{"id":7255,"date":"2013-03-12T00:00:00","date_gmt":"2013-03-12T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2013-03-12T00:00:00","modified_gmt":"2013-03-12T00:00:00","slug":"Brasil-pode-se-tornar-maior-exportador-mundial-de-milho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2013\/03\/12\/Brasil-pode-se-tornar-maior-exportador-mundial-de-milho\/","title":{"rendered":"Brasil pode se tornar maior exportador mundial de milho"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 7 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\n<strong>Cascavel(Paran&aacute;) &#8211; <\/strong>O Brasil pode se tornar o maior exportador mundial de milho esse ano. Os produtores brasileiros est&atilde;o colhendo uma safra recorde e aproveitam a quebra da safra americana, mas todo esse esfor&ccedil;o esbarra na dificuldade do transporte.<\/p>\n<p>\nO Brasil nunca produziu e exportou tanto milho. S&oacute; ano passado, foram embarcadas no pa&iacute;s quase 20 milh&otilde;es de toneladas, mais do que o dobro do exportado em 2011.<\/p>\n<p>\nA expectativa &eacute; que, em 2013, a exporta&ccedil;&atilde;o continue com n&uacute;meros muito bons. O Minist&eacute;rio da Agricultura dos Estados Unidos chegou a declarar, inclusive, que o Brasil deve tomar dos americanos o primeiro lugar no ranking dos pa&iacute;ses que mais exportam o gr&atilde;o, um feito in&eacute;dito. O lugar era ocupado h&aacute; d&eacute;cadas pelos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\nOs estoques norte-americanos ainda est&atilde;o baixos por causa da forte estiagem que atingiu as principais regi&otilde;es produtoras em 2012 e provocou perdas de cerca de 100 milh&otilde;es de toneladas de milho. Essa queda na oferta mundial fez o pre&ccedil;o internacional do gr&atilde;o disparar e abriu mercado para o milho brasileiro l&aacute; fora. Essa conquista tende a ser tempor&aacute;ria, pois os Estados Unidos devem recuperar, j&aacute; na pr&oacute;xima temporada, o topo nas exporta&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\nPara o analista de mercado Camilo Motter, os produtores brasileiros aprenderam rapidamente as regras desse jogo e souberam aproveitar o espa&ccedil;o deixado pelos americanos. &ldquo;<em>O Brasil pode se tornar um grande exportador de milho tamb&eacute;m. Fica a li&ccedil;&atilde;o de que podemos ser competitivos, podemos exportar nossos excedentes de milho e n&atilde;o devemos regredir. Tempos atr&aacute;s, nossa produ&ccedil;&atilde;o de milho era basicamente colocada no mercado interno porque n&atilde;o t&iacute;nhamos competitividade em termos de custos, de log&iacute;stica, que ainda precisamos melhorar muito, mas que hoje n&oacute;s j&aacute; estamos conseguindo conquistar<\/em>&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>\nNa regi&atilde;o de Cascavel, no oeste do Paran&aacute;, os produtores andam investindo pesado no milho. Segundo o sindicato rural, a &aacute;rea plantada na segunda safra, tamb&eacute;m chamada de safrinha, dever&aacute; ser oito vezes maior que a da safra de ver&atilde;o.<\/p>\n<p>\nO agricultor Paulo Orso, por exemplo, decidiu investir no milho nas duas safras. O produtor tem 450 hectares e plantou 75 hectares com o milho de ver&atilde;o, que ele est&aacute; terminando de colher, e outros 200 hectares com o chamado milho safrinha.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>Sem d&uacute;vida nenhuma, n&oacute;s aproveitamos essa oportunidade, tanto como a condi&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel de plantio neste ano. Com a antecipa&ccedil;&atilde;o da colheita de ver&atilde;o, n&oacute;s tivemos a felicidade de implantar essa lavoura, em toda essa &aacute;rea, em tempo excelente dentro dos nossos zoneamentos e, com isso, nos favoreceu. A grande vantagem &eacute; realmente a oportunidade de mercado que fez a gente fazer a expans&atilde;o<\/em>&rdquo;, diz Orso.<\/p>\n<p>\nOs n&uacute;meros estimados para a safrinha s&atilde;o mesmo de impressionar. Segundo previs&atilde;o da Conab divulgada esta semana, o Brasil deve produzir, em 2013, 41 milh&otilde;es de toneladas, quase 5% a mais do que na safra passada, que j&aacute; tinha sido considerada maior safrinha de milho da hist&oacute;ria, tendo ultrapassado, inclusive, o volume produzido na safra de ver&atilde;o.<\/p>\n<p>\nVale lembrar que a segunda safra sempre oferece riscos para o produtor, ainda mais nessa regi&atilde;o, onde as geadas s&atilde;o sempre uma amea&ccedil;a. Gustavo Salton, agr&ocirc;nomo que administra outra propriedade no munic&iacute;pio de Cascavel, diz que, al&eacute;m dos 80 hectares de milho de ver&atilde;o que est&atilde;o sendo colhidos agora, a fazenda tamb&eacute;m decidiu aumentar sua &aacute;rea de milho de segunda safra de 50 para 135 hectares, apesar dos riscos.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>Eu tenho uma &aacute;rea um pouco pequena que est&aacute; plantando ainda. N&oacute;s estamos j&aacute; em mar&ccedil;o, mas vamos tentar correr um pouco esse risco para aproveitar esse bom momento do mercado<\/em>&rdquo;, afirma Salton. Se os produtores andam t&atilde;o otimistas, o mesmo n&atilde;o se pode dizer de quem comercializa o gr&atilde;o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"Milho\" align=\"absMiddle\" src=\"http:\/\/www.obeabadosertao.com.br\/UserFiles\/Image\/agricultura\/graos\/milho_em_graos_465.jpg\" \/><\/p>\n<p>As empresas que compram esse milho para exportar aproveitam, claro, o bom momento do mercado, mas sem grandes investimentos e com muita cautela. O temor n&atilde;o tem nada a ver com a produ&ccedil;&atilde;o. Uma empresa, tamb&eacute;m de Cascavel, especializada em exporta&ccedil;&atilde;o de gr&atilde;os, deve mandar para o mercado externo este ano 25 mil toneladas de milho, cerca de 30% a mais do que no ano anterior.<\/p>\n<p>\nPara Jorge Barzotto, um dos s&oacute;cios-diretores da Cerealista, o que faz o exportador colocar o p&eacute; no freio s&atilde;o alguns dos j&aacute; velhos conhecidos problemas. &ldquo;<em>A nossa log&iacute;stica &eacute; uma das mais caras do mundo. Transporte rodovi&aacute;rio, ped&aacute;gio, a quest&atilde;o dos portos, s&atilde;o fatores extremamente limitantes para o Brasil se consolidar como um grande player, um grande exportador de milho no mercado mundial<\/em>&rdquo;, diz.<\/p>\n<p>\nEssa preocupa&ccedil;&atilde;o se justifica. Os gastos com o frete rodovi&aacute;rio e com os ped&aacute;gios encarecem o custo para exporta&ccedil;&atilde;o, e ainda h&aacute; as taxas dos portos. &ldquo;<em>Temos mais ou menos em torno de R$ 24 por tonelada para fazer a eleva&ccedil;&atilde;o do porto, em torno de R$ 11 por tonelada por ped&aacute;gio e em torno de R$ 90 por tonelada de transporte de Cascavel at&eacute; Paranagu&aacute;. Diria que d&aacute; em torno de R$ 8 a R$ 9 por saco, descontados do produtor, por custo de log&iacute;stica no Brasil<\/em>&rdquo;, diz Barzotto.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"Soja\" align=\"absMiddle\" src=\"http:\/\/www.obeabadosertao.com.br\/UserFiles\/Image\/agricultura\/graos\/soja_em_grao_465.jpg\" \/><\/p>\n<p>As exporta&ccedil;&otilde;es de milho e soja mais que triplicaram nos &uacute;ltimos anos. Em 2000, o Brasil exportou 18 mih&otilde;es de toneladas e, agora, em 2013, esse n&uacute;mero deve chegar a 57 milh&otilde;es.<\/p>\n<p>\nPaulinho Dalmaz, diretor t&eacute;cnico do porto, explica que o volume de gr&atilde;os embarcado em Paranagu&aacute; este ano deve ser 20% maior que o da safra passada, e que n&atilde;o h&aacute; muito que fazer para evitar a lentid&atilde;o no escoamento desta super safra.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>A curto prazo, &eacute; s&oacute; planejamento, &eacute; dedica&ccedil;&atilde;o, &eacute; trabalho di&aacute;rio para que n&atilde;o se perca um minuto sequer de carregamento. Logicamente, existe uma dissintonia entre o campo e os portos. N&atilde;o d&aacute; para dizer que &eacute; de Paranagu&aacute;, &eacute; de Santos, &eacute; de Rio Grande. Eles ficaram muito tempo sem grandes investimentos, e os investimentos portu&aacute;rios s&atilde;o investimentos demor<\/em>ados&rdquo;, explica Dalmaz.<\/p>\n<p>\nEssa semana, uma fila de dois mil caminh&otilde;es se formou na BR-364, em Alto Araguaia, Mato Grosso, onde funciona o terminal ferrovi&aacute;rio. Outros 1.500 caminh&otilde;es j&aacute; aguardavam dentro do terminal para carregar os trens com destino ao porto de Santos, em S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>\nEm Santos, h&aacute; mais filas. Com os terminais operando acima da capacidade, os caminhoneiros pararam, at&eacute; em fila dupla, em plena estrada. O resultado foi congestionamento de 20 quil&ocirc;metros nas principais rodovias que d&atilde;o acesso ao porto.<\/p>\n<p>\nPara o agr&ocirc;nomo e especialista em agroneg&oacute;cio Marcos Jank, os problemas de escoamento podem se agravar, e prev&ecirc; um per&iacute;odo de dificuldades. &ldquo;<em>O cen&aacute;rio vai ser absolutamente ca&oacute;tico esse ano porque n&oacute;s vamos exportar quase 40% a mais por conta do grande crescimento da exporta&ccedil;&atilde;o de milho<\/em>&rdquo;, diz.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>Existe realmente um grande crescimento, principalmente na soja e no milho, que vai engargalar ainda mais a situa&ccedil;&atilde;o desses portos, particularmente nos meses de abril a junho<\/em>&rdquo;, completa Jank. Em Bras&iacute;lia, a Secretaria de Portos da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica acredita que n&atilde;o h&aacute; risco de colapso no escoamento da safra.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>Risco de desatendimento n&atilde;o h&aacute;. O que existe &eacute; que podemos chegar pr&oacute;ximo ao limite de capacidade desses portos, e a&iacute; termos um n&iacute;vel de servi&ccedil;o um pouco abaixo do que esper&aacute;vamos. Pode haver forma&ccedil;&atilde;o de filas e um custo um pouco maior, mas esta &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o totalmente inesperada. A gente n&atilde;o esperava essa safra para esse momento. A nossa expectativa, pelo Plano Nacional de Log&iacute;stica Portu&aacute;ria, &eacute; que cheg&aacute;ssemos a uma safra de 15 milh&otilde;es, uma exporta&ccedil;&atilde;o de 15 milh&otilde;es de toneladas, em 2020 apenas<\/em>&rdquo;, explica Lu&iacute;s Cl&aacute;udio Montenegro, diretor da Secretaria dos Portos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"Porto de Cabedelo\" align=\"absMiddle\" src=\"http:\/\/www.obeabadosertao.com.br\/UserFiles\/Image\/cidades\/porto_de_cabedelo_pb_cabedelo_465b.jpg\" \/><\/p>\n<p>Nos portos, as empresas que t&ecirc;m terminal pr&oacute;prio conseguem embarcar sem problemas, mas quem usa os corredores normais de exporta&ccedil;&atilde;o est&aacute; enfrentando fila para carregar. Os navios esperam at&eacute; 20 dias em Paranagu&aacute; e de 30 a 40 dias em Santos.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 7 minutos Cascavel(Paran&aacute;) &#8211; O Brasil pode se tornar o maior exportador mundial de milho esse ano. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[34],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7255"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7255"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7255\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7255"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7255"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7255"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}