{"id":4740,"date":"2011-04-09T00:00:00","date_gmt":"2011-04-09T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2011-04-09T00:00:00","modified_gmt":"2011-04-09T00:00:00","slug":"Ex-colegas-dizem-que-assassino-escolheu-perfil-de-vitimas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2011\/04\/09\/Ex-colegas-dizem-que-assassino-escolheu-perfil-de-vitimas\/","title":{"rendered":"Ex-colegas dizem que assassino escolheu perfil de vitimas"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 6 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<strong>Rio da Janeiro(RJ) &#8211;<\/strong> Desajeitado e arredio, o atirador Wellington Menezes de Oliveira era alvo de chacotas de colegas da Escola Municipal Tasso da Silveira, palco do massacre. Na adolesc&ecirc;ncia, foi rejeitado pelas meninas. &quot;<em>Desde pequeno ele tinha dist&uacute;rbio mental e sofria isso que chamam de bullying<\/em>&quot;, diz A., seu irm&atilde;o adotivo de 44 anos.<\/p>\n<p>\nSob compromisso de n&atilde;o ser identificado &#8211; <em>a Secretaria de Seguran&ccedil;a do Rio lhe alertou que pode sofrer retalia&ccedil;&atilde;o<\/em> -, A. contou ao Estado que, ainda crian&ccedil;a, Wellington recebeu diagn&oacute;stico de esquizofrenia. Ele foi adotado pela tia, Dic&eacute;ia de Oliveira, m&atilde;e de A. &quot;<em>Lembro do dia em que ela chegou com aquela crian&ccedil;a assustada no colo. Ele tinha de 6 a 7 anos quando come&ccedil;ou a tomar rem&eacute;dios controlados<\/em>&quot;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"absMiddle\" src=\"http:\/\/www.obeabadosertao.com.br\/UserFiles\/Image\/policiais\/crimes\/07abr2011_massacre_escola_rio_assassino_wellington_menezes_de_oliveira_465.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Por volta dos 13 ou 14 &#8211; <em>idade das v&iacute;timas<\/em> -, Wellington<strong>(<span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\">Foto<\/span><\/span>)<\/strong> abandonou os rem&eacute;dios. &quot;<em>Desde ent&atilde;o sua esquisitice s&oacute; piorou. Ele tinha obsess&atilde;o pelo Velho Testamento da B&iacute;blia<\/em>&quot;, relatou A., negando que o irm&atilde;o tivesse liga&ccedil;&atilde;o com o Islamismo, como se especulou ap&oacute;s a chacina.<\/p>\n<p>\nA preocupa&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia cresceu quando Dic&eacute;ia percebeu que Wellington, j&aacute; ent&atilde;o viciado em internet, passou a ler manuais de fabrica&ccedil;&atilde;o de explosivos e manuseio de armas, al&eacute;m de pesquisar atentados terroristas, com predile&ccedil;&atilde;o por homens-bomba do Oriente M&eacute;dio. Segundo A., Wellington tinha prefer&ecirc;ncia m&oacute;rbida por cenas violentas e foi censurado pela fam&iacute;lia por comentar com empolga&ccedil;&atilde;o o atentado contra Nova York, em 2001.<\/p>\n<p>\nOs problemas se agravaram com a morte do pai adotivo, h&aacute; cinco anos. E Wellington se isolou de vez ap&oacute;s a morte de Dic&eacute;ia, h&aacute; dois, quando foi morar em Sepetiba, na casa deixada pelo pai. Especula-se que a partir da&iacute; passou a planejar o massacre. &quot;<em>Fiquei perplexo, como todo mundo, quando vi na TV a habilidade com que ele usava armas<\/em>&quot;, diz A. Para ele, Wellington aprendeu tudo na internet.<\/p>\n<p>\nNic&eacute;ia teve cinco filhos biol&oacute;gicos &#8211; tr&ecirc;s vivem no Distrito Federal. Taxista por mais de 20 anos, quase todo o tempo morando em Realengo, A. divorciou-se h&aacute; tr&ecirc;s e mudou para o Entorno do Distrito Federal, onde vive h&aacute; mais de 15 anos seu irm&atilde;o mais velho, P., de 59. Uma irm&atilde; &eacute; dona de casa e vive com o marido, professor, h&aacute; dez anos em Bras&iacute;lia. Outros dois irm&atilde;os ainda moram no Rio, um no Realengo.<\/p>\n<p>\nOs Oliveira Alves, irm&atilde;os adotivos de Wellington, conheciam a maioria das fam&iacute;lias de adolescentes atacados. &quot;<em>Sou pai e av&ocirc; e posso sentir o tamanho da dor dessas fam&iacute;lias. A &uacute;nica coisa que podemos fazer &eacute; lamentar do fundo do cora&ccedil;&atilde;o<\/em>&quot;.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Retalia&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nA vida da fam&iacute;lia est&aacute; destru&iacute;da. Ontem A. foi avisado pela empresa que est&aacute; compulsoriamente de f&eacute;rias e deve aguardar em casa. Hipertenso e doente renal, P. teve ontem de ser internado. Pai de santo, ele comanda a Casa Afro-Cultural e Assistencial S&atilde;o Jorge, entidade filantr&oacute;pica com registro ativo no governo federal, que recebe dinheiro p&uacute;blico para atividades assistenciais. Por determina&ccedil;&atilde;o policial, que considera elevado o risco de atentados, ele fechou o local por tempo indeterminado.<\/p>\n<p><\/span><\/span><span style=\"font-size: large;\"><span><span style=\"font-family: Verdana;\"><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Assassino n&atilde;o atirou a esmo, dizem ex-colegas<\/strong><\/span><\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nAmigos de col&eacute;gio se re&uacute;nem e lembram como Wellington Oliveira era &quot;zoado&quot; pela turma da escola. &quot;<em>A gente chorou pensando que Wellington matou as crian&ccedil;as em repres&aacute;lia pelo que aconteceu quando estud&aacute;vamos juntos<\/em>&quot;, disse ontem &agrave; Folha o hoje assessor cultural Thiago Costa da Cruz, 23, que conviveu com ele na 5&ordf;, 6&ordf;, 7&ordf; e 8&ordf; s&eacute;ries na escola Tasso da Silveira, onde ocorreu o massacre.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"absMiddle\" src=\"http:\/\/www.obeabadosertao.com.br\/UserFiles\/Image\/policiais\/crimes\/07abr2011_escola_municipal_tasso_da_silveira_realengo_rio_de_janeiro_465.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Um grupo de cinco amigos desde os tempos de col&eacute;gio reuniu-se em um churrasquinho nas imedia&ccedil;&otilde;es da Tasso. Lembraram-se de como o garoto esquisito era &quot;<em>zoado<\/em>&quot; pela turma da escola, em especial pelas meninas. &quot;<\/span><\/span><em><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">Est&aacute;vamos na 7&ordf; s&eacute;rie, os horm&ocirc;nios a milh&atilde;o, e uma das meninas mais malvadas, a C., ficou pegando no Wellington, se esfregando, e dizendo &quot;vem c&aacute;&quot;. O Wellington entrou em p&acirc;nico. Gritava &quot;<\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">n&atilde;o<\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">&quot;, &quot;n&atilde;o&quot;, &quot;<\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">n&atilde;o<\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">&quot;, desesperado. Ele empurrava a C. e ela gritava cada vez mais alto que queria ficar com ele. Foi assustador<\/span><\/span><\/em><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">&quot;, diz Thiago, esp&eacute;cie de porta-voz do grupo.<\/p>\n<p>\nO ataque de C. contra Wellington causou surpresa, pois ela tamb&eacute;m era uma v&iacute;tima da classe por estar longe de ser das meninas mais bonitas, e por ser gordinha. &quot;<em>Mas ela sabia que zoar com o Wellington era um jeito de ficar do mesmo lado dos bonitos e inteligentes da classe<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nNingu&eacute;m gostava de Wellington, dizem os antigos colegas, a n&atilde;o ser Bruno, um menino fanho e de voz fina, com a cara do personagem c&ocirc;mico Mister Bean. Bruno era destro&ccedil;ado pelo meninos, que o chamavam de &quot;<em>bicha<\/em>&quot;. A dupla Wellington e Bruno era ridicularizada todo o tempo, inclusive com segredinhos que todos compartilhavam, menos eles. Para compensar, os dois fingiam possuir tamb&eacute;m segredos e maldades sobre a classe. Para evidenci&aacute;-los, soltavam gargalhadas fora de tempo e lugar. &quot;<em>Parecia coisa sat&acirc;nica, mas era s&oacute; um jeito de se defenderem<\/em>&quot;, diz Thiago.<\/p>\n<p>\nO grupo dos cinco jovens debru&ccedil;ou-se sobre as not&iacute;cias na internet. Mas desligaram o computador quando um dos amigos notou a semelhan&ccedil;a f&iacute;sica entre as v&iacute;timas e os antigos colegas. &quot;<em>A gente teve certeza de que ele n&atilde;o matou a esmo. Wellington procurou em cada v&iacute;tima uma caracter&iacute;stica pessoal das pessoas com quem ele teve uma rixa na escola. A L., que falava direto pra ele &quot;Sai da&iacute;, seu feio&quot;, quando queria sentar em um lugar que ele estivesse ocupando, &eacute; id&ecirc;ntica a uma menina que ele matou. Outras meninas t&ecirc;m um olho, uma boca, um jeito que parecia muito com as meninas da nossa classe<\/em>&quot;, afirma Thiago.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" height=\"311\" width=\"465\" align=\"absMiddle\" src=\"\/UserFiles\/Image\/policiais\/eventos\/07abr2011_escola_municipal_tasso_da_silveira_realengo_rio_de_janeiro_465b.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>&quot;<em>Tinha um menino, que ele poupou, dizendo &quot;Fica frio, gordinho, que eu n&atilde;o vou te matar&quot;. Pois bem, esse gordinho &eacute; a cara, cuspida e escarrada, do R., que mora aqui no beco. Era assim que toda a classe chamava o R., que de fato era gordinho&#8230; N&oacute;s temos certeza de que, quando subia aquelas escadas, ele viajava no tempo, at&eacute; dez anos atr&aacute;s, quando estud&aacute;vamos juntos<\/em>&quot;, afirma.<\/p>\n<p>\nA cor das paredes ainda &eacute; a mesma, bege por cima e, embaixo, mostarda. O mesmo primeiro andar, a mesma 7&ordf; s&eacute;rie das piores chacotas. O mesmo turno matutino. &quot;<em>N&oacute;s que dev&iacute;amos ter morrido. N&atilde;o era para ningu&eacute;m ter pago por uma coisa que n&oacute;s fizemos<\/em>&quot;, diz, entre l&aacute;grimas, Thiago, ele mesmo discriminado nos tempos de escola por ser homossexual.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><br \/>\n<\/strong><span style=\"font-size: large;\"><strong>Materia ralacionada:<\/strong><\/span><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<strong><br \/>\n<\/strong><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Galeria 1:<\/strong><\/span><\/span> <a href=\"http:\/\/www.obeabadosertao.com.br\/v3\/homem_invade_escola_municipal_e_mata_12_alunos__4735.html\"><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\">Homem invade escola municipal e mata 12 alunos<\/span><\/a>.<br \/>\n<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 6 minutos Rio da Janeiro(RJ) &#8211; Desajeitado e arredio, o atirador Wellington Menezes de Oliveira era alvo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[19],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4740"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4740"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4740\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4740"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4740"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4740"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}