{"id":5401,"date":"2011-09-15T00:00:00","date_gmt":"2011-09-15T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2011-09-15T00:00:00","modified_gmt":"2011-09-15T00:00:00","slug":"Aborto-e-visto-como-crime-pela-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2011\/09\/15\/Aborto-e-visto-como-crime-pela-midia\/","title":{"rendered":"Aborto \u00e9 visto como crime pela m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 3 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><em><span style=\"font-size: small;\"><br \/>\nAbordagem do aborto induzido por medicamentos ilegais na m&iacute;dia privilegia um enfoque policial. Raramente s&atilde;o focadas as raz&otilde;es e contextos das mulheres que o realizam, dizem especialistas.<\/span><\/em><\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><\/p>\n<p><strong>Bras&iacute;lia(DF) &#8211; <\/strong>A quest&atilde;o do aborto continua pol&ecirc;mica, por envolver posicionamentos que envolvem pol&iacute;tica, religi&atilde;o e valores morais. Na cobertura da m&iacute;dia sobre o misoprostol, medicamento que induz ao aborto cuja venda &eacute; proibida no Brasil desde 1991, estas muitas quest&otilde;es s&atilde;o afastadas, preferindo-se um enfoque policial com base no tema do com&eacute;rcio ilegal de medicamentos de g&ecirc;nero(<span style=\"font-family: Arial;\">grupo em que se incluem tamb&eacute;m rem&eacute;dios para emagrecimento, disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til e anabolizantes<\/span>).<\/p>\n<p>\nEsta tend&ecirc;ncia foi percebida pelo artigo &ldquo;<em>O com&eacute;rcio de medicamentos de g&ecirc;nero na m&iacute;dia impressa brasileira: misoprostol e mulheres<\/em>&rdquo;, publicado nos Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica este ano e de autoria de D&eacute;bora Diniz e Rosana Castro, da Universidade de Bras&iacute;lia. As pesquisadoras estudaram 524 not&iacute;cias de 62 ve&iacute;culos impressos, regionais e nacionais.<\/p>\n<p>\nComo explica o artigo, o misoprostol &eacute; um princ&iacute;pio ativo reconhecido pela ANVISA e pela OMS por sua a&ccedil;&atilde;o &ldquo;<em>terap&ecirc;utica de uso obst&eacute;trico, com efic&aacute;cia e seguran&ccedil;a comprovadas para provocar aborto at&eacute; a d&eacute;cima segunda semana de gesta&ccedil;&atilde;o<\/em>&rdquo;. Inicialmente comercializado no pa&iacute;s com a finalidade de combater a &uacute;lcera g&aacute;strica, hoje &eacute; proibida &ldquo;<em>tanto sua comercializa&ccedil;&atilde;o quanto seu uso fora de hospitais credenciados junto &agrave;s autoridades sanit&aacute;rias e sua propaganda publicit&aacute;ria em meio impresso ou virtual<\/em>&rdquo;, pela descoberta de que o medicamento estava sendo comprado para realiza&ccedil;&atilde;o de abortos.<\/p>\n<p>\nNas not&iacute;cias escolhidas, as autoras notaram que &ldquo;<em>o debate fundamentalmente moral&rdquo; era abandonado, havendo a escolha de se concentrar em &ldquo;den&uacute;ncias e apreens&otilde;es de medicamentos comercializados ilegalmente, tratando os agentes de controle governamental das &aacute;reas de seguran&ccedil;a p&uacute;blica e vigil&acirc;ncia sanit&aacute;ria como as principais fontes e vozes<\/em>&rdquo;. Neste contexto, do total de mat&eacute;rias pesquisadas, em apenas 64 havia men&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres que compraram os rem&eacute;dios ilegalmente, totalizando 74 mulheres entre 13 e 46 anos e sendo elas dividas em dois grupos: &ldquo;<em>as mulheres trabalhadoras<\/em>(<span style=\"font-family: Arial;\">60<\/span>) <em>e as jovens burguesas<\/em>(<span style=\"font-family: Arial;\">14<\/span>)&rdquo;.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>As mulheres trabalhadoras s&atilde;o empregadas dom&eacute;sticas, com pouca educa&ccedil;&atilde;o formal, j&aacute; com filhos e cujo companheiro &eacute; descrito como algu&eacute;m em uma rela&ccedil;&atilde;o extraconjugal, alienado pelo alcoolismo ou pelo desemprego. Para elas, o aborto &eacute; uma necessidade. As jovens burguesas s&atilde;o estudantes, mulheres descritas como relaxadas com os cuidados reprodutivos, mas cujo apoio familiar as protege com a garantia de realiza&ccedil;&atilde;o de um aborto seguro em cl&iacute;nica ilegal ou com a compra de misoprostol de boa qualidade. Para elas, o aborto &eacute; um recurso de planejamento reprodutivo<\/em>&rdquo;, diferenciam as autoras.<\/p>\n<p>\nPor fim, a pesquisa lembra que as dificuldades de se obter dados sobre a real extens&atilde;o da pr&aacute;tica do aborto no Brasil pode ser contornada com o aux&iacute;lio da m&iacute;dia, que aparece como &ldquo;<em>meio privilegiado de acesso a informa&ccedil;&otilde;es sobre o com&eacute;rcio ilegal de medicamentos de g&ecirc;nero e mais especificamente sobre o uso do misoprostol<\/em>&rdquo;. Por se tratar de pr&aacute;tica ilegal, o contato de pesquisadores com mulheres que fazem uso desta alternativa &eacute; limitado, sendo a m&iacute;dia um meio cujas informa&ccedil;&otilde;es podem se constituir &ldquo;<em>em fontes valiosas de pesquisa em sa&uacute;de p&uacute;blica<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\nPara ver o artigo na &iacute;ntegra, <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/csp\/v27n1\/10.pdf\"><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><strong>clique aqui<\/strong><\/span><\/a>.<br \/>\n<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-size: x-small;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><em>* Ag&ecirc;ncia Notisa.<\/em><\/strong><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 3 minutos Abordagem do aborto induzido por medicamentos ilegais na m&iacute;dia privilegia um enfoque policial. 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