{"id":3513,"date":"2010-05-23T00:00:00","date_gmt":"2010-05-23T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2010-05-23T00:00:00","modified_gmt":"2010-05-23T00:00:00","slug":"Brasil-vai-dominar-nos-proximos-meses-o-ciclo-do-uranio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2010\/05\/23\/Brasil-vai-dominar-nos-proximos-meses-o-ciclo-do-uranio\/","title":{"rendered":"Brasil vai dominar nos pr\u00f3ximos meses o ciclo do ur\u00e2nio"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 8 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<\/span><\/span><strong><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">Iper&oacute;(<span style=\"font-family: Arial;\">SP<\/span>) &#8211; <\/span><\/span><\/strong><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">O Brasil est&aacute; pronto para dominar o ciclo nuclear completo em escala industrial. A inaugura&ccedil;&atilde;o da primeira fase da Usina de Hexafluoreto de Ur&acirc;nio(<span style=\"font-family: Arial;\">Usexa<\/span>), prevista para este ano, permitir&aacute; que o pa&iacute;s atue em todas as etapas do beneficiamento do mineral radioativo, desde a extra&ccedil;&atilde;o at&eacute; a fabrica&ccedil;&atilde;o do combust&iacute;vel nuclear em grande propor&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\nCom isso, o Brasil fica independente de outros pa&iacute;ses no processo de enriquecimento, garantindo suprimento para as usinas nucleares e tamb&eacute;m para o futuro submarino nuclear. A informa&ccedil;&atilde;o foi divulgada pelo coordenador do Programa de Propuls&atilde;o Nuclear da Marinha, capit&atilde;o de mar e guerra Andr&eacute; Luis Ferreira Marques.<\/p>\n<p>\nA Ag&ecirc;ncia Brasil teve acesso exclusivo ao Centro Tecnol&oacute;gico da Marinha, no complexo militar de Aramar, em Iper&oacute;(<span style=\"font-family: Arial;\">SP<\/span>), onde fica a Usexa, e constatou o ritmo acelerado das obras. Na mesma &aacute;rea est&atilde;o sendo constru&iacute;dos os pr&eacute;dios do Laborat&oacute;rio de Gera&ccedil;&atilde;o Nucleoel&eacute;trica(<span style=\"font-family: Arial;\">Labgen<\/span>), respons&aacute;vel pela fabrica&ccedil;&atilde;o do reator do futuro submarino nuclear.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>A Usexa come&ccedil;ar&aacute; a funcionar nos pr&oacute;ximos meses em fase de comissionamento, quando se testam o sistema e os equipamentos para demonstrar que eles operam corretamente. As temperaturas, as press&otilde;es, as vaz&otilde;es, se as v&aacute;lvulas est&atilde;o funcionando e se a instrumenta&ccedil;&atilde;o est&aacute; dando informa&ccedil;&atilde;o confi&aacute;vel. Mas n&atilde;o vamos botar o ur&acirc;nio, ainda<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\nSegundo o militar, o yellow cake &ndash; ur&acirc;nio em forma de um p&oacute; amarelo &#8211; s&oacute; deve come&ccedil;ar a ser processado em 2011. A Usexa &eacute; formada por 40 quil&ocirc;metros de tubos, tanques, fornos e milhares de v&aacute;lvulas, onde o mineral &eacute; misturado com outros produtos qu&iacute;micos para sair em estado gasoso, o hexafluoreto de ur&acirc;nio, ou UF6. Depois passar por ultracentr&iacute;fugas para ser enriquecido, esse g&aacute;s vai separando o ur&acirc;nio 238, mais abundante, mas que n&atilde;o interessa ao processo, do ur&acirc;nio 235, mais inst&aacute;vel e que produz energia mais facilmente.<\/p>\n<p>\nO objetivo da Usexa &eacute; produzir combust&iacute;vel para o submarino nuclear brasileiro, que deve entrar em opera&ccedil;&atilde;o por volta de 2020. No complexo de Aramar ser&atilde;o produzidas 40 toneladas de UF6 por ano. Atualmente s&oacute; seis pa&iacute;ses t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de fazer a convers&atilde;o do yellow cake em g&aacute;s: Fran&ccedil;a, R&uacute;ssia, Canad&aacute;, Estados Unidos, Brasil e Ir&atilde;. O UF6 que o Brasil usa ainda &eacute; processado no Canad&aacute;.<\/p>\n<p>\nO trabalho &eacute; complexo e a quantidade de ur&acirc;nio usada &eacute; muito grande. De acordo com Ferreira Marques, mil quilos de yellow cake geram apenas um quilo de g&aacute;s UF6. Isso produz uma quantidade de efluente muito grande, gerando um passivo ambiental(<span style=\"font-family: Arial;\">lixo<\/span>) que tem de ser administrado.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>O grande problema hoje nessas unidades de convers&atilde;o de ur&acirc;nio &eacute; faz&ecirc;-las passar pelo licenciamento ambiental. N&oacute;s estamos seguindo essas leis direitinho<\/em>&rdquo;, garantiu o capit&atilde;o. Ele ressaltou que, em Aramar, o material que sobrar ser&aacute; reprocessado v&aacute;rias vezes para minimizar o impacto ambiental.<\/p>\n<p>\nO g&aacute;s &eacute; convertido novamente em p&oacute; e segue para o &uacute;ltimo est&aacute;gio, que &eacute; a fabrica&ccedil;&atilde;o das pastilhas que alimentar&atilde;o os reatores nucleares. A montagem das varetas do reator &#8211; onde ficam as pastilhas &#8211; &eacute; feita em uma unidade na Universidade de S&atilde;o Paulo(<span style=\"font-family: Arial;\">USP<\/span>).<\/p>\n<p>\nPara alimentar as usinas Angra 1 e 2 e a terceira unidade, que est&aacute; sendo constru&iacute;da, os volumes de ur&acirc;nio necess&aacute;rios chegam a 400 toneladas de UF6 por ano para cada uma. Esse combust&iacute;vel ser&aacute; produzido na unidade das Ind&uacute;strias Nucleares do Brasil(<span style=\"font-family: Arial;\">INB<\/span>), no munic&iacute;pio fluminense de Resende, onde funciona um complexo de ultracentr&iacute;fugas operando em cascata.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>Cada usina de Angra pede de 400 a 500 toneladas por ano. A produ&ccedil;&atilde;o em Aramar &eacute; dirigida para as necessidades do Minist&eacute;rio da Defesa. Existem conversa&ccedil;&otilde;es para n&oacute;s sermos consultores t&eacute;cnicos da INB para eles fazerem l&aacute; em Resende uma unidade de 1.200 toneladas de UF6 por ano<\/em>&rdquo;, informou Ferreira Marques.<\/p>\n<p><\/span><\/span><span style=\"font-size: xx-small;\"><span style=\"color: rgb(0, 0, 128);\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>* UOL.<\/strong><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><span style=\"color: rgb(0, 0, 0);\"><\/p>\n<p><\/span><span style=\"color: rgb(0, 0, 128);\"><u><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><span>Ultracentr&iacute;fuga<\/span><\/strong><\/span><\/span><\/u><\/span><br \/>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 0);\"><span><span>Criado por pesquisadores da Marinha, modelo avan&ccedil;ado de ultracentr&iacute;fuga j&aacute; est&aacute; em funcionamento em Resende. <\/span><\/span><\/span>O discreto e bem-sucedido programa de pesquisa nuclear brasileiro entrou&nbsp; em funcionamento nos meses de mar&ccedil;o e maio de 2008&nbsp; com um novo modelo de ultracentr&iacute;fuga, a avan&ccedil;ada m&aacute;quina de enriquecer ur&acirc;nio criada pelos pesquisadores da Marinha, no Centro Aramar, em Iper&oacute;, a 130 quil&ocirc;metros de S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>\nAs unidades, designadas Gera&ccedil;&atilde;o 1\/M2, s&atilde;o pelo menos 15% mais eficientes que as anteriormente utilizadas. Aperfei&ccedil;oadas, apresentaram um rendimento 50% superior ao do come&ccedil;o da produ&ccedil;&atilde;o, h&aacute; 20 anos.<\/p>\n<p>\nAs Ind&uacute;strias Nucleares do Brasil(INB) receberam e montaram o segundo conjunto desses equipamentos na sua f&aacute;brica de combust&iacute;vel, em Resende, na divisa entre os Estados do Rio e S&atilde;o Paulo. As entregas foram sigilosas, feitas em comboios sem identifica&ccedil;&atilde;o, protegidos por fuzileiros.<\/p>\n<p>Projeto e constru&ccedil;&atilde;o s&atilde;o nacionais<br \/>\nO ur&acirc;nio &eacute; enriquecido a 4%, n&iacute;vel adotado pelo Pa&iacute;s, e alimenta reatores de energia. Armas at&ocirc;micas exigem graus superiores a 90% de beneficiamento. A ag&ecirc;ncia de pesquisa fica no campus da USP e cuida dos planos de cria&ccedil;&atilde;o dos sistemas de propuls&atilde;o nuclear para submarino de ataque.<\/p>\n<p>\n&Eacute; um objetivo de longo prazo que ganhou f&ocirc;lego com a libera&ccedil;&atilde;o de recursos determinada pelo presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva depois de uma visita a Aramar, em julho de 2007. Com dinheiro em caixa, &quot;<em>o plano foi retomado como um todo<\/em>&quot;, explica o capit&atilde;o de fragata e engenheiro naval Andr&eacute; Luis Ferreira Marques, do grupo de especialistas do CTMSP. Prova pr&aacute;tica: est&atilde;o abertos concursos para provimento de vagas &#8211; de engenheiros especializados a pessoal administrativo, cerca de 400 funcion&aacute;rios.<\/p>\n<p>\nO submarino, de 6 mil toneladas, com 96,6 metros de comprimento e 100 tripulantes, exige cerca de 11 anos de trabalho. Antes disso, por&eacute;m, ser&aacute; necess&aacute;rio testar e completar um reator PWR(<span style=\"font-family: Arial;\">de &aacute;gua pressurizada<\/span>) de 48 MW. O dispositivo est&aacute; pronto em Iper&oacute;, as grandes pe&ccedil;as armazenadas em ambiente de g&aacute;s inerte para evitar a deteriora&ccedil;&atilde;o. Aguarda a conclus&atilde;o das obras do Laborat&oacute;rio de Gera&ccedil;&atilde;o Nucleoel&eacute;trica, o LabGene. O complexo teve as obras civis retomadas.<\/p>\n<p>\nO reator que permanece desmontado vale US$ 130 milh&otilde;es. Expandido, ele servir&aacute; ao submarino e &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de eletricidade de usinas regionais de 300 megawatts.<\/p>\n<p>\nO Centro Tecnol&oacute;gico da Marinha vai receber R$ 1,040 bilh&atilde;o em parcelas anuais de R$ 130 milh&otilde;es. O dinheiro est&aacute; sendo empregado no ciclo do combust&iacute;vel, gera&ccedil;&atilde;o de energia, propuls&atilde;o e infra-estrutura. Marques estima que o processo exigir&aacute; sete anos, no m&iacute;nimo, para ser completado.<\/p>\n<p>\nO investimento no programa nuclear tem sido feito principalmente pelo Comando da Marinha, com recursos pr&oacute;prios. Desde 1979, as aplica&ccedil;&otilde;es somam US$ 1,117 bilh&atilde;o &#8211; s&oacute; US$ 216 milh&otilde;es vieram de outras fontes governamentais.<\/p>\n<p>\nA ultracentr&iacute;fuga &eacute; o produto mais sens&iacute;vel do processo. Os inspetores da Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica(<span style=\"font-family: Arial;\">AIEA<\/span>) n&atilde;o t&ecirc;m acesso &agrave;s cascatas. As verifica&ccedil;&otilde;es previstas no acordo de salvaguardadas, firmado pelo governo brasileiro e renovado h&aacute; pouco mais de dois anos, abrangem complexa contabilidade. O que interessa &agrave; AIEA &eacute; saber o quanto de g&aacute;s de ur&acirc;nio entrou no sistema, o quanto saiu de ur&acirc;nio enriquecido, o U235, e tamb&eacute;m de ur&acirc;nio empobrecido, o U238 &#8211; &eacute; uma equa&ccedil;&atilde;o que tem de fechar sem erro.<\/p>\n<p>\nA regra de preserva&ccedil;&atilde;o do conhecimento sens&iacute;vel vale desde 2003, quando a Marinha e a INB passaram a cobrir com pain&eacute;is todas as ultracentr&iacute;fugas, permitindo aos peritos internacionais a observa&ccedil;&atilde;o apenas do circuito de entrada e sa&iacute;da. Em Iper&oacute;, a cascata de beneficiamento &eacute; monitorada ininterruptamente por c&acirc;meras blindadas guardadas em caixas que foram lacradas pela AIEA. As ultracentr&iacute;fugas do Brasil utilizam a flutua&ccedil;&atilde;o magn&eacute;tica para evitar o atrito entre partes m&oacute;veis. Assim, duram mais e t&ecirc;m maior capacidade.<\/p>\n<p>\nOs fundos liberados pelo presidente Lula permitir&atilde;o o funcionamento, de uma central semi-industrial, para produzir at&eacute; 40 toneladas por ano de g&aacute;s de ur&acirc;nio, a &uacute;ltima etapa do complexo ciclo do combust&iacute;vel nuclear que o Pa&iacute;s n&atilde;o executa, embora domine o conhecimento. A produ&ccedil;&atilde;o atender&aacute; &agrave;s necessidades do Comando da Marinha. A For&ccedil;a utiliza o hexafluoreto de ur&acirc;nio para ensaios cient&iacute;ficos e para enriquecimento do mineral.<\/p>\n<p>\nAtualmente, o ur&acirc;nio transformado em yellow-cake &eacute; enviado em tambores de 400 quilos para a empresa Cameco, do Canad&aacute;, que realiza, sob contrato, a convers&atilde;o para o g&aacute;s.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 8 minutos Iper&oacute;(SP) &#8211; O Brasil est&aacute; pronto para dominar o ciclo nuclear completo em escala industrial. 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