{"id":6300,"date":"2012-04-09T00:00:00","date_gmt":"2012-04-09T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2012-04-09T00:00:00","modified_gmt":"2012-04-09T00:00:00","slug":"Uma-mulher-e-violentada-a-cada-27-segundos-na-Africa-do-Sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2012\/04\/09\/Uma-mulher-e-violentada-a-cada-27-segundos-na-Africa-do-Sul\/","title":{"rendered":"Uma mulher \u00e9 violentada a cada 27 segundos na \u00c1frica do Sul"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 12 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\"><em><strong><span style=\"font-size: small;\"><br \/>\nQuest&atilde;o cultural: 62% dos meninos com mais de 11 anos acreditam que for&ccedil;ar algu&eacute;m a fazer sexo n&atilde;o &eacute; um ato de viol&ecirc;ncia. No pa&iacute;s da &uacute;ltima Copa do Mundo, uma menina tem mais chances de ser estuprada do que aprender a ler; Aids &eacute; epidemia nacional.<\/span><\/strong><\/em><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><\/p>\n<p>A cada 27 segundos uma mulher &eacute; abusada sexualmente na &Aacute;frica do Sul. Uma em cada tr&ecirc;s sul-africanas ser&aacute; violentada pelo menos uma vez na vida. Um em cada tr&ecirc;s sul-africanos ir&aacute; estuprar uma mulher. Estes dados s&atilde;o da Rape Crisis, uma organiza&ccedil;&atilde;o sem fins lucrativos(<span style=\"font-family: Arial;\">ONG<\/span>) que combate a viol&ecirc;ncia contra a mulher, localizada na Cidade do Cabo.  A associa&ccedil;&atilde;o ainda aponta que, na maioria do casos, a viol&ecirc;ncia sexual &eacute; realizada por um homem que participa do cotidiano da v&iacute;tima.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">Este &eacute; o caso da Eliane, 30 anos. &ldquo;<em>Conheci o meu primeiro namorado numa casa de dan&ccedil;a, foi amor &agrave; primeira vista. Cerca de oito meses depois que nos casamos ele come&ccedil;ou a usar drogas, beber e consequentemente a me tratar mal<\/em>&rdquo;. Ela conta que a viol&ecirc;ncia aumentou gradativamente.  &ldquo;<em>Um dia ele  levou uma prostituta para casa. Eles deitaram na minha cama para ter rela&ccedil;&otilde;es sexuais e fui obrigada a participar de tudo.  Depois, ele me esfaqueou e me disse que tinha de fazer isso porque era inferior. E assim continuou por muitas noites. Hoje estamos separados<\/em>&quot;.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><br \/>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\">Situa&ccedil;&atilde;o da mulher na &Aacute;frica do Sul:<\/span><br \/>\n&#8211; Uma mulher &eacute; estuprada a cada 86 segundos;<\/p>\n<p>&#8211; Uma em cada tr&ecirc;s sul-africanas ser&aacute; violada em sua vida;<\/p>\n<p>&#8211; Um em cada tr&ecirc;s sul-africanos vai estuprar uma mulher em sua vida;<\/p>\n<p>&#8211; Quatro mulheres s&atilde;o assassinadas todos os dias na &Aacute;frica do Sul v&iacute;tima de algum tipo de viol&ecirc;ncia.<span style=\"font-size: small;\"> (Fonte: Rape Crisis)<\/span>.<\/strong><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">A &Aacute;frica do Sul &eacute; a capital do estupro no mundo. Uma menina nascida no pa&iacute;s tem mais chances de ser estuprada do que aprender a ler. Um quarto delas &eacute; abusada sexualmente antes de completar 16 anos. Este problema tem muitas ra&iacute;zes, segundo a Rape Crisis: machismo(<span style=\"font-family: Arial;\">62% dos meninos com mais de 11 anos acreditam que for&ccedil;ar algu&eacute;m a fazer sexo n&atilde;o &eacute; um ato de viol&ecirc;ncia<\/span>), pobreza, desemprego, homens marginalizados, indiferen&ccedil;a da comunidade, e mais do que tudo, a impunidade:  os poucos casos que s&atilde;o denunciados &agrave;s autoridades se perdem no descaso da pol&iacute;cia e acabam impunes. Nos &uacute;ltimos 10 anos, de 25 homens acusados de estupro no pa&iacute;s, 24 saem livres de puni&ccedil;&atilde;o, segundo os levantamentos da entidade.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">De acordo com Marieta de Vos, diretora-executiva da Mosaic Training, Service and Healing Centre for Woman, uma organiza&ccedil;&atilde;o que fornece suporte &agrave;s v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e estupro, a &Aacute;frica do Sul registra 50 mil estupros por ano e as ONG&rsquo;s existentes na Cidade do Cabo protegem atualmente cerca de 25 mil pessoas, desde beb&ecirc;s, passando por adolescentes at&eacute; idosas.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">O trabalho de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais &eacute; fundamental para se ter uma no&ccedil;&atilde;o do tamanho da crise de estupros na &Aacute;frica do Sul. Procurado pela reportagem, o &oacute;rg&atilde;o do governo respons&aacute;vel pelo tema alegou n&atilde;o ter dados atualizados sobre viol&ecirc;ncia sexual. Segundo as estat&iacute;sticas da pol&iacute;cia de 2007, os incidentes de estupro notificados decresceram 4,2 pontos percentuais nos seis anos anteriores. No entanto, em um ano foram registrados 52.617 estupros. Tamb&eacute;m foram registrados 9.327 casos de &quot;<em>atentado ao pudor<\/em>&quot; &#8211; incluindo viola&ccedil;&atilde;o anal e outros tipos de ataque sexual que n&atilde;o se enquadravam na defini&ccedil;&atilde;o de estupro. Em dezembro, novas estat&iacute;sticas criminais referentes ao per&iacute;odo de abril a setembro de 2007 inclu&iacute;am o registro de 22.887 estupros.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><br \/>\nBarreira cultural<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">Ida Jacobs, 37 anos &eacute; colaboradora da associa&ccedil;&atilde;o Labour Rights Programme Officer &#8211; Women on Farms Project, uma ONG que protege mulheres que sofrem qualquer tipo de abuso nas fazendas da &Aacute;frica do Sul. Ela tamb&eacute;m foi vitima de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e estupro, que muitas vezes est&atilde;o relacionados.  Ela conta que v&aacute;rias mulheres n&atilde;o denunciam os agressores porque geralmente existe uma depend&ecirc;ncia emocional e financeira e tamb&eacute;m por conta da  falta de aceita&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia em rela&ccedil;&atilde;o ao div&oacute;rcio.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>Conheci meu marido aos 17 anos e durante o namoro ele era perfeito, mas depois do casamento come&ccedil;ou a falar alto, mas minha m&atilde;e me dizia que isso era normal, pois ele era homem e eu precisava obedecer. At&eacute; que ele come&ccedil;ou a me bater e me obrigar a ter rela&ccedil;&otilde;es sexuais com ele. Depois de tudo ele me pedia desculpas e dizia que iria mudar, mas as cenas se repetiam. Meu corpo &eacute; todo marcado<\/em>&rdquo;. Ida conta ainda que ap&oacute;s 13 casados ela pediu o div&oacute;rcio, por&eacute;m, n&atilde;o foi f&aacute;cil, pois n&atilde;o tinha emprego, casa e muito menos apoio da fam&iacute;lia. Para superar tudo isso, ela contou com a ajuda da entidade Women on Farms.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">&ldquo;<em>H&aacute; sete anos estou divorciada e sem contato com minha fam&iacute;lia, mas consegui refazer a minha vida. Hoje tenho casa, carro, trabalho e, por meio dele, oriento outras mulheres a sa&iacute;rem dessa condi&ccedil;&atilde;o miser&aacute;vel<\/em>&rdquo;. Mas, afirma que o abuso est&aacute; cada vez pior no pa&iacute;s, pois, infelizmente, o machismo ainda supera as leis. &ldquo;<em>A situa&ccedil;&atilde;o das mulheres que trabalham nas fazendas na &Aacute;frica do Sul &eacute; muito parecida com a maneira com que viviam os escravos antigamente. Essas mulheres sofrem diariamente abusos f&iacute;sicos, psicol&oacute;gicos e sexuais e quando reclamam para o dono da fazenda ele diz que a fazenda n&atilde;o tem nada a ver com isso<\/em>&rdquo;,  explica.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">Segundo outra entidade sem fins lucrativos chamada Reach,  as mulheres brancas que s&atilde;o v&iacute;timas de estupro tamb&eacute;m t&ecirc;m mais dificuldade em efetuar a den&uacute;ncia. &ldquo;<em>Elas acreditam que isso s&oacute; acontece com as negras e se sentem envergonhadas. No caso de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica o pensamento &eacute; o mesmo<\/em>&rdquo;, disse a presidente da entidade, Claudia Lopes.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Nos &uacute;ltimos 10 anos:<\/strong><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><br \/>\n<\/strong><span style=\"font-size: medium;\"><strong>&#8211; Mais de dez l&eacute;sbicas foram estupradas por semana somente na cidade do Cabo;<\/p>\n<p>&#8211; 150 mulheres s&atilde;o estupradas todos os dias na &Aacute;frica do Sul<\/p>\n<p>&#8211; De 25 homens acusados de estupro na &Aacute;frica do Sul, 24 n&atilde;o s&atilde;o punidos.<\/strong><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><span style=\"font-size: small;\"> (Fonte: Rape Crisis)<\/span>.<\/strong><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">Ela ainda comenta que, recentemente na &Aacute;frica do Sul,  uma mulher tentou se separar do marido,  ap&oacute;s ter sofrido viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e sexual, por&eacute;m, ele n&atilde;o aceitou e a chamou para conversar. &ldquo;<em>Neste dia, ele levou mais alguns colegas para violentar sexualmente a mulher na frente dele e depois chamou o filho para ver tamb&eacute;m. O marido ainda introduziu uma chave de fenda na vagina da esposa, ap&oacute;s tudo isso ele matou a esposa e o filho<\/em>&rdquo;, conta Claudia.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">J&aacute; Sharon Kouta, diretora do UNODC VEP(<span style=\"font-family: Arial;\">United Nations Office on Drugs and Crime Victim Empowerment Programme, na sigla em ingl&ecirc;s<\/span>) &#8211; um programa do governo em parceria com a ONU para o fortalecimento dos Direitos Humanos, na prov&iacute;ncia oeste da Cidade do Cabo, afirma que a raz&atilde;o do estupro &eacute; cultural. &ldquo;<em>As pessoas costumam dizer que a raz&atilde;o do estupro &eacute; droga ou &aacute;lcool, mas na realidade n&atilde;o importa a condic&atilde;o social, econ&ocirc;mica, cor da pele, o problema &eacute; a cultura, o estupro &eacute; uma mecanismo usado para controlar e manipular<\/em>&rdquo;, revela.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Presidente acusado<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">O atual presidente da &Aacute;frica do Sul, Jacob Zuma, foi acusado em 2005(<span style=\"font-family: Arial;\">na &eacute;poca ele era vice-presidente de Thabo Mbeki<\/span>) pela corte suprema, em Johanesburgo, de estuprar uma mulher de 31 anos, amiga da fam&iacute;lia. Zuma alegou, durante o julgamento em 2006, que praticou sexo com a mulher, mas de forma consensual. Al&eacute;m disso, ele sabia que a v&iacute;tima era portadora do v&iacute;rus HIV e n&atilde;o usou nenhum tipo de prote&ccedil;&atilde;o. Zuma declarou tamb&eacute;m que tomou banho depois da rela&ccedil;&atilde;o sexual para evitar a contamina&ccedil;&atilde;o. O caso chocou tamb&eacute;m ativistas da AIDS, que desenvolvem um &aacute;rduo trabalho educativo e de prevenc&atilde;o no pa&iacute;s, e ainda mais porque sua esposa &eacute; m&eacute;dica e era Ministra da Sa&uacute;de. Entretanto, Zuma foi absolvido do caso.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">A representante do setor Acting Head, do Departamento de Desenvolvimento Social da prov&iacute;ncia oeste da Cidade do Cabo, Sharon Follentine, descreve como a viol&ecirc;ncia contra a mulher &eacute; dif&iacute;cil de ser combatida quando a v&iacute;tima passa tamb&eacute;m a acreditar que o estupro &eacute; natural e, por isso, n&atilde;o busca aux&iacute;lio ou demora muito tempo, quando j&aacute; h&aacute; traumas profundos.<\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>A v&iacute;tima, ap&oacute;s danos psicol&oacute;gicos e emocionais, passa a acreditar que tudo isso acontece porque &eacute; destino ou porque ela fez algo errado. Ela come&ccedil;a a internalizar que seus pais estavam sempre discutindo, ele sempre tinha argumentos para bater na sua m&atilde;e ou estupr&aacute;-la e a v&iacute;tima come&ccedil;a a transmitir esse pensamento para os filhos. Se por acaso os filhos vivenciarem a mesma situa&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e ou av&oacute; come&ccedil;ar&atilde;o a achar tudo natural e o ciclo se repetir&aacute;<\/em>&rdquo;, comenta Follentine, que aposta nos programas educacionais e informativos em comunidades com maior &iacute;ndice de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e estupro para combater as pr&aacute;ticas.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">A ONG Philisa Abafazi Bethu, que atua com a preven&ccedil;&atilde;o dos abusos sexuais por meio de orienta&ccedil;&atilde;o nas escolas, igrejas das periferias e favelas, concorda que a mulher precisa de mais informa&ccedil;&atilde;o e saber que existem outros meios de recome&ccedil;ar a vida. &ldquo;<em>Nosso foco &eacute; mostrar para as mulheres e crian&ccedil;as v&iacute;timas de abuso sexual e viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica que isso &eacute; errado.  Elas, na maioria das vezes, nem sabem que isso n&atilde;o &eacute; correto, apenas tem no&ccedil;&atilde;o que &eacute; ruim. Depois que reconhecem que o estupro &eacute; crime, a dificuldade das m&atilde;es &eacute; sair de casa com filhos, aprender ingl&ecirc;s porque muitas vezes falam outros dialetos, buscar uma casa,  of&iacute;cio e isso demora, mas &eacute; poss&iacute;vel<\/em>&rdquo;, acrescenta Mabel Martn, representante da entidade.<\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><\/p>\n<p><\/span><\/span><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Meta<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">Segundo dados mais otimistas da entidade All Africa House, ligada &agrave; Universidade de Cidade do Cabo, a &Aacute;frica do Sul espera acabar com a viol&ecirc;ncia contra a mulher em 2015 por meio de programas sociais que o pa&iacute;s desenvolve no momento. Entretanto, a representante da entidade Reach acredita que a situa&ccedil;&atilde;o ainda deve piorar.  &ldquo;<em>Os incidentes v&atilde;o ficar mais graves. Temos um grande n&uacute;mero de drogas e &aacute;lcool relacionados com estupro<\/em>&rdquo;, explica Claudia.<\/p>\n<p>\nQuem concorda com Claudia &eacute; a professora da Universidade da Cidade do Cabo, Lilian Artz. &ldquo;<em>Hoje &eacute; muito complicado transformar esta meta em realidade, principalmente, quando nos deparamos com a falta dos equipamentos ou procedimentos mais simples nos hospitais p&uacute;blicos da &Aacute;frica do Sul. Atualmente, a v&iacute;tima de estupro espera mais de horas para fazer o exame pericial e comprovar a viol&ecirc;ncia. Ap&oacute;s isso, muitas vezes ela sai do hospital sem o kit com a medica&ccedil;&atilde;o para prevenc&atilde;o do HIV<\/em>&rdquo;, detalha.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">Ela ainda conta que quatro mulheres s&atilde;o assasssinadas todos os dias na &Aacute;frica do Sul v&iacute;timas de algum tipo de viol&ecirc;ncia. &ldquo;<em>O governo possui metas, por&eacute;m, n&atilde;o prop&otilde;e solu&ccedil;&otilde;es suficientes para amenizar o problema que cresce na mesma medida que aumenta o n&uacute;mero de mulheres que contraem HIV\/AIDS nestes casos<\/em>&rdquo;, acrescenta.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">As sul-africanas v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e estupro contam com &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos de prote&ccedil;&atilde;o, Comiss&atilde;o de Direitos Humanos,  outra comiss&atilde;o que promove a igualdade entre sexos e at&eacute; mesmo v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es sem fins lucrativos existentes no pa&iacute;s. &Eacute; comum encontrar an&uacute;ncios, folhetos  e campanhas em lugares p&uacute;blicos ou em comerciais na televis&atilde;o, r&aacute;dio que refor&ccedil;am o compromisso das entidades em oferecer o suporte necess&aacute;rio.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">A lei que combate a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e estupro existe na &Aacute;frica do Sul desde 1998, mas a dificuldade das v&iacute;timas consiste na jun&ccedil;&atilde;o de provas e dados necess&aacute;rios para incriminar o agressor. De acordo com o Departamento de Pol&iacute;cia sul-africano, a mulher precisa, no caso de estupro, realizar o exame de DNA entre quatro e seis horas ap&oacute;s o incidente, manter as roupas e n&atilde;o tomar banho, preservar a cena do crime com o maior n&uacute;mero de detalhes poss&iacute;veis, passar por um exame m&eacute;dico pericial, fazer uma den&uacute;ncia na pol&iacute;cia para fornecer o m&aacute;ximo de informa&ccedil;&otilde;es. Existe um banco de dados de DNA, mas a pol&iacute;cia s&oacute; consegue provas quando h&aacute; quantidade suficiente de material gen&eacute;tico(<span style=\"font-family: Arial;\">sangue, esperma e saliva, por exemplo<\/span>) para an&aacute;lise ap&oacute;s o estupro.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">&ldquo;<em>Pela lei o estupro &eacute; considerado um ato grave e quem comete pode ficar preso at&eacute; 20 anos, mas na pr&aacute;tica isso raramente acontece e tudo aqui vira papel arquivado na gaveta<\/em>&rdquo;, lamenta Claudia Lopes.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 12 minutos Quest&atilde;o cultural: 62% dos meninos com mais de 11 anos acreditam que for&ccedil;ar algu&eacute;m a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[10],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6300"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6300"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6300\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6300"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6300"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6300"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}