{"id":4986,"date":"2011-05-26T00:00:00","date_gmt":"2011-05-26T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2011-05-26T00:00:00","modified_gmt":"2011-05-26T00:00:00","slug":"Divisao-gay-da-policia-ajuda-a-combater-os-crimes-homofobicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2011\/05\/26\/Divisao-gay-da-policia-ajuda-a-combater-os-crimes-homofobicos\/","title":{"rendered":"Divis\u00e3o gay da pol\u00edcia ajuda a combater os crimes homof\u00f3bicos"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 5 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\"><em><strong>Proposta de Jair Bolsonaro, que sugeriu criar &#8216;batalh&atilde;o gay&#8217; no Rio de Janeiro, foi levada a s&eacute;rio em Berlim e se espalhou por oito estados alem&atilde;es.<\/strong><\/em><\/span><\/span><\/p>\n<p><strong> Berlim(Alemanha) &#8211; <\/strong>&quot;<em>Eu sou gay e isso &eacute; bom<\/em>&quot;. Com esta frase, o atual prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, declarou em 2001 sua homossexualidade em plena campanha eleitoral. E venceu. Wowereit est&aacute; cotado para ser pr&oacute;ximo candidato a chanceler pelo SPD(<span style=\"font-family: Arial;\">Partido Social Democrata<\/span>), uma prova de que sua for&ccedil;a pol&iacute;tica n&atilde;o se abalou &ndash; <em>ou talvez tenha at&eacute; se beneficiado<\/em> &ndash; com o fato de assumir publicamente sua op&ccedil;&atilde;o sexual. &Agrave;quela altura, no entanto, n&atilde;o se pode dizer que a atitude do pol&iacute;tico, apesar de corajosa, tenha sido uma ruptura radical nas institui&ccedil;&otilde;es alem&atilde;s.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" height=\"349\" align=\"absMiddle\" width=\"465\" src=\"\/UserFiles\/Image\/internacional\/alemanha_klaus_wowereit_wowi_prefeito_de_berlim_465.JPG\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Antes de Wowereit<strong>(<span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\">Foto acima<\/span><\/span>)<\/strong> &#8216;<em>sair do arm&aacute;rio<\/em>&#8216;, os policiais de Berlim j&aacute; haviam criado a Vespol, Associa&ccedil;&atilde;o de Policiais Gays e L&eacute;sbicas da Alemanha, tornando-se pioneiros do &quot;<em>coming out<\/em>&quot; nas institui&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" height=\"311\" align=\"absMiddle\" width=\"465\" alt=\"\" src=\"\/UserFiles\/Image\/politicos\/deputado_federal_rj_jair_messias_bolsonaro_465.jpg\" \/><\/p>\n<p>&Eacute; certo que entre o alcaide berlinense e o deputado federal brasileiro Jair Bolsonaro<\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><strong>(<span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\">Foto acima<\/span><\/span>)<\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">, do PP do Rio de Janeiro, h&aacute; bem mais que um Oceano Atl&acirc;ntico de dist&acirc;ncia. Mas aos olhos de quem se acostumou a ver com naturalidade policiais assumidamente homossexuais, reunidos em um grupamento dedicado a combater a homofobia, a ironia da proposta desta semana de Bolsonaro &ndash; <em>que sugeriu a cria&ccedil;&atilde;o de um batalh&atilde;o gay no Rio<\/em> &ndash; oscila entre a gra&ccedil;a e a defesa radical da diversidade. Para o deputado brasileiro &#8216;<em>arrancar os esmaltes de raiva<\/em>&#8216;, em Berlim a coisa deu certo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" height=\"311\" align=\"absMiddle\" width=\"465\" alt=\"\" src=\"\/UserFiles\/Image\/internacional\/eventos\/alemanha_berlim_policiais_vespol_465.jpg\" \/><br \/>\n<\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><strong><span style=\"line-height: 18px;\" class=\"Apple-style-span\">Policiais  da Vespol em Berlim: grupo tem atua&ccedil;&atilde;o semelhante aos demais agentes,  mas &eacute; a refer&ecirc;ncia para casos em que h&aacute; motiva&ccedil;&atilde;o homof&oacute;bica no crime.<\/span><\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nA Vespol, criada em 1995, foi fundada por problemas internos   enfrentados pelos policiais homossexuais. &quot;<em>No relat&oacute;rio anual foi   declarado que em determinado batalh&atilde;o n&atilde;o havia gays, o que era falso.   Isso causou inc&ocirc;modo em todos os homossexuais. Foi marcada, ent&atilde;o, uma   reuni&atilde;o para discutir o assunto<\/em>&quot;, conta o policial e um dos diretores da   Vespol Alemanha, Marcus Hentschel.<\/p>\n<p>\nO tema que era tabu  reuniu a princ&iacute;pio 20 policiais. Hoje, s&oacute; em Berlim  os assumidos e  militantes s&atilde;o mais de mil. A organiza&ccedil;&atilde;o tem  representantes em oito  estados alem&atilde;es e funciona como uma esp&eacute;cie de  delegacia para  homossexuais. Os policiais que nela trabalham executam  tarefas iguais a  de todos os outros, mas s&atilde;o chamados quando h&aacute;  viol&ecirc;ncia contra um  homossexual e desenvolvem programas preventivos nas  ruas e contra a  homofobia.<\/p>\n<p>\nGuardadas as diferen&ccedil;as entre Alemanha e Brasil &ndash; <em>e  as nuances de  mentalidade entre capitais e pequenas cidades em um pa&iacute;s  de dimens&otilde;es  continentais<\/em> &ndash; a Vespol tem muito a ensinar. Segundo  Hentschel, o grande  problema que a associa&ccedil;&atilde;o enfrenta &eacute; a falta de  estat&iacute;sticas. &quot;<em>Ele  apanhou porque &eacute; homossexual ou por outro motivo?  Esta pergunta  dificilmente &eacute; respondida nas atas policiais, o que  dificulta nossa  avalia&ccedil;&atilde;o e capta&ccedil;&atilde;o de recursos. Crimes contra  homossexuais e minorias  precisam ser corretamente registrados para que  tenhamos mais informa&ccedil;&otilde;es  para combat&ecirc;-los<\/em>&quot;, diz o policial.<\/p>\n<p>\nApesar da especializa&ccedil;&atilde;o no combate &agrave; homofobia e nos avan&ccedil;os que a   Vespol tem obtido, Hentschel tamb&eacute;m explica que fica dif&iacute;cil avaliar se a   viol&ecirc;ncia contra homossexuais diminuiu ou n&atilde;o. &quot;<em>Dif&iacute;cil dizer. &Eacute; uma   viol&ecirc;ncia que se sente mas que n&atilde;o se registra. E &eacute; nisso que nos   debru&ccedil;amos agora, em n&uacute;meros para que possamos trabalhar melhor nossas   campanhas<\/em>&quot;.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"311\" align=\"absMiddle\" width=\"465\" alt=\"\" src=\"\/UserFiles\/Image\/internacional\/eventos\/alemanha_vespol_policiais_femininas_465.jpg\" \/><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><strong><span style=\"font-family: Arial;\">Policiais femininas da Vespol: gays e l&eacute;sbicas que sofriam preconceito dentro da pol&iacute;cia se reuniram para criar a nova divis&atilde;o.<\/span><\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; campanha brasileira contra a homofobia, Hentschel considera a iniciativa positiva, mas acredita que ela, sozinha, n&atilde;o basta. Uma das chaves para a mudan&ccedil;a, acredita ele, est&aacute; no trabalho que envolve cidad&atilde;o e pol&iacute;cia. &quot;<em>Os homossexuais precisam aprender a procurar ajuda, a denunciar. Para isso estamos aqui, mas leva tempo para que o cidad&atilde;o aprenda a usar o servi&ccedil;o<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nA experi&ecirc;ncia com a cria&ccedil;&atilde;o de unidades especiais, e com a postura assumida dos agentes que se declararam homossexuais, criou, na Alemanha, um ambiente mais favor&aacute;vel &agrave; den&uacute;ncia. &quot;<em>Os homossexuais quando procuravam a pol&iacute;cia eram discriminados e n&atilde;o eram levados a s&eacute;rio. Criava-se uma distor&ccedil;&atilde;o nos registros oficiais: n&atilde;o se registrava e, portanto, n&atilde;o havia a v&iacute;tima. Logo, n&atilde;o havia o crime. O resultado &eacute; que n&atilde;o existiam recursos para combater um crime que, formalmente, n&atilde;o acontece<\/em>&quot;, explica ele.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"311\" align=\"absMiddle\" width=\"465\" alt=\"\" src=\"\/UserFiles\/Image\/internacional\/eventos\/alemanha_vespol_policial_marcus_hentschel_465.jpg\" \/><br \/>\n<\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"line-height: 18px;\" class=\"Apple-style-span\"><b>Marcus Hentschel, da Vespol: &quot;<\/b><\/span><em><span style=\"line-height: 18px;\" class=\"Apple-style-span\"><b>Os homossexuais, quando procuravam a pol&iacute;cia, <\/b><\/span><span style=\"line-height: 18px;\" class=\"Apple-style-span\"><b>n&atilde;o eram levados a s&eacute;rio<\/b><\/span><\/em><span style=\"line-height: 18px;\" class=\"Apple-style-span\"><b>&quot;.<\/b><\/span><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nMarcus Hentschel entrou para o curso preparat&oacute;rio da pol&iacute;cia e no meio do processo se descobriu homossexual. A princ&iacute;pio, n&atilde;o quis falar de sua escolha para ningu&eacute;m, at&eacute; ouvir coment&aacute;rios desnecess&aacute;rios de colegas. Pesquisando na internet por algum tipo de apoio, descobriu a exist&ecirc;ncia da Vespol, onde hoje atua como parte da diretoria. Aos 34 anos, casado com um tamb&eacute;m policial e associado &agrave; Vespol, Hentschel percebe que h&aacute; mais toler&acirc;ncia hoje do que h&aacute; 16 anos, quando a institui&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ou. &quot;<em>H&aacute; mais aceita&ccedil;&atilde;o, e a divis&atilde;o passou a acumular experi&ecirc;ncia e conhecimento no tratamento de todo tipo de ass&eacute;dio. A mensagem &eacute; clara: n&atilde;o precisa gostar do fato de eu ser homossexual, mas precisa respeitar<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\n<span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-size: x-small;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>* Veja.<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 5 minutos Proposta de Jair Bolsonaro, que sugeriu criar &#8216;batalh&atilde;o gay&#8217; no Rio de Janeiro, foi levada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[10],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4986"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4986"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4986\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4986"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4986"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4986"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}