{"id":7106,"date":"2013-01-29T00:00:00","date_gmt":"2013-01-29T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2013-01-29T00:00:00","modified_gmt":"2013-01-29T00:00:00","slug":"Agricultura-ainda-gera-desconfianca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2013\/01\/29\/Agricultura-ainda-gera-desconfianca\/","title":{"rendered":"Agricultura ainda gera desconfian\u00e7a"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 5 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\n<span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong><em>A valoriza&ccedil;&atilde;o das terras pode atrair de volta investidores para a agricultura.<br \/>\n<\/em><\/strong><\/span><\/span><br \/>\nSoa como o pr&oacute;prio para&iacute;so para investidores: um setor que vale estimados 10% da produ&ccedil;&atilde;o da economia mundial, com demanda suficiente para puxar um aumento da produ&ccedil;&atilde;o projetado em 70% at&eacute; 2050. Mas a agricultura &#8211; <em>o ponto de partida de uma cadeia alimentar que ter&aacute; de nutrir 9 bilh&otilde;es de pessoas at&eacute; meados do s&eacute;culo<\/em> &#8211; deixou cicatrizes em alguns grandes participantes de sucesso do universo dos investimentos. Muitos encaram agora com desconfian&ccedil;a um setor que fica &agrave; merc&ecirc; de instabilidade clim&aacute;tica, risco pol&iacute;tico e governos aventureiros.<\/p>\n<p>\nA atitude marca uma reviravolta em rela&ccedil;&atilde;o a poucos anos antes da crise financeira de 2008, quando o Morgan Stanley comprou lotes de terra agr&iacute;cola na Ucr&acirc;nia, a Altima Partners queria criar &quot;<em>a primeira ExxonMobil do setor agr&iacute;cola<\/em>&quot; e Crispin Odey, diretor do fundo de hedge Odey Asset Management, pregou: &quot;<em>Venda bancos, compre queijo<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nAtualmente o apetite para recorrer ao setor continua s&oacute;lido, mas moldado por advert&ecirc;ncias decorrentes das opera&ccedil;&otilde;es fracassadas daqueles anos de maior risco. Essa restri&ccedil;&atilde;o &eacute; um breque para muitos dos que mais precisam de financiamento: 85% da produ&ccedil;&atilde;o vem de pequenos propriet&aacute;rios rurais, muitos dos quais t&ecirc;m necessidade de se expandir e aprimorar a tecnologia.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>Os produtores rurais enfrentam dificuldades para obter financiamento dos bancos e procuram fontes alternativas&quot;, diz Ashley Clarke, diretor associado da assessoria empresarial Grant Thornton. Richard Ferguson, diretor da Masdar Farming, qualifica a agricultura de &quot;a &uacute;ltima grande industrializa&ccedil;&atilde;o<\/em>&quot;. &Eacute; um processo que, segundo ele, demorar&aacute; de 20 a 30 anos para acontecer, em boa medida refletindo o que ocorreu com o setor petrol&iacute;fero por mais de um s&eacute;culo: com propriedades rurais de menor porte reunindo for&ccedil;as e se tornando corpora&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\nA R&uacute;ssia e a Ucr&acirc;nia ilustram o processo. Pelos ditames das reformas institu&iacute;das ap&oacute;s o colapso da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, as fazendas coletivas passaram para as m&atilde;os de centenas de indiv&iacute;duos; diante disso, um ter&ccedil;o da terra deixou de produzir.<\/p>\n<p>\nAs aquisi&ccedil;&otilde;es corporativas come&ccedil;aram, para valer, em 2002. Ferguson se lembra de uma empresa agr&iacute;cola que ostentava 70 advogados em seu quadro de 1,6 mil funcion&aacute;rios, cujo tempo era gasto comprando parcelas individuais de extens&otilde;es de terra. Elas formaram a base de alguns dos grandes grupos atuais com a&ccedil;&otilde;es em bolsa, como o Cherkizovo e a Black Earth Farming.<\/p>\n<p>\nMas o descompasso entre as expectativas dos que tentam obter capital e os que o fornecem est&aacute; emperrando o fluxo de investimento. Uma consultoria ilustra o escancarado v&aacute;cuo de financiamento existente com o caso de um fundo de hedge de Nova York que fez as avalia&ccedil;&otilde;es de contas com vistas &agrave; compra de um grande projeto agr&iacute;cola no Brasil. O fundo acabou desistindo do neg&oacute;cio ao perceber que apenas ganharia o devido fluxo de caixa positivo &quot;<em>um m&ecirc;s por ano<\/em>&quot;, dado que a colheita ocorre tamb&eacute;m uma vez por ano. Outras quest&otilde;es fazem os investidores parar para pensar. A agricultura &eacute; fragmentada, de pequena escala e localizada, e projetos isolados s&atilde;o considerados arriscados demais.<\/p>\n<p>\nEm vez disso, os investidores est&atilde;o apostando no crescimento do setor via equipamentos e tecnologia, com a compra de a&ccedil;&otilde;es como a da fabricante de tratores John Deere ou a fornecedora de sementes Syngenta.<\/p>\n<p>\nA escassez desses grupos com a&ccedil;&otilde;es registradas em bolsa tamb&eacute;m explica os desenfreados m&uacute;ltiplos colhidos pelas que efetivamente existem &#8211; os pap&eacute;is do grupo de gen&eacute;tica animal Genus, com a&ccedil;&otilde;es no Reino Unido, s&atilde;o negociados a 26 vezes os lucros previstos. Em contrapartida, existe um cemit&eacute;rio de tamanho consider&aacute;vel de a&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas que despencaram como as da Asian Citrus e as da Asian Bamboo.<\/p>\n<p>\nAssim, investidores est&atilde;o prospectando maneiras de tornar a atividade agr&iacute;cola algo mais invest&iacute;vel. Entre os modelos est&atilde;o associar os agricultores em cooperativas. O modelo tamb&eacute;m &eacute; proveitoso para capta&ccedil;&atilde;o de recursos. As cooperativas agr&iacute;colas podem se aglutinar para investir em processamento ou refino. A cooperativa neo-zelandesa de leite e derivados Fonterra captou no ano passado 525 milh&otilde;es de d&oacute;lares neo-zelandeses por meio de um novo fundo, referenciado em seu desempenho financeiro. O registro em bolsa transformou a Fonterra na maior empresa da Nova Zel&acirc;ndia.<\/p>\n<p>\nMas outros analistas arrolam contrapontos a essas hist&oacute;rias de sucesso, como os da Landkom, Asian Citrus e da Black Earth Farming. Esta &uacute;ltima foi formada para investir na produ&ccedil;&atilde;o russa de gr&atilde;os e possui um banco de terras maior do que Luxemburgo, mas o lucro encolheu em cada um dos &uacute;ltimos cinco anos, num desempenho qualificado pela empresa como &quot;decepcionante&quot;.<\/p>\n<p>\nA Landkom, que entrou na bolsa em 2007 e, por causa da crise financeira teve que se desvencilhar das ambi&ccedil;&otilde;es de expandir seu banco de terras; comprou em seguida o maquin&aacute;rio errado e amargou uma safra prec&aacute;ria de canola &#8211; at&eacute; ser comprada a pre&ccedil;o de banana.<\/p>\n<p>\nClarke, da Grant Thrnton, v&ecirc; mais atratividade em outras partes da Europa. L&aacute; os investidores podem ganhar retornos sobre o capital de 1% a 2%, diante da valoriza&ccedil;&atilde;o da terra que, no Reino Unido, por exemplo, dobrou nos &uacute;ltimos cinco anos.<\/p>\n<p>\nJ&uuml;rgen Siemer, analista-s&ecirc;nior da Sustainable Asset Management, concorda. &quot;<em>O pre&ccedil;o da terra est&aacute; subindo. Assim, investimentos na agricultura tornam-se mais atraentes, e h&aacute; mais lucro a computar<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nEm 1993, quando a operadora de telefonia m&oacute;vel Orange surgiu, n&atilde;o previa computar lucros por seis anos(<span style=\"font-family: Arial\">ao que se revelou, ela gerou um lucro min&uacute;sculo em um, dentre sete anos<\/span>). Em 2000, estava entre os cinco grupos do Reino Unido que desembolsaram US$ 22 bilh&otilde;es ou mais por concess&otilde;es de opera&ccedil;&atilde;o de 3G -, o que empurrou as metas ainda mais para a frente.<\/p>\n<p>\nA atividade pode ter um horizonte ainda mais distante. Kim Wagner, s&oacute;cio do Boston Consulting, diz que os agricultores medem em gera&ccedil;&otilde;es. Seu colega Decker Walker acrescenta: &quot;<em>A cria&ccedil;&atilde;o de valor nesse setor tem sido fabulosa<\/em>&quot;. N&atilde;o &eacute; coisa que investidores diziam sobre as telecomunica&ccedil;&otilde;es em 2000.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 5 minutos A valoriza&ccedil;&atilde;o das terras pode atrair de volta investidores para a agricultura. 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