{"id":3185,"date":"2010-03-10T00:00:00","date_gmt":"2010-03-10T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2010-03-10T00:00:00","modified_gmt":"2010-03-10T00:00:00","slug":"Futuro-do-carro-eletrico-ainda-esta-indefinido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2010\/03\/10\/Futuro-do-carro-eletrico-ainda-esta-indefinido\/","title":{"rendered":"Futuro do carro el\u00e9trico ainda est\u00e1 indefinido"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 6 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">H&aacute; vinte e cinco anos previa-se um futuro brilhante para ele. Por&eacute;m o carro el&eacute;trico continua marginal e caro. E sua generaliza&ccedil;&atilde;o poder&aacute; obrigar a constru&ccedil;&atilde;o de novas centrais nucleares. Apesar disso, alguns especialistas pensam que sua hora finalmente chegou. Outros continuam c&eacute;ticos.<\/p>\n<p>\nNeste ano os carros el&eacute;tricos est&atilde;o mais uma vez presentes no Sal&atilde;o do Autom&oacute;vel em Genebra. Mas nas estradas eles continuam sendo marginais. Em 2009, dos 266.018 ve&iacute;culos novos vendidos na Su&iacute;&ccedil;a, apenas 53 eram movidos &agrave; eletricidade.<\/p>\n<p>\nOs problemas s&atilde;o conhecidos: baterias pesadas, autonomia e pot&ecirc;ncia reduzidas, pre&ccedil;o de compra elevado, rede de esta&ccedil;&otilde;es de recarga ainda embrion&aacute;rias. Sem esquecer as tamb&eacute;m in&uacute;meras promessas n&atilde;o cumpridas por parte dos fabricantes, que anunciavam j&aacute; h&aacute; dez anos o in&iacute;cio da produ&ccedil;&atilde;o em s&eacute;rie.<\/p>\n<p>\nH&aacute; alguns anos a ind&uacute;stria parece ter privilegiado os carros h&iacute;bridos, que aliam a pot&ecirc;ncia do motor a gasolina com a economia do motor el&eacute;trico. E cada vez mais construtores se juntam aos pioneiros japoneses nessa tecnologia.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 128);\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong>H&iacute;brido ou el&eacute;trico?<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\n&quot;<em>No Sal&atilde;o de Genebra &eacute; poss&iacute;vel ver um h&iacute;brido ou el&eacute;trico &#8211; ou at&eacute; os dois &#8211; em praticamente cada estande. Mesmo a Porsche e a Mercedes j&aacute; t&ecirc;m os seus<\/em>&quot;, confirma Rudolf Blessing, porta-voz dos importadores su&iacute;&ccedil;os de autom&oacute;veis.<\/p>\n<p>\nPara os pr&oacute;ximos anos, sua associa&ccedil;&atilde;o espera inclusive o crescimento nas vendas de h&iacute;bridos, mesmo se eles continuam a ser relativamente caros.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>O problema &eacute; que os motores h&iacute;bridos &#8211; como os motores el&eacute;tricos &#8211; s&atilde;o claramente mais custosos a fabricar do que os motores a gasolina ou a diesel<\/em>&quot;, admite Rudolf Blessing. &quot;<em>E, portanto, produzir um pequeno ve&iacute;culo h&iacute;brido n&atilde;o faz sentido, pelo menos do ponto de vista econ&ocirc;mico<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nMas isso n&atilde;o importa: para Yves Lehmann, presidente da associa&ccedil;&atilde;o E-mobile(<span style=\"font-family: Arial;\">que milita desde 1980 por ve&iacute;culos de consumo reduzido e baixo n&iacute;vel de emiss&otilde;es<\/span>), &eacute; o carro el&eacute;trico que vai ganhar a partida contra o h&iacute;brido.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>Come&ccedil;amos a ter solu&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o verdadeiramente de alto rendimento, possibilitando ter uma boa autonomia com ve&iacute;culos puramente el&eacute;tricos de 120 a 200 quil&ocirc;metros<\/em>&quot;, explica. &quot;<em>E tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel recarregar entre 12 a 15 minutos. &Eacute; o tempo necess&aacute;rio para tomar um caf&eacute; em uma parada na rodovia<\/em>&quot;.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 128);\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong>Cen&aacute;rio 15%<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nE se, em dez anos, 15% dos ve&iacute;culos privados na Su&iacute;&ccedil;a forem el&eacute;tricos? Segundo uma pesquisa encomendada pela empresa Alpiq, n&uacute;mero um na Su&iacute;&ccedil;a na venda de corrente el&eacute;trica, isso seria suficiente para reduzir as emiss&otilde;es do tr&aacute;fego rodovi&aacute;rio em 10%, satisfazendo assim parte dos objetivos de redu&ccedil;&atilde;o de g&aacute;s do efeito estufa que a Su&iacute;&ccedil;a se comprometeu em Copenhague.<\/p>\n<p>\n&Eacute; nessa percentagem de 15% que Yves Lehmann gostaria de acreditar. Embora admitindo que isso &eacute; devido ao &quot;<em>seu otimismo natural<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nNo campo dos ecologistas puros e duros, as pessoas s&atilde;o mais c&eacute;ticas. Assim, Cyrill Studer, respons&aacute;vel da campanha &quot;Clima e Transportes&quot; da se&ccedil;&atilde;o su&iacute;&ccedil;a do Greenpeace, admite que &quot;<em>os ve&iacute;culos el&eacute;tricos poder&atilde;o ter um futuro nas rodovias su&iacute;&ccedil;as<\/em>&quot;, mas n&atilde;o lhes d&aacute; &quot;<em>um cheque em branco<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>Os motores el&eacute;tricos s&atilde;o mais eficazes que os motores a combust&iacute;vel<\/em>&quot;, admite o militante verde. &quot;<em>Mas ainda sobram quest&otilde;es que n&atilde;o s&atilde;o respondidas pela ind&uacute;stria automobil&iacute;stica, sobretudo no que diz respeito aos metais raros<\/em>&#8230;&quot;.<\/p>\n<p>\nA fabrica&ccedil;&atilde;o de baterias, seja para ve&iacute;culos el&eacute;tricos ou h&iacute;bridos, necessita grandes quantidades de neod&iacute;mio, t&eacute;rbio ou dispr&oacute;sio, todos elementos qu&iacute;micos cujas cota&ccedil;&otilde;es explodem e a procura j&aacute; se assemelha a uma nova investida em dire&ccedil;&atilde;o ao ouro. Sem falar do l&iacute;tio, cuja extra&ccedil;&atilde;o j&aacute; coloca sob press&atilde;o as raras jazidas conhecidas no mundo, na Am&eacute;rica Latina, no Tibete e na Austr&aacute;lia.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 128);\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong>Duas centrais nucleares?<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nMas o que incomoda mais os ecologistas &eacute; a ideia de plugar um ve&iacute;culo na tomada sabendo que 40% da eletricidade consumida na Su&iacute;&ccedil;a prov&eacute;m de usinas nucleares. E que o aumento do n&uacute;mero desse tipo de ve&iacute;culo far&aacute; naturalmente aumentar o consumo de energia.<\/p>\n<p>\nSegundo os dados do estudo encomendado pela Alpiq, se 15% da frota de ve&iacute;culos particulares rodar gra&ccedil;as &agrave; eletricidade, isso far&aacute; aumentar o consumo de 1,2 para 1,7 bilh&otilde;es de kWh, ou entre 1,8 a 2,6% da produ&ccedil;&atilde;o su&iacute;&ccedil;a em 2007.<\/p>\n<p>\nA estimativa de Fabrizio Noembrini &eacute; menos otimista. O chefe do grupo &quot;<em>Energy systems<\/em>&quot; da Escola Polit&eacute;cnica Federal de Zurique calculou que se o conjunto da frota automotiva su&iacute;&ccedil;a passasse a ser movida &agrave; eletricidade, o consumo poderia aumentar entre 30 a 40%. E no contexto atual, apenas uma ou duas novas centrais nucleares poderiam responder a essa demanda.<\/p>\n<p>\nMesmo se &quot;<em>essa estimativa &eacute; a mais elevada<\/em>&quot;, como ressalta Cyrill Studer, os ecologistas sabem muito bem que a perspectiva de ver um tal aumento do consumo coberta por energias renov&aacute;veis ainda est&aacute; muito longe de ser realidade.<\/p>\n<p>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 128);\"><strong><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u>&#8230;ou outro tipo mobilidade <\/u><\/span><\/span><\/strong><\/span><br \/>\nIsso n&atilde;o &eacute; o que defende o Greenpeace. O grupo milita por &quot;<em>outro tipo de mobilidade<\/em>&quot;. Por exemplo, atrav&eacute;s de medidas de planejamento urbano que permitiriam &agrave;s pessoas de fazer o essencial dos seus trajetos &agrave; p&eacute;, de bicicleta ou via transporte p&uacute;blico.<\/p>\n<p>\nE se ve&iacute;culos s&atilde;o verdadeiramente necess&aacute;rios, Cyrill Studer iria preferir os modelos capazes de transportar pessoas e que se deixem de lado os ve&iacute;culos &quot;<em>muito pesados<\/em>&quot;, com mais pot&ecirc;ncia do que um caminh&atilde;o e que s&atilde;o capazes de passar de 0 a 100 quil&ocirc;metros por hora em x segundos&quot;. S&atilde;o m&aacute;quinas que s&oacute; &quot;<em>servem a polir o ego, sobretudo o dos homens<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>Muitos fabricantes, que est&atilde;o passando agora aos carros el&eacute;tricos ou aos h&iacute;bridos, ainda apostam nesses valores<\/em>&quot;, lamenta o militante do Greenpeace. Para ele, o lugar para esse tipo de carro n&atilde;o &quot;<em>&eacute; mais nas rodovias, mas sim no museu<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\n<\/span><\/span><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><em><strong>* Com Marc-Andr&eacute; Miserez, swissinfo.ch &#8211; Adapta&ccedil;&atilde;o de Alexander Thoele.<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 6 minutosH&aacute; vinte e cinco anos previa-se um futuro brilhante para ele. 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