{"id":6471,"date":"2012-07-16T00:00:00","date_gmt":"2012-07-16T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2012-07-16T00:00:00","modified_gmt":"2012-07-16T00:00:00","slug":"Empreiteiras-terao-incentivo-para-ampliar-industria-belica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2012\/07\/16\/Empreiteiras-terao-incentivo-para-ampliar-industria-belica\/","title":{"rendered":"Empreiteiras ter\u00e3o incentivo para ampliar ind\u00fastria b\u00e9lica"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 7 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><strong><em><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><br \/>\nGoverno quer multiplicar exporta&ccedil;&atilde;o de armas e refor&ccedil;ar seguran&ccedil;a nacional.<\/span><\/span><\/em><\/strong><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><\/p>\n<p>O governo planeja p&ocirc;r o pa&iacute;s no mapa da ind&uacute;stria mundial de defesa, estimulando a cria&ccedil;&atilde;o de &quot;<em>superb&eacute;licas verde-amarelas<\/em>&quot;. Para isso, conceder&aacute; incentivos fiscais e acesso diferenciado &agrave;s licita&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas. Minuta de decreto prev&ecirc; que as vantagens valer&atilde;o para empresas ou cons&oacute;rcios liderados por grupos brasileiros e cria parcelas m&iacute;nimas de conte&uacute;do nacional, revela Danilo Farbello. Al&eacute;m disso, o programa de compras das For&ccedil;as Armadas chega a R$ 70 bilh&otilde;es at&eacute; 2015. O chamado j&aacute; d&aacute; resultados e as maiores empreiteiras do pa&iacute;s &#8211; Odebrecht, OAS, Queiroz Galv&atilde;o, Andrade Gutierrez e Camargo Corr&ecirc;a &#8211; est&atilde;o entrando com for&ccedil;a nesse mercado, que movimenta US$ 1,5 trilh&atilde;o no mundo. Segundo o general Aderico Mattioli, do Minist&eacute;rio da Defesa, as empresas brasileiras que atuam hoje no setor s&atilde;o vulner&aacute;veis.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><br \/>\nGrandes empreiteiras receber&atilde;o incentivo para expandir setor. Governo quer aumentar exporta&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio da Defesa fez uma convoca&ccedil;&atilde;o e as maiores empreiteiras do Brasil j&aacute; asseguraram participa&ccedil;&atilde;o no desenvolvimento da ind&uacute;stria de equipamentos de seguran&ccedil;a nos pr&oacute;ximos anos. Conforme a Lei 12.958, aprovada em mar&ccedil;o, os grupos que criarem subsidi&aacute;rias no setor ter&atilde;o vantagens tribut&aacute;rias e condi&ccedil;&otilde;es especiais para intermediar a incorpora&ccedil;&atilde;o de compras do governo. Odebrecht, OAS, Queiroz Galv&atilde;o, Andrade Gutierrez e Engevix, al&eacute;m da Embraer, j&aacute; entraram no ramo. Os grupos Synergy e Camargo Corr&ecirc;a negociam com parceiros estrangeiros o ingresso no mercado, no modelo adotado pelos outros grupos.<\/p>\n<p>\nO Brasil hoje tem import&acirc;ncia quase irris&oacute;ria em um mercado que movimenta US$ 1,5 trilh&atilde;o por ano no mundo e que, ao lado do setor farmac&ecirc;utico, det&eacute;m o maior or&ccedil;amento global para pesquisa e desenvolvimento. Do setor, historicamente derivam tecnologias usadas no cotidiano, desde o Fusca at&eacute; a ultrassonografia. Os focos principais do governo hoje s&atilde;o os setores nuclear, espacial e cibern&eacute;tico.<\/p>\n<p>\nO Brasil j&aacute; tem empresas com tradi&ccedil;&atilde;o no setor e reconhecidas internacionalmente, como Helibr&aacute;s, Avibr&aacute;s e CBC. Mas a maioria &eacute; pequena, com menos de 40 funcion&aacute;rios, e tem poder financeiro limitado para competir globalmente. Segundo a Federa&ccedil;&atilde;o das Ind&uacute;strias do Estado de S&atilde;o Paulo(<span style=\"font-family: Arial;\">Fiesp<\/span>), s&oacute; 10% das empresas que venderam ao Minist&eacute;rio da Defesa entre 2008 e 2010 fecharam neg&oacute;cios nos tr&ecirc;s anos seguidos, &quot;<em>expondo a inconst&acirc;ncia das vendas mesmo para seu principal cliente, o Estado<\/em>&quot;, diz a entidade.<\/p>\n<p>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><br \/>\nDecreto prev&ecirc; conte&uacute;do nacional<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nAo aproximar essas empresas das empreiteiras, o governo quer criar grupos competitivos com f&ocirc;lego para sobreviver diante das compras intermitentes das For&ccedil;as Armadas. Assim, seria evitado que pequenas e promissoras empresas do setor fossem compradas por estrangeiras, como a AEL Sistemas, produtora de suprimentos de energia para sat&eacute;lites, vendida em 2001 para a israelense Elbit Systems.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>As empresas do setor s&atilde;o vulner&aacute;veis, porque o mercado &eacute; monops&ocirc;nico: as vendas s&atilde;o s&oacute; para n&oacute;s e, quando elas v&atilde;o exportar, dependem do aval do governo. &Eacute; um problema&ccedil;o, porque elas precisam sobreviver e eu compro pouco. Elas t&ecirc;m de partir para parcerias e dualidade<\/em>(<span style=\"font-family: Arial;\">atendendo os setores militar e civil<\/span>)&quot;, disse o general Aderico Visconte Pardi Mattioli, diretor do Departamento de Produtos de Defesa do minist&eacute;rio.<\/p>\n<p>\nA primeira motiva&ccedil;&atilde;o das empresas para entrar no setor foi a indica&ccedil;&atilde;o do governo de reaparelhamento das For&ccedil;as Armadas no fim de 2008. H&aacute; hoje um or&ccedil;amento de compras de R$ 70 bilh&otilde;es at&eacute; 2015 e outras dezenas de bilh&otilde;es s&atilde;o previstas para at&eacute; 2030.<\/p>\n<p>\nA Odebrecht foi a primeira gigante a entrar no mercado em um contrato com a Marinha para, junto com a estatal Nuclep, construir o submarino nuclear brasileiro, or&ccedil;ado em R$ 9,6 bilh&otilde;es. As obras j&aacute; come&ccedil;aram em Itagua&iacute;(<span style=\"font-family: Arial;\">RJ<\/span>) e o valor envolvido despertou as concorrentes.<\/p>\n<p>\nEssas empresas est&atilde;o de olho n&atilde;o s&oacute; nas obras de engenharia civil, mas tamb&eacute;m na tecnologia adquirida pelo governo nessas compras e na possibilidade de replic&aacute;-la exportando. Por isso, as empresas t&ecirc;m feito parcerias com estrangeiros. A Andrade Gutierrez se associou ao grupo franc&ecirc;s Thales e a Engevix se uniu &agrave; alem&atilde; ThyssenKrupp, enquanto as outras negociam, por exemplo, com BAE Systems, do Reino Unido, e Finmecanica, da It&aacute;lia. Procuradas, nenhuma das empresas brasileiras atendeu a pedidos de entrevista e algumas se limitaram a confirmar suas a&ccedil;&otilde;es no segmento.<\/p>\n<p>\nPela lei, o governo criou a Empresa Estrat&eacute;gica de Defesa (EED), que ter&aacute; desonera&ccedil;&atilde;o equivalente &agrave;s estrangeiras do setor, al&eacute;m de acesso diferenciado a procedimentos de licita&ccedil;&atilde;o pelo Minist&eacute;rio da Defesa. Segundo minuta de decreto a que O GLOBO teve acesso, que regulamenta a lei 12.958 e deve ser publicado nas pr&oacute;ximas semanas, ter&atilde;o essas vantagens de atuar como &quot;<em>integradoras<\/em>&quot; das compras do governo empresas brasileiras ou cons&oacute;rcios liderados por grupo nacional. O decreto prev&ecirc;, ainda, o meio de oferta de condi&ccedil;&otilde;es especiais de financiamento pelo governo, o que est&aacute; na lei.<\/p>\n<p>\nO texto prev&ecirc; o chamado Termo de Licita&ccedil;&atilde;o Especial, um procedimento mais &aacute;gil para as EEDs exigindo delas, por exemplo, percentuais m&iacute;nimos de conte&uacute;do nacional, comprova&ccedil;&atilde;o de capacidade inovadora e condi&ccedil;&atilde;o financeira para ter cr&eacute;dito.<\/p>\n<p>\nPela Estrat&eacute;gia Nacional de Defesa, que previu em 2008 as diretrizes para a forma&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria nacional, o governo indica que, fomentando a a&ccedil;&atilde;o desses grandes conglomerados no setor, o Brasil pode criar grupos capazes de exportar o suficiente para aumentar a balan&ccedil;a comercial no futuro. Pa&iacute;ses perif&eacute;ricos aos grandes produtores de armamento na Europa e nos EUA, como &Iacute;ndia e China, t&ecirc;m investido bilh&otilde;es por ano em importa&ccedil;&otilde;es para defesa.<\/p>\n<p>\nSegundo a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Ind&uacute;strias de Materiais de Defesa e Seguran&ccedil;a(<span style=\"font-family: Arial;\">Abimde<\/span>), o pa&iacute;s tem potencial para, em 2030, exportar US$ 7 bilh&otilde;es e atender o equivalente a US$ 4,4 bilh&otilde;es no mercado interno. Em 2009, exportamos US$ 1 bilh&atilde;o e, as vendas internas foram de US$ 1,7 bilh&atilde;o.<\/p>\n<p>\nO almirante Carlos Afonso Pierantoni Gamb&ocirc;a, vice-presidente executivo da Abimde, disse que o Brasil j&aacute; &eacute; reconhecido internacionalmente por nichos de excel&ecirc;ncia, como avia&ccedil;&atilde;o, armas n&atilde;o letais e pistolas. Ele lembra que o movimento trazido agora pelo governo j&aacute; ocorreu em outros pa&iacute;ses hoje relevantes no setor.<\/p>\n<p>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><br \/>\nFalta consenso entre empresas do setor<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nA estrat&eacute;gia do governo para fortalecer a ind&uacute;stria nacional de defesa, por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; consensual entre as empresas brasileiras. Para Jairo C&acirc;ndido, diretor do Departamento de Ind&uacute;stria de Defesa da Fiesp, o governo n&atilde;o deveria adquirir a tecnologia para s&oacute; depois decidir como ser&aacute; incorporada &agrave; ind&uacute;stria nacional. Para ele, tamb&eacute;m &eacute; &quot;<em>perverso<\/em>&quot; p&ocirc;r lado a lado empresas do setor e grandes empreiteiras, sem que elas escolham uma voca&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para o segmento: <\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">&quot;<em>Aquilo que deveria servir &agrave; soberania nacional est&aacute; virando s&oacute; oportunidade de neg&oacute;cios, mas n&atilde;o deveria se limitar a isso. Grandes empresas t&ecirc;m muito a contribuir e sou a favor do ingresso delas no setor, mas antes t&ecirc;m de dizer o que far&atilde;o na &aacute;rea de defesa<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nTer uma ind&uacute;stria de defesa relevante &eacute; passo significativo no longo caminho do Brasil em busca de assento cativo no Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU. Para o almirante Pierantoni, o Brasil ainda conta com a vantagem de n&atilde;o ter hist&oacute;rico de posi&ccedil;&otilde;es question&aacute;veis em conflitos e de ser simp&aacute;tico ao mundo, de uma maneira geral: &quot;<em>Mais dif&iacute;cil &eacute; superarmos o entrave cultural nacional dos militares, porque muitos ainda n&atilde;o v&ecirc;em o equipamento brasileiro com bons olhos<\/em>&quot;.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 7 minutos Governo quer multiplicar exporta&ccedil;&atilde;o de armas e refor&ccedil;ar seguran&ccedil;a nacional. 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