{"id":7339,"date":"2013-03-23T00:00:00","date_gmt":"2013-03-23T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2013-03-23T00:00:00","modified_gmt":"2013-03-23T00:00:00","slug":"Municoes-dos-EUA-sao-apontadas-como-causa-da-malformacao-congenita-de-bebes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2013\/03\/23\/Municoes-dos-EUA-sao-apontadas-como-causa-da-malformacao-congenita-de-bebes\/","title":{"rendered":"Muni\u00e7\u00f5es dos EUA s\u00e3o apontadas como causa da malforma\u00e7\u00e3o cong\u00eanita de beb\u00eas"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 17 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\n<em><span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>Houve um aumento de sete vezes no n&uacute;mero de rec&eacute;m-nascidos com defeitos em Basra entre 1994 e 2003; dentre cada 1 mil nascidos com vida, 23 tinham defeitos de nascen&ccedil;a.<br \/>\n<\/strong><\/span><\/span><\/em><br \/>\n<strong>Bagd&aacute;(Iraque) &#8211;<\/strong> A guerra no Iraque acabou j&aacute; faz algum tempo, mas nas cidades de Basra e Fallujah o n&uacute;mero de beb&ecirc;s que nascem com defeitos e os casos de c&acirc;ncer est&atilde;o em ascens&atilde;o. Os moradores locais acreditam que o ur&acirc;nio das muni&ccedil;&otilde;es americanas &eacute; o culpado por essas ocorr&ecirc;ncias e alguns pesquisadores acreditam que eles podem estar certos.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"Projeteis de artilharia com Ur&acirc;nio empobrecido.\" align=\"absMiddle\" width=\"465\" height=\"311\" src=\"\/UserFiles\/Image\/internacional\/armas\/projeteis_de_artilharia_uranio_empobrecido_465.jpg\" \/><br \/>\n<\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><em><span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>&ldquo;Os m&iacute;sseis que levam pontas dotadas de ur&acirc;nio empobrecido se ajustam &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o &agrave; descri&ccedil;&atilde;o de uma bomba suja&#8230;Eu diria que &eacute; a arma perfeita para assassinar um monte de gente&rdquo;.<\/strong><\/span><\/span><\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family: Verdana\"><em><span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong> <\/strong><\/span><\/span><\/em><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>(Marion Falk, especialista em f&iacute;sica e qu&iacute;mica Laborat&oacute;rio Lawrence Livermore, Calif&oacute;rnia\/EUA).<br \/>\n<\/strong><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\n&Agrave; primeira impress&atilde;o, Askar Bin Said parece estar b&ecirc;bado. Mas a bebida alco&oacute;lica &eacute; proibida em Basra. Na verdade, ele viu criaturas que descreve com seus pr&oacute;prios olhos: &quot;<em>Alguns tinham apenas um olho na testa ou duas cabe&ccedil;as. Um tinha um rabo, como o de um cordeiro. Outra parecia uma crian&ccedil;a perfeitamente normal, por&eacute;m com o rosto de um macaco. Ou a menina cujas pernas estavam grudadas, metade peixe, metade ser humano<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nOs beb&ecirc;s que Askar bin Said descreve foram levados at&eacute; ele. Ele os lavou e os enrolou em mortalhas, e ent&atilde;o os enterrou no solo seco, cheio de peda&ccedil;os de pl&aacute;stico e tampas de latas, no cemit&eacute;rio que pertence &agrave; sua fam&iacute;lia h&aacute; cinco gera&ccedil;&otilde;es. Esse &eacute; um cemit&eacute;rio apenas para crian&ccedil;as.<\/p>\n<p>\nEmbora sejam pequenos, os t&uacute;mulos ficam t&atilde;o pr&oacute;ximos que quase formam um amontoado. Em muitos casos, n&atilde;o existe sequer espa&ccedil;o para colocar a data de nascimento do beb&ecirc;. Mas isso realmente n&atilde;o importa, porque, na maioria dos casos, as duas datas s&atilde;o id&ecirc;nticas.<\/p>\n<p>\nH&aacute; milhares de sepulturas no cemit&eacute;rio e quase dez novos t&uacute;mulos s&atilde;o adicionados todos os dias. O n&uacute;mero de t&uacute;mulos &eacute; certamente not&aacute;vel, disse Bin Said, mas &quot;<em>realmente n&atilde;o h&aacute; uma explica&ccedil;&atilde;o<\/em>&quot; por que existem tantos beb&ecirc;s mortos e rec&eacute;m-nascidos deformados em Basra.<\/p>\n<p>\nOutros, no entanto, acreditam saber o porqu&ecirc;. De acordo com um estudo publicado em setembro no Boletim de Contamina&ccedil;&atilde;o Ambiental e Toxicologia, uma revista profissional com sede na cidade alem&atilde; de Heidelberg, houve um aumento de sete vezes no n&uacute;mero de rec&eacute;m-nascidos com defeitos em Basra entre 1994 e 2003. Dentre cada 1 mil nascidos com vida, 23 tinham defeitos de nascen&ccedil;a.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>C&acirc;nceres duplos e triplos<br \/>\n<\/strong><\/span><\/span><\/span>N&uacute;meros igualmente altos foram registrados em Fallujah, uma cidade que foi fortemente disputada na guerra de 2003. Segundo o estudo de Heidelberg, a concentra&ccedil;&atilde;o de chumbo nos dentes de leite das crian&ccedil;as doentes de Basra &eacute; quase tr&ecirc;s vezes maior do que a quantidade registrada em &aacute;reas onde n&atilde;o houve combates.<\/p>\n<p>\nJawad al-Ali trabalha como especialista em c&acirc;ncer no Hospital Sadr(<span style=\"font-family: Arial\">antigo Hospital Saddam<\/span>), situado em Basra, desde 1991. Ele lembra do per&iacute;odo ap&oacute;s a Guerra do Golfo. &quot;<em>N&atilde;o &eacute; que o n&uacute;mero de casos de c&acirc;ncer tenha apenas aumentado repentinamente. Tamb&eacute;m apareceram c&acirc;nceres duplos e triplos, ou seja, pacientes com tumores nos rins e no est&ocirc;mago. Tinham tamb&eacute;m grupos de familiares adoecidos, ou seja, fam&iacute;lias inteiras que foram afetadas pela doen&ccedil;a<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nEle est&aacute; convencido de que isso est&aacute; relacionado com a utiliza&ccedil;&atilde;o de muni&ccedil;&otilde;es contendo ur&acirc;nio. &quot;<em>H&aacute; uma conex&atilde;o entre o c&acirc;ncer e a radia&ccedil;&atilde;o. &Agrave;s vezes, s&atilde;o precisos 10 ou 20 anos para as consequ&ecirc;ncias se manifestarem<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nO Minist&eacute;rio de Defesa Alem&atilde;o afirmou que n&atilde;o &eacute; a radia&ccedil;&atilde;o que apresenta uma amea&ccedil;a &agrave; sa&uacute;de, mas sim a &quot;<em>toxicidade qu&iacute;mica do ur&acirc;nio<\/em>&quot;.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>Vivendo em um dep&oacute;sito de lixo<br \/>\n<\/strong><\/span><\/span><\/span>A Royal Society apresentou um dos estudos mais completos sobre o assunto em 2002, mas s&oacute; lidou com a potencial amea&ccedil;a para os soldados. Concluiu-se que o risco de danos causados pela radia&ccedil;&atilde;o &eacute; &quot;<em>muito baixo<\/em>&quot;, assim como o risco de toxicidade renal cr&ocirc;nica pelo contato com o p&oacute; de ur&acirc;nio.<\/p>\n<p>\nIsto pode at&eacute; tranquilizar os soldados, mas n&atilde;o Mohammed Haidar. Ele vive em Kibla, um distrito de Basra que, como outros da cidade, se assemelha a um dep&oacute;sito de lixo. Kibla &eacute; um bairro repleto de barracos &#8211; com l&iacute;quidos brilhantes e esverdeados fluindo por esgotos a c&eacute;u aberto e recipientes de pl&aacute;stico cheios de material em decomposi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\nHaidar, que &eacute; professor de matem&aacute;tica em uma escola local, poderia se dar ao luxo de viver em um bairro melhor. Mas ele gasta todo seu dinheiro em um tratamento para sua filha Rukya. Aos tr&ecirc;s anos de idade, ela estava sentada em seu colo, como se fosse uma boneca de ventr&iacute;loquo. Ela &eacute; uma menina ador&aacute;vel com tran&ccedil;as e fitas no cabelo, mas n&atilde;o caminha ou fala corretamente.<\/p>\n<p>\nQuando Haidar vira sua filha, duas aberturas em suas costas se tornam vis&iacute;veis. Ela tem uma fissura na coluna, o sinal vis&iacute;vel externamente da hidrocefalia, assim como um tubo de drenagem implantado para remover o excesso de fluido c&eacute;rebro-espinal.<\/p>\n<p>\nNa Alemanha, as crian&ccedil;as com casos como o dela s&atilde;o frequentemente tratadas com cirurgia pr&eacute;-natal, mas isso n&atilde;o ocorre em Basra. Na verdade, Haidar e sua esposa est&atilde;o contentes que Rukya ainda est&aacute; viva. Ela &eacute; a sua primeira e &uacute;nica filha. &quot;<em>N&oacute;s crescemos em Basra. Eu culpo os Estados Unidos por isso. Eles utilizaram ur&acirc;nio em suas muni&ccedil;&otilde;es. Minha filha n&atilde;o &eacute; um caso isolado<\/em>&quot;, disse Haidar.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>Sem Propaganda<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nEra imposs&iacute;vel manter as crian&ccedil;as e cidad&atilde;os longe dos destro&ccedil;os, disse Abu Yassin. &quot;<em>Instalamos placas que diziam: Cuidado&nbsp;&#8211; Radia&ccedil;&atilde;o!, mas as pessoas n&atilde;o levam a s&eacute;rio uma amea&ccedil;a quando o problema n&atilde;o &eacute; vis&iacute;vel<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nA muni&ccedil;&atilde;o de ur&acirc;nio &eacute; uma quest&atilde;o delicada e nem todo m&eacute;dico em Basra est&aacute; disposto a comentar o assunto. Os motivos para tamanha retic&ecirc;ncia t&ecirc;m a ver com o regime ditatorial de Saddam Hussein: a suposta amea&ccedil;a da radia&ccedil;&atilde;o advinda de restos de muni&ccedil;&otilde;es feitas com ur&acirc;nio j&aacute; alimentaram a propaganda do antigo regime.<\/p>\n<p>\nNos Estados Unidos, nenhum grande jornal publicou uma reportagem sobre as doen&ccedil;as gen&eacute;ticas em Fallujah. O The Guardian da Gr&atilde;-Bretanha, por outro lado, criticou o sil&ecirc;ncio do &quot;<em>Ocidente<\/em>&quot;, chamando-o de uma falha moral, e citou o qu&iacute;mico Chris Busby, que disse que a crise de sa&uacute;de em Fallujah representou &quot;<em>a maior taxa de danos gen&eacute;ticos em uma popula&ccedil;&atilde;o j&aacute; estudada<\/em>&quot;. Busby &eacute; o co-autor de dois estudos sobre o assunto.<\/p>\n<p>\nAinda assim, &eacute; dif&iacute;cil identificar com precis&atilde;o a causa dos defeitos. Anomalia na espinha dorsal tamb&eacute;m pode ser desencadeada por uma defici&ecirc;ncia de &aacute;cido f&oacute;lico no in&iacute;cio da gravidez, por exemplo. Al&eacute;m disso, poucos iraquianos conseguem pagar para realizar exames de gravidez regularmente. Como resultado, muitos embri&otilde;es defeituosos acabam nascendo, ao contr&aacute;rio do que normalmente acontece na Europa ou nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\nWolfgang Hoffmann, um epidemiologista da Universidade de Greifswald, no nordeste da Alemanha, tem colaborado com colegas cientistas em Basra h&aacute; anos. &quot;<em>Os defeitos cong&ecirc;nitos muitas vezes parecem muito preocupantes em fotos<\/em>&quot;, disse. &quot;<em>Mas eles s&atilde;o sempre casos isolados e n&atilde;o s&atilde;o necessariamente &uacute;teis para identificar tend&ecirc;ncia<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nHoffmann cita a falta de dados abrangentes e questiona a confiabilidade epidemiol&oacute;gica de relat&oacute;rios. Ele acredita, no entanto, que os ind&iacute;cios de aumento das taxas de c&acirc;ncer em Basra devem ser levados muito a s&eacute;rio, em parte porque os dados para Basra s&atilde;o mais confi&aacute;veis.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>Buscando a verdade<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nOs &quot;<em>fatores de risco plaus&iacute;veis<\/em>&quot; para a leucemia infantil, disse Hoffmann, &quot;<em>sem d&uacute;vida incluem o ambiente contaminado, mas tamb&eacute;m a falta de preven&ccedil;&atilde;o, o trauma sofrido pelos pais e a devastada infra-estrutura m&eacute;dica<\/em>&quot;. O aumento estat&iacute;stico do n&uacute;mero de crian&ccedil;as com leucemia desde 1993, &eacute; tamb&eacute;m resultado de casos que n&atilde;o foram totalmente documentados antes de 2003.<\/p>\n<p>\nJanan Hassan, uma oncologista do Hospital Infantil de Basra, participou de um estudo que acaba de ser publicado no Jornal de Medicina da Universidade Sultan Qaboos de Om&atilde;. Nele, afirma que embora a taxa de leucemia infantil em Basra tenha se mantido est&aacute;vel entre 2004 e 2009, em compara&ccedil;&atilde;o com outros pa&iacute;ses da regi&atilde;o, h&aacute; uma tend&ecirc;ncia entre crian&ccedil;as muito jovens de contra&iacute;rem a doen&ccedil;a.<\/p>\n<p>\nAssim, ela acredita que as obje&ccedil;&otilde;es s&atilde;o apenas parcialmente aplic&aacute;veis. H&aacute; um &quot;<em>forte aumento<\/em>&quot; nos defeitos gen&eacute;ticos como causa da leucemia, ela observou. &quot;<em>E os casos s&atilde;o provenientes precisamente das &aacute;reas onde aconteceram combates pesados. Como voc&ecirc; explica isso? Dizendo que os requisitos de informa&ccedil;&atilde;o mudaram<\/em>?&quot;.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>&quot;<em>Bombas em nosso bairro<\/em>&quot;<br \/>\n<\/strong><\/span><\/span><\/span>O hospital paga a quimioterapia, embora a radioterapia seja mais eficaz para o tratamento de seu tumor. Mas ela &eacute; dispon&iacute;vel apenas no exterior ou em Bagd&aacute;, onde h&aacute; uma lista de espera de pelo menos cinco meses&nbsp;&#8211; e a fam&iacute;lia n&atilde;o possui muito tempo. A m&atilde;e pede a Al&aacute; e quando o int&eacute;rprete pergunta de quem &eacute; a culpa pela afli&ccedil;&atilde;o de seu filho, ela afirma: &quot;<em>A guerra &eacute; a culpada. A polui&ccedil;&atilde;o. Havia muitas bombas em nosso bairro<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nO ur&acirc;nio pode ser um fator, mas outras subst&acirc;ncias utilizadas na produ&ccedil;&atilde;o de muni&ccedil;&otilde;es e bombas tamb&eacute;m est&atilde;o implicadas, metais pesados t&oacute;xicos, como o chumbo e o merc&uacute;rio. &quot;<em>O bombardeio de Basra e Fallujah pode ter aumentado a exposi&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o aos metais, possivelmente resultando no aumento nos defeitos de nascimento<\/em>&quot;, afirma o estudo de Heidelberg.<\/p>\n<p>\nAl&eacute;m disso, quando o campo de petr&oacute;leo de Rumaila perto de Basra, foi incendiado em 2003, uma nuvem de fuligem cheio de part&iacute;culas cancer&iacute;genas atingiu a cidade. E outro fator tamb&eacute;m pode estar em jogo. Desde que Saddam foi deposto, vizinhos do Iraque como Ir&atilde;, S&iacute;ria e Turquia t&ecirc;m desviado substancialmente mais &aacute;gua dos rios Eufrates e Tigre. A corrente no Shatt-al-Arab, formada pela conflu&ecirc;ncia dos dois rios, &eacute; agora t&atilde;o fraca que a &aacute;gua salgada penetra no interior do Golfo P&eacute;rsico e vai at&eacute; Basra.<\/p>\n<p>\nIsto significa que as &aacute;guas residuais de instala&ccedil;&otilde;es industriais a jusante de Basra, como a refinaria de petr&oacute;leo iraniana em Abadan, n&atilde;o est&atilde;o mais sendo adequadamente dilu&iacute;das, aumentando a concentra&ccedil;&atilde;o de metais pesados nas &aacute;guas subterr&acirc;neas.<\/p>\n<p>\nAbu Ammar vive com sua fam&iacute;lia nas redondezas do antigo centro de comando da Marinha de Saddam. Os aposentos abrigam quase 10 pessoas em um quarto, e a situa&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias outras fam&iacute;lias n&atilde;o &eacute; t&atilde;o diferente quanto a dele. &Eacute; mais um bairro pobre de Basra &#8211; a riqueza dos po&ccedil;os de petr&oacute;leo de Basra, onipresente no bairro em forma de emana&ccedil;&otilde;es fedorentas, ainda n&atilde;o foi compartilhada com as pessoas.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>Tr&ecirc;s Olhos para Tr&ecirc;s Crian&ccedil;as<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nAmmar colocou um tapete de pl&aacute;stico no ch&atilde;o e uma lata de 7-Up e um bolo para cada um de seus visitantes sobre o tapete. A fam&iacute;lia &#8211; <em>ou o que restou dela <\/em>&#8211; se agachou ao redor do tapete. Os soldados de Saddam executaram dois irm&atilde;os de Ammar. O primo sentado ao lado dele ainda tinha um peda&ccedil;o de estilha&ccedil;os de um ataque preso atr&aacute;s de seu olho, a m&atilde;e morreu de desgosto, sua esposa j&aacute; n&atilde;o sai para fora da casa &#8211; &quot;<em>e esses s&atilde;o os nossos filhos<\/em>&quot;, disse ele.<\/p>\n<p>\nEle apontou para uma mulher de 21 anos de idade, uma menina de sete anos de idade e um menino, sentado um ao lado do outro. Eles n&atilde;o t&ecirc;m os mesmos pais, mas todos os tr&ecirc;s t&ecirc;m as mesmas caras estreitas, e juntos eles t&ecirc;m apenas tr&ecirc;s olhos.<\/p>\n<p>\nAs bases de seus olhos perdidos parecem como o interior de uma ostra, leitoso e disforme. A jovem, Madia, frequenta a faculdade local. Ela n&atilde;o gosta de ir l&aacute; mesmo cobrindo metade de seu rosto com o v&eacute;u. &quot;<em>O que causou isso? Acho que minha m&atilde;e inalou algum tipo de subst&acirc;ncia qu&iacute;mica quando eu estava dentro dela<\/em>&quot;, disse Madia.<\/p>\n<p>\n&Eacute; f&aacute;cil atribuir a culpa por esses defeitos de nascen&ccedil;a &agrave;s muni&ccedil;&otilde;es de ur&acirc;nio, feitas pelos Estados Unidos. &Eacute; mais f&aacute;cil do que ponderar sobre os efeitos do chumbo e merc&uacute;rio no solo e nos tomates, ou da fuligem no ar e os materiais t&oacute;xicos na &aacute;gua. Mas isso n&atilde;o isenta os envolvidos na guerra da responsabilidade. N&atilde;o &eacute; o suficiente para declarar que a guerra acabou. Mesmo que o Iraque hoje tenha elei&ccedil;&otilde;es e o tirano tenha sido enforcado, a guerra ainda est&aacute; presente no solo, no ar e nas crian&ccedil;as.<\/p>\n<p>\nOmran Habib lidera o Grupo de Pesquisa do C&acirc;ncer de Basra. Obteve seu Ph.D. em Londres e agora trabalha como um epidemiologista do Hospital Universit&aacute;rio de Basra. &quot;<em>A guerra causou uma enorme quantidade de danos nesta regi&atilde;o<\/em>&quot;, disse. &quot;<em>Muni&ccedil;&otilde;es de ur&acirc;nio certamente n&atilde;o s&atilde;o boas para a nossa sa&uacute;de. No entanto, mesmo a presen&ccedil;a de ur&acirc;nio na urina dos pacientes n&atilde;o implica causalidade<\/em>&quot;.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>Um Pacote Branco<br \/>\n<\/strong><\/span><\/span><\/span>A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de(<span style=\"font-family: Arial\">OMS<\/span>) est&aacute; montando um relat&oacute;rio sobre a muni&ccedil;&atilde;o de ur&acirc;nio. Ele ir&aacute; refletir o estado atual das pesquisas sobre o assunto, mas dificilmente ir&aacute; fornecer quaisquer novas informa&ccedil;&otilde;es. Com a ajuda da Universidade de Greifswald, um registro do c&acirc;ncer tem sido desenvolvido para a regi&atilde;o de Basra e servir&aacute; de base para todos os futuros estudos. Ainda assim, embora mais pesquisas sejam necess&aacute;rias, mesmo que apenas por causa das crian&ccedil;as, ele acontecer&aacute; muito tarde para muitas delas.<\/p>\n<p>\n&Eacute; certamente tarde demais para o corpo estendido dentro de um pequeno saco branco, amarrado em ambas extremidades, como uma bala, deitado sobre um monte de terra ao longo da borda do cemit&eacute;rio de crian&ccedil;as em Basra. Era para ser o seu primeiro filho, disse o pai, de p&eacute; ao lado do corpo. Um dia antes, a crian&ccedil;a ainda estava se movendo dentro do est&ocirc;mago da m&atilde;e. Hoje, o pai foi simplesmente recebeu um saco branco.<\/p>\n<p>\nO respons&aacute;vel de plant&atilde;o por lavar os corpos suspirava alto enquanto cavava a sepultura. Em seguida, colocou o saco dentro do buraco, disse algumas palavras de ora&ccedil;&atilde;o, fez alguns ajustes no saco e o cobriu com terra.<\/p>\n<p>\nDepois do ritual, os homens foram fumar. Ao pai &eacute; dado um peda&ccedil;o de papel&atilde;o, onde escreve o nome de seu filho, copiando da certid&atilde;o de nascimento e certid&atilde;o de &oacute;bito que lhe deram no hospital. O coveiro ir&aacute; escrever o nome de seu filho no cimento. O menino ia se chamar Hussein Ali. O pai escreveu o nome de seu filho morto pela primeira e &uacute;ltima vez.<\/p>\n<p>\nO homem permanece im&oacute;vel. <em>Quem se pergunta sobre de quem &eacute; a culpa disso tudo em um momento t&atilde;o vulner&aacute;vel<\/em>? Ele parecia abalado, completamente imerso numa profunda sensa&ccedil;&atilde;o de perda e roubado de uma pequena vida.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"font-size: medium\"><strong>Os efeitos do Ur&acirc;nio Empobrecido(U.E.)<br \/>\n<\/strong><\/span><\/span><\/span>Os efeitos do Ur&acirc;nio Empobrecido(<span style=\"font-family: Arial\">UE<\/span>) utilizado pelos Estados Unidos em seus proj&eacute;teis de artilharia est&atilde;o causando efeitos devastadores sobre a popula&ccedil;&atilde;o iraquiana, principalmente em crian&ccedil;as, que por terem um &iacute;ndice de absor&ccedil;&atilde;o maior que os adultos, est&atilde;o mais suscet&iacute;veis ao envenenamento por Ur&acirc;nio. Nunca antes, na hist&oacute;ria do Iraque, houve um &iacute;ndice t&atilde;o alto de doen&ccedil;as cancer&iacute;genas.<\/p>\n<p>\nO uso de armas com ur&acirc;nio empobrecido &eacute; um crime de guerra de primeira ordem. Vale lembrar que em apenas sete dias esse material radiativo contido no ar iraquiano alcan&ccedil;a at&eacute; mesmo a Espanha e o Reino Unido. A radia&ccedil;&atilde;o do ur&acirc;nio empobrecido &eacute; t&atilde;o maligna que &eacute; a grande causa do aumento de casos de diabetes no mundo(<span style=\"font-family: Arial\">muito diferente da desculpa oficial&nbsp;&#8211; a m&aacute; alimenta&ccedil;&atilde;o<\/span>).<\/p>\n<p>\n<em>De onde vem esse ur&acirc;nio empobrecido usado pelos EUA<\/em>? Do Canad&aacute;. O uso &eacute; ilegal, j&aacute; que as leis canadenses pro&iacute;bem o uso de ur&acirc;nio canadense em armas. Contudo, como o Primeiro Ministro desse pa&iacute;s &eacute; membro do Grupo Bilderberg, as leis s&atilde;o desrespeitadas sem qualquer pudor, uma vez que os interesses s&atilde;o de globalistas, e n&atilde;o de um pa&iacute;s ou outro(<span style=\"font-family: Arial\">e de seus povos<\/span>). O ur&acirc;nio(<span style=\"font-family: Arial\">juntamente com o &oacute;pio\/hero&iacute;na e o petr&oacute;leo<\/span>) &eacute; a raz&atilde;o pela qual os EUA est&atilde;o no Afeganist&atilde;o &ndash; que juntamente com o Canad&aacute; s&atilde;o os dois maiores exportadores mundiais de ur&acirc;nio.<\/p>\n<p>\nO&nbsp;ur&acirc;nio empobrecido est&aacute;\/esteve em diversas guerras: Iraque, Afeganist&atilde;o, Gaza, Kosovo&hellip; esse ur&acirc;nio empobrecido viaja pelo ar e pelas correntes mar&iacute;timas, penetra no solo, atingindo plantas e animais(<span style=\"font-family: Arial\">inclusive os que comemos<\/span>). Cientistas j&aacute; provaram que esse ur&acirc;nio causa diversos males, afetando diretamente o DNA humano.<\/p>\n<p>\nCasos j&aacute; foram levados para o Tribunal de Crimes de Guerra de Kuala Lumpur(<span style=\"font-family: Arial\">o mesmo que recentemente condenou George Bush, seu vice presidente, Dick Cheney e Donald Rumsfeld, Secret&aacute;rio de Defesa, por crimes de guerra<\/span>) e foram arquivados, sob a alega&ccedil;&atilde;o que os estudos cient&iacute;ficos n&atilde;o eram conclusivos.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeteis de artilharia com Ur\u00e2nio empobrecido.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[10],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7339"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7339"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7339\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7339"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7339"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7339"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}