{"id":4428,"date":"2011-02-09T00:00:00","date_gmt":"2011-02-09T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2011-02-09T00:00:00","modified_gmt":"2011-02-09T00:00:00","slug":"Cientistas-criam-veias-artificiais-antirejeicao-com-sucesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2011\/02\/09\/Cientistas-criam-veias-artificiais-antirejeicao-com-sucesso\/","title":{"rendered":"Cientistas criam veias artificiais antirejei\u00e7\u00e3o com sucesso"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 5 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nBras&iacute;lia(DF) &#8211;<\/span><\/span><\/strong><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"> As cirurgias de ponte de safena podem estar com os dias contados. Um estudo publicado hoje na revista especializada Science Translational Medicine mostrou que &eacute; poss&iacute;vel criar veias artificiais, a partir de c&eacute;lulas humanas, que, implantadas no organismo, n&atilde;o sofrem rejei&ccedil;&atilde;o nem provocam inflama&ccedil;&otilde;es ou co&aacute;gulos. O m&eacute;todo de bioengenharia vai beneficiar n&atilde;o somente os pacientes com s&eacute;rio risco de obstru&ccedil;&atilde;o das art&eacute;rias, condi&ccedil;&atilde;o que pode levar ao enfarto, mas tamb&eacute;m aqueles que sofrem de doen&ccedil;as renais e, por isso, precisam fazer hemodi&aacute;lises constantes.<\/p>\n<p>\nEmbora testada primeiramente em modelos animais &#8211; <em>cachorros e babu&iacute;nos<\/em> &#8211; , a t&eacute;cnica poder&aacute; ser aplicada em humanos ainda neste ano. &ldquo;<em>Os resultados do nosso estudo s&atilde;o muito encorajadores e, baseados neles, estamos focados agora em aplicar o m&eacute;todo em pesquisas cl&iacute;nicas<\/em>&rdquo;, disse ao Correio a principal autora do artigo, Shannon L. M. Dahl, diretora cient&iacute;fica e cofundadora da Humac Inc., empresa que desenvolveu o projeto.<\/p>\n<p>\nGeralmente, pessoas cujas art&eacute;rias est&atilde;o obstru&iacute;das precisam passar pela cirurgia de revasculariza&ccedil;&atilde;o mioc&aacute;rdica, popularmente conhecida como ponte de safena. Trata-se da retirada de um peda&ccedil;o da veia, geralmente da perna, que posteriormente ser&aacute; costurada da aorta at&eacute; a parte da art&eacute;ria que se encontra bloqueada. Quem tem problemas renais passa por um procedimento semelhante, pois o uso regular de agulhas especiais requer um vaso sangu&iacute;neo resistente e acess&iacute;vel. Nesse caso, o cirurgi&atilde;o faz a liga&ccedil;&atilde;o entre uma art&eacute;ria do bra&ccedil;o e uma veia.<\/p>\n<p>\nAl&eacute;m dos riscos inerentes a qualquer cirurgia, os dois procedimentos t&ecirc;m a desvantagem de n&atilde;o beneficiar todos os pacientes. Dependendo da espessura das veias, &eacute; imposs&iacute;vel utiliz&aacute;-las pelos m&eacute;todos tradicionais. No caso da hemodi&aacute;lise, j&aacute; existem art&eacute;rias artificiais para substituir a f&iacute;stula arteriovenosa, que faz a liga&ccedil;&atilde;o entre a veia e a art&eacute;ria superficial do bra&ccedil;o.<\/p>\n<p>\nO procedimento, por&eacute;m, vem acompanhado de efeitos colaterais, como altas taxas de infe&ccedil;&atilde;o, oclus&atilde;o e propens&atilde;o a trombose. &ldquo;<em>Devido &agrave;s complica&ccedil;&otilde;es, cada veia artificial precisa passar, em m&eacute;dia, por 2,8 interven&ccedil;&otilde;es ao longo da vida do paciente para continuar funcionando. Da&iacute; a urg&ecirc;ncia de se encontrar um m&eacute;todo superior, que cause menos complica&ccedil;&otilde;es<\/em>&rdquo;, alega Jeffery H. Lawson, professor de cirurgia da Faculdade de Medicina da Duke University e um dos autores da pesquisa.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Estoque<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nA nova metodologia permite a cria&ccedil;&atilde;o de veias de 3mm e 6mm, que podem ser utilizadas tanto para interven&ccedil;&otilde;es card&iacute;acas quanto para hemodi&aacute;lise. Uma das vantagens &eacute; que, depois de constru&iacute;das, elas podem ser armazenadas, algo at&eacute; ent&atilde;o in&eacute;dito. Com isso, uma pessoa em situa&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia est&aacute; apta a receber o implante assim que der entrada no hospital. Atualmente, &eacute; poss&iacute;vel desenvolver art&eacute;rias artificias a partir das c&eacute;lulas do pr&oacute;prio paciente, o que evitaria rejei&ccedil;&atilde;o, mas o processo leva nove meses ou mais &#8211; tempo em excesso para quem se encontra em estado grave.<\/p>\n<p>\nDurante cinco anos, a equipe de pesquisadores, chefiada por Shannon L. M. Dahl, se dedicou ao desenvolvimento de uma t&eacute;cnica que permitisse a cria&ccedil;&atilde;o de art&eacute;rias artificiais a partir da estrutura celular de qualquer doador. Com isso, seria poss&iacute;vel fazer um estoque vascular, pronto para ser utilizado a qualquer momento. O desafio era produzir enxertos que n&atilde;o fossem rejeitados pelo organismo do receptor nem provocassem os j&aacute; conhecidos efeitos colaterais.<\/p>\n<p>\nPara criar as veias artificiais ideais para a substitui&ccedil;&atilde;o da f&iacute;stula, os pesquisadores cultivaram c&eacute;lulas humanas e fizeram o implante em babu&iacute;nos. Como o tecido precisava ganhar o formato de uma veia, as c&eacute;lulas musculares foram cultivadas em um tubo de pol&iacute;mero biodegrad&aacute;vel. O material j&aacute; &eacute; amplamente aplicado na medicina porque, como o pr&oacute;prio nome diz, se degrada com o tempo, sem afetar a estrutura que est&aacute; dentro dele.<\/p>\n<p>\nDepois, os cientistas usaram detergentes especiais para descelularizar o tecido que se formou. Com isso, foram retiradas as subst&acirc;ncias que poderiam provocar rejei&ccedil;&atilde;o no doador. O material foi, ent&atilde;o, implantado em babu&iacute;nos, que passaram a ser observados por seis meses. A n&atilde;o ser por um animal, que foi exclu&iacute;do do estudo porque a incis&atilde;o infeccionou, os oito restantes toleraram bem o enxerto. Nas 24 semanas seguintes &agrave; cirurgia, tamb&eacute;m n&atilde;o houve mudan&ccedil;a no di&acirc;metro da art&eacute;ria nem enfraquecimento das paredes vasculares. O sangue fluiu em uma taxa normal.<\/p>\n<p>\nA experi&ecirc;ncia repetiu-se, mas, desta vez, para testar a efic&aacute;cia das art&eacute;rias coron&aacute;rias artificiais. C&eacute;lulas caninas cultivadas no material biodegrad&aacute;vel passaram pelo processo de limpeza e, depois, foram implantadas em receptores da mesma esp&eacute;cie. Os animais tiveram acompanhamento por um ano. Os exames mostraram que, passado esse tempo, o enxerto foi bem aceito pelo organismo. &ldquo;<em>Os enxertos demonstraram excelente permeabilidade e dilata&ccedil;&atilde;o resistente. Esse tipo de enxerto vascular pode fornecer uma op&ccedil;&atilde;o para pacientes que n&atilde;o s&atilde;o candidatos aos implantes artificiais<\/em>&rdquo;, conclu&iacute;ram os autores, no estudo.<\/p>\n<p>\n<\/span><\/span><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-size: xx-small;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><em><strong><br \/>\n* Correio Braziliense.<\/strong><\/em><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 5 minutos Bras&iacute;lia(DF) &#8211; As cirurgias de ponte de safena podem estar com os dias contados. 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