{"id":6549,"date":"2012-08-03T00:00:00","date_gmt":"2012-08-03T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2012-08-03T00:00:00","modified_gmt":"2012-08-03T00:00:00","slug":"Duelo-entre-o-real-e-o-imaginario-no-novo-livro-de-Linaldo-Guedes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2012\/08\/03\/Duelo-entre-o-real-e-o-imaginario-no-novo-livro-de-Linaldo-Guedes\/","title":{"rendered":"Duelo entre o real e o imagin\u00e1rio no novo livro de Linaldo Guedes"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 4 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nJo&atilde;o Pessoa(PB) &#8211;<\/span><\/span><\/strong><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"> A poesia de Linaldo Guedes &eacute; um grito carinhoso que continua mais forte no seu silencio, que nos pergunta o tempo todo sobre organiza&ccedil;&atilde;o e alma, sobre vida e acordo, poesia que &eacute; um solapo em nossa quietude e ler &ldquo;<em>Met&aacute;foras para um duelo no sert&atilde;o do poeta<\/em>&rdquo; Linaldo Guedes  nos permite um momento onde a quietude n&atilde;o &eacute; uma calmaria,  antes &eacute; uma necessidade de sobreviv&ecirc;ncia, pois &eacute; preciso depois da leitura fechar o livro e organizar o turbilh&atilde;o de imagens, de buscas, de caminhos que de forma firme e duradoura ocupam nosso c&eacute;rebro.<\/p>\n<p>\nH&aacute; e sempre houve muitos duelos no sert&atilde;o, o sangue brota de peitos lacerados e cabe&ccedil;as erguidas, e o poeta  da Para&iacute;ba, nos revela um outro duelo dentro de todos os duelos sertanejos, o duelo que marca a fronteira entre o real e o imagin&aacute;rio, entre a escolha e o imposto, entre o ser e o nada, um duelo travado na fome que n&atilde;o nos devora e sim nos impulsiona como fortes para caminhar entre espinhos e sedes, a fome que  &eacute; o caminhar,  o viver entre nuvens de ideias e poucas certezas, a fome que nos mant&eacute;m vivos.<\/p>\n<p>\n&Eacute;, portanto, desta fome que trata o livro do poeta Guedes, uma fome bela e que no sertanejo &agrave;s vezes coberta como poeira por outras fomes pode nos aparentar fracos ou mesmo vitimas. E  a poesia de Linaldo n&atilde;o tem  a dor do fracasso ou da vingan&ccedil;a, mas a serenidade da percep&ccedil;&atilde;o que a vida sofre mas tamb&eacute;m &eacute; uma festa, &eacute; uma espera e &eacute; sempre uma luta dentro de muitas outras lutas.<\/p>\n<p>&quot;<em>meu pai sorriu<br \/>\n&agrave; sombra da goiabeira<\/p>\n<p>nada de rugas na face<br \/>\napenas a n&eacute;voa<br \/>\nde um tempo escondido pela sombra das horas<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nO passado na figura do pai &eacute; de uma melanc&oacute;lica e doce  lembran&ccedil;a, n&atilde;o no sofrimento, mas na n&eacute;voa que reescreve o rosto na falta de rugas e numa sombra, a da goiabeira, uma outra faz suave e s&aacute;bio o nosso existir, o das horas.<\/p>\n<p>\nE enfrentando a religi&atilde;o sem raivas e sem medos ele afirma:<\/p>\n<p>&quot;<em>matraca silenciosa<br \/>\nliturgia de augusto<br \/>\nremoendo<br \/>\nmoendo<br \/>\ndoendo<br \/>\nmoenda<br \/>\n&#8211; baga&ccedil;o de homem no altar dos sert&otilde;es<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nE o poeta Linaldo Guedes brinca com sua inf&acirc;ncia, seu crescer, sua fam&iacute;lia e entre alegrias e descobertas ele afirma a sadia desaven&ccedil;a entre idades e sexos no ninho, que &eacute; um pouco revelado na sombra da goiabeira, salta agora em Lili, em Deci, Didi, Laura, em Laudeni, na galega Nen&eacute;m e se junta na rede com o pai, embalado em natais onde a fam&iacute;lia tocaiava sonhos de olho no alpendre, pois sabedor que <\/p>\n<p>&quot;<em>liturgia de ora&ccedil;&atilde;o<br \/>\n&#8211; nega&ccedil;&atilde;o do jejum do prazer<\/em>&quot;<\/p>\n<p>\nLinaldo declara:<\/p>\n<p>&quot;<em>nunca conseguira entender a falta de p&atilde;o<\/em>&quot;<\/p>\n<p>\nPois &eacute; com poesia que o poeta enfrenta dores e cal&uacute;nias<\/p>\n<p>&quot;<em>sou um homem marcado<br \/>\nmarcado para doer<br \/>\ngado preso no curral<br \/>\nquando n&atilde;o, abatido<br \/>\ncomendo Baudelaire<br \/>\nna erva daninha de meu capim<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nE continua caminhando por entre fantasmas  nas brincadeiras de muitas humanidades, fazendo duelar os medos dos 12 anos, bumba meu boi  e sombras na parede, com a dura realidade do homem quarent&atilde;o que nada teme, mas<\/p>\n<p>&quot;<em>tanto medo aos 12<br \/>\naos 40, medo s&oacute; de seu olhar de gra&uacute;na<\/em>&quot;<\/p>\n<p>\nLinaldo Guedes n&atilde;o vive por ai afirmando sua sertanidade, antes universal sabe das necessidades de superar mitos e vencer etapas<\/p>\n<p>&quot;<em>cansei de pas&aacute;rgada<br \/>\neste neg&oacute;cio de sentar-se eternamente no trono<br \/>\nn&atilde;o compensa a mulher que queremos<\/em>&quot;<\/p>\n<p>\nPodemos ent&atilde;o arriscar que &ldquo;<em>Met&aacute;foras para um duelo no sert&atilde;o<\/em>&rdquo; do poeta paraibano LINALDO GUEDES, publica&ccedil;&atilde;o da editora Patu&aacute; &eacute; n&atilde;o um mergulho no pr&oacute;prio umbigo do poeta, mas sim a afirma&ccedil;&atilde;o da vida com toda a dor e o prazer que tem no fato de viver e que tamb&eacute;m soa este livro como uma can&ccedil;&atilde;o que pode ser  um grito forte saudando nossas fomes e um esperan&ccedil;oso desejo de duelar.<\/p>\n<p>\nRecomendo a leitura de &ldquo;<em>Met&aacute;foras para um duelo no sert&atilde;o<\/em>&rdquo;, que com certeza vai abrir horizontes e permitir o deleite do belo numa terra &aacute;rida e fazer plainar azedumes em dias de fugas, Um livro com um cora&ccedil;&atilde;o repleto de amores e fomes e sempre um cora&ccedil;&atilde;o decidido.<\/p>\n<p><\/span><\/span><span style=\"font-size: x-small;\"><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><strong><em><span style=\"font-family: Arial;\">* Por Ronaldo Braga &#8211; poeta baiano.<\/span><\/em><\/strong><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 4 minutos Jo&atilde;o Pessoa(PB) &#8211; A poesia de Linaldo Guedes &eacute; um grito carinhoso que continua mais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[38],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6549"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6549"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6549\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6549"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6549"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6549"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}