{"id":4746,"date":"2011-04-11T00:00:00","date_gmt":"2011-04-11T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2011-04-11T00:00:00","modified_gmt":"2011-04-11T00:00:00","slug":"Tumulo-de-Sao-Francisco-de-Assis-e-aberto-ao-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2011\/04\/11\/Tumulo-de-Sao-Francisco-de-Assis-e-aberto-ao-publico\/","title":{"rendered":"T\u00famulo de S\u00e3o Francisco de Assis \u00e9 aberto ao p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 17 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<strong>Assis(It&aacute;lia) &#8211; <\/strong>O t&uacute;mulo de S&atilde;o Francisco de Assis acaba de reabrir ao p&uacute;blico na It&aacute;lia, neste s&aacute;bado(<span style=\"font-family: Arial;\">09Abril2011<\/span>), para devo&ccedil;&atilde;o dos fi&eacute;is<span>, <\/span><span><span>ap&oacute;s ter passado por sua primeira restaura&ccedil;&atilde;o em seus quase 800 anos de exist&ecirc;ncia. S&atilde;o Francisco foi enterrado no s&eacute;culo 13 e se tornou o santo patrono dos animais e da It&aacute;lia. <\/span><\/span><span><span><br \/>\n<\/span><\/span><span><span><\/p>\n<p>Filho de um pr&oacute;spero fabricante de tecidos da cidade de Assisi, ele rejeitou o conforto no qual foi criado e dedicou sua vida a ajudar os pobres. Morto em 1226, ele se tornou um santo dois anos depois. Seu corpo foi colocado em uma urna de bronze e enterrado em uma cripta de pedra em sua cidade natal.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" height=\"311\" width=\"465\" align=\"absMiddle\" src=\"\/UserFiles\/Image\/religiosos\/santos\/sao_francisco_de_assis_tumulo_basilica_papal_assis_umbria_italia_465.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><\/span><\/span><span>O t&uacute;mulo foi fechado no &uacute;ltimo dia 25 de fevereiro(<span style=\"font-family: Arial;\">2011<\/span>) para as atividades dos restauradores. <\/span><span><span>Ao longo de dois meses, especialistas em polimento de metais e restauradores de estruturas em pedra trabalharam dias e noites para renovar o t&uacute;mulo. <\/span><\/span><span>Agora, tanto a urna como a cripta acabam de passar por um in&eacute;dito processo de restaura&ccedil;&atilde;o. <\/span><br \/>\n<span><span> <\/p>\n<p><\/span><\/span>As obras de restaura&ccedil;&atilde;o foram apresentadas ontem de manh&atilde; numa coletiva  de imprensa, pelo ministro geral dos Frades Menores Conventuais, padre  Marco Tasca, e pelo chefe dos restauradores da Bas&iacute;lica de S&atilde;o  Francisco, Sergio Fuselier.<span><span><\/p>\n<p>\n<\/span><\/span>Participou ainda da coletiva o guardi&atilde;o do Sacro Convento, frei Giuseppe  Piemontese, que assinalou que os trabalhos foram iniciados devido &agrave;  visita do Papa Bento XVI, prevista para outubro deste ano, e que em 40  dias, uma equipe de restauradores trabalhou dia e noite para devolver &agrave;s  paredes o seu &quot;<em>esplendor original<\/em>&quot;.<span><span><\/p>\n<p>\nS&atilde;o esperadas visitas em massa ao local por parte de seguidores de S&atilde;o Francisco de Assis ao redor do mundo.<\/span><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>ASSIS<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nLocalizada na regi&atilde;o da &Uacute;mbria, It&aacute;lia, Assis &eacute; uma pequen&iacute;ssima cidade ainda toda medieval. Em suas estreitas ruas, respira-se uma atmosfera que se perde nos s&eacute;culos e remonta &agrave; &eacute;poca em que nela viveu aquele que se tornaria um dos santos mais queridos e populares de todos os tempos: Francisco, o pobrezinho de Assis.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" height=\"311\" width=\"465\" align=\"absMiddle\" src=\"\/UserFiles\/Image\/religiosos\/santos\/sao_francisco_de_assis_basilica_papal_convento_assis_umbria_italia_465.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Nascido ali em 1182, filho de um rico e pr&oacute;spero negociante de tecidos, ele cultivou durante sua juventude o ideal cavaleiresco e a vida mundana, mas uma vis&atilde;o, num momento de guerra, mudou radicalmente sua vida. O grande crucifixo, que ainda hoje &eacute; preciosamente guardado na Bas&iacute;lica de Santa Clara, &ldquo;<em>falou-lhe<\/em>&rdquo; claramente: &ldquo;<em>Vai, Francisco, reconstr&oacute;i a minha casa que est&aacute; em ru&iacute;nas<\/em>&rdquo;. A ordem, inicialmente entendida no aspecto material, transformou-se num verdadeiro ideal n&atilde;o s&oacute; para o jovem Francisco, que abandonou todos os seus bens, mas tamb&eacute;m para muitos que o seguiram para viver a pobreza, a penit&ecirc;ncia e a radicalidade do Evangelho.<\/p>\n<p>\n&Agrave; figura carism&aacute;tica de Francisco de Assis alia-se a de          Clara, uma jovem da aristocracia da cidade que, fascinada pela sua proposta          de vida, fundaria o ramo contemplativo da grande fam&iacute;lia franciscana,          as clarissas.<\/p>\n<p><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">Francisco de Assis foi mission&aacute;rio, promoveu o di&aacute;logo          inter-religioso, atuou na Igreja numa &eacute;poca de crise e de fraqueza;          seu amor pela natureza valeu-lhe o t&iacute;tulo de protetor dos animais          e da ecologia.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">Toda sua vida foi um cont&iacute;nuo movimento de amorosa e humilde convers&atilde;o          ao &ldquo;<em>Alt&iacute;ssimo bom Senhor<\/em>&rdquo;. Seu profundo desejo de assemelhar-se a Jesus Cristo fez com que tivesse,          em seu pr&oacute;prio corpo, as chagas da paix&atilde;o. Morreu em 1226          e, apenas dois anos mais tarde, foi canonizado por Greg&oacute;rio IX.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><\/p>\n<p>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>PERSONAGEM<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nGiovanni di Pietro di Bernardone, mais conhecido como S&atilde;o Francisco de Assis(<span style=\"font-family: Arial;\">Assis, 1181 ou 1182 &mdash; 3 de outubro de 1226<\/span>), foi um frade cat&oacute;lico da It&aacute;lia. Morreu aos 44 anos de idade.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>HIST&Oacute;RICO<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nDepois de uma juventude irrequieta e mundana, voltou-se para uma vida religiosa de completa pobreza, fundando a ordem mendicante dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos, que renovaram o Catolicismo de seu tempo. Com o h&aacute;bito da prega&ccedil;&atilde;o itinerante, quando os religiosos de seu tempo estavam mais ligados aos mosteiros rurais, e com sua cren&ccedil;a de que o Evangelho devia ser seguido &agrave; risca, imitando-se a vida de Cristo, desenvolveu uma profunda identifica&ccedil;&atilde;o com os problemas de seus semelhantes e com a humanidade do pr&oacute;prio Cristo.<\/p>\n<p>\nSua atitude foi original tamb&eacute;m quando afirmou a bondade e a maravilha da Cria&ccedil;&atilde;o, quando se dedicou aos mais pobres dos pobres, e quando amou todas as criaturas chamando-as de irm&atilde;os. Alguns estudiosos afirmam que sua vis&atilde;o positiva da natureza e do homem, que impregnou a imagina&ccedil;&atilde;o de toda a sociedade de sua &eacute;poca, foi uma das for&ccedil;as primeiras que levaram &agrave; forma&ccedil;&atilde;o da filosofia da Renascen&ccedil;a.<\/p>\n<p>\nDante Alighieri disse que ele foi uma &quot;<em>luz que brilhou sobre o mundo<\/em>&quot;, e para muitos ele foi a maior figura do Cristianismo desde Jesus, mas a despeito do enorme prest&iacute;gio de que ele desfruta at&eacute; os dias de hoje nos c&iacute;rculos crist&atilde;os, que fez sua vida e mensagem serem envoltas em copioso folclore e darem origem a inumer&aacute;veis representa&ccedil;&otilde;es na arte, a pesquisa acad&ecirc;mica moderna sugere que ainda h&aacute; muito por elucidar quanto aos aspectos pol&iacute;ticos de sua atua&ccedil;&atilde;o, e que devem ser mais exploradas as conex&otilde;es desses aspectos com o seu misticismo pessoal.<\/p>\n<p>\nSua vida &eacute; reconstru&iacute;da a partir de biografias escritas pouco ap&oacute;s sua morte, mas essas fontes primitivas ainda est&atilde;o &agrave; espera de edi&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas mais profundas e completas, pois apresentam diversas contradi&ccedil;&otilde;es factuais e quase sempre s&atilde;o tendenciosamente inclinadas a fazerem uma apologia de seu car&aacute;ter e obras, e assim, devem ser analisadas sob uma &oacute;ptica mais cient&iacute;fica e mais isenta de aprecia&ccedil;&otilde;es emocionais do que tem ocorrido at&eacute; agora, a fim de que sua verdadeira estatura como figura hist&oacute;rica e social, e n&atilde;o apenas religiosa, se esclare&ccedil;a.<\/p>\n<p>\nDe qualquer forma, sua posi&ccedil;&atilde;o como um dos grandes santos da Cristandade se firmou quando ele ainda era vivo, e permanece inabalada. Foi canonizado pela Igreja Cat&oacute;lica menos de dois anos ap&oacute;s falecer, em 1228, e por seu apre&ccedil;o &agrave; natureza &eacute; mundialmente conhecido como o santo patrono dos animais e do meio ambiente.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-size: x-large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>BIOGRAFIA<\/strong><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Juventude e convers&atilde;o<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nEra filho do comerciante italiano Pietro di Bernadone dei Moriconi e sua esposa Pica Bourlemont, cuja fam&iacute;lia tinha ra&iacute;zes francesas. Os pais de Francisco faziam parte da burguesia da cidade de Assis, e gra&ccedil;as a neg&oacute;cios bem sucedidos na Proven&ccedil;a, Fran&ccedil;a, conquistaram riqueza e bem estar. Na aus&ecirc;ncia do pai, em viagem &agrave; Fran&ccedil;a, sua m&atilde;e o batizou com o nome de Giovanni(<span style=\"font-family: Arial;\">Jo&atilde;o, em portugu&ecirc;s, a partir do profeta S&atilde;o Jo&atilde;o Batista<\/span>) na igreja constru&iacute;da em homenagem ao padroeiro da cidade, o m&aacute;rtir Rufino. A origem de seu nome Francesco(<span style=\"font-family: Arial;\">Francisco<\/span>) &eacute; incerta.<\/p>\n<p>\nPara uns, depois de uma viagem &agrave; Fran&ccedil;a, onde o menino teria ficado cativado pela vida francesa, sua m&uacute;sica, sua poesia e seu povo, seu pai teria come&ccedil;ado a cham&aacute;-lo de &quot;<em>francesco<\/em>&quot;, que significa &quot;<em>franc&ecirc;s<\/em>&quot; em italiano. Para outros seu pai teria feito, em vez, uma homenagem ao pa&iacute;s natal de sua esposa, embora n&atilde;o haja provas de sua naturalidade francesa.<\/p>\n<p>\nTamb&eacute;m foi sugerido que o nome foi dado por seu gosto pela l&iacute;ngua francesa, que perdurou por toda a vida de Francisco e era em sua &eacute;poca a linguagem por excel&ecirc;ncia da literatura cavaleiresca e da express&atilde;o amorosa.<\/p>\n<p>\nO menino cresceu e se tornou um jovem popular entre seus amigos, por sua indisciplina e extravag&acirc;ncias, por sua paix&atilde;o pelas aventuras, pelas roupas da moda e pela bebida, e por sua liberalidade com o dinheiro, mas mostrava uma &iacute;ndole bondosa.<\/p>\n<p>\nEra nessa &eacute;poca fascinado pelas hist&oacute;rias de cavalaria, e desejava ganhar fama como um her&oacute;i. Assim, em 1202 alistou-se como soldado na guerra que Assis desenvolvia contra Peruggia, mas foi capturado e permaneceu preso, &agrave; espera de um resgate, por cerca de um ano.<\/p>\n<p>\nAo ser libertado caiu doente, com epis&oacute;dios de febre que duraram quase todo o ano de 1204. Ali se apresentaram as duas afec&ccedil;&otilde;es que o acompanharam por toda a sua vida: problemas de vis&atilde;o e no aparelho digestivo. Depois de recuperado tentou novamente a carreira das armas, engajou-se em 1205 no ex&eacute;rcito papal que lutava contra Frederico II, incentivado por um sonho que tivera.<\/p>\n<p>\nNele apareceu-lhe algu&eacute;m chamando-o pelo nome e levando-o a um rico pal&aacute;cio, onde vivia uma linda donzela, e que estava cheio de armas resplandecentes e outros apetrechos de guerra. Indagando de quem eram essas armas espl&ecirc;ndidas e o pal&aacute;cio magn&iacute;fico, foi-lhe respondido que tudo aquilo era seu e de seus soldados.<\/p>\n<p>\nAnimado com a perspectiva de gl&oacute;ria, p&ocirc;s-se a caminho, mas no trajeto teve outro sonho, ou uma vis&atilde;o, onde ouviu, segundo a vers&atilde;o da Legenda trium sociorum, uma voz a dizer: <em>Quem te pode ser de mais proveito<\/em>? <em>O senhor ou o servo<\/em>? Como Francisco respondesse: 0 senhor, ouviu novamente a voz: <em>Ent&atilde;o por que deixas o senhor pelo servo e o pr&iacute;ncipe pelo vassalo<\/em>?. Confundido, Francisco disse: <em>Que queres que eu fa&ccedil;a<\/em>?, e a voz replicou: <em>Volta para tua terra, e te ser&aacute; dito o que haver&aacute;s de fazer. Pois deves entender de outro modo a vis&atilde;o que tiveste<\/em>.<\/p>\n<p>\nPoucos dias depois, j&aacute; em Assis, durante uma algazarra com seus amigos, teria sido tocado pela presen&ccedil;a divina, e desde ent&atilde;o, segundo a Legenda, come&ccedil;ou a perder o interesse por seus antigos h&aacute;bitos de vida e mostrar preocupa&ccedil;&atilde;o pelos necessitados. Eleito &quot;<em>rei da juventude<\/em>&quot; em um festejo folcl&oacute;rico tradicional, em vez de preparar-se para a entrada em uma vida de casado, como seria o costume, retirou-se, conforme relatou seu primeiro bi&oacute;grafo Tom&aacute;s de Celano, para uma caverna a fim de meditar, acompanhado de apenas um amigo fiel, para quem revelou suas preocupa&ccedil;&otilde;es e seu desejo de obter o tesouro da sabedoria e de desposar a vida religiosa.<\/p>\n<p>\nMas ainda era um per&iacute;odo de hesita&ccedil;&atilde;o. Quando tinha arroubos de devo&ccedil;&atilde;o e os expressava publicamente, era ridicularizado; tinha pesadelos com uma horr&iacute;vel mulher corcunda, e imaginava que esta era a imagem de sua futura vida de pobreza. Certo dia saiu em um passeio pelos campos nos arredores, e ao penetrar em uma clareira ouviu o som do sino que os leprosos, proscritos pela sociedade, deviam usar para indicar a sua aproxima&ccedil;&atilde;o, e logo se viu frente a frente com o homem doente.<\/p>\n<p>\nFazia frio e o leproso tinha apenas trapos sobre o corpo. Francisco sempre sentira repulsa dos leprosos, mas nesse momento desceu de seu cavalo e cobriu o homem com seu pr&oacute;prio manto. Espantado consigo mesmo, olhou nos olhos do outro, e viu sua gratid&atilde;o, e enquanto ele mesmo chorava, beijou aquele rosto deformado pela mol&eacute;stia.<\/p>\n<p>\nEste parece ter sido o ponto de virada em sua vida, mas sua voca&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se declarou toda subitamente, e a cronologia desses e outros epis&oacute;dios preparat&oacute;rios para sua convers&atilde;o n&atilde;o &eacute; clara nas fontes antigas. Tamb&eacute;m parece ter tentado seguir o of&iacute;cio de seu pai, mas sem conseguir devotar-se a ele. Ao contr&aacute;rio, estava cada vez mais interessado em ajudar os pobres. Mas certa feita entrou para orar na igreja de S&atilde;o Dami&atilde;o, fora das portas da cidade, e ali, diz a tradi&ccedil;&atilde;o, ele ouviu pela primeira vez a voz de Cristo, que lhe falou de um crucifixo.<\/p>\n<p>\nA voz chamou a sua aten&ccedil;&atilde;o para o estado de ru&iacute;na de sua Igreja, e instou para que Francisco a reconstru&iacute;sse. Imediatamente voltou para sua casa, recolheu diversos tecidos caros da loja de seu pai e os vendeu a baixo pre&ccedil;o no mercado da cidade, e voltou para a igreja onde tivera sua revela&ccedil;&atilde;o doando o dinheiro para o padre, a fim de que ele restaurasse o pr&eacute;dio decadente. Ao saber disso o pai se enfureceu e mandou que o buscassem. Atemorizado, Francisco se escondeu em um celeiro, onde seu amigo lhe levava um pouco de comida.<\/p>\n<p>\nPassado algum tempo, decidiu revelar-se, e diante do povo de Assis se acusou de pregui&ccedil;oso e desocupado. A multid&atilde;o o tomou por louco e divertiu-se apedrejando-o. O pai ouviu o tumulto e o recolheu para sua casa, mas o acorrentou no por&atilde;o. Alguns dias depois sua m&atilde;e, por compaix&atilde;o, livrou-o das correntes, e Francisco foi buscar ref&uacute;gio junto ao bispo.<\/p>\n<p>\nO pai seguiu-o e o acusou de dissipador de sua fortuna, reclamando uma compensa&ccedil;&atilde;o pelo que ele havia tirado sem licen&ccedil;a de sua loja. Ent&atilde;o, para a surpresa de todos, Francisco despiu todas as suas belas roupas e as colocou aos p&eacute;s do pai, renunciou &agrave; sua heran&ccedil;a, pediu a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o do bispo e partiu, completamente nu, para iniciar uma vida de pobreza junto do povo, da qual jamais retornou. O bispo viu nesse gesto um sinal divino e se tornou seu protetor pelo resto da vida.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>ANOS FINAIS<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nSeus anos finais foram passados em tranquilidade interior, quando segundo seus bi&oacute;grafos primitivos seu amor e compaix&atilde;o por todas as criaturas flu&iacute;am abundantes, ao mesmo tempo em que ele experimentava repetidas vis&otilde;es e &ecirc;xtases m&iacute;sticos, fazia outros milagres, continuava a percorrer a regi&atilde;o em prega&ccedil;&otilde;es, e multid&otilde;es acorriam para v&ecirc;-lo e toc&aacute;-lo. No Natal de 1223 foi convidado pelo senhor de Greccio para celebrar a festa numa gruta com pastores e animais, desejando recriar o nascimento de Cristo em Bel&eacute;m, sendo a origem da tradi&ccedil;&atilde;o dos pres&eacute;pios.<\/p>\n<p>\nNa primavera seguinte viajou para a Porci&uacute;ncula a fim de assistir a reuni&atilde;o do Cap&iacute;tulo Geral, e em seguida retirou-se para o santu&aacute;rio do Monte Alverne, acompanhado dos irm&atilde;os Leo, Ruffino, Angelo, Silvestre, Illuminato, Masseo e talvez tamb&eacute;m Bonizzo. Muitas vezes os deixava e se embrenhava nas matas, a fim de meditar solit&aacute;rio, levando consigo apenas os Evangelhos e comendo muito pouco. As vezes o Irm&atilde;o Leo, em segredo, o observava, e por mais de uma vez testemunhou seus &ecirc;xtases e viu parte das vis&otilde;es que o santo via.<\/p>\n<p>\nNos estados contemplativos eram-lhe reveladas por Deus n&atilde;o somente coisas do presente, mais tamb&eacute;m do futuro, assim como lhe fazia conhecer as d&uacute;vidas, os secretos desejos e os pensamentos dos irm&atilde;os. Numa dessas ocasi&otilde;es, segundo relata a colet&acirc;nea I Fioretti di San Francesco, o Irm&atilde;o Leo o viu levar a m&atilde;o ao peito e parecer tirar algo de l&aacute; e oferecer a uma l&iacute;ngua de fogo que descera sobre ele.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>ESTIGMATIZA&Ccedil;&Atilde;O<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nDurante uma dessas medita&ccedil;&otilde;es, em 14 de setembro de 1224, no dia da festa da Exalta&ccedil;&atilde;o da Cruz, Francisco viu a figura de um homem com seis asas, semelhante a um serafim, e pregado a uma cruz, e &agrave; medida em que continuava na contempla&ccedil;&atilde;o, que lhe dava imensa felicidade mas era sombreada de tristeza, sentiu se abrirem em seu corpo as feridas que o tornaram uma imita&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio Cristo crucificado. Foi, dessa forma, o primeiro crist&atilde;o a ser estigmatizado, mas enquanto isso lhe trazia alegria, sendo um sinal do favor divino, foi-lhe motivo de muito embara&ccedil;o e sofrimento f&iacute;sico.<\/p>\n<p>\nSempre tentou ocultar os estigmas com faixas e seu h&aacute;bito, e poucos irm&atilde;os os viram enquanto ele viveu. Mas eles lhe causavam muita dor e com isso dificultavam seus movimentos, al&eacute;m de sangrarem com frequ&ecirc;ncia. Muitas vezes teve de ser carregado por n&atilde;o poder andar, ou teve de viajar sobre uma mula, o que n&atilde;o era permitido aos irm&atilde;os por ser um luxo.<\/p>\n<p>\nTamb&eacute;m padeceu de outras enfermidades, ficou quase cego, e as suas dores de cabe&ccedil;a eram terr&iacute;veis, mas apesar de receber ordem de procurar tratamento, os m&eacute;dicos nada puderam fazer para alivi&aacute;-lo. Passou algum tempo sob os cuidados de Clara, e ali deve ter composto, em 1225, seu C&acirc;ntico ao irm&atilde;o Sol, mas sua condi&ccedil;&atilde;o se deteriorava diariamente, e ditou seu Testamento.<\/p>\n<p>\nMelhorou ent&atilde;o, e viajou para um eremit&eacute;rio perto de Cortona, mas ali piorou novamente, e foi levado para Assis, hospedando-se na casa do bispo em meados de 1226. Pouco depois, pediu para ser levado &agrave; Porci&uacute;ncula, para que pudesse morrer entre os irm&atilde;os.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>MORTE<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nSentindo a morte pr&oacute;xima, solicitou a uma amiga romana, a nobre Jacopa de&#8217; Settesoli, que trouxesse o necess&aacute;rio para seu sepultamento, e tamb&eacute;m alguma comida bem preparada, que ele havia provado em sua resid&ecirc;ncia em Roma e que deveria aliviar seu sofrimento.<\/p>\n<p>\nFoi despedir-se de Clara e das irm&atilde;s em S&atilde;o Dami&atilde;o e voltou &agrave; Porci&uacute;ncula, deu instru&ccedil;&otilde;es para ser sepultado nu, e no por do sol de 3 de outubro de 1226, depois de ler algumas passagens do Evangelho, faleceu rodeado de seus companheiros, nobres amigos e outras personalidades. As fontes antigas dizem que nesse momento um bando de aves veio pousar no telhado e cantou.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" height=\"311\" width=\"465\" align=\"absMiddle\" src=\"\/UserFiles\/Image\/religiosos\/santos\/sao_francisco_de_assis_morte_465.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Logo em seguida o Irm&atilde;o Elias notificou a todos de seu desaparecimento e divulgou sua estigmatiza&ccedil;&atilde;o, at&eacute; ali mantida em sigilo, seu corpo foi examinado por muitas testemunhas a fim de comprov&aacute;-lo, e o povo de Assis e dos arredores acorreu para prestar-lhe sua &uacute;ltima homenagem.<\/p>\n<p>\nFoi enterrado no dia seguinte na igreja de S&atilde;o Jorge. Menos de dois anos depois, o papa Greg&oacute;rio IX foi pessoalmente para Assis para canoniz&aacute;-lo, o que aconteceu em 6 de julho de 1228 com grande pompa. Em 1230 foi inaugurada uma nova bas&iacute;lica em Assis, que recebeu seu nome e hoje guarda as suas rel&iacute;quias e abriga o seu t&uacute;mulo definitivo.<\/p>\n<p><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"311\" width=\"465\" align=\"absMiddle\" src=\"\/UserFiles\/Image\/religiosos\/santos\/sao_francisco_de_assis_basilica_papal_assis_umbria_italia_465.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>A bas&iacute;lica foi decorada no fim do s&eacute;culo XIII por Giotto di Bondone com  uma grande s&eacute;rie de afrescos que retratam a vida do santo.<\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"> Bento XIV, em 25 de Mar&ccedil;o de 1754, elevou-a &agrave; dignidade de Bas&iacute;lica Patriarcal e Capela Papal.<br \/>\n<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 17 minutos Assis(It&aacute;lia) &#8211; O t&uacute;mulo de S&atilde;o Francisco de Assis acaba de reabrir ao p&uacute;blico na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[40],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4746"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4746"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4746\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}