{"id":6781,"date":"2012-10-19T00:00:00","date_gmt":"2012-10-19T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2012-10-19T00:00:00","modified_gmt":"2012-10-19T00:00:00","slug":"Comercio-mundial-entra-em-nova-fase","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2012\/10\/19\/Comercio-mundial-entra-em-nova-fase\/","title":{"rendered":"Com\u00e9rcio mundial entra em nova fase"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 7 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nM&eacute;xico, Nig&eacute;ria, Ar&aacute;bia Saudita, Reino Unido, Venezuela: em outros tempos, a origem dos petroleiros atracados no porto de Corpus Christi, Texas, mais parecia uma lista de presen&ccedil;a na qual constavam os principais pa&iacute;ses exportadores de petr&oacute;leo.<\/p>\n<p>\nA lista, agora, ficou mais curta. Na verdade, pela primeira vez desde os anos 40, o porto hoje &eacute; ponto de origem para remessas ao exterior de milh&otilde;es de barris de petr&oacute;leo bruto, extra&iacute;dos na regi&atilde;o, ali nas proximidades, de Eagle Ford. &quot;<em>&Eacute; inacredit&aacute;vel<\/em>&quot;, diz Frank Brogan&quot;, vice-diretor do porto. &quot;O petr&oacute;leo bruto importado foi nossa carga principal por d&eacute;cadas&quot;.<\/p>\n<p>\nO porto de Corpus Christi est&aacute; no centro de uma mudan&ccedil;a hist&oacute;rica em andamento no com&eacute;rcio mundial de petr&oacute;leo bruto. Com a recupera&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica do Norte, os padr&otilde;es de importa&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o v&ecirc;m mudando. A Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia(<span style=\"font-family: Arial;\">AIE<\/span>) estima que at&eacute; 2017 haver&aacute; decl&iacute;nio no com&eacute;rcio intercontinental de petr&oacute;leo, revertendo anos de crescimento constante.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>O mapa global do petr&oacute;leo ser&aacute; redesenhado nos pr&oacute;ximos cinco anos<\/em>&quot;, diz Maria van der Hoeven, diretora-executiva da AIE, a associa&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses ocidentais de supervis&atilde;o do setor petroleiro.<\/p>\n<p>\nEm 2017, ser&atilde;o negociados diariamente 32,9 milh&otilde;es de barris de petr&oacute;leo bruto entre as diferentes regi&otilde;es do mundo, 1,6 milh&atilde;o de barris a menos do que em 2011, segundo estimativa da ag&ecirc;ncia. O decl&iacute;nio provavelmente ter&aacute; repercuss&otilde;es nos balan&ccedil;os de pagamentos nacionais e nas empresas de fontes de energia.<\/p>\n<p>\nO novo mapa comercial tamb&eacute;m mudar&aacute; as rela&ccedil;&otilde;es de pre&ccedil;o do petr&oacute;leo bruto, obrigando grandes empresas internacionais de com&eacute;rcio, como a Vitol, Glencore, Trafigura, Gunvor e Mercuria, assim como as divis&otilde;es comercializadoras da BP, Royal Dutch Shell e Total, a repensar a forma como operam. Tamb&eacute;m poderia atingir a demanda por fretes de empresas de superpetroleiros, como a Frontline, com sede nas Bermudas, e a OSG, nos EUA.<\/p>\n<p>\nO centro das mudan&ccedil;as no mapa global &eacute; a Am&eacute;rica do Norte, onde as refinarias reduzir&atilde;o as importa&ccedil;&otilde;es em consider&aacute;veis 2,6 milh&otilde;es barris por dia, o equivalente &agrave; produ&ccedil;&atilde;o atual do Kuwait, gra&ccedil;as ao aumento da produ&ccedil;&atilde;o no Canad&aacute; e em estados dos EUA, como Texas e Dakota do Norte.<\/p>\n<p>\nA mudan&ccedil;a nas importa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o ser&aacute; uniforme entre os diferentes tipos de petr&oacute;leo, com as refinarias provavelmente ficando mais avessas ao petr&oacute;leo leve e com baixo teor de enxofre, que &eacute; de maior qualidade. Os EUA cortaram pela metade as importa&ccedil;&otilde;es vindas da Nig&eacute;ria, fornecedor desse tipo de petr&oacute;leo.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>Prevemos que as importa&ccedil;&otilde;es de(<span style=\"font-family: Arial;\">petr&oacute;leo<\/span>) leve (<span style=\"font-family: Arial;\">que tem baixo teor de enxofre<\/span>) manter&atilde;o seu ritmo constante de decl&iacute;nio de 400 mil barris di&aacute;rios por ano<\/em>&quot;, diz Thomas Waymel, diretor de petr&oacute;leo bruto da Totsa, a divis&atilde;o de com&eacute;rcio internacional da francesa Total.<\/p>\n<p>\nRefinarias na costa atl&acirc;ntica dos EUA v&ecirc;m encontrando novas formas de substituir o petr&oacute;leo estrangeiro com a produ&ccedil;&atilde;o local. O aumento na produ&ccedil;&atilde;o dos EUA fez o pre&ccedil;o do referencial local, o West Texas Intermediate(<span style=\"font-family: Arial;\">WTI<\/span>), cair em rela&ccedil;&atilde;o a outros petr&oacute;leos. Nesta semana, a diferen&ccedil;a entre o WTI e o petr&oacute;leo do tipo Brent aumentou para mais de US$ 24 por barril, a maior em um ano e pr&oacute;xima ao recorde de mais de US$ 28, observado em 2011.<br \/>\n<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><img decoding=\"async\" align=\"absMiddle\" src=\"http:\/\/www.obeabadosertao.com.br\/UserFiles\/Image\/diversos\/plataforma_petroleo_465.jpg\" alt=\"\" \/><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><\/p>\n<p>Em Albany, capital do Estado de Nova York, a Global Partners, empresa de comercializa&ccedil;&atilde;o e log&iacute;stica de fontes de energia, vem descarregando trens com petr&oacute;leo bruto americano e transferindo-o a barcas que seguem pelo rio Hudson para ser vendido a refinarias. &quot;<em>&Eacute; uma alternativa melhor do que o(<span style=\"font-family: Arial;\">petr&oacute;leo<\/span>) da &Aacute;frica Ocidental<\/em>&quot;, diz o executivo-chefe da empresa Eric Slifka.<\/p>\n<p>\nA outra grande mudan&ccedil;a no mapa-m&uacute;ndi do petr&oacute;leo &eacute; a previs&atilde;o de queda nas exporta&ccedil;&otilde;es de petr&oacute;leo bruto do Oriente M&eacute;dio nos pr&oacute;ximos cinco anos. A AIE projeta que, em 2017, a regi&atilde;o estar&aacute; exportando cerca de 1,9 milh&otilde;es de barris di&aacute;rios a menos.<br \/>\n<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><img decoding=\"async\" align=\"absMiddle\" src=\"http:\/\/www.obeabadosertao.com.br\/UserFiles\/Image\/internacional\/lugares\/libia_tripoli_mapa_465.JPG\" alt=\"\" \/><\/span><\/span><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">Duas for&ccedil;as explicam o decl&iacute;nio previsto. Primeira, a regi&atilde;o vai refinar mais petr&oacute;leo domesticamente. Na Ar&aacute;bia Saudita, a petrol&iacute;fera estatal Saudi Aramco est&aacute; construindo duas refinarias, cada uma com capacidade para 400 mil barris di&aacute;rios, em alian&ccedil;as com a Total e a chinesa Sinopec. As refinarias v&atilde;o processar quase todo o petr&oacute;leo bruto extra&iacute;do do mais novo campo de petr&oacute;leo saudita, chamado de Manifa. A outra for&ccedil;a em quest&atilde;o ser&aacute; uma redu&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o da S&iacute;ria, I&ecirc;men e Om&atilde;.<\/p>\n<p>\nNo total, as importa&ccedil;&otilde;es de petr&oacute;leo bruto pelos pa&iacute;ses industrializados v&atilde;o cair 4,3 milh&otilde;es de barris di&aacute;rios nos pr&oacute;ximos cinco anos. Por outro lado, em 2017, os pa&iacute;ses em desenvolvimento v&atilde;o estar comprando 2,7 milh&otilde;es de barris di&aacute;rios a mais do que em 2011. A retra&ccedil;&atilde;o no com&eacute;rcio de petr&oacute;leo bruto, no entanto, pode vir acompanhada por um aumento no de combust&iacute;vel, uma vez que os produtores nos EUA e Oriente M&eacute;dio v&atilde;o refinar mais petr&oacute;leo perto de casa e enviar os produtos refinados para o exterior.<\/p>\n<p>\nAs comercializadoras cujas rotas formam a espinha dorsal do com&eacute;rcio internacional de petr&oacute;leo tamb&eacute;m precisar&atilde;o se adaptar. A BP, por exemplo, reestruturou seu bra&ccedil;o de comercializa&ccedil;&atilde;o h&aacute; dois anos como reflexo das mudan&ccedil;as no mapa internacional do petr&oacute;leo. Na &eacute;poca do an&uacute;ncio, o diretor de opera&ccedil;&otilde;es integradas de oferta e comercializa&ccedil;&atilde;o da BP, Paul Reed, disse aos funcion&aacute;rios por e-mail que a base de ativos da BP estava predominantemente em mercados desenvolvidos e que a empresa tinha &quot;<em>relativamente pouca presen&ccedil;a em algumas<\/em>&quot; das novas &aacute;reas de consumo em fase de expans&atilde;o.<\/p>\n<p>\nA Trafigura tamb&eacute;m tenta se adaptar e vem aumentando os investimentos na &Aacute;sia, onde o crescimento &eacute; acelerado. A empresa anunciou neste ano investimentos de US$ 130 milh&otilde;es para comprar participa&ccedil;&atilde;o de 24% no projeto da Nagarjuna Oil Corp. Ltd. de construir uma refinaria no sul da &Iacute;ndia. Tamb&eacute;m anunciou US$ 120 milh&otilde;es em tanques de armazenamento no local da refinaria.<\/p>\n<p>\nOutros est&atilde;o se expandindo nos EUA para lucrar com a necessidade de transportar mais petr&oacute;leo bruto local. A Vitol comprou participa&ccedil;&atilde;o de 50% na Blueknight Energy Partners, especializada em oleodutos nos EUA. O bra&ccedil;o de comercializa&ccedil;&atilde;o da Shell recentemente solicitou licen&ccedil;a ao governo dos EUA para exportar petr&oacute;leo bruto local para o Canad&aacute;.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>Enquanto o petr&oacute;leo estiver sendo transportado entre diferentes regi&otilde;es do mundo, ainda haver&aacute; um nicho para as comercializadoras<\/em>&quot;, diz Andy Lipow, que era operador de petr&oacute;leo na Vitol e hoje trabalha como consultor em Houston. &quot;<em>O que vai mudar apenas &eacute; o rumo do fluxo<\/em>&quot;.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 7 minutos M&eacute;xico, Nig&eacute;ria, Ar&aacute;bia Saudita, Reino Unido, Venezuela: em outros tempos, a origem dos petroleiros atracados [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[10],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6781"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6781"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6781\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}