{"id":6124,"date":"2012-02-19T00:00:00","date_gmt":"2012-02-19T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2012-02-19T00:00:00","modified_gmt":"2012-02-19T00:00:00","slug":"Causar-dano-emocional-ao-parceiro-e-crime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2012\/02\/19\/Causar-dano-emocional-ao-parceiro-e-crime\/","title":{"rendered":"Causar dano emocional ao parceiro \u00e9 crime"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 4 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nFlagrante, n&atilde;o h&aacute;. Marcas roxas tampouco est&atilde;o l&aacute; para provar a agress&atilde;o. &quot;Psicol&oacute;gica&quot; &eacute; o adjetivo usado para tentar definir uma forma de viol&ecirc;ncia silenciosa &#8211; por mais que o sil&ecirc;ncio seja feito de palavras, acusa&ccedil;&otilde;es, cobran&ccedil;as. Ou gestos, olhares, sarcasmo, piadas.<\/p>\n<p>\nA complexidade da viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica n&atilde;o impede que esse crime tenha uma defini&ccedil;&atilde;o legal. Est&aacute; no artigo 7 da Lei Maria da Penha, que descreve muito bem constrangimentos, ridiculariza&ccedil;&atilde;o e persegui&ccedil;&atilde;o, entre outras a&ccedil;&otilde;es causadoras de danos emocionais.<\/p>\n<p>\n&Eacute; dif&iacute;cil explicar aos outros onde est&aacute; a sua dor. &Eacute; dif&iacute;cil perceber quando, no relacionamento, o jogo do amor vira o da domina&ccedil;&atilde;o. O pano de fundo &eacute; a vontade de anular o outro, torn&aacute;-lo ref&eacute;m dos pr&oacute;prios desejos.<\/p>\n<p>\nQuando um tem um limiar para tolerar frustra&ccedil;&atilde;o muito baixo e o outro, muito alto, a viol&ecirc;ncia se perpetua.<\/p>\n<p>\nA comerciante M&ocirc;nica, 49, trabalha atendendo clientes do marido, mas sem sal&aacute;rio. Ele j&aacute; escondeu a chave do carro da mulher, para ela n&atilde;o sair sem avisar. Um dia, quando M&ocirc;nica fazia gin&aacute;stica, xingou-a na frente de todos. Mas ela n&atilde;o sabe o que vai fazer. &quot;<em>Temos 30 anos de casados, penso que tenho uma fam&iacute;lia. Por minhas filhas, j&aacute; devia ter me separado<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nPara complicar, o jogo &eacute; de m&atilde;o dupla: quem sofre a viol&ecirc;ncia se nutre dela e a transforma no cimento da rela&ccedil;&atilde;o. Parece um jeito de culpar a v&iacute;tima e desculpar o agressor. Mas n&atilde;o &eacute; novidade, para quem estuda a coisa. &Eacute; a din&acirc;mica sadomasoquista, um pacto inconsciente: um provoca, outro agride, o que deve dar algum prazer.<\/p>\n<p>\nAl&eacute;m de manifestar um aspecto da sexualidade, a viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica &eacute; uma forma de comunica&ccedil;&atilde;o. Essa forma de agress&atilde;o &eacute; associada a todas as a&ccedil;&otilde;es que causam dano ao outro pela linguagem.<\/p>\n<p>\nA perversidade do jogo &eacute; que, no relacionamento &iacute;ntimo, um sabe os pontos fracos do outro, aqueles que ningu&eacute;m quer tornar p&uacute;blico. O marido de M&ocirc;nica repete que ela &eacute; uma m&atilde;e relapsa. Para me agredir. Mas &eacute; dif&iacute;cil perceber a viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica. Voc&ecirc; aceita, algu&eacute;m manda em voc&ecirc;.<\/p>\n<p>\nVoc&ecirc; constrange a pessoa usando os dem&ocirc;nios dela. E ela faz o que voc&ecirc; quer, por gostar de voc&ecirc;. Foi assim no primeiro casamento da inspetora de alunos L&uacute;cia, 48. &quot;<em>Eu tinha 19 anos e me casei com o homem pelo qual estava apaixonada. Ele me desvalorizava porque eu era pobre, negra, e eu achava que ele tinha raz&atilde;o<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nDestruir a autoestima do outro &eacute; a estrat&eacute;gia e a consequ&ecirc;ncia da agress&atilde;o oculta. L&uacute;cia achava que o ex-marido era lindo. &quot;<em>Ele dizia que eu tinha que agradecer por transar com ele. E eu nem sabia o que era orgasmo<\/em>!&quot;.<\/p>\n<p>\nO morde-e-assopra sustentava o jogo do ex. &quot;<em>Se eu chorava, ele me abra&ccedil;ava e dizia: &#8216;Gosto de voc&ecirc; como voc&ecirc; &eacute;<\/em>&#8216;&#8230;&quot; Os efeitos na pessoa agredida v&atilde;o dos dist&uacute;rbios alimentares &agrave; depress&atilde;o, chegando &agrave; tentativa de suic&iacute;dio.<\/p>\n<p>\nA v&iacute;tima dessa forma de viol&ecirc;ncia quase nunca quer mostrar a cara, porque denunciar a agress&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m expor as pr&oacute;prias fraquezas, Afinal, ela se submeteu, aceitou um arranjo ruim com medo de romper e ficar sem aquele amor.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Homem tamb&eacute;m &eacute; vitima, mas n&atilde;o assume<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nA Lei Maria da Penha, que no seu artigo 7 define o crime da viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica, s&oacute; vale para as v&iacute;timas mulheres. Os homens ficam num limbo legal, e n&atilde;o porque estejam menos sujeitos &agrave;s agress&otilde;es das parceiras. Com o aumento de mulheres ganhando mais que os maridos e sendo &quot;<em>chefes<\/em>&quot; da casa, o jogo pesado da domina&ccedil;&atilde;o emocional tem afetado cada vez mais os homens.<\/p>\n<p>\nMas &eacute; mais dif&iacute;cil para o homem assumir que sofre viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica. N&atilde;o &eacute; de nossa cultura ele se queixar. Se for reclamar em uma delegacia, ter&aacute; sua imagem mais uma vez danificada. Levantamento do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de feito em 2008 e 2009 mostra que 20,8% das notifica&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica sofridas por homens s&atilde;o do tipo psicol&oacute;gico. O mesmo levantamento mostra que a agress&atilde;o psicol&oacute;gica sofrida por mulheres &eacute; motivo de 49,5% das notifica&ccedil;&otilde;es, quase se igualando ao &iacute;ndice da viol&ecirc;ncia f&iacute;sica, 52%.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 4 minutos Flagrante, n&atilde;o h&aacute;. 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