eacute; que estas instala&ccedil;&otilde;es n&atilde;o existem e, para evitar a apresenta&ccedil;&atilde;o de provas, as autoridades limitam o movimento dos estrangeiros apenas aos que t&ecirc;m permiss&atilde;o de entrar no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>\nSuzanne Scholte, ativista norte-americana que atende a sobreviventes destes campos e os convida a dar confer&ecirc;ncias e bate-papos em Washington, lamenta que todas estas v&iacute;timas n&atilde;o tenham uma figura que os represente. &quot;<em>Os tibetanos t&ecirc;m o Dalai Lama e Richard Gere; os birmaneses t&ecirc;m Aung San Suu Kyi; os darfurianos t&ecirc;m Mia Farrow e George Clooney. Os norte-coreanos n&atilde;o t&ecirc;m ningu&eacute;m<\/em>&quot;, alertou.<\/p>\n<p>\nCinco sobreviventes contam hist&oacute;rias arrepiantes, como execu&ccedil;&otilde;es sum&aacute;rias, para tirar da cabe&ccedil;a dos reclusos id&eacute;ias t&atilde;o descabidas como tentar escapar. Antes que os guardas matassem v&aacute;rios presos por esta raz&atilde;o, os internos de mais de 16 anos foram obrigados a presenciar o assassinato.<\/p>\n<p>\nSegundo os testemunhos, o oficial no comando costumava ler antes das execu&ccedil;&otilde;es um texto no qual destacava que o &quot;<em>Apreciado L&iacute;der<\/em>&quot;, o ditador King Jong Il, havia oferecido uma &quot;<em>oportunidade de reden&ccedil;&atilde;o<\/em>&quot; aos acusados, mediante os trabalhos for&ccedil;ados.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>Quase experimentamos as execu&ccedil;&otilde;es n&oacute;s mesmos<\/em>&quot;, explica Jung Gwang Il, de 47 anos, que assegura que presenciou duas execu&ccedil;&otilde;es de presos no Campo 15. Depois de tr&ecirc;s anos, diz, foi libertado e depois de fugir para a China, chegou a Seul, onde reside atualmente.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"\"><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>INTERROGAT&Oacute;RIO<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><br \/>\nComo outros prisioneiros muito antigos, Jung afirma que o mais duro de sua reclus&atilde;o foram os interrogat&oacute;rios por parte da Bowibu, a Ag&ecirc;ncia Nacional de Seguran&ccedil;a. Foi detido depois que um companheiro de trabalho de uma reparti&ccedil;&atilde;o do Governo o acusara de ser um espi&atilde;o sul-coreano.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>Queriam que admitisse que era um espi&atilde;o. Me golpearam nos dentes com um taco de beisebol. Me fraturaram o cr&acirc;nio em duas ocasi&otilde;es. Eu n&atilde;o era um espi&atilde;o, por&eacute;m admiti que era, ap&oacute;s nove meses de torturas<\/em>&quot;, relata.<\/p>\n<p>\nQuando Jung foi preso pesava 75 quilos, por&eacute;m quando o interrogat&oacute;rio acabou, chagou a pesar 36. &quot;<em>A maioria das pessoas morre de m&aacute; nutri&ccedil;&atilde;o<\/em>(<span style=\"font-family: Arial\">nos campos<\/span>), <em>acidentes no trabalho e durante os interrogat&oacute;rios<\/em>&quot;, conta Jung, agora convertido em advogado defensor dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>As pessoas com perseveran&ccedil;a s&atilde;o as que sobrevivem. Os que pensam todo o tempo em comida acabam loucos. Eu trabalhei duro, pelo que os guardas me selecionaram para ser o l&iacute;der do meu barrac&atilde;o, de modo que n&atilde;o tinha que gastar muita energia e a recuperava com o milho<\/em>&quot;, explica.<\/p>\n<p>\nOs reclusos s&atilde;o proibidos de qualquer contato com o mundo exterior e o suic&iacute;dio est&aacute; relacionado com a extens&atilde;o da condena&ccedil;&atilde;o. Os guardas podem golpear, violentar e matar prisioneiros com impunidade, e quando as internas ficam gr&aacute;vidas sem permiss&atilde;o, seus beb&ecirc;s s&atilde;o assassinados, segundo o informe.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><u><strong>SISTEMA DE CAMPOS<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO n&uacute;mero de campos de concentra&ccedil;&atilde;o na Cor&eacute;ia do Norte passou de 14, que havia no princ&iacute;pio, em cinco grandes instala&ccedil;&otilde;es, segundo antigos guardas. O chamado Campo 22, perto da fronteira com a China tem quase 50 quil&ocirc;metros de largura por 40 de extens&atilde;o, uma &aacute;rea maior que a cidade de Los Angeles, onde h&aacute; uns 50.000 reclusos.<\/p>\n<p>\nOs delitos pelos quais algu&eacute;m pode ser condenado incluem tanto oposi&ccedil;&atilde;o real como suposta ao Governo. &quot;<em>O sistema de campos pode ser percebido inteiramente como um massivo e elaborado sistema de persegui&ccedil;&atilde;o no terreno pol&iacute;tico<\/em>&quot;, assinala o investigador de Direitos Humanos David Hawk.<\/p>\n<p>\nA maioria dos campos s&atilde;o &quot;<em>distritos de controle completo<\/em>&quot;, o que significa que os internos trabalhar&atilde;o ali at&eacute; sua morte, por&eacute;m o Campo 15 se considera uma exce&ccedil;&atilde;o. Chamado de &quot;<em>distrito revolucion&aacute;rio<\/em>&quot;, os presos podem receber doutrinamento no socialismo e depois de alguns anos, se aprendem de mem&oacute;ria os escritos de King Jong Il, s&atilde;o liberados embora sob vigil&acirc;ncia das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p>\nDesde que se ofereceu como lugar seguro para os desertores, a Cor&eacute;ia do Sul &eacute; o lar de muitos sobreviventes dos campos que t&ecirc;m contado sua experi&ecirc;ncia ao servi&ccedil;o de Intelig&ecirc;ncia desse pa&iacute;s, que provavelmente sabe mais sobre estas instala&ccedil;&otilde;es do que qualquer outra ag&ecirc;ncia do mundo.<\/p>\n<p>\nAn Myeong Chul conta que quando estava sendo treinado para ser guarda, seus instrutores o amea&ccedil;aram a converter-se em preso se mostrasse pena dos reclusos, aos quais podia golpear ou matar a seu bel prazer. &quot;<em>Nos ensinaram a olhar os presos como porcos<\/em>&quot;, indica An, de 41 anos. Depois de sete anos de trabalho, conseguiu escapar para a China e agora trabalha em um banco em Seul.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 8 minutos Nova York(EUA) &#8211;&nbsp;Na Cor&eacute;ia do Norte h&aacute; cerca de 200.000 presos pol&iacute;ticos que est&atilde;o internados [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[10],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2229"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2229"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2229\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2229"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2229"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2229"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}