{"id":6289,"date":"2012-04-06T00:00:00","date_gmt":"2012-04-06T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2012-04-06T00:00:00","modified_gmt":"2012-04-06T00:00:00","slug":"ONU-critica-STJ-por-absolver-acusado-de-violentar-meninas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2012\/04\/06\/ONU-critica-STJ-por-absolver-acusado-de-violentar-meninas\/","title":{"rendered":"ONU critica STJ por absolver acusado de violentar meninas"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 4 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><em><span style=\"font-size: small;\"><br \/>\nEntidade afirma que a absolvi&ccedil;&atilde;o pela Corte de um homem acusado de violentar jovens de 12 anos contraria tratados internacionais.<\/span><\/em><\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><\/p>\n<p><strong>Bras&iacute;lia(DF) &#8211; <\/strong>A decis&atilde;o do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a(<span style=\"font-family: Arial;\">STJ<\/span>) de inocentar um acusado de estuprar tr&ecirc;s jovens de 12 anos contradiz tratados internacionais de direitos humanos ratificados pelo Brasil, apontou o Escrit&oacute;rio Regional para Am&eacute;rica do Sul do Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Direitos Humanos(<span style=\"font-family: Arial;\">ACNUDH<\/span>). Em comunicado divulgado ontem, o escrit&oacute;rio lamentou a decis&atilde;o tomada pela Corte em dezembro de 2011.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>A decis&atilde;o abre um precedente perigoso e discrimina as v&iacute;timas com base em sua idade e g&ecirc;nero<\/em>&quot;, afirmou o Representante Regional do ACNUDH para a Am&eacute;rica do Sul, Amerigo Incalcaterra. O STJ argumenta, na decis&atilde;o, que as crian&ccedil;as j&aacute; se dedicavam &agrave; pr&aacute;tica de atividades sexuais. Para as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, a premissa &eacute; contr&aacute;ria aos atuais direitos conquistados para a inf&acirc;ncia: &quot;<em>&Eacute; impens&aacute;vel que a vida sexual de uma crian&ccedil;a possa ser usada para revogar seus direitos<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nEntre os tratados desrespeitados pela decis&atilde;o brasileira, segundo a ONU, est&atilde;o a Conven&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos da Crian&ccedil;a, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Pol&iacute;ticos e a Conven&ccedil;&atilde;o sobre a Elimina&ccedil;&atilde;o de Todas as Formas de Discrimina&ccedil;&atilde;o contra a Mulher. Por meio do comunicado, Incalcaterra enfatizou que &quot;<em>todos os tribunais t&ecirc;m a obriga&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica de interpretar e aplicar esses tratados de direitos humanos<\/em>&quot; e pediu &agrave;s autoridades brasileiras que priorizem os interesses superiores da crian&ccedil;a na tomada de decis&otilde;es. Ele lembrou ainda a obriga&ccedil;&atilde;o dos estados de proteger as crian&ccedil;as de todas as formas de viol&ecirc;ncia, incluindo o abuso sexual.<\/p>\n<p>\nO STJ divulgou, na &uacute;ltima quarta-feira(<span style=\"font-family: Arial;\">04Abril2012<\/span>), uma nota sobre a decis&atilde;o. No texto, afirma n&atilde;o ter institucionalizado a prostitui&ccedil;&atilde;o infantil e n&atilde;o ter discutido a explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescentes ao julgar o caso. A Corte esclareceu que a decis&atilde;o n&atilde;o considerou a mudan&ccedil;a do C&oacute;digo Penal, ocorrida em 2009, que criou o crime &quot;<em>estupro de vulner&aacute;vel<\/em>&quot; para qualificar qualquer rela&ccedil;&atilde;o sexual com menores de 14 anos, j&aacute; que o caso ocorreu antes da altera&ccedil;&atilde;o na lei &#8211; at&eacute; ent&atilde;o, se considerava essa rela&ccedil;&atilde;o como presun&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>\nO tribunal argumenta que h&aacute; decis&otilde;es precedentes, inclusive do STF, que relativizam essa presun&ccedil;&atilde;o. Mestre em direito, procurador da Justi&ccedil;a em S&atilde;o Paulo e um dos coautores do Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente(<span style=\"font-family: Arial;\">ECA<\/span>), Paulo Afonso Garrido de Paula defende que a decis&atilde;o foi negativa em todos os sentidos: &quot;<em>Ainda que a decis&atilde;o tenha respaldo em outro julgado, a posi&ccedil;&atilde;o defendida pelo tribunal &eacute; a pior de todas, por n&atilde;o respeitar as peculiaridades da inf&acirc;ncia e das condi&ccedil;&otilde;es adversas que levam &agrave; prostitui&ccedil;&atilde;o infantil. Um consentimento de uma crian&ccedil;a n&atilde;o exclui a explora&ccedil;&atilde;o, a imoralidade, o abuso, inclusive o da pobreza<\/em>&quot;. Segundo Garrido, os tribunais devem sempre optar pelo julgado que melhor afirme a dignidade humana e a prote&ccedil;&atilde;o &agrave; inf&acirc;ncia. &quot;<em>A legisla&ccedil;&atilde;o tem uma for&ccedil;a pedag&oacute;gica muito grande, ela induz comportamentos<\/em>&quot;.<\/p>\n<p><\/span><\/span><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>MP apresenta recurso<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">O esclarecimento foi feito pelo STJ depois de diversas manifesta&ccedil;&otilde;es contr&aacute;rias &agrave; decis&atilde;o, inclusive da ministra dos Direitos Humanos, Maria do Ros&aacute;rio, para quem a absolvi&ccedil;&atilde;o significou a &quot;<em>impunidade para um dos crimes mais graves cometidos na sociedade brasileira<\/em>&quot;. O Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal apresentou recurso contestando o STJ e, dependendo do resultado, ainda poder&aacute; pedir que o caso seja analisado pelo Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n<p>\n&quot;&quot;<em>A decis&atilde;o abre um precedente perigoso e discrimina as v&iacute;timas com base em sua idade e g&ecirc;nero<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nTrecho da nota divulgada pelo Escrit&oacute;rio Regional para Am&eacute;rica do Sul do Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Direitos Humanos.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 4 minutos Entidade afirma que a absolvi&ccedil;&atilde;o pela Corte de um homem acusado de violentar jovens de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[25],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6289"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6289"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6289\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6289"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6289"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6289"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}