{"id":6826,"date":"2012-11-05T00:00:00","date_gmt":"2012-11-05T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2012-11-05T00:00:00","modified_gmt":"2012-11-05T00:00:00","slug":"Lei-contra-crime-cibernetico-evita-polemicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2012\/11\/05\/Lei-contra-crime-cibernetico-evita-polemicas\/","title":{"rendered":"Lei contra crime cibern\u00e9tico evita pol\u00eamicas"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 5 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><em>Projeto de cibercrime aprovado no Senado &eacute; avan&ccedil;o, mas sem pol&ecirc;mica.<\/em><\/strong><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><strong>Bras&iacute;lia(DF) &#8211;<\/strong> O Senado Federal aprovou na semana passada um projeto de lei para incluir crimes cibern&eacute;ticos no C&oacute;digo Penal brasileiro. Mas ele n&atilde;o &eacute; o primeiro: o Senado aprovou, em 2008, um substitutivo ao PL 84 de 1999. Os dois projetos agora se encontram no mesmo est&aacute;gio, na C&acirc;mara dos Deputados, mas um deles tramita h&aacute; um ano, enquanto o outro levou quase uma d&eacute;cada para chegar ao mesmo &ldquo;<em>lugar<\/em>&rdquo;. A receita para isso foi simples: evitar quest&otilde;es pol&ecirc;micas. Considerando-se o atraso da lei brasileira sobre o tema e a complexidade do assunto, h&aacute; algo para se comemorar.<\/p>\n<p>\nO projeto aprovado na semana passada, que tramitou sob os n&uacute;meros PLC 35\/2012(<span style=\"font-family: Arial;\">no Senado<\/span>) e PL 2793\/11(<span style=\"font-family: Arial;\">na C&acirc;mara<\/span>) foi &ldquo;<em>batizado<\/em>&rdquo; de &ldquo;<em>Lei Carolina Dieckmann<\/em>&rdquo; por ter ganho f&ocirc;lego depois que fotos da atriz ca&iacute;ram na internet, em maio deste ano. O projeto, que foi apresentado e aprovado na C&acirc;mara, recebeu modifica&ccedil;&otilde;es no Senado e, por isso, agora precisa voltar para a C&acirc;mara, que deve aprovar as emendas. S&oacute; ent&atilde;o o texto segue para a san&ccedil;&atilde;o da presidente.<\/p>\n<p>\nO texto prev&ecirc; a criminaliza&ccedil;&atilde;o da invas&atilde;o de computadores; da produ&ccedil;&atilde;o, venda ou distribui&ccedil;&atilde;o de programas &ldquo;<em>com o intuito de permitir<\/em>(<span style=\"font-family: Arial;\">a invas&atilde;o de computadores<\/span>)&ldquo;; de &ldquo;<em>dificultar o restabelecimento  de servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o<\/em>(<span style=\"font-family: Arial;\">para criminalizar a pr&aacute;tica de ataques que sobrecarregam sites para tir&aacute;-los do ar<\/span>)&quot; e, finalmente, a falsifica&ccedil;&atilde;o de cart&otilde;es de cr&eacute;dito e d&eacute;bito, que passariam a ser considerados documentos particulares pela lei.<\/p>\n<p>\nN&atilde;o existe nada no projeto sobre a manuten&ccedil;&atilde;o dos &ldquo;<em>logs de conex&atilde;o<\/em>&rdquo; pelos provedores, que s&atilde;o necess&aacute;rios &agrave;s investiga&ccedil;&otilde;es da pol&iacute;cia na internet. N&atilde;o existe nada que trate do envio de mensagens indesejadas(<span style=\"font-family: Arial;\">o spam, que &eacute; crime nos Estados Unidos, por exemplo<\/span>). N&atilde;o h&aacute; nenhuma regulamenta&ccedil;&atilde;o sobre criptografia, sobre redes sem fio, sobre qualquer responsabilidade dos provedores de internet.<\/p>\n<p>\nTodas essas quest&otilde;es devem ficar para o Marco Civil da Internet. Algumas delas evidentemente devem ser tratadas no Marco Civil &#8211; <em>j&aacute; que o projeto aprovado &eacute; para o C&oacute;digo Penal <\/em>&#8211; o C&oacute;digo Penal trata de assuntos que levam &agrave; pris&atilde;o e tem uma interpreta&ccedil;&atilde;o mais r&iacute;gida do texto, o que n&atilde;o deseja para algumas das quest&otilde;es que ainda precisam ser decididas. No entanto, o que &eacute; importante deixar claro &eacute; que n&atilde;o se pode esperar muito com apenas o texto que foi aprovado.<\/p>\n<p>\nEmbora seja importante que a invas&atilde;o de computadores e a cria&ccedil;&atilde;o de c&oacute;digos maliciosos estejam finalmente tipificadas no C&oacute;digo Penal, o projeto preferiu uma reda&ccedil;&atilde;o bastante conservadora &ndash; novamente, para evitar pol&ecirc;mica. Fica proibida a invas&atilde;o e o c&oacute;digo malicioso apenas quando a finalidade for &ldquo;<em>obter, adulterar ou destruir dados ou informa&ccedil;&otilde;es<\/em>&rdquo; ou &ldquo;<em>instalar vulnerabilidade<\/em>&rdquo;(<span style=\"font-family: Arial;\">uma express&atilde;o que n&atilde;o &eacute; t&eacute;cnica e pode gerar problemas<\/span>), mas existem milhares de pragas digitais em circula&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o se encaixam nessa defini&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\nPor exemplo, existem pragas digitais que apenas utilizam o sistema invadido para enviar spam, ou para utilizar a capacidade de processamento do computador de forma indevida, como, por exemplo, para realizar cliques falsos em publicidade com o intuito de fraude. Criminalizar atividades complexas como essas &eacute; dif&iacute;cil, e provavelmente por isso, foram deixadas de lado. Felizmente, hoje isso n&atilde;o &eacute; um problema muito grande no Brasil, pois o crime digital aqui se concentra no roubo de dados banc&aacute;rios.<\/p>\n<p>\nO texto pro&iacute;be a distribui&ccedil;&atilde;o e venda de &ldquo;<em>programa de computador com o &ldquo;intuito&rdquo; de &ldquo;invadir dispositivo inform&aacute;tico alheio<\/em>&rdquo;. Julgar o &ldquo;<em>intuito<\/em>&rdquo; de um programa de computador &eacute; bastante complicado: existem softwares de captura de dados que podem ser usados para monitoramento do pr&oacute;prio computador(<span style=\"font-family: Arial;\">dos filhos, por exemplo<\/span>), como para o roubo de dados.<\/p>\n<p><em><br \/>\nQual ser&aacute; o &ldquo;intuito&rdquo; dos softwares de espionagem criados por empresas e oferecidos para governos e pol&iacute;cia<\/em>? Tamb&eacute;m n&atilde;o est&aacute; totalmente claro como isso poderia dificultar o trabalho de profissionais que precisam manipular programas maliciosos para finalidade de estudo, embora a palavra &ldquo;<em>intuito<\/em>&rdquo; d&ecirc; bastante margem para interpreta&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o prejudiquem esses profissionais. H&aacute; muitos &ldquo;<em>f&oacute;runs de hackers<\/em>&rdquo; que distribuem c&oacute;digos maliciosos &ldquo;<em>para fins educacionais<\/em>&rdquo;&hellip;<\/p>\n<p>\nO projeto trata do que &eacute; mais urgente. E n&atilde;o d&aacute; para culpar o Congresso por tomar este caminho para finalmente aprovar o projeto, j&aacute; que o Brasil est&aacute; pelo menos uma d&eacute;cada atrasado nessa quest&atilde;o. Estamos muito longe, por&eacute;m, de terminar as discuss&otilde;es sobre a legisla&ccedil;&atilde;o de inform&aacute;tica.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>&ldquo;PL Azeredo&rdquo;<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO outro projeto que tramita na C&acirc;mara, que foi aprovado em 2008 no Senado e que ficou conhecido como &ldquo;<em>PL Azeredo<\/em>&rdquo;, devido ao seu relator, o Senador Eduardo Azeredo(<span style=\"font-family: Arial;\">PSDB-MG<\/span>),  foi completamente &ldquo;<em>desmontado<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\nO texto foi aprovado no Senado em 2008 com 23 artigos. Como n&atilde;o foi poss&iacute;vel aprov&aacute;-lo na C&acirc;mara at&eacute; agora, Azeredo, que hoje &eacute; deputado federal, redigiu um parecer eliminando a maioria dos artigos &ndash; todos, na verdade, que deram margem a qualquer discuss&atilde;o. O texto, que j&aacute; foi alvo de in&uacute;meras pol&ecirc;micas, &eacute; agora no m&aacute;ximo um complemento para a &ldquo;<em>Lei Dieckmann<\/em>&rdquo;, e j&aacute; nem seria estranho se os dois projetos fossem aprovados na C&acirc;mara dos Deputados.<\/p>\n<p>\nA pergunta que fica agora &eacute; quanto tempo ainda ter&aacute; de se esperar para ver o Marco Civil e aprovado e, a&iacute; sim, espera-se, ter uma legisla&ccedil;&atilde;o mais completa sobre a internet.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 5 minutos Projeto de cibercrime aprovado no Senado &eacute; avan&ccedil;o, mas sem pol&ecirc;mica. Bras&iacute;lia(DF) &#8211; O Senado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[25],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6826"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6826"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6826\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6826"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6826"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6826"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}