{"id":3933,"date":"2010-09-24T00:00:00","date_gmt":"2010-09-24T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2010-09-24T00:00:00","modified_gmt":"2010-09-24T00:00:00","slug":"Supremo-adia-novamente-decisao-sobre-Lei-da-Ficha-Limpa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2010\/09\/24\/Supremo-adia-novamente-decisao-sobre-Lei-da-Ficha-Limpa\/","title":{"rendered":"Supremo adia novamente decis\u00e3o sobre Lei da Ficha Limpa"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 8 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\"><em><strong>&quot;&#8230;A palavra candidato se autoexplica, vem de c&acirc;ndido, puro, limpo, no sentido &eacute;tico. Tanto quanto candidatura vem de candura, pureza, limpeza, igualmente &eacute;tica&#8230;&quot;<br \/>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\">(Ministro Ayres Britto, a favor da lei)<\/span>.<\/strong><\/em><\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<strong>Bras&iacute;lia(DF) &#8211;<\/strong> Ap&oacute;s 11 horas de sess&atilde;o, o julgamento sobre a Lei da Ficha Limpa  no STF(<span style=\"font-family: Arial;\">Supremo Tribunal Federal<\/span>) est&aacute; empatado, com cinco votos favor&aacute;veis e cinco contr&aacute;rios &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o imediata da norma j&aacute; nas elei&ccedil;&otilde;es de 2010. A Corte decidiu adiar nesta sexta-feira(<span style=\"font-family: Arial;\">24Setembro2010<\/span>) a decis&atilde;o final no recurso do candidato Joaquim Roriz(<span style=\"font-family: Arial;\">PSC<\/span>) contra seu enquadramento como ficha suja, em raz&atilde;o da aus&ecirc;ncia de um ministro no tribunal. Assim, Roriz pode continuar na disputa do DF, at&eacute; que o Supremo se re&uacute;na novamente para discutir a quest&atilde;o.<\/p>\n<p>\n<img decoding=\"async\" height=\"150\" width=\"200\" align=\"left\" alt=\"\" src=\"\/UserFiles\/Image\/judiciario\/ministro_enrique_ricardo_lewandowski_stf_200.jpg\" \/>Os ministros Ellen Gracie, Ricardo Lewandowski,<\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><strong>(<span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\">Foto<\/span><\/span>)<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"> Joaquim Barbosa e C&aacute;rmen L&uacute;cia decidiram seguir entendimento apresentado ontem pelo relator do pedido, Carlos Ayres Britto, para manter a Lei da Ficha Limpa. J&aacute; o presidente da Corte, Cezar Peluso, Celso de Mello, Marco Aur&eacute;lio de Mello, Gilmar Mendes e Dias Toffoli defenderam a constitucionalidade da nova legisla&ccedil;&atilde;o, com a ressalva de que a norma n&atilde;o pode ser aplicada no pleito de 2010.<\/p>\n<p>\nDiante do impasse, os ministros precisaram decidir qual seria o resultado final a ser proclamado, o que ocorreu em discuss&atilde;o acalorada na Corte.<\/p>\n<p>\nTodos recha&ccedil;aram a hip&oacute;tese do voto de qualidade do presidente, que daria o desempate. &ldquo;<em>N&atilde;o tenho nenhuma voca&ccedil;&atilde;o para d&eacute;spota e n&atilde;o acho que meu voto vale mais do que o de voc&ecirc;s<\/em>&rdquo;, disse Peluso, em resposta ao colega Ayres Britto.<\/p>\n<p>\nA controv&eacute;rsia ocorreu porque, nos casos de declara&ccedil;&atilde;o de inconstitucionalidade, h&aacute; discuss&atilde;o sobre se cabe o mecanismo. Embora o regimento interno da Corte permita o desempate pelo presidente, pela Constitui&ccedil;&atilde;o seria necess&aacute;ria a maioria absoluta dos membros do STF para derrubar uma lei. Se n&atilde;o houver maioria, o empate significa que a lei continua em vigor.<\/p>\n<p>\n<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" height=\"442\" width=\"200\" align=\"left\" alt=\"\" src=\"\/UserFiles\/Image\/judiciario\/ministro_eros_grau_stf_caminhando.jpg\" \/>Outra hip&oacute;tese seria esperar a nomea&ccedil;&atilde;o de um novo ministro para ocupar a vaga, aberta ap&oacute;s aposentadoria de Eros Grau<\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><strong>(<span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\">Foto<\/span><\/span>)<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">. Marco Aur&eacute;lio<\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"> chegou a pedir que &quot;<em>o respons&aacute;vel pela cadeira vaga<\/em>&quot; fosse at&eacute; o STF desempatar a quest&atilde;o. Os ministros do Supremo s&atilde;o nomeados pelo presidente da Rep&uacute;blica, hoje, Luiz In&aacute;cio Lula da Silva.<\/p>\n<p>\nPeluso pediu que os colegas deixassem de lado a &ldquo;<em>paix&atilde;o<\/em>&rdquo; e votassem com &ldquo;<em>prud&ecirc;ncia<\/em>&rdquo;. &ldquo;<em>A sociedade perceber&aacute; que &eacute; uma solu&ccedil;&atilde;o artificial. O mais prudente, ainda que tenha seus inconvenientes, acho que a melhor solu&ccedil;&atilde;o &eacute; aguardarmos a nomea&ccedil;&atilde;o do novo ministro, porque, entrementes, n&atilde;o haver&aacute; preju&iacute;zo a nenhum candidato. O risco &eacute; que eles n&atilde;o possam ser diplomados<\/em>&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p>\nOs demais ministros concordaram com a proposta e decidiram esperar a nomea&ccedil;&atilde;o. Caso ela n&atilde;o ocorra antes da diploma&ccedil;&atilde;o dos candidatos, em janeiro, o Supremo ir&aacute; se reunir mesmo com sua composi&ccedil;&atilde;o incompleta.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong>Votos<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO &uacute;ltimo voto apresentado foi do ministro Cezar Peluso. &ldquo;<em>Fico vencido, mas, mais do que nunca, n&atilde;o convencido<\/em>&rdquo;, disse o ministro, avaliando a quest&atilde;o, segundo ele, &ldquo;<em>&agrave; luz da Constitui&ccedil;&atilde;o<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"left\" src=\"\/UserFiles\/Image\/judiciario\/ministro_cesar_peluzo_stf_001.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nPeluso<strong>(<span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\">Foto<\/span><\/span>)<\/strong> afirmou que o Supremo n&atilde;o est&aacute; a julgar pessoas, e sim, atos. &ldquo;<em>Somos todos favor&aacute;veis &agrave; moraliza&ccedil;&atilde;o dos costumes pol&iacute;ticos, do respeito aos valores &eacute;ticos nas disputas eleitorais<\/em>&rdquo;, disse. &ldquo;<em>N&atilde;o me comovem press&otilde;es provindas da opini&atilde;o p&uacute;blica, ou de segmentos do povo ou de institui&ccedil;&otilde;es, por mais respeit&aacute;veis que sejam. A fun&ccedil;&atilde;o de uma Corte constitucional n&atilde;o &eacute; atender as vontades de segmentos, &eacute; atender o que o povo positivou na sua Constitui&ccedil;&atilde;o<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>Um tribunal que atenda a pretens&otilde;es leg&iacute;timas da popula&ccedil;&atilde;o ao arrepio da Constitui&ccedil;&atilde;o, &eacute; um tribunal que nem o povo pode confiar<\/em>&rdquo;, continuou em seu voto. &quot;<em>Tampouco me parece que a fun&ccedil;&atilde;o do Poder Judici&aacute;rio &eacute; usurpar do povo um poder elementar do povo, que &eacute; escolher os seus governantes. &Eacute; o povo que deve avaliar a idoneidade dos seus candidatos, independentemente de suas condi&ccedil;&otilde;es de elegibilidade<\/em>&quot;.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong>V&iacute;cio na origem<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nAntes de decidir sobre o caso de Roriz, os ministros julgaram se a lei teria um v&iacute;cio formal em sua origem. A maioria decidiu n&atilde;o analisar o argumento imprevisto, inserido ontem no processo por Peluso, que alegou que o texto violou o processo constitucional legislativo, &ldquo;<em>porque n&atilde;o foram adotadas as exig&ecirc;ncias de tramita&ccedil;&atilde;o no caso de emenda<\/em>&rdquo;. Ele afirmou se tratar de um &ldquo;<em>caso de arremedo de lei<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\nHoje, Peluso voltou a defender que o texto deveria voltar para a C&acirc;mara, mas que, mesmo uma lei considerada constitucional n&atilde;o deve valer em menos de um ano de sua publica&ccedil;&atilde;o, &ldquo;<em>para dar estabilidade ao processo eleitoral e garantir que a lei n&atilde;o retroaja para n&atilde;o atingir situa&ccedil;&otilde;es consolidadas no passado e n&atilde;o ferir o princ&iacute;pio da seguran&ccedil;a jur&iacute;dica<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\nAinda segundo o presidente da Corte, impedir a candidatura de Roriz pode ser interpretado como uma san&ccedil;&atilde;o. &ldquo;<em>Um dos casos mais manifestos de casu&iacute;smo<\/em>&rdquo;, porque a lei est&aacute; &ldquo;<em>apanhando no passado atos que n&atilde;o puderam ser evitados<\/em>&rdquo;. &ldquo;<em>O que se pode dizer de uma lei destinada a apanhar pessoas determinadas<\/em>?&rdquo;.<\/p>\n<p>\nAssim, votou para que a Lei da Ficha Limpa n&atilde;o se aplique a ele ou outros candidatos retroativamente. &quot;<em>Reotragindo, ela viola v&aacute;rios direitos de ordem constitucionais, o que poderia ser resumido &agrave; dignidade da pessoa humana<\/em>&quot;.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong>Entenda o que est&aacute; em julgamento<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nAo julgar o recurso do candidato ao governo do Distrito Federal, o Supremo julga tamb&eacute;m o futuro da Lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de pol&iacute;ticos condenados. Os ministros devem decidir se revertem a cassa&ccedil;&atilde;o do registro de Roriz, barrado no TRE(<span style=\"font-family: Arial;\">Tribunal Regional Eleitoral<\/span>) do DF e no TSE(<span style=\"font-family: Arial;\">Tribunal Superior Eleitoral<\/span>).<\/p>\n<p>\nO pedido &eacute; o primeiro contestando a lei a ser analisado pela Corte suprema do pa&iacute;s, por isso, o entendimento deve respaldar a aplica&ccedil;&atilde;o da nova norma aos demais candidatos.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong>Voto do relator<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<img decoding=\"async\" align=\"right\" src=\"\/UserFiles\/Image\/judiciario\/ministro_presidente_do_tse_carlos_ayres_britto.jpg\" alt=\"\" \/>Como relator do recurso, o ministro Carlos Ayres Britto<\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><strong>(<span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\">Foto<\/span><\/span>)<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"> apresentou nesta quarta(<span style=\"font-family: Arial;\">22Setembro2010<\/span>) voto pela aplica&ccedil;&atilde;o da Lei da Ficha Limpa a todos os candidatos j&aacute; nas elei&ccedil;&otilde;es 2010. Segundo Britto, a norma obedece a Constitui&ccedil;&atilde;o e nasceu legitimada pela vontade popular. &ldquo;<em>Vida pregressa n&atilde;o &eacute; vida futura<\/em>&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p>\nAntes do in&iacute;cio do voto, o plen&aacute;rio reconheceu repercuss&atilde;o geral do recurso, ou seja, o m&eacute;rito da quest&atilde;o e a decis&atilde;o proveniente da an&aacute;lise dever&atilde;o ser aplicados posteriormente pelas inst&acirc;ncias inferiores, em casos id&ecirc;nticos. A sess&atilde;o foi interrompida por Dias Toffoli, e hoje retomada com seu voto-vista.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong>O caso<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nRoriz renunciou ao mandato de senador, em 2007, para fugir de processo de cassa&ccedil;&atilde;o por quebra de decoro parlamentar. A Lei da Ficha Limpa pro&iacute;be a candidatura de pol&iacute;ticos nessas condi&ccedil;&otilde;es, assim como daqueles que possuam condena&ccedil;&otilde;es por decis&atilde;o colegiada(<span style=\"font-family: Arial;\">por mais de um membro do Judici&aacute;rio<\/span>).<\/p>\n<p>\nUm dos argumentos da defesa do candidato &eacute; de que a lei n&atilde;o se aplica a seu caso, porque a ren&uacute;ncia ocorreu antes da promulga&ccedil;&atilde;o da norma. Al&eacute;m disso, diz que o ato de renunciar ao mandato parlamentar &eacute; garantido constitucionalmente. Segundo a Lei da Ficha Limpa, o pol&iacute;tico que renunciar para n&atilde;o ser cassado fica ineleg&iacute;vel por oito anos ap&oacute;s o fim do mandato que cumpriria.<\/p>\n<p>\nOs advogados tamb&eacute;m dizem que a norma viola o princ&iacute;pio da presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia e n&atilde;o pode ser aplicada nas elei&ccedil;&otilde;es 2010, sob a tese de que vai contra o artigo 16 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, que estabelece que qualquer lei que altere o processo eleitoral deve demorar um ano para entrar em vigor. A lei foi aprovada em junho deste ano.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong>Inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nEm agosto deste ano, o TSE confirmou que a lei retroage, atingindo candidatos com condena&ccedil;&otilde;es anteriores &agrave; norma. Mas, diante da aus&ecirc;ncia de um posicionamento do Supremo sobre a constitucionalidade da legisla&ccedil;&atilde;o, TREs e o pr&oacute;prio TSE j&aacute; liberaram concorrentes nessas condi&ccedil;&otilde;es. Ministros do Supremo, em decis&otilde;es monocr&aacute;ticas, tamb&eacute;m j&aacute; liberaram candidatos. Os pedidos s&atilde;o julgados um a um.<\/p>\n<p>\nPara advogados, enquanto a Corte n&atilde;o se decidir, est&aacute; instalado um quadro de inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica nas elei&ccedil;&otilde;es. O termo &ldquo;<em>controversa<\/em>&rdquo; foi utilizado pela defesa de Paulo Maluf(<span style=\"font-family: Arial;\">PP-SP<\/span>) para classificar a mat&eacute;ria e justificar por que o candidato, mesmo barrado com base na lei pelo TRE-SP, continua concorrendo ao cargo de deputado federal.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 8 minutos &quot;&#8230;A palavra candidato se autoexplica, vem de c&acirc;ndido, puro, limpo, no sentido &eacute;tico. 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