{"id":2938,"date":"2010-01-22T00:00:00","date_gmt":"2010-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2010-01-22T00:00:00","modified_gmt":"2010-01-22T00:00:00","slug":"MPF-propoe-acao-contra-prefeitura-de-Areia-e-Uniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2010\/01\/22\/MPF-propoe-acao-contra-prefeitura-de-Areia-e-Uniao\/","title":{"rendered":"MPF prop\u00f5e a\u00e7\u00e3o contra prefeitura de Areia e Uni\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 8 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\"><em><strong><span style=\"font-size: small;\"><br \/>\n&Oacute;rg&atilde;o pede o rein&iacute;cio das obras na Barragem Saulo Maia e tamb&eacute;m aju&iacute;za a&ccedil;&atilde;o por improbidade administrativa.<\/span><\/strong><\/em><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><\/p>\n<p><strong>Campina Grande(PB) &#8211; <\/strong>O Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal(<span style=\"font-family: Arial;\">MPF<\/span>) em Campina Grande est&aacute; processando a Uni&atilde;o e a prefeitura de Areia(<span style=\"font-family: Arial;\">PB<\/span>), a 101 km da capital, para obrig&aacute;-los a concluir a constru&ccedil;&atilde;o da Barragem Saulo Maia, localizada no referido munic&iacute;pio. A barragem foi inicialmente projetada com capacidade total de 2.611.200 m3, com valor estimado em R$ 3.704.400,00. No entanto, ap&oacute;s sete anos, tendo sido j&aacute; investidos aproximadamente 6 milh&otilde;es de reais na constru&ccedil;&atilde;o, as obras da barragem encontram-se paralisadas desde 13 de junho de 2005, gerando perigo para o meio ambiente, para a popula&ccedil;&atilde;o e desperd&iacute;cio do dinheiro p&uacute;blico, em quadro de abandono.<\/p>\n<p>\nSegundo o MPF apurou em inqu&eacute;rito civil p&uacute;blico, as obras foram iniciadas em 2002 com recursos provenientes de tr&ecirc;s conv&ecirc;nios firmados com o Minist&eacute;rio da Integra&ccedil;&atilde;o Nacional, passando pela administra&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s prefeitos diferentes. Tamb&eacute;m verificou-se que as irregularidades na Barragem Saulo Maia come&ccedil;aram antes mesmo de iniciada a constru&ccedil;&atilde;o. &Eacute; que no ano 2000, seis meses antes do t&eacute;rmino do mandato da ent&atilde;o prefeita &Aacute;dria Perazzo Gomes, houve o procedimento licitat&oacute;rio e contra&ccedil;&atilde;o da empresa Pereira de Carvalho &amp; Cia Ltda., sem previs&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria que assegurasse a realiza&ccedil;&atilde;o das obras naquele exerc&iacute;cio financeiro, ou seja, em 2000.<\/p>\n<p>\nPara o MPF, agindo assim, &Aacute;dria Perazzo desrespeitou o disposto no artigo 7&ordm; da Lei 8.666\/93(<span style=\"font-family: Arial;\">Lei das Licita&ccedil;&otilde;es<\/span>) segundo o qual as obras e os servi&ccedil;os somente poder&atilde;o ser licitados quando houver previs&atilde;o de recursos or&ccedil;ament&aacute;rios que assegurem o pagamento das obriga&ccedil;&otilde;es decorrentes de obras ou servi&ccedil;os a serem executadas no exerc&iacute;cio financeiro em curso, de acordo com o respectivo cronograma.<\/p>\n<p>\nOs recursos federais para a constru&ccedil;&atilde;o da barragem s&oacute; foram conseguidos no ano de 2001, j&aacute; na administra&ccedil;&atilde;o de Ademar Paulino de Lima, atrav&eacute;s do Conv&ecirc;nio n.&ordm; 997\/2001, assinado em 31 de dezembro de 2001, mas somente em 7 de outubro de 2002, eles foram depositados na conta espec&iacute;fica do conv&ecirc;nio. Conforme previsto no conv&ecirc;nio, seu t&eacute;rmino se daria em 30 de maio de 2003, prazo final para presta&ccedil;&atilde;o de contas.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 128);\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong>Altera&ccedil;&atilde;o no projeto original<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nAdemar Paulino, ao inv&eacute;s de invalidar a licita&ccedil;&atilde;o irregular, decidiu, com o aval da comiss&atilde;o de licita&ccedil;&atilde;o, prorrogar o contrato j&aacute; assinado com a empresa Pereira de Carvalho na administra&ccedil;&atilde;o anterior, mesmo o contrato j&aacute; estando com prazo expirado desde 31 de dezembro de 2000. Assim, a empresa foi incumbida de realizar as obras, inclusive por meio de sucessivas prorroga&ccedil;&otilde;es, com vig&ecirc;ncia final em 31 de dezembro de 2004.<\/p>\n<p>\nApesar do munic&iacute;pio ter executado integralmente os recursos do Conv&ecirc;nio 997\/2001, as obras n&atilde;o foram conclu&iacute;das, pois durante a constru&ccedil;&atilde;o da Barragem Saulo Maia, o ent&atilde;o prefeito Ademar Paulino resolveu alterar substancialmente o projeto original, aumentando a capacidade inicial de 2.611.200 m3 para 4.968.439,35 m3. A altera&ccedil;&atilde;o repercutiu nas licen&ccedil;as ambientais da obra, pois n&atilde;o houve a atualiza&ccedil;&atilde;o das mesmas, acarretando a lavratura de autos de infra&ccedil;&atilde;o por parte da Superintend&ecirc;ncia de Administra&ccedil;&atilde;o do Meio Ambiente (Sudema). A regulariza&ccedil;&atilde;o s&oacute; ocorreu posteriormente.<\/p>\n<p>\nAinda durante a administra&ccedil;&atilde;o do prefeito Ademar Paulino, foi assinado em 31 de dezembro de 2003 o Conv&ecirc;nio 259\/2003, no valor de R$ 1.785.000,00, para concluir a barragem. O conv&ecirc;nio terminou em 6 de julho de 2004, os recursos foram utilizados, mas as obras ainda n&atilde;o estavam prontas.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 128);\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong>Obras paralisadas<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nEm 31 de dezembro de 2005, j&aacute; na administra&ccedil;&atilde;o do atual prefeito Elson da Cunha Lima Filho, foi assinado um terceiro conv&ecirc;nio com o Minist&eacute;rio da Integra&ccedil;&atilde;o Nacional(<span style=\"font-family: Arial;\">Conv&ecirc;nio 647\/2005<\/span>), no valor de 1,5 milh&atilde;o de reais, cujo objetivo seria, finalmente, a conclus&atilde;o da barragem. No entanto, apesar da libera&ccedil;&atilde;o da primeira parcela em 30 de junho de 2006, o Minist&eacute;rio da Integra&ccedil;&atilde;o constatou, em duas vistorias ao local, que as obras n&atilde;o haviam ainda sido reiniciadas e que o o abandono poderia ensejar graves danos ambientais e preju&iacute;zos &agrave;s estruturas j&aacute; conclu&iacute;das.<\/p>\n<p>\nAo MPF a prefeitura informou, em agosto de 2009, que foi aberto novo procedimento licitat&oacute;rio, mas n&atilde;o havia ainda not&iacute;cia da aprova&ccedil;&atilde;o das altera&ccedil;&otilde;es do plano de trabalho por parte do Minist&eacute;rio da Integra&ccedil;&atilde;o. Ap&oacute;s sucessivas prorroga&ccedil;&otilde;es, o conv&ecirc;nio, cujo prazo de encerramento ocorreu em 11 de dezembro de 2009, teve liberado somente a primeira parcela, n&atilde;o havendo not&iacute;cias de que tenha a mesma sido empregada nas obras.<\/p>\n<p>\nPara o MPF, a prefeitura, na administra&ccedil;&atilde;o do atual gestor municipal pecou em inefici&ecirc;ncia, perdurando o quadro de paralisa&ccedil;&atilde;o da obra por mais de tr&ecirc;s anos sem que os recursos do conv&ecirc;nio fossem aplicados em sua destina&ccedil;&atilde;o. Tal situa&ccedil;&atilde;o demonstrou completa inefetividade, gerando um quadro de ina&ccedil;&atilde;o que colocou e coloca em risco a popula&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio de Areia, al&eacute;m de revelar completa neglig&ecirc;ncia na conserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio p&uacute;blico.<\/p>\n<p>\nO Minist&eacute;rio P&uacute;blico ressaltou que o atual prefeito encontra-se no cargo desde janeiro de 2005, tendo inclusive sido reeleito, sem que, durante todo esse tempo, fosse capaz de dar continuidade &agrave;s obras, havendo ainda mais um milh&atilde;o e meio de reais aguardando ser investido desde 2006.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 128);\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong>Omiss&atilde;o da Uni&atilde;o<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nConforme apurado pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico, a Uni&atilde;o, como concedente dos conv&ecirc;nios, atrav&eacute;s do Minist&eacute;rio da Integra&ccedil;&atilde;o Nacional, nada fez para buscar efetividade na aplica&ccedil;&atilde;o dos recursos, simplesmente repassando a primeira parcela do &uacute;ltimo conv&ecirc;nio e n&atilde;o exigindo sua aplica&ccedil;&atilde;o e conclus&atilde;o das obras da Barragem Saulo Maia.<\/p>\n<p>\nPara o MPF, a falta de cobran&ccedil;a da aplica&ccedil;&atilde;o dos recursos p&uacute;blicos na conclus&atilde;o da barragem mostra que a Uni&atilde;o vem compactuando com a in&eacute;rcia do gestor municipal, contemplando a deteriora&ccedil;&atilde;o dos recursos federais investidos e aguardando, com destemor, o pr&oacute;ximo desastre ambiental a ocorrer no munic&iacute;pio de Areia, &agrave; semelhan&ccedil;a do ocorrido na Barragem de Camar&aacute;, em Alagoa Grande.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 128);\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong>Pedido cautelar<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO MPF pediu que a Justi&ccedil;a determine de imediato a realiza&ccedil;&atilde;o de fiscaliza&ccedil;&atilde;o na obra, por parte de t&eacute;cnicos do Minist&eacute;rio da Integra&ccedil;&atilde;o Nacional, para que seja tra&ccedil;ada uma radiografia da barragem, enumerando-se as medidas urgentes a serem tomadas para sua conserva&ccedil;&atilde;o, evitando-se o desastre iminente. O prazo para a realiza&ccedil;&atilde;o da vistoria n&atilde;o poder&aacute; ser superior a 30 dias. Al&eacute;m disso, as medidas urgentes indicadas pelos t&eacute;cnicos devem ser tomadas pela prefeitura, sob fiscaliza&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Integra&ccedil;&atilde;o, com os recursos j&aacute; liberados pelo conv&ecirc;nio, em prazo n&atilde;o superior a 30 dias.<\/p>\n<p>\nO Minist&eacute;rio P&uacute;blico tamb&eacute;m pediu &agrave; Justi&ccedil;a Federal que, paralelamente &agrave;s medidas urgentes, determine o rein&iacute;cio, de imediato, das obras de conclus&atilde;o da barragem, ap&oacute;s an&aacute;lise do projeto definitivo pelo Minist&eacute;rio da Integra&ccedil;&atilde;o Nacional. As obras dever&atilde;o estar conclu&iacute;das no prazo m&aacute;ximo de 180 dias.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 128);\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong>Improbidade Administrativa<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal tamb&eacute;m prop&ocirc;s a&ccedil;&atilde;o de improbidade administrativa contra Elson da Cunha Lima Filho, atual prefeito de Areia, Ademar Paulino de Lima, ex-prefeito do mesmo munic&iacute;pio e Pedro Freire de Souza Filho, ex-presidente da Comiss&atilde;o Permanente de Licita&ccedil;&atilde;o de Areia pelas irregularidades na constru&ccedil;&atilde;o da Barragem Saulo Maia.<\/p>\n<p>\nA ex-prefeita &Aacute;dria Perazzo Gomes n&atilde;o foi processada em raz&atilde;o de prescri&ccedil;&atilde;o, pois j&aacute; deixou o cargo h&aacute; mais de cinco anos, hip&oacute;tese prevista no artigo 23 da Lei 8.429\/93(<span style=\"font-family: Arial;\">Lei de Improbidade Administrativa<\/span>).<\/p>\n<p>\nSe condenados, os envolvidos ter&atilde;o que ressarcir integralmente o dano, pagar multa civil de at&eacute; duas vezes o valor do dano, al&eacute;m de serem proibidos de contratar com o Poder P&uacute;blico, receber benef&iacute;cios, incentivos fiscais ou credit&iacute;cios pelo prazo de cinco anos, como tamb&eacute;m suspens&atilde;o os direitos pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p><\/span><\/span><span style=\"color: rgb(0, 0, 128);\"><em><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>* Com Assessoria de Comunica&ccedil;&atilde;o da Procuradoria da Rep&uacute;blica na Para&iacute;ba.<\/strong><\/span><\/span><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 8 minutos &Oacute;rg&atilde;o pede o rein&iacute;cio das obras na Barragem Saulo Maia e tamb&eacute;m aju&iacute;za a&ccedil;&atilde;o por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[25],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2938"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2938"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2938\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2938"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2938"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2938"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}