{"id":3635,"date":"2010-06-15T00:00:00","date_gmt":"2010-06-22T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2010-06-15T00:00:00","modified_gmt":"2010-06-15T00:00:00","slug":"Sertao-paraibano-convive-com-uma-das-piores-secas-dos-ultimos-100-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2010\/06\/15\/Sertao-paraibano-convive-com-uma-das-piores-secas-dos-ultimos-100-anos\/","title":{"rendered":"Sert\u00e3o paraibano convive com uma das piores secas dos \u00faltimos 100 anos"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 6 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<strong>Itaporanga(PB) &#8211;<\/strong> Um ano de vacas magras, espigas e a&ccedil;udes murchos. Esta pode ser considerada uma das maiores secas dos &uacute;ltimos cem anos no Vale. Mesmo n&atilde;o havendo estat&iacute;sticas oficiais que provem isso, ningu&eacute;m pode duvidar da palavra de homens com 30, 50 e at&eacute; mais de 75 anos de agricultura. Todos s&atilde;o un&acirc;nimes em afirmar que nunca viram um inverno t&atilde;o irregular e com t&atilde;o pouca chuva como este.<\/p>\n<p>\nRealmente: as chuvas, al&eacute;m de escassas, foram irregulares, o que agravou ainda mais o quadro da estiagem. Bem diferente de 2009, quando a m&eacute;dia de precipita&ccedil;&otilde;es no Vale, de janeiro a junho, ultrapassou 1.200 mil&iacute;metros. Mas este ano, considerando o mesmo per&iacute;odo, o munic&iacute;pio regional(<span style=\"font-family: Arial;\">Aguiar<\/span>) que mais choveu n&atilde;o alcan&ccedil;ou nem metade desse volume pluviom&eacute;trico.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>Desde que eu me entendo de gente nunca vi o agricultor passar o ano sem comer uma espiga de milho, e este ano aconteceu isso<\/em>&rdquo;, lamenta Dod&oacute; Porcino, que reside no s&iacute;tio Barroc&atilde;o. Ele tem mais de 30 anos de agricultura e acredita que os piores efeitos da estiagem ser&atilde;o sentidos a partir de agosto, com a escassez total da pastagem e o agravamento da falta d&rsquo;&aacute;gua em v&aacute;rias comunidades rurais.<\/p>\n<p>\nO agricultor aposentado Jo&atilde;o Bandeira tem 85 anos e j&aacute; passou por muitos per&iacute;odos de estiagem, dois dos mais dif&iacute;ceis foram em 1953 e 1941, quando teve que migrar com a m&atilde;e e os irm&atilde;os para o interior do Pernambuco em busca de trabalho. &Oacute;rf&atilde;o de pai, precisou assumir os rumos da fam&iacute;lia quando ainda era apenas uma crian&ccedil;a. A retirada para o sert&atilde;o pernambucano foi feita a p&eacute; e a duras penas, mas quando retornou a Itaporanga tr&ecirc;s anos depois, a coisa por aqui j&aacute; estava melhor.<\/p>\n<p>\nSobre o momento atual, seu Jo&atilde;o n&atilde;o tem d&uacute;vida que esta &eacute; uma das piores estiagens que j&aacute; testemunhou. &ldquo;Choveu pouco e atrapalhado&rdquo;, resume, ao observar que hoje as pessoas n&atilde;o sofrem tanto porque o governo mant&eacute;m assist&ecirc;ncia permanente aos mais pobres e existem outras fontes de renda, al&eacute;m da agropecu&aacute;ria, &ldquo;<em>mas se essa seca fosse em tempo passado, o sofrimento ia ser grande por aqui<\/em>&rdquo;.<br \/>\n<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"> <br \/>\nUm outro retirante da seca do come&ccedil;o da d&eacute;cada de 40 foi Pedro de Mois&eacute;s, hoje com 80 anos. Ele tamb&eacute;m escapou no Pernambuco e em 1951 migrou para S&atilde;o Paulo. Foi um dos primeiros itaporanguenses a buscar o interior paulista. Com a experi&ecirc;ncia de quem j&aacute; enfrentou in&uacute;meras estiagens ao longo da vida, seu Pedro comenta que este tem sido um dos anos mais secos que ele j&aacute; viu.<br \/>\n<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"> <br \/>\n&Eacute; fato que as secas da atualidade j&aacute; n&atilde;o provocam tanta calamidade social a exemplo do que ocorria no passado, quando as pessoas passavam fome literalmente e tinham que migrar para outras regi&otilde;es como &uacute;nico meio de sobreviv&ecirc;ncia, mas, mesmo hoje, as estiagens ainda s&atilde;o extremamente prejudiciais para a regi&atilde;o: a falta de pasto para o gado e o dif&iacute;cil acesso &agrave; &aacute;gua em muitas comunidades rurais s&atilde;o os efeitos mais not&oacute;rios.<\/p>\n<p><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"> Sem produ&ccedil;&atilde;o no campo e com o gado sem ter o que comer, a agropecu&aacute;ria regional vive um dos seus piores momentos, com efeitos dr&aacute;sticos para a economia do Vale, entre os quais redu&ccedil;&atilde;o do rebanho e fome na casa do agricultor, cuja subsist&ecirc;ncia ainda depende do que ele tira da ro&ccedil;a. &ldquo;<em>A coisa s&oacute; n&atilde;o est&aacute; ainda t&atilde;o dif&iacute;cil por conta dessas Bolsas do Governo Federal, mas para quem n&atilde;o tem nenhum benef&iacute;cio, a situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; insustent&aacute;vel<\/em>&rdquo;, comenta o l&iacute;der comunit&aacute;rio rural Manoel Osmindo, que prev&ecirc; um agravamento da situa&ccedil;&atilde;o nos pr&oacute;ximos meses, principalmente, segundo ele, por causa do endividamento banc&aacute;rio de grande parte dos agricultores regionais: &ldquo;<em>sem produ&ccedil;&atilde;o e com o rebanho desvalorizado, fica dif&iacute;cil o produtor rural pagar suas contas e obter novo cr&eacute;dito para atravessar esse momento dif&iacute;cil<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"> <br \/>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 128);\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><u>N&iacute;veis preocupantes<\/u><\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" height=\"311\" width=\"465\" align=\"absmiddle\" alt=\"\" src=\"\/UserFiles\/Image\/cidades\/eventos\/itaporanga_pb_acude_cachoeira_465.jpg\" \/><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">Este ano, como choveu pouco e irregular, os a&ccedil;udes que abastecem muitas comunidades rurais e urbanas est&atilde;o com um n&iacute;vel reduzido e podem n&atilde;o resistir a mais um ano de estiagem. A quest&atilde;o &eacute; preocupante porque pode comprometer grandes aglomerados urbanos, a exemplo de Itaporanga, que tem a maior popula&ccedil;&atilde;o regional e um reservat&oacute;rio insuficiente para longos per&iacute;odos de estiagem. Hoje o a&ccedil;ude de Cachoeira<strong>(<span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\">Foto<\/span><\/span>)<\/strong>, &uacute;nica op&ccedil;&atilde;o de abastecimento, est&aacute; com pouco mais de 60% do seu volume total e, se n&atilde;o chover nos pr&oacute;ximos meses, esse n&iacute;vel dever&aacute; cair ainda mais: processos como a evapora&ccedil;&atilde;o, infiltra&ccedil;&atilde;o e o elevado consumo d&rsquo;&aacute;gua pela popula&ccedil;&atilde;o urbana s&atilde;o fatores cruciais na redu&ccedil;&atilde;o do volume.<\/p>\n<p>\nConforme a Cagepa local, o a&ccedil;ude perde um cent&iacute;metro por dia. &ldquo;<em>Mas, por enquanto, a quest&atilde;o n&atilde;o nos preocupa porque o a&ccedil;ude tem &aacute;gua suficiente para garantir o abastecimento sem necessidade de racionamento at&eacute; o pr&oacute;ximo ano, e o que tamb&eacute;m nos tranquiliza &eacute; que h&aacute; previs&atilde;o de chuva para a regi&atilde;o<\/em>&rdquo;, comenta Pedro Ferreira, gerente do escrit&oacute;rio local da Cagepa.<\/p>\n<p>\nPedro esclarece tamb&eacute;m que, ao contr&aacute;rio do que algumas pessoas comentam na cidade, a nova adutora, que dever&aacute; ser inaugurada este ano, &ldquo;<em>n&atilde;o vai secar o a&ccedil;ude porque a vaz&atilde;o, ou seja, retirada d&rsquo;&aacute;gua, vai aumentar apenas mais 15 litros por segundo, totalizando 60, que &eacute; o que Itaporanga necessita hoje<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\nAs chuvas foram t&atilde;o poucas que nos tr&ecirc;s maiores munic&iacute;pios regionais as precipita&ccedil;&otilde;es n&atilde;o chegaram a 40% do volume m&eacute;dio de chuvas no ano passado: conforme dados do escrit&oacute;rio regional da Emater e da Aesa, a ag&ecirc;ncia estadual que gerencia a &aacute;gua, em Pianc&oacute;, por exemplo, choveu apenas 370 mil&iacute;metros; enquanto que em Itaporanga as precipita&ccedil;&otilde;es de janeiro ao come&ccedil;o de junho foram de 407 mm. J&aacute; Concei&ccedil;&atilde;o registrou 474 mm no per&iacute;odo mencionado.<\/p>\n<p>\nDos grandes a&ccedil;udes regionais, quatro est&atilde;o com n&iacute;veis considerados baixos: Santa In&ecirc;s, que est&aacute; com menos de 35% do seu volume total; Emas, cujo n&iacute;vel est&aacute; em 40%; Cafund&oacute;, em Serra Grande, que est&aacute; apenas com metade do seu volume; e Cachoeira, em Itaporanga, que registra pouco mais de 60% de sua capacidade. J&aacute; o maior a&ccedil;ude da regi&atilde;o, o Coremas\/M&atilde;e D&rsquo;&aacute;gua, ainda acumula cerca de 80% de seu volume m&aacute;ximo.<\/p>\n<p>\n<\/span><\/span><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: small;\"><span class=\"texto\"><span style=\"font-size: small;\"><span class=\"texto\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-size: x-small;\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><b><font color=\"#0000ff\"><br \/>\n*<\/font><\/b><\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size: xx-small;\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><span class=\"texto\"><b><font color=\"#0000ff\"> Mat&eacute;ria transcrita da Edi&ccedil;&atilde;o n&ordm; 169(Ano IX &#8211; De 26 de Maio &agrave; 15 de junho de 2010) do Jornal&nbsp;<\/font><font size=\"1\"><span style=\"font-size: x-small;\"><font color=\"#ff0000\"><em><u>Folha do Vale<\/u><\/em><\/font><\/span><font color=\"#0000ff\">. O jornal de maior circula&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o do Vale do Pianc&oacute;, no sert&atilde;o do Estado da&nbsp;Para&iacute;ba.<\/font><\/font><\/b><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00e7ude Cachoeira abastece a popula\u00e7\u00e3o de Itaporanga(PB), perde um cent\u00edmetro por dia.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[34],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3635"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3635"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3635\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}