{"id":5093,"date":"2011-06-15T00:00:00","date_gmt":"2011-06-18T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2011-06-15T00:00:00","modified_gmt":"2011-06-15T00:00:00","slug":"STF-libera-realizacao-da-marcha-da-maconha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2011\/06\/15\/STF-libera-realizacao-da-marcha-da-maconha\/","title":{"rendered":"STF libera realiza\u00e7\u00e3o da marcha da maconha"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 6 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<strong><span style=\"font-family: Verdana;\">Bras&iacute;lia(DF) &#8211;<\/span><\/strong><span style=\"font-family: Arial;\"> <\/span>Em decis&atilde;o un&acirc;nime(<span style=\"font-family: Arial;\">8 votos<\/span>), o Supremo Tribunal Federal(<span style=\"font-family: Arial;\">STF<\/span>) liberou a realiza&ccedil;&atilde;o dos eventos chamados &ldquo;<em>marcha da maconha<\/em>&rdquo;, que re&uacute;nem manifestantes favor&aacute;veis &agrave; descriminaliza&ccedil;&atilde;o da droga. Para os ministros, os direitos constitucionais de reuni&atilde;o e de livre express&atilde;o do pensamento garantem a realiza&ccedil;&atilde;o dessas marchas. Muitos ressaltaram que a liberdade de express&atilde;o e de manifesta&ccedil;&atilde;o somente pode ser proibida quando for dirigida a incitar ou provocar a&ccedil;&otilde;es ilegais e iminentes.<\/p>\n<p>\nPela decis&atilde;o, tomada no julgamento de a&ccedil;&atilde;o(<span style=\"font-family: Arial;\">ADPF 187<\/span>) ajuizada pela Procuradoria-Geral da Rep&uacute;blica(<span style=\"font-family: Arial;\">PGR<\/span>), o artigo 287 do C&oacute;digo Penal deve ser interpretado conforme a Constitui&ccedil;&atilde;o de forma a n&atilde;o impedir manifesta&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas em defesa da legaliza&ccedil;&atilde;o de drogas. O dispositivo tipifica como crime fazer apologia de &quot;<em>fato criminoso<\/em>&quot; ou de &quot;<em>autor do crime<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nO voto do decano da Corte, ministro Celso de Mello, foi seguido integralmente pelos colegas. Segundo ele, a &ldquo;marcha da maconha&rdquo; &eacute; um movimento social espont&acirc;neo que reivindica, por meio da livre manifesta&ccedil;&atilde;o do pensamento, &ldquo;a possibilidade da discuss&atilde;o democr&aacute;tica do modelo proibicionista (do consumo de drogas) e dos efeitos que (esse modelo) produziu em termos de incremento da viol&ecirc;ncia&rdquo;.<\/p>\n<p>\nAl&eacute;m disso, o ministro considerou que o evento possui car&aacute;ter nitidamente cultural, j&aacute; que nele s&atilde;o realizadas atividades musicais, teatrais e perform&aacute;ticas, e cria espa&ccedil;o para o debate do tema por meio de palestras, semin&aacute;rios e exibi&ccedil;&otilde;es de document&aacute;rios relacionados &agrave;s pol&iacute;ticas p&uacute;blicas ligadas &agrave;s drogas, sejam elas l&iacute;citas ou il&iacute;citas.<\/p>\n<p>\nCelso de Mello explicou que a mera proposta de descriminaliza&ccedil;&atilde;o de determinado il&iacute;cito penal n&atilde;o se confunde com o ato de incita&ccedil;&atilde;o &agrave; pr&aacute;tica do delito nem com o de apologia de fato criminoso. &ldquo;<em>O debate sobre aboli&ccedil;&atilde;o penal de determinadas condutas pun&iacute;veis pode ser realizado de forma racional, com respeito entre interlocutores, ainda que a ideia, para a maioria, possa ser eventualmente considerada estranha, extravagante, inaceit&aacute;vel ou perigosa<\/em>&rdquo;, ponderou.<\/p>\n<p>\nMesmo acompanhando o relator, o ministro Luiz Fux achou necess&aacute;rio estabelecer par&acirc;metros para a realiza&ccedil;&atilde;o das manifesta&ccedil;&otilde;es. Fux ressaltou que elas devem ser pac&iacute;ficas, sem uso de armas e incita&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia. Tamb&eacute;m devem ser previamente noticiadas &agrave;s autoridades p&uacute;blicas, inclusive com informa&ccedil;&otilde;es como data, hor&aacute;rio, local e objetivo do evento.<\/p>\n<p>\nEle acrescentou ser &ldquo;<em>imperioso que n&atilde;o haja incita&ccedil;&atilde;o, incentivo ou est&iacute;mulo ao consumo de entorpecentes<\/em>&rdquo; durante a marcha e deixou expresso que n&atilde;o pode haver consumo de entorpecentes no evento.<\/p>\n<p>\nPor fim, ressaltou que crian&ccedil;as e adolescentes n&atilde;o podem ser engajados nessas marchas. &ldquo;<em>Se a Constitui&ccedil;&atilde;o cuidou de prever a prote&ccedil;&atilde;o dos menores dependentes qu&iacute;micos, &eacute; corol&aacute;rio dessa previs&atilde;o que se vislumbre um prop&oacute;sito constitucional de evitar tanto quanto poss&iacute;vel o contato das crian&ccedil;as e dos adolescentes com a droga e com o risco eventual de uma depend&ecirc;ncia<\/em>&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p>\nNesse ponto, o ministro Celso de Mello observou que o dispositivo legal que estabelece o dever dos pais em rela&ccedil;&atilde;o a seus filhos menores &eacute; uma regra que se imp&otilde;e por si mesma, por sua pr&oacute;pria autoridade. Ele acrescentou que demais restri&ccedil;&otilde;es impostas a eventos como a &ldquo;marcha da maconha&rdquo; est&atilde;o determinados na pr&oacute;pria Constitui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\nA ministra C&aacute;rmen L&uacute;cia Antunes Rocha acompanhou o voto do relator citando a seguinte afirma&ccedil;&atilde;o de um jurista americano: &ldquo;<em>Se, em nome da seguran&ccedil;a, abrirmos m&atilde;o da liberdade, amanh&atilde; n&atilde;o teremos nem liberdade nem seguran&ccedil;a<\/em>&rdquo;. Ela manifestou simpatia por manifesta&ccedil;&otilde;es de rua e lembrou que, h&aacute; 30 anos, sua gera&ccedil;&atilde;o era impedida de se expressar pela mudan&ccedil;a de governo na Pra&ccedil;a Afonso Arinos, cont&iacute;gua &agrave; Faculdade de Direito, em Belo Horizonte(<span style=\"font-family: Arial;\">MG<\/span>), onde a ministra se formou.<\/p>\n<p>\nSegundo C&aacute;rmen L&uacute;cia, &eacute; necess&aacute;rio assegurar o direito de manifesta&ccedil;&atilde;o sobre a criminaliza&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o do uso da maconha, pois manifesta&ccedil;&otilde;es como essas podem conduzir a modifica&ccedil;&otilde;es de leis.<\/p>\n<p>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><br \/>\nLiberdade de reuni&atilde;o<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO ministro Ricardo Lewandowski fez quest&atilde;o de chamar aten&ccedil;&atilde;o para o ponto do voto do ministro Celso de Mello que tratou do regime jur&iacute;dico da liberdade de reuni&atilde;o. Para Lewandowski, esse trecho do voto &eacute; uma not&aacute;vel contribui&ccedil;&atilde;o do decano da Corte para a doutrina das liberdades p&uacute;blicas. Ap&oacute;s fazer uma an&aacute;lise sobre o que seria droga, tanto hoje quanto no futuro, o ministro disse entender n&atilde;o ser l&iacute;cito coibir qualquer discuss&atilde;o sobre drogas, desde que respeitados os ditames constitucionais.<\/p>\n<p>\nJ&aacute; o ministro Ayres Britto afirmou que &ldquo;<em>a liberdade de express&atilde;o &eacute; a maior express&atilde;o da liberdade, que &eacute; tonificada quando exercitada gregariamente, conjuntamente, porque a dignidade da pessoa humana n&atilde;o se exaure no gozo de direitos rigorosamente individuais, mas de direitos que s&atilde;o direitos coletivamente experimentados<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\nA ministra Ellen Gracie, por sua vez, lembrou aos colegas que integra comiss&atilde;o internacional que estuda a descriminaliza&ccedil;&atilde;o das drogas. &ldquo;<em>Sinto-me inclusive aliviada de que minha liberdade de pensamento e de express&atilde;o de pensamento esteja garantida<\/em>&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>\nPara o ministro Marco Aur&eacute;lio, as decis&otilde;es do Poder Judici&aacute;rio coibindo a realiza&ccedil;&atilde;o de atos p&uacute;blicos favor&aacute;veis &agrave; legaliza&ccedil;&atilde;o das drogas simplesmente porque o uso da maconha &eacute; ilegal s&atilde;o incompat&iacute;veis com a garantia constitucional da liberdade de express&atilde;o. &ldquo;<em>Mesmo quando a ades&atilde;o coletiva se revela improv&aacute;vel, a simples possibilidade de proclamar publicamente certas ideias corresponde ao ideal de realiza&ccedil;&atilde;o pessoal e de demarca&ccedil;&atilde;o do campo da individualidade<\/em>&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>\n&Uacute;ltimo a votar, o presidente do Supremo, ministro Cezar Peluso, salientou que a liberdade de express&atilde;o &eacute; uma emana&ccedil;&atilde;o direta do valor supremo da dignidade da pessoa humana e um fator de forma&ccedil;&atilde;o e aprimoramento da democracia.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>Desse ponto de vista<\/em>(<span style=\"font-family: Arial;\">a liberdade de express&atilde;o<\/span>), <em>&eacute; um fator relevante da constru&ccedil;&atilde;o e do resguardo da democracia, cujo pressuposto indispens&aacute;vel &eacute; o pluralismo ideol&oacute;gico<\/em>&rdquo;, disse. Ele acrescentou que liberdade de express&atilde;o &ldquo;<em>s&oacute; pode ser proibida quando for dirigida a incitar ou provocar a&ccedil;&otilde;es ilegais iminentes<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\nPor fim, o ministro advertiu que &ldquo;<em>o Estado tem que, em respeito &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e ao direito infraconstitucional, tomar, como em todas as reuni&otilde;es, as cautelas necess&aacute;rias para prevenir os eventuais abusos<\/em>&rdquo;. Mas ressaltou: &ldquo;Isso n&atilde;o significa que liberdade em si n&atilde;o mere&ccedil;a a prote&ccedil;&atilde;o constitucional e o reconhecimento desta Corte&rdquo;.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 6 minutos Bras&iacute;lia(DF) &#8211; Em decis&atilde;o un&acirc;nime(8 votos), o Supremo Tribunal Federal(STF) liberou a realiza&ccedil;&atilde;o dos eventos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[25],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5093"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5093"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5093\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5093"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5093"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5093"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}