{"id":5581,"date":"2011-10-27T00:00:00","date_gmt":"2011-10-27T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2011-10-27T00:00:00","modified_gmt":"2011-10-27T00:00:00","slug":"Senado-aprova-criacao-de-grupo-para-investigar-crimes-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2011\/10\/27\/Senado-aprova-criacao-de-grupo-para-investigar-crimes-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Senado aprova cria\u00e7\u00e3o de grupo para investigar crimes da ditadura"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 4 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\"><em><strong><span style=\"font-size: small;\"><br \/>\nComiss&atilde;o da Verdade ser&aacute; formada por sete integrantes escolhidos pela presidente Dilma.<\/span><\/strong><\/em><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><\/p>\n<p><strong>Bras&iacute;lia(DF) &#8211; <\/strong>O Senado aprovou em plen&aacute;rio e com vota&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, na noite desta quarta-feira(<span style=\"font-family: Arial;\">26Outubro2011<\/span>), o projeto de lei que cria a Comiss&atilde;o Nacional da Verdade. O &oacute;rg&atilde;o ser&aacute; respons&aacute;vel por investigar viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos que tenham sido cometidas entre 1946 e 1988, per&iacute;odo que inclui a ditadura militar(<span style=\"font-family: Arial;\">1964-1985<\/span>).<\/p>\n<p>\nO texto havia sido aprovado pela CCJ(<span style=\"font-family: Arial;\">Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o, Justi&ccedil;a e Cidadania<\/span>) do Senado no dia 19. Antes, em 21 de setembro, passou pela C&acirc;mara dos Deputados, onde ficou parado mais de um ano sem que fosse discutido. Agora, vai para san&ccedil;&atilde;o da presidente Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>\nA Comiss&atilde;o da Verdade ser&aacute; formada por sete integrantes, escolhidos pela presidente, e ter&aacute; dois anos para concluir seus trabalhos. Depois disso, apresentar&aacute; um relat&oacute;rio com conclus&otilde;es e recomenda&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\nO &oacute;rg&atilde;o n&atilde;o ter&aacute; poderes para processar ou punir qualquer pessoa que seja responsabilizada pelos crimes apurados. De acordo com o texto, a entidade ficar&aacute; vinculada &agrave; Casa Civil, que ser&aacute; respons&aacute;vel pelo &ldquo;<em>suporte t&eacute;cnico, administrativo e financeiro<\/em>&rdquo; para que ela funcione.<\/p>\n<p>\nCada um dos membros da Comiss&atilde;o da Verdade receber&aacute; uma remunera&ccedil;&atilde;o mensal de R$ 11.179,36 e ter&aacute; direito a passagens e di&aacute;rias em hot&eacute;is caso precise viajar no exerc&iacute;cio de suas fun&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\nO grupo colher&aacute; testemunhos, informa&ccedil;&otilde;es e documentos encaminhados de forma volunt&aacute;ria por seus portadores, mas ter&aacute; poderes para tamb&eacute;m pedir a &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos dados que sejam de seu interesse, incluindo os sigilosos.<\/p>\n<p>\nAlguns pontos do projeto de lei geraram discord&acirc;ncia, tanto dentro quanto fora do Congresso. De um lado, o bloco cr&iacute;tico &agrave; proposta teme que os trabalhos da Comiss&atilde;o ganhem um car&aacute;ter &ldquo;<em>revanchista<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\nNo entanto, a Lei da Anistia, de 1979, que foi referendada pelo STF(<span style=\"font-family: Arial;\">Supremo Tribunal Federal<\/span>) no ano passado, perdoou os crimes cometidos no regime militar, vetando a possibilidade de iniciar ou retomar julgamentos.<\/p>\n<p>\nPor outro lado, familiares de pessoas que foram mortas ou desapareceram durante a ditadura querem garantias de que militares n&atilde;o v&atilde;o fazer parte da comiss&atilde;o e reclamam do fato de que ela n&atilde;o ter&aacute; poderes para punir.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Experi&ecirc;ncias<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nMais de 20 pa&iacute;ses j&aacute; criaram comiss&otilde;es da verdade para investigar crimes e viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos ocorridas em per&iacute;odos ditatoriais ou de conflito social.<\/p>\n<p>\nEntre os exemplos que serviram de base &agrave; proposta brasileira, est&atilde;o os casos da Argentina, onde a Comisi&oacute;n Nacional sobre la Desaparici&oacute;n de Personas investigou a ditadura militar que governou o pa&iacute;s entre 1976 e 1983, e da &Aacute;frica do Sul, que teve a Truth and Reconciliation Commission para apurar viola&ccedil;&otilde;es ocorridas no per&iacute;odo do apartheid, regime de segrega&ccedil;&atilde;o racial que vigorou entre 1948 e 1994.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Relator<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nEm seu relat&oacute;rio sobre o projeto, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) disse que a Comiss&atilde;o da Verdade representa &ldquo;<em>um passo distinto e complementar<\/em>&rdquo; ao que j&aacute; foi realizado no pa&iacute;s em mat&eacute;ria de repara&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica. &quot;<em>A Comiss&atilde;o da Verdade n&atilde;o pode indenizar, pois isso &eacute; atribui&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o de Anistia, e n&atilde;o pode punir, porque n&atilde;o &eacute; &oacute;rg&atilde;o jurisdicional. Mas deve construir narrativa hist&oacute;rica em torno das graves viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nHoje, ao discursar na tribuna do Senado, ele afirmou que al&eacute;m de mostrar a autoria de torturas, assassinatos, desaparecimentos for&ccedil;ados e oculta&ccedil;&atilde;o de cad&aacute;veres, a comiss&atilde;o ter&aacute; &ldquo;<em>uma tarefa mais ampla: identificar e tornar p&uacute;blico o funcionamento da estrutura repressiva montada no tempo da ditadura<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\nO tucano ressaltou, por&eacute;m, que o grupo n&atilde;o vai ir&aacute; construir uma &ldquo;verdade absoluta&rdquo; sobre os fatos. &quot;<em>Ela n&atilde;o dar&aacute; a &uacute;ltima palavra sobre os fatos, porque muitos deles continuar&atilde;o encobertos, n&atilde;o nos iludamos<\/em>&quot;. Para o senador, trata-se de um projeto &ldquo;<em>&eacute; ousado e corajoso<\/em>&rdquo;.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 4 minutos Comiss&atilde;o da Verdade ser&aacute; formada por sete integrantes escolhidos pela presidente Dilma. 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