{"id":7036,"date":"2013-01-09T00:00:00","date_gmt":"2013-01-09T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2013-01-09T00:00:00","modified_gmt":"2013-01-09T00:00:00","slug":"Obras-em-descompasso-dao-prejuizo-de-R-2-bilhoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2013\/01\/09\/Obras-em-descompasso-dao-prejuizo-de-R-2-bilhoes\/","title":{"rendered":"Obras em descompasso d\u00e3o preju\u00edzo de R$ 2 bilh\u00f5es"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 7 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<strong>Bras&iacute;lia(DF) &#8211;<\/strong> Falta de planejamento e falhas na execu&ccedil;&atilde;o de dois megaprojetos de infraestrututura na Bahia &#8211; a Ferrovia de Integra&ccedil;&atilde;o Oeste-Leste(<span style=\"font-family: Arial;\">Fiol<\/span>) e o Porto Sul, complexo portu&aacute;rio de Ilh&eacute;us &#8211; trar&atilde;o um desperd&iacute;cio de R$ 2 bilh&otilde;es em recursos p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>\nA constru&ccedil;&atilde;o da Fiol, que ligar&aacute; o sert&atilde;o baiano ao litoral do Estado, pressup&otilde;e, na ponta dos 1.000 km de trilhos, um porto para o escoamento da carga. Mas a ferrovia dever&aacute; ficar pronta em dezembro de 2015, tr&ecirc;s anos e meio a quatro anos antes da conclus&atilde;o prevista do complexo Porto Sul, em junho de 2018, e ficar&aacute; todo esse tempo sem utiliza&ccedil;&atilde;o &#8211; ou com n&iacute;vel de opera&ccedil;&atilde;o desprez&iacute;vel.<\/p>\n<p>\nO Tribunal de Contas da Uni&atilde;o(<span style=\"font-family: Arial;\">TCU<\/span>) auditou os projetos e calculou o preju&iacute;zo que ser&aacute; imputado &agrave; Uni&atilde;o por conta do descompasso nas obras. Ao todo, as perdas somam R$ 1,996 bilh&atilde;o, cifra que inclui a receita cessante(<span style=\"font-family: Arial;\">lucro que a ferrovia deixar&aacute; de gerar no per&iacute;odo<\/span>) e os custos do capital imobilizado, que embutem a deprecia&ccedil;&atilde;o dos ativos, os gastos com manuten&ccedil;&atilde;o e o custo de oportunidade atrelado ao que foi investido na malha. Esse preju&iacute;zo pode ser ainda maior, j&aacute; que o TCU considerou apenas os investimentos feitos na constru&ccedil;&atilde;o da estrada de ferro.<\/p>\n<p>\nUm rombo de R$ 2 bilh&otilde;es. Esse &eacute; o tamanho aproximado do estrago que ser&aacute; causado aos cofres p&uacute;blicos por conta de falta de planejamento e de uma enxurrada de falhas cometidas na execu&ccedil;&atilde;o de dois megaprojetos de infraestrutura na Bahia: a Ferrovia de Integra&ccedil;&atilde;o Oeste-Leste(<span style=\"font-family: Arial;\">Fiol<\/span>) e o Porto Sul, complexo portu&aacute;rio previsto para ser erguido em Ilh&eacute;us.<\/p>\n<p>\nA origem desse preju&iacute;zo bilion&aacute;rio est&aacute; no cronograma dos estudos e das obras dos dois empreendimentos, a&ccedil;&otilde;es que foram realizadas sem nenhum tipo de integra&ccedil;&atilde;o, embora a constru&ccedil;&atilde;o da Fiol, que ligar&aacute; o sert&atilde;o baiano at&eacute; o litoral do Estado, s&oacute; fa&ccedil;a sentido se, na ponta dessa malha de 1 mil km de trilhos, existir um porto para concluir o escoamento da carga.<\/p>\n<p>\nListada no Programa de Acelera&ccedil;&atilde;o do Crescimento(<span style=\"font-family: Arial;\">PAC<\/span>), a Fiol &eacute; administrada pela estatal Valec. A ferrovia, que receber&aacute; investimentos de R$ 4,334 bilh&otilde;es, tem previs&atilde;o de ter seus primeiros 500 km conclu&iacute;dos em junho de 2014, com a liga&ccedil;&atilde;o de Ilh&eacute;us a Caetit&eacute;. Uma segunda metade de 500 km est&aacute; prevista para dezembro de 2015, com a extens&atilde;o de Caetit&eacute; at&eacute; a cidade de Barreiras.<\/p>\n<p>\nAcontece que a conclus&atilde;o do complexo Porto Sul, que at&eacute; novembro de 2012 sequer tinha o seu local de instala&ccedil;&atilde;o definido no litoral baiano, s&oacute; dever&aacute; ocorrer daqui a 54 meses, ou seja, em junho de 2018. Isso significa que a Fiol, depois de conclu&iacute;da, ficar&aacute; sem utiliza&ccedil;&atilde;o &#8211; <em>ou com n&iacute;vel de opera&ccedil;&atilde;o desprez&iacute;vel<\/em> &#8211; por um per&iacute;odo entre tr&ecirc;s anos e meio e quatro anos.<\/p>\n<p>\nO descolamento entre os dois empreendimentos chamou a aten&ccedil;&atilde;o do Tribunal de Contas da Uni&atilde;o(<span style=\"font-family: Arial;\">TCU<\/span>), que auditou os projetos e calculou o preju&iacute;zo que ser&aacute; imputado &agrave; Uni&atilde;o por conta do descompasso nas obras. Ao todo, as perdas somam R$ 1,996 bilh&atilde;o, cifra que inclui a receita cessante(<span style=\"font-family: Arial;\">lucro que a ferrovia deixar&aacute; de gerar no per&iacute;odo<\/span>) e os custos do capital imobilizado, que embutem a deprecia&ccedil;&atilde;o dos ativos, os gastos com manuten&ccedil;&atilde;o e o custo de oportunidade atrelado ao que foi investido na malha. Esse preju&iacute;zo pode ser ainda maior, j&aacute; que o TCU se limitou a considerar apenas os investimentos feitos na constru&ccedil;&atilde;o da estrada de ferro, sem contabilizar outros custos atrelados ao projeto, como a sinaliza&ccedil;&atilde;o os pr&oacute;prios trens que circular&atilde;o na via.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>Ap&oacute;s dois anos da contrata&ccedil;&atilde;o das obras da Fiol, o trecho que iria conectar a ferrovia ao complexo portu&aacute;rio ainda encontrava-se indefinido&quot;, conclui a auditoria do tribunal. &quot;Foi poss&iacute;vel constatar que a implanta&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o dos dois projetos de infraestrutura apresentam relevantes defici&ecirc;ncias, resultantes de seu planejamento n&atilde;o devidamente integrado e coordenado<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nO planejamento da Fiol teve in&iacute;cio em 2008. Para defender a viabilidade do projeto, o governo destacou que a ferrovia serviria para integrar as &aacute;reas produtivas das regi&otilde;es Norte, Centro-Oeste e Nordeste do pa&iacute;s, uma vez que sua malha dever&aacute; se ligar &agrave; Ferrovia Norte-Sul, tamb&eacute;m sob responsabilidade da Valec. Ocorre que, atualmente, os &uacute;ltimos 500 km de malha que ligariam a Fiol at&eacute; a Norte-Sul, entre as cidades de Barreiras e Figueir&oacute;polis, no Tocantins, sequer t&ecirc;m data para serem iniciados. N&atilde;o h&aacute;, at&eacute; o momento, nenhuma previs&atilde;o quanto &agrave; conclus&atilde;o dos estudos necess&aacute;rios para a defini&ccedil;&atilde;o desse tra&ccedil;ado.<\/p>\n<p>\nQuanto ao Porto Sul, que tem investimentos estimados em R$ 3,5 bilh&otilde;es, o Ibama s&oacute; concedeu a licen&ccedil;a pr&eacute;via ambiental do projeto em novembro. A expectativa &eacute; que a licen&ccedil;a de instala&ccedil;&atilde;o que dar&aacute; aval para o in&iacute;cio efetivo das obras do complexo portu&aacute;rio saia nos pr&oacute;ximos seis meses, prazo que j&aacute; foi considerado pelo TCU para calcular os preju&iacute;zos relacionados ao descolamento do cronograma do porto com a ferrovia baiana.<\/p>\n<p>\nO fato &eacute; que, nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos, enquanto o Porto Sul enfrentava uma s&eacute;rie de obst&aacute;culos ambientais para se viabilizar, a Valec j&aacute; tocava as obras da Fiol. Nesse meio tempo, o porto, idealizado para ser situado na praia de Ponta da Tulha, chegou ater seu licenciamento negado pelo Ibama em 2010. Foi preciso buscar uma segunda alternativa para instala&ccedil;&atilde;o, em Aritagu&aacute;, para que o licenciamento ambiental avan&ccedil;asse.<\/p>\n<p>\nA principal voca&ccedil;&atilde;o da Fiol &eacute; o transporte de min&eacute;rio. Em Caetit&eacute; est&atilde;o as minas da Bahia Minera&ccedil;&atilde;o(<span style=\"font-family: Arial;\">Bamin<\/span>). O projeto da empresa prev&ecirc; que 19,5 milh&otilde;es de toneladas de min&eacute;rio de ferro sejam transportados por ano at&eacute; o Porto Sul. Numa segunda fase, mais 45 milh&otilde;es de toneladas anuais dever&atilde;o ser carregadas pelos trilhos da Fiol e embarcadas em navios ancorados em seu terminal, em Ilh&eacute;us. A Bamin, que ter&aacute; capacidade de movimentar diariamente 62,1 mil toneladas de min&eacute;rio de ferro, pretende iniciar sua explora&ccedil;&atilde;o em 2014.<\/p>\n<p>\nPara o ministro-substituto do TCU Andr&eacute; Lu&iacute;s de Carvalho, toda c&uacute;pula dos Transportes falhou na execu&ccedil;&atilde;o dos empreendimentos. &quot;<em>O Minist&eacute;rio dos Transportes n&atilde;o atuou para evitar o in&iacute;cio da execu&ccedil;&atilde;o das obras da Fiol sem que houvesse uma garantia m&iacute;nima da viabilidade ambiental do complexo Porto Sul, sendo este empreendimento imprescind&iacute;vel para a viabilidade t&eacute;cnica e econ&ocirc;mica da ferrovia<\/em>&quot;, comentou.<\/p>\n<p>\nNo caso da Valec, disse Carvalho, &quot;<em>restou evidenciado que a empresa tomou decis&otilde;es relativas &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o da ferrovia de forma fragmentada, sem levar em considera&ccedil;&atilde;o que o planejamento de um conjunto de obras civis com essas caracter&iacute;sticas deve envolver, necessariamente, a an&aacute;lise de viabilidade da integra&ccedil;&atilde;o dos sistemas vi&aacute;rios e de suas modalidades de transporte<\/em>&quot;.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 7 minutos Bras&iacute;lia(DF) &#8211; Falta de planejamento e falhas na execu&ccedil;&atilde;o de dois megaprojetos de infraestrututura na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[9],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7036"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7036"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7036\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7036"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7036"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7036"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}