{"id":6714,"date":"2012-10-02T00:00:00","date_gmt":"2012-10-02T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2012-10-02T00:00:00","modified_gmt":"2012-10-02T00:00:00","slug":"Massacre-do-Carandiru-completa-20-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2012\/10\/02\/Massacre-do-Carandiru-completa-20-anos\/","title":{"rendered":"Massacre do Carandiru completa 20 anos"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 5 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<strong>S&atilde;o Paulo(SP) &#8211;<\/strong> Na tarde de 2 de outubro de 1992, por volta das 14h00m, a dois dias das elei&ccedil;&otilde;es municipais, dois detentos brigam no Pavilh&atilde;o 9, na Casa de Deten&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Paulo, um complexo penitenci&aacute;rio constru&iacute;do nos anos 20 no bairro do Carandiru, na zona norte de S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>\nFoi o estopim de uma trag&eacute;dia que deixou 111 detentos mortos, resultado da invas&atilde;o da Pol&iacute;cia Militar(<span style=\"font-family: Arial;\">PM<\/span>) que aconteceria pouco depois, e que ficou conhecida como o Massacre do Carandiru.<\/p>\n<p>\nO complexo era formado por sete pavilh&otilde;es, cada um deles com cinco andares. Na &eacute;poca, 7.257 presos viviam no Carandiru(<span style=\"font-family: Arial;\">como afinal ficou conhecida a Casa de Deten&ccedil;&atilde;o<\/span>), 2.706 deles s&oacute; no Pavilh&atilde;o 9, onde estavam encarcerados os r&eacute;us prim&aacute;rios, aqueles que cumpriam sua primeira pena de pris&atilde;o. Em 2002, teve in&iacute;cio o processo de demoli&ccedil;&atilde;o do complexo penitenci&aacute;rio. Hoje o local abriga o Parque da Juventude.<\/p>\n<p>\nA briga se generaliza, come&ccedil;a uma confus&atilde;o e os funcion&aacute;rios do complexo tentam acalmar os &acirc;nimos dos detentos e recolh&ecirc;-los &agrave;s celas. &ldquo;<em>As pessoas se amotinaram, se aglomeraram, os agentes penitenci&aacute;rios ficaram em p&acirc;nico, evadiram-se do pavilh&atilde;o e come&ccedil;ou aquela gritaria de que havia se iniciado uma rebeli&atilde;o<\/em>&rdquo;, contou o pastor evang&eacute;lico Sidney Francisco Sales, 45 anos, ex-detento do Pavilh&atilde;o 9 e que atualmente cuida de tr&ecirc;s abrigos.<\/p>\n<p>\nSales estava em sua cela, no quinto andar, quando os policiais chegaram ao Carandiru para conter a rebeli&atilde;o. Uma tentativa de negocia&ccedil;&atilde;o com os detentos falhou. &ldquo;<em>Passava das 3h da tarde quando a PM invadiu o Pavilh&atilde;o 9. O ataque foi desfechado com precis&atilde;o militar: r&aacute;pido e letal. A viol&ecirc;ncia da a&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deu chance para defesa<\/em>&rdquo;, narra o m&eacute;dico Drauzio Varela em seu livro Esta&ccedil;&atilde;o Carandiru.<\/p>\n<p>\nDrauzio fazia um trabalho de preven&ccedil;&atilde;o &agrave; aids no complexo e conta ter escrito o livro baseado nos relatos dos presos. Cerca de meia hora depois da entrada da PM, &ldquo;<em>as metralhadoras silenciaram<\/em>&rdquo;, contou o m&eacute;dico. Nesse dia, 111 detentos morreram, 84 deles presos ainda n&atilde;o condenados.<\/p>\n<p>\nEm 2000, um documento da Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos(<span style=\"font-family: Arial;\">CIDH<\/span>) da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos(<span style=\"font-family: Arial;\">OEA<\/span>), ap&oacute;s peti&ccedil;&atilde;o impetrada pelas organiza&ccedil;&otilde;es Human Rights Watch Americas, Centro pela Justi&ccedil;a e pelo Direito Internacional(<span style=\"font-family: Arial;\">Cejil<\/span>) e Comiss&atilde;o Teot&ocirc;nio Vilela, considerou a a&ccedil;&atilde;o policial no Carandiru &ldquo;um massacre&rdquo;.<\/p>\n<p>\nNo documento &ndash; o Relat&oacute;rio 34\/00 &#8211; a CIDH relata os acontecimentos no Carandiru. &ldquo;<em>Ante o motim, os guardas(<span style=\"font-family: Arial;\">agentes penitenci&aacute;rios<\/span>) optaram por retirar-se do estabelecimento, e o diretor da pris&atilde;o pediu a ajuda da Pol&iacute;cia Militar<\/em>&rdquo;, diz a comiss&atilde;o. &ldquo;<em>Segundo dados que os peticion&aacute;rios apresentaram e o Estado (<span style=\"font-family: Arial;\">brasileiro<\/span>) n&atilde;o contestou, os ju&iacute;zes supervisores foram chamados pelo diretor da pris&atilde;o t&atilde;o logo se deu o alarme, &agrave;s 14h15, ao mesmo tempo em que se convocaram as autoridades policias. &Agrave;s 14h30, chegou o comandante Ubiratan Guimar&atilde;es, chefe da Pol&iacute;cia Metropolitana de S&atilde;o Paulo, com tr&ecirc;s tropas de assalto, inclusive c&atilde;es, pelot&otilde;es de choque e o Batalh&atilde;o Rota, especializado em combates de grande viol&ecirc;ncia. O secret&aacute;rio de Seguran&ccedil;a transferiu nesse momento a autoridade sobre a pris&atilde;o para o comandante Guimar&atilde;es<\/em>&rdquo;, continua o texto do relat&oacute;rio.<\/p>\n<p>\nA CIDH relata ainda que o ent&atilde;o governador de S&atilde;o Paulo, Luiz Antonio Fleury Filho, &ldquo;<em>encontrava-se nesse momento fora da cidade e aparentemente s&oacute; foi informado da rebeli&atilde;o &agrave;s 17h35m<\/em>&rdquo;. De acordo com o documento, dois ju&iacute;zes da Vara de Execu&ccedil;&otilde;es Penais e o juiz da Corregedoria dos Pres&iacute;dios tamb&eacute;m estiveram no local, mas, quando l&aacute; chegaram, foram dissuadidos pela Pol&iacute;cia Militar de entrar no Pavilh&atilde;o 9, j&aacute; que os presos estariam armados. Por volta das 16h, os policiais ocuparam o pavilh&atilde;o.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>O pr&oacute;prio governador Fleury declarou que, pelo fato de alguns detidos terem atacado a pol&iacute;cia, e especialmente depois que o comandante Guimar&atilde;es foi ferido em consequ&ecirc;ncia da explos&atilde;o de um tubo de televis&atilde;o, as for&ccedil;as encarregadas de sufocar o levante ficaram fora de controle<\/em>&rdquo;, relata o documento da Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>&Agrave;s 17 horas, aproximadamente, os ju&iacute;zes foram informados de que o motim terminara<\/em>&rdquo;, diz o documento. Nenhum policial morreu na a&ccedil;&atilde;o. Para a CIDH, as mortes dos detentos n&atilde;o decorreram de a&ccedil;&otilde;es de leg&iacute;tima defesa nem para desarm&aacute;-los, &ldquo;<em>uma vez que as armas de que dispunham, de fabrica&ccedil;&atilde;o caseira, haviam sido dispostas no p&aacute;tio ao entrarem os policiais<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>Quando cheguei na borda do primeiro pavimento, vi uma cena dantesca, algo que nunca tinha visto na minha vida. Um monte de cad&aacute;veres empilhados, um por cima do outro, todos completamente destro&ccedil;ados, com buracos de balas aos montes. Comecei a contar os cad&aacute;veres. Pude contar 90 cad&aacute;veres. Contei errado naquele dia. Na realidade, tinham 89<\/em>&rdquo;, relatou &agrave; Ag&ecirc;ncia Brasil Osvaldo Negrini Neto, que era perito do Instituto de Criminal&iacute;stica(<span style=\"font-family: Arial;\">IC<\/span>) &agrave; &eacute;poca. Pouco depois, ele soube que outros cad&aacute;veres j&aacute; haviam sido levados ao Instituto M&eacute;dico-Legal(<span style=\"font-family: Arial;\">IML<\/span>) naquela mesma noite.<\/p>\n<p>\nApesar de saber que o n&uacute;mero de mortos excedia 100 pessoas na manh&atilde; do dia 3 de outubro, a divulga&ccedil;&atilde;o s&oacute; ocorreu ap&oacute;s o final das elei&ccedil;&otilde;es municipais, quando as urnas estavam fechadas, j&aacute; no final da tarde de domingo(<span style=\"font-family: Arial;\">4<\/span>). &ldquo;<em>Na tr&aacute;gica hist&oacute;ria de massacres de que a comiss&atilde;o tem mem&oacute;ria, raros s&atilde;o os casos de atos de selvageria e brutalidade compar&aacute;veis aos praticados naquela tarde em Carandiru<\/em>&rdquo;, escreveu a CIDH.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 5 minutos S&atilde;o Paulo(SP) &#8211; Na tarde de 2 de outubro de 1992, por volta das 14h00m, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[9],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6714"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6714"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6714\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6714"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6714"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6714"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}