{"id":6414,"date":"2012-06-26T00:00:00","date_gmt":"2012-06-26T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2012-06-26T00:00:00","modified_gmt":"2012-06-26T00:00:00","slug":"Procuradores-da-Republica-lancam-manifesto-contrario-a-PEC-da-Impunidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2012\/06\/26\/Procuradores-da-Republica-lancam-manifesto-contrario-a-PEC-da-Impunidade\/","title":{"rendered":"Procuradores da Rep\u00fablica lan\u00e7am manifesto contr\u00e1rio \u00e0 PEC da Impunidade"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 6 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<strong>Bras&iacute;lia(DF) &#8211; <\/strong>Associa&ccedil;&atilde;o se posiciona contra a proposta que retira o poder de investiga&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico. Em tramita&ccedil;&atilde;o na C&acirc;mara dos Deputados, a PEC contradiz tratados internacionais assinados pelo Brasil.<\/p>\n<p>A Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Procuradores da Rep&uacute;blica lan&ccedil;a nesta segunda-feira(<span style=\"font-family: Arial;\">25junho2012<\/span>), um manifesto pela rejei&ccedil;&atilde;o da Proposta de Emenda &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o 37\/2011, a chamada PEC da Impunidade. O documento lista as 10 principais raz&otilde;es para que o projeto seja reprovado na Comiss&atilde;o Especial que trata do tema na C&acirc;mara dos Deputados.<\/p>\n<p>\nDe autoria do deputado federal Lourival Mendes(<span style=\"font-family: Arial;\">PTdoB\/MA<\/span>), a PEC torna o poder de investiga&ccedil;&atilde;o criminal privativo das pol&iacute;cias federal e civis, mediante altera&ccedil;&atilde;o do artigo 144-&sect;10. Favor&aacute;vel ao projeto, o relator da proposta, deputado federal F&aacute;bio Trad(<span style=\"font-family: Arial;\">PMDB\/MS<\/span>), apresentou um substitutivo, acrescentando altera&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m no artigo 129 da Constitui&ccedil;&atilde;o &#8211; que disciplina a institui&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico.<\/p>\n<p>\nPara a ANPR, a realiza&ccedil;&atilde;o de dilig&ecirc;ncias investigat&oacute;rias diretamente pelo MP &eacute; plenamente compat&iacute;vel com o modelo processual brasileiro e com sua miss&atilde;o constitucional. Al&eacute;m disso, o poder de investiga&ccedil;&atilde;o por membros do Minist&eacute;rio P&uacute;blico est&aacute; previsto em diversos tratados internacionais dos quais o Brasil &eacute; signat&aacute;rio.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"465\" height=\"311\" align=\"absMiddle\" alt=\"\" src=\"\/UserFiles\/Image\/judiciario\/brasilia_df_procuradoria_geral_da_republica_465.jpg\" \/><\/p>\n<p>Estudo da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas indica que, entre 2002 e 2008, houve desvios de R$ 40 bilh&otilde;es em contratos com o governo. &ldquo;<em>Calar o MP em um pa&iacute;s com &iacute;ndices t&atilde;o altos de criminalidade significa um retrocesso intoler&aacute;vel para as institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas do pa&iacute;s. Certamente, s&oacute; ter&aacute; os aplausos da criminalidade organizada<\/em>&rdquo;, afirma o presidente da ANPR, Alexandre Camanho.<\/p>\n<p>Confira abaixo os 10 motivos contra a PEC da Impunidade:<\/p>\n<p><strong>1.<\/strong> Retira o poder de investiga&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, como institui&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel pela defesa da sociedade. Isso significa impedir que, somente no &acirc;mbito do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal, mais de 1.000 procuradores da Rep&uacute;blica trabalhem no combate ao desvio de dinheiro p&uacute;blico e &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong><br \/>\n2.<\/strong> Reduz o n&uacute;mero de &oacute;rg&atilde;os para fiscalizar. Al&eacute;m de impedir o Minist&eacute;rio P&uacute;blico, as investiga&ccedil;&otilde;es de &oacute;rg&atilde;os como Ibama, Receita Federal, Controladoria-Geral da Uni&atilde;o, COAF, Banco Central, Previd&ecirc;ncia Social, Fiscos e Controladorias Estaduais poder&atilde;o ser questionadas e invalidadas em ju&iacute;zo, gerando impunidade.<\/p>\n<p>\n<strong>3.<\/strong> Exclui atribui&ccedil;&otilde;es do MP reconhecidas pela Constitui&ccedil;&atilde;o, enfraquecendo o combate &agrave; criminalidade e &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o; al&eacute;m de ignorar a exaustiva regula&ccedil;&atilde;o existente no &acirc;mbito do Minist&eacute;rio P&uacute;blico para as investiga&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o reconhece a atua&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os correicionais(<span style=\"font-family: Arial;\">Conselho Superior e Conselho Nacional do Minist&eacute;rio P&uacute;blico<\/span>), bem como do pr&oacute;prio Judici&aacute;rio, nem, tampouco, o quanto estabelece o artigo 129 da Constitui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\n<strong>4.<\/strong> Vai contra as decis&otilde;es dos Tribunais Superiores, que j&aacute; garantem a possibilidade de investiga&ccedil;&atilde;o pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico. Condena&ccedil;&otilde;es recentes de acusados por corrup&ccedil;&atilde;o, tortura, viol&ecirc;ncia policial e crimes de exterm&iacute;nio contaram com investiga&ccedil;&atilde;o do MP, nas quais a pol&iacute;cia foi omissa.<\/p>\n<p>\n<strong>5.<\/strong> Gera inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica e desorganiza o sistema de investiga&ccedil;&atilde;o criminal, j&aacute; que permitir&aacute; que os r&eacute;us em in&uacute;meros procedimentos criminais suscitem novos questionamentos processuais sobre supostas nulidades, retardando as investiga&ccedil;&otilde;es e colocando em liberdade respons&aacute;veis por crimes graves.<\/p>\n<p>\n<strong>6. <\/strong>Vai na contram&atilde;o de tratados internacionais assinados pelo Brasil, entre eles a Conven&ccedil;&atilde;o de Palermo(<span style=\"font-family: Arial;\">que trata do combate ao crime organizado<\/span>), a Conven&ccedil;&atilde;o de M&eacute;rida(<span style=\"font-family: Arial;\">corrup&ccedil;&atilde;o<\/span>), a Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, que determinam a ampla participa&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico nas investiga&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\n<strong>7.<\/strong> Define modelo oposto aos adotados por pa&iacute;ses desenvolvidos como Alemanha, Fran&ccedil;a, Espanha, It&aacute;lia e Portugal, onde os atos investigat&oacute;rios s&atilde;o feitos pela Pol&iacute;cia sob a condu&ccedil;&atilde;o e a orienta&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico e do Judici&aacute;rio, sendo suas instru&ccedil;&otilde;es irrecus&aacute;veis. Vale ressaltar que estudos apontam que apenas tr&ecirc;s pa&iacute;ses estabelecem sistemas onde a pol&iacute;cia tem a exclusividade da investiga&ccedil;&atilde;o criminal: Qu&ecirc;nia, Uganda e Indon&eacute;sia.<strong>**<\/strong><\/p>\n<p>\n<strong>8.<\/strong> Pol&iacute;cias Civis e Federal n&atilde;o t&ecirc;m capacidade operacional nem disp&otilde;em de pessoal ou meios materiais para levar adiante todas as not&iacute;cias de crimes registradas. Dados estat&iacute;sticos revelam que a maioria dos cidad&atilde;os que noticiam il&iacute;citos &agrave; Pol&iacute;cia n&atilde;o tem retorno dos boletins de ocorr&ecirc;ncia que registram, e in&uacute;meros sequer s&atilde;o chamados a depor na fase policial. Percentual significativo dos casos noticiados tamb&eacute;m jamais &eacute; conclu&iacute;do pela Pol&iacute;cia. Relat&oacute;rio do Estrat&eacute;gia Nacional de Justi&ccedil;a e Seguran&ccedil;a P&uacute;blica(<span style=\"font-family: Arial;\">ENASP<\/span>) aponta, em rela&ccedil;&atilde;o aos homic&iacute;dios que apenas 5 a 8% das investiga&ccedil;&otilde;es s&atilde;o conclu&iacute;das.<\/p>\n<p>\n<strong>9.<\/strong> N&atilde;o tem apoio un&acirc;nime de todos os setores da pol&iacute;cia; a Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Policiais Federais(<span style=\"font-family: Arial;\">Fenapef<\/span>) afirmou em nota que &ldquo;<em>a despeito de sua condi&ccedil;&atilde;o de policial, manifesta-se contrariamente &agrave; PEC em aten&ccedil;&atilde;o &agrave; estrutura interna da pol&iacute;cia federal e aos dados sobre a efic&aacute;cia do inqu&eacute;rito policial no Brasil, com baixos indicadores de solu&ccedil;&atilde;o de homic&iacute;dios em diversas metr&oacute;poles, que, a seu ver, evidenciam a inefic&aacute;cia do instrumento, e desautorizam que lhe seja conferida exclusividade<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\n<strong>10.<\/strong> Impede o trabalho cooperativo e integrado dos &oacute;rg&atilde;os de investiga&ccedil;&atilde;o; um exemplo &eacute; a ENASP, que reuniu esfor&ccedil;os de policiais, delegados de pol&iacute;cia e de membros do Minist&eacute;rio P&uacute;blico e do Judici&aacute;rio, ensejando a propositura de mais de oito mil den&uacute;ncias, 100 mil inqu&eacute;ritos baixados para dilig&ecirc;ncias e mais de 150 mil movimenta&ccedil;&otilde;es de procedimentos antigos.<br \/>\n<span style=\"font-size: x-small;\"><br \/>\n<span style=\"font-family: Arial;\"><br \/>\n** MENDRONI, Marcelo Batlouni. Investiga&ccedil;&atilde;o Direta do M.P. &#8211; Situa&ccedil;&otilde;es Reais. Dispon&iacute;vel em http:\/\/www.ambito-juridico.com.br\/site\/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&amp;artigo_id=733. Acesso em 29\/05\/2011. Doutor em Direito Processual Penal pela Universidad Complutense de Madrid\/Espanha. Membro do Minist&eacute;rio P&uacute;blico de S&atilde;o Paulo Professor do P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o da Escola do Minist&eacute;rio P&uacute;blico de S&atilde;o Paulo Autor de Crime de lavagem de dinheiro, publicado pela Editora Atlas, dentre outras obras e artigos cient&iacute;ficos.<\/span><\/span><\/p>\n<p><\/span><\/span><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><strong><em><span style=\"font-size: x-small;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><\/p>\n<p>* Com Assessoria de Comunica&ccedil;&atilde;oda Procuradoria da Rep&uacute;blica na Para&iacute;ba.<\/span><\/span><\/em><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EEdif\u00edcio sede da Procuradoria Geral da Republica em Bras\u00edlia(DF).<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[25],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6414"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6414"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6414\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6414"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6414"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6414"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}