{"id":4054,"date":"2010-10-27T00:00:00","date_gmt":"2010-10-28T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2010-10-27T00:00:00","modified_gmt":"2010-10-27T00:00:00","slug":"PGR-consegue-no-STJ-federalizacao-do-caso-Manoel-Mattos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2010\/10\/27\/PGR-consegue-no-STJ-federalizacao-do-caso-Manoel-Mattos\/","title":{"rendered":"PGR consegue no STJ federaliza\u00e7\u00e3o do caso Manoel Mattos"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 13 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><em>O processo fica agora sob responsabilidade da Justi&ccedil;a Federal da Para&iacute;ba.<\/em><\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><strong>Bras&iacute;lia(DF) &#8211; <\/strong>O Superior Tribunal de Justi&ccedil;a acolheu nesta quinta-feira(<span style=\"font-family: Arial;\">27Outubro2010<\/span>), o pedido da Procuradoria Geral da Rep&uacute;blica de federaliza&ccedil;&atilde;o do processo sobre a morte do ex-vereador Manoel Mattos, ocorrida em janeiro de 2009, em Pitimbu, litoral sul da Para&iacute;ba. Com isso, o caso ser&aacute; retirado da Justi&ccedil;a Estadual e transferido para a Justi&ccedil;a Federal da Para&iacute;ba. Este &eacute; o primeiro pedido de federaliza&ccedil;&atilde;o aceito pelo STJ.<\/p>\n<p>\nEntre as propostas de altera&ccedil;&atilde;o do voto acolhidas pela ministra Laurita Vaz, relatora, est&aacute; a altera&ccedil;&atilde;o da Se&ccedil;&atilde;o Judici&aacute;ria a que seria atribu&iacute;da a compet&ecirc;ncia. Inicialmente, a relatora prop&ocirc;s que a compet&ecirc;ncia se deslocasse para a Justi&ccedil;a Federal de Pernambuco, mas prevaleceu o entendimento de que o caso deveria ser processado pela Justi&ccedil;a Federal competente para o local do fato principal &#8211; o homic&iacute;dio de Manoel Mattos.<\/p>\n<p>\nOutros casos conexos tamb&eacute;m ficar&atilde;o a cargo da Justi&ccedil;a Federal, mas n&atilde;o foi acolhido o pedido do ent&atilde;o procurador-geral da Rep&uacute;blica, Antonio Fernando Souza, de que outras investiga&ccedil;&otilde;es, abstratamente vinculadas, tamb&eacute;m fossem deslocadas para as institui&ccedil;&otilde;es federais.<\/p>\n<p>\nSegundo o procurador Regional dos Direitos do Cidad&atilde;o e presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos do Homem e do Cidad&atilde;o na Para&iacute;ba(<span style=\"font-family: Arial;\">CEDDHC-PB<\/span>), Duciran Van Marsen Farena, a federaliza&ccedil;&atilde;o do caso Manoel Mattos eleva a prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos no Brasil a um novo patamar, abrindo possibilidades de uma atua&ccedil;&atilde;o mais efetiva do Estado brasileiro em casos paradigm&aacute;ticos de viola&ccedil;&otilde;es dos direitos da pessoa humana, em especial, naqueles em que as autoridades locais falham no dever de proteger a vida dos defensores dos direitos humanos v&iacute;timas de amea&ccedil;as.<\/p>\n<p>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong><br \/>\nHist&oacute;rico<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nManoel Bezerra de Mattos Neto atuava no enfrentamento dos grupos de exterm&iacute;nio que atuam em Pernambuco e na Para&iacute;ba. A a&ccedil;&atilde;o desses grupos foi tratada em Comiss&atilde;o Parlamentar de Inqu&eacute;rito da C&acirc;mara dos Deputados em 2005, que recomendou v&aacute;rias medidas espec&iacute;ficas. Mesmo assim, o estado n&atilde;o tomou provid&ecirc;ncias quanto &agrave; repress&atilde;o e investiga&ccedil;&atilde;o dos crimes, resultando na morte de Manoel Mattos.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong>Requisitos para o deslocamento<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nDe acordo com a Procuradoria Geral da Rep&uacute;blica, a incapacidade dos Estados-membros em oferecer resposta ficou evidenciada na falta de resultados pr&aacute;ticos das investiga&ccedil;&otilde;es, bem como no envolvimento de seus agentes, em diversos n&iacute;veis hier&aacute;rquicos.<\/p>\n<p>\nO deslocamento de compet&ecirc;ncia &eacute; poss&iacute;vel considerando-se os requisitos de grave viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos e a possibilidade de responsabiliza&ccedil;&atilde;o internacional pelo descumprimento de obriga&ccedil;&otilde;es assumidas em tratados internacionais.<\/p>\n<p>\nA ofensa ao direito &agrave; vida estaria evidente por parte de grupos organizados em atividade reiterada, com a premissa de &ldquo;<em>afastar do Estado-juiz a possibilidade de exercer a jurisdi&ccedil;&atilde;o, pois tais grupos de exterm&iacute;nio atribuem-se a capacidade de decidir(<span style=\"font-family: Arial;\">e executar<\/span>) a puni&ccedil;&atilde;o &agrave;queles que, por eles, s&atilde;o tidos como infratores das regras de vida em sociedade<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\nAl&eacute;m disso, o homic&iacute;dio do vereador seria uma situa&ccedil;&atilde;o excepcional de viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos, pois tamb&eacute;m teve como elemento motivador a inten&ccedil;&atilde;o de fazer calar uma das vozes que se levantavam contra a impunidade.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong>Decis&atilde;o hist&oacute;rica<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">Pela primeira vez na hist&oacute;ria do Brasil, um tribunal superior pode determinar que um processo relativo a um crime contra os direitos humanos saia da jurisdi&ccedil;&atilde;o de um estado e seja julgado no &acirc;mbito da Uni&atilde;o. A ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a(<span style=\"font-family: Arial;\">STJ<\/span>), relatora do caso Manoel Mattos<strong><span style=\"font-family: Verdana;\">(<span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\">Foto<\/span><\/span>)<\/span><\/strong>, assassinado em janeiro do ano passado, quer que o caso seja transferido da Justi&ccedil;a Estadual na Para&iacute;ba para a Justi&ccedil;a Federal em Pernambuco.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" height=\"311\" width=\"465\" align=\"absMiddle\" alt=\"\" src=\"\/UserFiles\/Image\/policiais\/crimes\/manoel_bezerra_de_mattos_neto_advogado_465.jpg\" \/><\/p>\n<p>Com isso, a apura&ccedil;&atilde;o do crime e do funcionamento de um grupo de exterm&iacute;nio na divisa dos dois estados ser&aacute; transferida para a Pol&iacute;cia Federal, bem como os cinco suspeitos de participa&ccedil;&atilde;o no assassinato dever&atilde;o ser transferidos para pres&iacute;dio federal de seguran&ccedil;a m&aacute;xima. A v&iacute;tima era advogado, defensor de direitos humanos, foi vereador(<span style=\"font-family: Arial;\">PT-PE<\/span>), e denunciava h&aacute; cerca de dez anos assassinatos de adolescentes, homossexuais e supostos ladr&otilde;es, por grupos de exterm&iacute;nio nos munic&iacute;pios de Pedras de Fogo(<span style=\"font-family: Arial;\">PB<\/span>), Itamb&eacute; e Timba&uacute;ba(<span style=\"font-family: Arial;\">PE<\/span>).<\/p>\n<p>\nSegundo a relatora, a federaliza&ccedil;&atilde;o deve ocorrer porque envolve grave viola&ccedil;&atilde;o aos direitos humanos; porque a Justi&ccedil;a e o Minist&eacute;rio P&uacute;blicos locais n&atilde;o se opuseram; e porque a impunidade pode levar o Brasil a condena&ccedil;&otilde;es futuras em f&oacute;runs internacionais &#8211; como j&aacute; aconteceu por tr&ecirc;s vezes na Corte Interamericana de Direitos Humanos, ligada &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos(<span style=\"font-family: Arial;\">OEA<\/span>).<\/p>\n<p>\nO pedido de federaliza&ccedil;&atilde;o, chamado de Incidente de Deslocamento de Compet&ecirc;ncia(<span style=\"font-family: Arial;\">IDC n&ordm; 2<\/span>), foi feito no ano passado pela Procuradoria-Geral da Rep&uacute;blica(<span style=\"font-family: Arial;\">PGR<\/span>). De acordo com a vice-procuradora-geral da Rep&uacute;blica, D&eacute;borah Duprat, a federaliza&ccedil;&atilde;o &ldquo;<em>n&atilde;o significa nenhum dem&eacute;rito para &oacute;rg&atilde;os estaduais e n&atilde;o arranha sequer o pacto federativo<\/em>&rdquo;. Na sustenta&ccedil;&atilde;o que fez durante o voto da relatora, ela destacou que apenas a Uni&atilde;o &ldquo;<em>pode ser responsabilizada de n&atilde;o cumprir um tratado e as obriga&ccedil;&otilde;es ali previstas<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\nPara Ophir Cavalcante, presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil(<span style=\"font-family: Arial;\">OAB<\/span>), a Justi&ccedil;a Federal n&atilde;o sofre qualquer tipo de influ&ecirc;ncia local, pois tem ju&iacute;zes e funcion&aacute;rios concursados e &ldquo;<em>n&atilde;o recebe qualquer tipo de verba nem qualquer benef&iacute;cio de governo estadual<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\nAl&eacute;m do julgamento do assassinato de Manoel Mattos, a PGR queria que todas os processos sobre os grupos de exterm&iacute;nio na regi&atilde;o fossem federalizados. Para a procuradora Deborah Duprat, Manoel Mattos &ldquo;<em>&eacute; a v&iacute;tima mais not&aacute;vel<\/em>&rdquo; dos grupos de exterm&iacute;nio que atuam desde a d&eacute;cada de 1990. &ldquo;<em>Manoel foi aquele que denunciou com mais veem&ecirc;ncia e por mais tempo<\/em>&rdquo;, destacou. A ministra Laurita Vaz, no entanto, apenas acolheu em seu voto o pedido de federaliza&ccedil;&atilde;o dos casos que j&aacute; tivessem conex&atilde;o comprovada com a morte do advogado.<\/p>\n<p>\nApesar do voto da relatora, o STJ ainda n&atilde;o concluiu a decis&atilde;o sobre a federaliza&ccedil;&atilde;o. O desembargador Celso Luiz Limongi pediu vista do processo, e, al&eacute;m dele, mais cinco ministros dever&atilde;o votar. A 3&ordf; Se&ccedil;&atilde;o do STJ volta a se reunir para o julgamento no pr&oacute;ximo dia 22. Apesar da agenda, n&atilde;o h&aacute; prazo para a retomada do caso Manoel Mattos.<\/p>\n<p>\nA m&atilde;e do advogado, a aposentada Nair &Aacute;vila, tem esperan&ccedil;a que o voto da relatora prevale&ccedil;a e disse confiar na Justi&ccedil;a Federal: &ldquo;<em>vai haver uma puni&ccedil;&atilde;o efetiva para quem executou tanto quanto para os mandantes do assassinato<\/em>&rdquo;, declarou ap&oacute;s a sess&atilde;o no STJ. Segundo dona Nair, as pessoas que foram presas por causa da morte do seu filho saem livremente &agrave; rua, &ldquo;<em>almo&ccedil;am em restaurante<\/em>&rdquo; e at&eacute; &ldquo;<em>jogam bola<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\nEste &eacute; o segundo caso de federaliza&ccedil;&atilde;o que o STJ julga. O primeiro pedido, negado, foi o da mission&aacute;ria Dorothy Stang, cujo um dos mandantes aguarda julgamento de apela&ccedil;&atilde;o em liberdade.<\/p>\n<p>\n<\/span><\/span><span style=\"font-size: x-small;\"><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><strong><em>* Com informa&ccedil;&otilde;es do STJ e MPF\/PB.<\/em><\/strong><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><\/p>\n<p>\n<\/span><\/span><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong>O crime<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nO b&aacute;rbaro crime marcou o final de semana dos munic&iacute;pios de Pitimbu, na Para&iacute;ba, e Itamb&eacute;, em Pernambuco. O primeiro, por ter sido o local do crime. O segundo, por ser a cidade onde o advogado pernambucano Manoel Bezerra de Mattos Neto(<span style=\"font-family: Arial;\">44 anos<\/span>), assassinado a tiros por dois homens encapuzados, construiu sua atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e onde havia sido vereador. Ele era o presidente do PT no munic&iacute;pio, al&eacute;m de segundo vice-presidente estadual da sigla.<\/p>\n<p>\nManoel Matos foi executado na Praia Azul, em Pitimbu, onde estava descansando com seus familiares na casa de um amigo. Por volta das 22h30 do s&aacute;bado(<span style=\"font-family: Arial;\">25Janeiro2009)<\/span>, os dois homens encapuzados, fortemente armados invadiram a casa e mandaram todos se deitarem no ch&atilde;o. &ldquo;<em>&Eacute; voc&ecirc; mesmo que eu quero<\/em>&rdquo;, teriam dito, segundo informa&ccedil;&otilde;es de populares. Eles o levaram para fora da casa e ap&oacute;s coloca-lo em p&eacute;, dispararam&nbsp; dois tiros de espinguarda calibre 12, um contra seu peito e outro na cabe&ccedil;a. Manoel n&atilde;o resistiu e morreu na hora. Os dois assassinos fugiram.a p&eacute;. Oito pessoas estavam na casa e presenciaram o crime.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" height=\"311\" width=\"465\" align=\"absMiddle\" alt=\"\" src=\"\/UserFiles\/Image\/policiais\/crimes\/manoel_bezerra_de_mattos_neto_advogado_velorio_465.jpg\" \/><\/p>\n<p>O corpo foi levado para o Instituto de Medicina Legal(<span>IML<\/span>)  de Pitimbu e liberado para seguir para a cidade de Itamb&eacute;, na Zona da  Mata Norte de Pernambuco, a 92 quil&ocirc;metros de Recife. O vel&oacute;rio ocorreu  no Gin&aacute;sio de Esportes Jos&eacute; Mendes Filho. Familiares, amigos e pol&iacute;ticos  estiveram presentes, dando o &uacute;ltimo adeus ao advogado e ex-vereador da  cidade. Por volta das 17h30m, sob aplausos de milhares de pessoas, o corpo foi levado para o  sepultamento, no Cemit&eacute;rio de Itamb&eacute;. Muito emocionadas, a esposa da v&iacute;tima, a professora Alcione Almeida  Lima(<span style=\"font-family: Arial;\">42anos<\/span>), e a filha mais nova do casal, Manuela Mattos(<span style=\"font-family: Arial;\">13anos<\/span>), n&atilde;o sa&iacute;ram  de lado do caix&atilde;o. O advogado ainda tinha um filho de 15 anos e uma  filha do primeiro casamento, que estava de f&eacute;rias na Argentina. Alcione n&atilde;o quis falar com a Imprensa.<\/p>\n<p>\nO perito criminal Wilton Videlis, do Instituto de Medicina  Legal(IML) de Jo&atilde;o Pessoa,&nbsp; afirmou que o crime tem caracter&iacute;sticas de  execu&ccedil;&atilde;o. &ldquo;<em>As informa&ccedil;&otilde;es iniciais s&atilde;o de que um dos bandidos estava com  uma jaqueta do Ex&eacute;rcito. Um deles deixou um bon&eacute; cair. Recolhemos para  um poss&iacute;vel futuro teste de DNA<\/em>&rdquo;, explicou. Um detalhe chamou  a aten&ccedil;&atilde;o de amigos da v&iacute;tima. Na manh&atilde; do s&aacute;bado, um cliente do  ex-vereador morreu assassinado em Itamb&eacute;. A pol&iacute;cia ainda vai investigar  se existe liga&ccedil;&atilde;o entre os dois crimes.<\/p>\n<p>\nAmigos e parentes da v&iacute;tima afirmam que o homic&iacute;dio ocorreu 20 dias depois de o advogado, ex-vereador de Itamb&eacute;, onde morava, receber amea&ccedil;as de um homem conhecido como soldado Fl&aacute;vio. O policial j&aacute; havia sido preso por causa de den&uacute;ncias de Manoel Mattos. A pol&iacute;cia j&aacute; tem informa&ccedil;&otilde;es de que o respons&aacute;vel pelos disparos que mataram o advogado foi um homem identificado apenas como Z&eacute; Parafina.<\/p>\n<p>\nA morte de Manoel Mattos foi sentida pelos moradores de Itamb&eacute; e Pedras de Fogo, munic&iacute;pio da Para&iacute;ba que faz divisa com Pernambuco. As duas cidades pararam para se despedir daquele que lutou contra o crime organizado na regi&atilde;o.<\/p>\n<p>\nO secret&aacute;rio-executivo de Direitos Humanos, Rodrigo Pelegrino, esteve no enterro, representando o governador Eduardo Campos. Al&eacute;m de Pelegrino, estiveram no sepultamento o presidente da seccional Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil, Jayme Asfora, o deputado Fernando Ferro, o comandante da PM, coronel Jos&eacute; Lopes, o presidente estadual do PT, Jorge Perez, o articulador do Movimento Nacional de Direitos Humanos no Estado, Manoel Moraes, entre outros pol&iacute;ticos e autoridades. &ldquo;<em>Esse assassinato &eacute; uma agress&atilde;o &agrave; luta pelos direitos humanos no Estado<\/em>&rdquo;, desabafou Moraes.<\/p>\n<p>\nA personalidade forte de Manoel lhe rendeu muitos inimigos pol&iacute;ticos. Era conhecido pela popula&ccedil;&atilde;o local por ser um homem destemido e por lutar por causas sociais. Justamente por isso, o deputado federal pernambucano Fernando Ferro(PT), seu amigo pessoal h&aacute; mais de uma d&eacute;cada, foi taxativo ao ser perguntado sobre a raz&atilde;o do homic&iacute;dio. &ldquo;<em>Sem d&uacute;vida que foi crime pol&iacute;tico. Ele era uma pessoa indignada com os problemas sociais. Mas n&oacute;s vamos tomar provid&ecirc;ncias e iremos at&eacute; as &uacute;ltimas consequ&ecirc;ncias<\/em>&rdquo;, afirmou, sem apontar suspeitos. Muito sentido com a perda do amigo e assessor parlamentar, Ferro utilizou uma met&aacute;fora para lembrar que a luta continua. &ldquo;<em>Tentaram arrancar uma rosa, mas n&atilde;o v&atilde;o conseguir impedir a primavera<\/em>&rdquo;, bradou.<\/p>\n<p>\nJorge Perez, presidente estadual do PT pernanbucano, lembrou de outro petista assassinato recentemente, o candidato a vereador no munic&iacute;pio de Cabrob&oacute;(PE), Mozeni Ara&uacute;jo de S&aacute;, ocorrido em agosto do ano passado. &ldquo;<em>N&atilde;o podemos mais ficar esperando os crimes ocorrerem. Temos que acabar com essa l&oacute;gica de que quem luta pela vida tem como pr&ecirc;mio a morte<\/em>&rdquo;, criticou.<\/p>\n<p>\n<\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong>Amor &agrave; causa<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nA luta de Manoel Mattos contra os grupos de exterm&iacute;nio que atuam na fronteira entre Pernambuco e Para&iacute;ba ganhou for&ccedil;a em 7 de agosto de 2001, quando ele ocupou a tribuna da c&acirc;mara municipal de Itamb&eacute; para denunciar o surgimento de justiceiros, &ldquo;<em>organizados num sindicato do crime, construindo um grupo de exterm&iacute;nio<\/em>&rdquo;. Na &eacute;poca, ele ressaltou que os bandidos agiam com requintes de crueldade, inclusive com toque de recolher em comunidades da periferia.<\/p>\n<p>\nO vereador tamb&eacute;m elaborou um dossi&ecirc; em que documentou, com detalhes, a a&ccedil;&atilde;o de grupos de exterm&iacute;nio nos munic&iacute;pios circunvizinhos de Pernambuco e Para&iacute;ba. O documento foi entregue em outubro de 2001 ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico de Pernambuco e a outras autoridades federais.<\/p>\n<p>\nEm 2002, o vereador foi chamado para depor em sess&atilde;o secreta sobre o crime organizado na CPI do Narcotr&aacute;fico, na Para&iacute;ba. Na ocasi&atilde;o, ele chegou vestido com um colete &agrave; prova de balas e protegido por dois PMs de Pernambuco.<\/p>\n<p>\nAs den&uacute;ncias de Manoel Mattos ganharam tamanha repercuss&atilde;o que chegaram, em setembro de 2003, &agrave; relatora da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas(<span style=\"font-family: Arial;\">ONU<\/span>) para Execu&ccedil;&otilde;es Sum&aacute;rias, Arbitr&aacute;rias e Extrajudiciais, Asma Jahangir, que esteve em Itamb&eacute; para ouvir os familiares das v&iacute;timas de grupos de exterm&iacute;nio e o pr&oacute;prio vereador.<\/p>\n<p>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><u><strong><br \/>\nSeguran&ccedil;a<\/strong><\/u><\/span><\/span><\/span><br \/>\nDepois de v&aacute;rias solicita&ccedil;&otilde;es, somente em fevereiro de 2002 dois PMs passaram a fazer a seguran&ccedil;a de Manoel Mattos. A prote&ccedil;&atilde;o durou seis meses. Em agosto de 2002 o vereador foi informado que a prote&ccedil;&atilde;o policial estava suspensa por determina&ccedil;&atilde;o do secret&aacute;rio de Defesa Social de Pernambuco.<\/p>\n<p>\nAp&oacute;s esse epis&oacute;dio, ele foi protegido em dois per&iacute;odos distintos pela Pol&iacute;cia Federal. O &uacute;ltimo deles aconteceu entre 2005 e 2007.<\/span><\/span><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><strong><em><br \/>\n<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 13 minutos O processo fica agora sob responsabilidade da Justi&ccedil;a Federal da Para&iacute;ba. 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