{"id":4870,"date":"2011-05-05T00:00:00","date_gmt":"2011-05-05T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2011-05-05T00:00:00","modified_gmt":"2011-05-05T00:00:00","slug":"PGR-reafirma-opiniao-pelo-reconhecimento-de-unioes-homoafetivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2011\/05\/05\/PGR-reafirma-opiniao-pelo-reconhecimento-de-unioes-homoafetivas\/","title":{"rendered":"PGR reafirma opini\u00e3o pelo reconhecimento de uni\u00f5es homoafetivas"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 5 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\"><em><strong>Em manifesta&ccedil;&atilde;o no STF, Roberto Gurgel reafirma posi&ccedil;&atilde;o do MPF na ADI 4277.<\/strong><\/em><\/span><\/span><\/p>\n<p><strong>Bras&iacute;lia(DF) &#8211; <\/strong>Durante manifesta&ccedil;&atilde;o no Supremo Tribunal Federal(<span style=\"font-family: Arial;\">STF<\/span>), no julgamento da a&ccedil;&atilde;o direta de inconstitucionalidade(<span style=\"font-family: Arial;\">ADI<\/span>) 4277, ocorrida nesta quarta-feira(<span style=\"font-family: Arial;\">04Maio2011<\/span>), o procurador-geral da Rep&uacute;blica, Roberto Gurgel, reafirmou o posicionamento do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal favor&aacute;vel ao reconhecimento da uni&atilde;o entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar, desde que atendidos os requisitos exigidos para constitui&ccedil;&atilde;o da uni&atilde;o est&aacute;vel entre casais heterossexuais.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nRoberto Gurgel lembrou que a ADI foi ajuizada, em julho de 2009, pela vice-procuradora-geral da Rep&uacute;blica, Deborah Duprat, ent&atilde;o procuradora-geral da Rep&uacute;blica em exerc&iacute;cio. Ele afirmou que, durante a argumenta&ccedil;&atilde;o, acompanharia a linha de argumenta&ccedil;&atilde;o da colega, a partir da premissa de que os os homossexuais devem ser tratados com o mesmo respeito e considera&ccedil;&atilde;o exigidos aos demais cidad&atilde;os. Para Gurgel, a recusa estatal ao reconhecimento dessas uni&otilde;es n&atilde;o implica somente a priva&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de direitos importantes, de conte&uacute;do patrimonial e extrapatrimonial, consistindo no menosprezo &agrave; pr&oacute;pria identidade e dignidade dessa parcela da popula&ccedil;&atilde;o brasileira.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nSegundo a tese sustentada na a&ccedil;&atilde;o, deve-se extrair dos princ&iacute;pios da dignidade da pessoa humana, da igualdade, da veda&ccedil;&atilde;o de discrimina&ccedil;&otilde;es odiosas, da liberdade e da prote&ccedil;&atilde;o &agrave; seguran&ccedil;a jur&iacute;dica, presentes na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, o reconhecimento da uni&atilde;o entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nEm sua considera&ccedil;&atilde;o acerca da viola&ccedil;&atilde;o do preceito da igualdade, o PGR declarou que todas as pessoas t&ecirc;m o mesmo direito de formular e perseguir seus respectivos planos de vida, al&eacute;m de buscar a pr&oacute;pria realiza&ccedil;&atilde;o existencial, desde que n&atilde;o impliquem a viola&ccedil;&atilde;o dos direitos de terceiros. De acordo com Gurgel, a legisla&ccedil;&atilde;o infraconstitucional brasileira n&atilde;o pode tratar de forma diferente os homossexuais e heterossexuais. &ldquo;<em>Na verdade, a igualdade impede que se negue aos integrantes de um grupo a possibilidade de desfrutarem de algum direito, apenas em raz&atilde;o de preconceito relacionado ao seu modo de vida<\/em>&rdquo;, comentou.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nO procurador-geral da Rep&uacute;blica esclareceu que a proibi&ccedil;&atilde;o de discrimina&ccedil;&otilde;es relacionadas &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o sexual tamb&eacute;m est&aacute; presente no Art. 3&ordm; , IV, da constitui&ccedil;&atilde;o, que estabeleceu como objetivo fundamental da Rep&uacute;blica promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, ra&ccedil;a, sexo, cor, idade e de quaisquer outras formas.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nGurgel salientou que a ordem constitucional tutela a fam&iacute;lia, mas isso n&atilde;o corresponde &agrave; exist&ecirc;ncia de uma redoma jur&iacute;dica para abrig&aacute;-la perante as tend&ecirc;ncias liberais e igualit&aacute;rias que ganham corpo na sociedade contempor&acirc;nea, entre as quais se insere o movimento de afirma&ccedil;&atilde;o dos direitos dos homossexuais. Ele afirmou que o paradigma legal de 88 instituiu fam&iacute;lias assentadas no afeto e na igualdade e que o reconhecimento jur&iacute;dico entre pessoas do mesmo sexo n&atilde;o enfraquece a unidade familiar. &ldquo;<em>Proporcionar &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es est&aacute;veis afetivas mantidas por homossexuais, que s&atilde;o fam&iacute;lias no sentido ontol&oacute;gico, a tutela legal de que s&atilde;o merecedoras, fortalece a fam&iacute;lia<\/em>&rdquo;, concluiu.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><br \/>\nDignidade da pessoa humana<\/strong><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nO n&atilde;o reconhecimento da uni&atilde;o entre pessoas do mesmo sexo, segundo o PGR, priva os parceiros homossexuais do acesso a direitos importantes que s&atilde;o atribu&iacute;dos aos companheiros na uni&atilde;o est&aacute;vel, tais como direitos a alimentos, sucess&oacute;rios e previdenci&aacute;rios. Por outro lado, ela constitui um estigma que explicita a desvaloriza&ccedil;&atilde;o pelo Estado do modo de ser do homossexual, rebaixando-o &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;o de segunda classe. Essas e outras priva&ccedil;&otilde;es exp&otilde;em os casais homoafetivos a situa&ccedil;&otilde;es de risco social injustificado, atentando contra a dignidade deles, em que pode haver comprometimento &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es materiais m&iacute;nimas para a vida digna, simbolizando que a afetividade dos homossexuais n&atilde;o tem valor e n&atilde;o merece respeito social.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><br \/>\nDireito &agrave; liberdade<\/strong><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nRoberto Gurgel afirmou tamb&eacute;m que um dos aspectos essenciais &agrave; liberdade exist&ecirc;ncia, constitucionalmente concebida, diz respeito &agrave; autonomia de cada individuo na escolha da pessoa com a qual pretende manter rela&ccedil;&otilde;es afetivas est&aacute;veis de car&aacute;ter familiar. Ele destacou que &eacute; na fam&iacute;lia, em geral, que o indiv&iacute;duo trava suas rela&ccedil;&otilde;es mais profundas e duradoura, encontra o suporte espiritual para os seus projetos de vida, al&eacute;m do apoio moral nos momentos de maior dificuldade. Para isso, sua constitui&ccedil;&atilde;o deve consistir num ato de liberdade na escolha do parceiro ou parceira com quem se pretende compartilhar a vida. Pode-se apontar a inconstitucionalidade de qualquer ato estatal que limite tais escolhas pessoais, circunscrevendo o rol de entidades familiares, segundo entendimento preconcebidos arraigados a preconceitos de natureza cultural, religiosa, pol&iacute;tica ou ideol&oacute;gica.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Prote&ccedil;&atilde;o &agrave; seguran&ccedil;a jur&iacute;dica<\/strong><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nO PGR explicitou que, independentemente do n&atilde;o reconhecimento oficial, a uni&atilde;o entre pessoas do mesmo sexo acontece no plano dos fatos. A an&aacute;lise de dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica(<span style=\"font-family: Arial;\">IBGE<\/span>), que indicam a exist&ecirc;ncia de, no m&iacute;nimo, 60 mil casais homoafetivos no pa&iacute;s, cria uma s&eacute;rie de quest&otilde;es jur&iacute;dicas que necessitam de resposta. A imprevis&atilde;o de um regime jur&iacute;dico espec&iacute;fico para essas entidades gera problemas para os participantes desses relacionamentos e para terceiros.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>ADPF 132<\/strong><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nO mesmo julgamento analisa a argui&ccedil;&atilde;o de descumprimento de preceito fundamental(<span style=\"font-family: Arial;\">ADPF<\/span>) 132, ajuizada pelo governo do Rio de Janeiro, que pede a aplica&ccedil;&atilde;o do regime jur&iacute;dico das uni&otilde;es est&aacute;veis, previsto no artigo 1.723 do C&oacute;digo Civil, &agrave;s uni&otilde;es homoafetivas de servidores p&uacute;blicos civis do Rio de Janeiro. O atendimento ao pedido reconheceria que os direitos desfrutados por casais heterossexuais tamb&eacute;m seriam aplicados &agrave;s uni&otilde;es entre homossexuais, em rela&ccedil;&atilde;o a dispositivos do Estatuto dos Servidores P&uacute;blicos Civis do Estado.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-size: x-small;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><em>* Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Procuradoria Geral da Rep&uacute;blica.<\/em><\/strong><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 5 minutos Em manifesta&ccedil;&atilde;o no STF, Roberto Gurgel reafirma posi&ccedil;&atilde;o do MPF na ADI 4277. 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